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2 - O nascimento de Jesus Mt 1, 18-25


O nascimento de Jesus, 1.18-25 Lc 1.26–2.20

18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
Em Israel um noivado significa muito mais que entre nós. Sob aspecto jurídico, o noivado era equivalente ao matrimônio, pois a noiva já era considerada legalmente como esposa. Se um noivo morria, a mulher tinha se tornado “viúva”! O casamento propriamente consistia apenas na solene cerimônia de levar a noiva para a casa do noivo.
Por isso é que já em Dt 5.23s a noiva é chamada de mulher de seu noivo. Em vista disso também se tornam compreensíveis no cap. 1 as expressões que dizem, no v. 19, José,  esposo da Maria; v. 20:
Maria é a mulher de José, e v. 24: José recebeu a sua mulher, apesar de que ainda se pensa na relação de noivos! Portanto, entre os judeus o noivado era o início do matrimônio legalmente contraído. As bodas na verdade eram apenas a festa de buscar a noiva para casa (cf. Mt 25). Então teria início a convivência doméstica e conjugal!
Quando uma noiva tinha mantido relações com outro homem que não o seu noivo, o direito judaico considerava esse fato como  adultério. O adultério era castigado com a morte por apedrejamento, aplicado a ambos, ao homem e à mulher. Sendo Maria filha de um sacerdote, consideravam-se ainda outros agravamentos da pena. O adultério de uma filha de sacerdote era castigado com a morte por fogo. O sedutor era estrangulado. É verdade que, sob o domínio romano, a pena de morte foi tirada dos judeus e era executada somente pelos romanos. Em Jo 18.31 os judeus dizem a Pilatos: “Não nos é lícito matar ninguém”. Contudo, expor no pelourinho, publicamente, isso estava na ordem do dia, sem problemas.
Com base no exposto podemos, agora, compreender bem o v. 19.

19 Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar, resolveu deixá-la secretamente.
Decepcionado, José teve que constatar: aconteceu adultério por parte de Maria. Mas não podia sequer imaginá-lo, considerando a religiosidade e pureza de conduta da Maria. Como devem ter sido terríveis os sofrimentos na alma de José. Contudo, não lhe deve ter feito quaisquer recriminações.
Deve ter silenciado, sem perguntar, para não magoar Maria. Como homem “justo”, como o v. 19 o define, José deve ter sofrido uma enorme tensão, a saber entre o amor por Maria e a obediência à lei.
Como homem justo (i. é, como um homem religioso nos termos do AT, que cumpria a lei), não podia casar com uma adúltera, sob pena de tornar-se culpado do adultério. Portanto, devido à lei, ele precisava divorciar-se de Maria. Havia dois caminhos para esse divórcio de José: publicamente, isto é, mediante um processo, ou privadamente, por acordo tácito mediante uma carta de divórcio.
Consequência do processo seria uma pena, que no domínio romano consistiria em expor Maria à vergonha pública. José não queria isso. A palavra grega para “vergonha pública” ou “exposição no pelourinho” retorna em Cl 2.15. José escolheu o outro caminho, que era separar-se entregando a
Maria uma carta de divórcio, privadamente, com o consentimento dela. A Maria dava-se, assim, a possibilidade de casar com aquele que mantivera relações com ela. Des se modo, o escândalo não viria a público. Tudo teria permanecido na esfera interna. Na verdade, a tradução de que José tinha a intenção de “deixá-la secretamente” não é bem correta, porque pode ser interpretada mal, no sentido de que José desapareceria secretamente, abandonando Maria. – Uma ação dessas seria contrária ao caráter de José, que era “justo”.
Será que Jesus seria nascido como filho de uma adúltera? Tudo parecia pressionar nessa direção!
O testemunho de Maria, a única que sabia da verdadeira situação, não seria capaz de impedir José de executar sua decisão de se separar dela. Pelo contrário, uma explicação de Maria sobre a verdadeira situação lhe teria parecido como uma afirmação inacreditável. Por isso Maria persistiu no silêncio!
Com certeza lamentou-se muito sob essa angústia, de ter de observar o sofrimento indizível de seu noivo.
Nessa circunstância incrivelmente tensa, em que não se vislumbrava saída alguma, e na qual pareciam sobrar para as duas pessoas religiosas José e Maria apenas o adultério e a vergonha, tornava-se necessária a intervenção de um poder maior, a saber, o poder do próprio Deus!

20 Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.
O que Mateus já havia comunicado ao leitor no v. 18 com as palavras “… estava grávida pelo Espírito Santo”, agora é transmitido a José pelo anjo do Senhor, que diz: O que Maria está esperando é obra do Espírito Santo. A palavra “eis” aponta para a surpresa súbita.

21 Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
Será um “filho” a quem Maria dará a vida. O anjo continua solicitando a José que exerça seu direito de pai no filho de Maria. O direito de pai consiste em dar-lhe um nome. O anjo do Senhor diz ainda: “…pois ele próprio e nenhum outro, ele sozinho salvará o seu povo dos pecados”. No texto original esse “ele próprio” é acentuado de modo especial. Como sabemos, o nome Jesus significa “auxílio, cura, salvação”, literalmente: Javé é salvação, o u seja, “em Jesus, Deus traz salvação”. O nome Jesus corresponde ao nome Josué no AT. Assim como Josué, Jesus é verdadeiramente o “único”, que liberta a terra toda e a preenche com a presença pessoal de Deus. Em sua pessoa realiza-se a libertação das criaturas escravizadas, para a maravilhosa liberdade dos filhos de Deus!
José dificilmente terá superado a surpresa e a admiração! Inconcebíveis e incompreensíveis, como fora de qualquer medida, ter-lhe-ão soado as palavras do anjo. Ele, que pensava ter de distanciar-se do ato pecaminoso de sua noiva para, como homem justo, íntegro, não ter mais comunhão com uma pecadora, precisa ouvir e captar agora (mas não de Maria, a quem nem teria dado crédito), mas da boca do anjo do Senhor, que o filho (que Maria dará à luz) não é uma criança ilegítima de origem duvidosa, mas desde a eternidade estava destinado, como Jesus, como o “Deus ajuda”, a “salvar o seu povo dos pecados deles”.

22,23 Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).
A surpreendente concordância entre aquela antiga profecia de Isaías e a condição atual inconcebível da virgem Maria convenceu o íntegro José a acreditar totalmente na mensagem do anjo e a reconhecer que, no caso de Maria, não havia ocorrido um adultério, mas sim um ato milagroso único e grandioso de Deus. Em consonância com isso, José passa a agir. 

24,25 Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.
José obedece imediatamente ao anjo do Senhor. Logo depois de acordar, busca Maria para casa como sua esposa. Continuou obedecendo ao anjo do Senhor: quando a criança nasceu, deu-lhe o nome “Jesus”. Desse modo reconheceu juridicamente perante todo o mundo a criança como seu filho.
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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