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Lição 10 - O estilo de liderança do Apóstolo Paulo / 2. Liderança e comunicação paulina

2.  Liderança e comunicação paulina
Liderar em qualquer estilo é comunicar, mas o estilo paulino nos moldes de Jesus Cristo leva essa comunicação com algumas considerações preliminares. Como Paulo liderava então? Vejamos alguns pontos principais.



2.1. Carisma
Do ponto de vista de Atos, Paulo é apresentado como um homem cuja comunicação exala abundante graça. Considerando o seu trabalho em Antioquia ao lado de Barnabé e também nas viagens missionárias, ele foi um ótimo comunicador diante de reis, governadores e sacerdotes. Chegando a ser confundido na cidade de Listra com Mercúrio, o deus mensageiro dos gregos e da eloquência, sofrendo posteriormente um terrível apedrejamento por recusar a apoteose (At 14.12). Todavia, nem sempre foi assim, pois do ponto de vista estético diante de alguns que tinham profundo conhecimento de oratória diziam: “As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra desprezível” (2Co 10.10). Fica claro também que tal palavra procedia de opositores seus de dentro de Corinto, sem discernimento espiritual. Liderar é ministrar biblicamente boas palavras aos cansados, e isso Paulo fazia muito bem, mesmo que sua linguagem fosse destituída de floreios (Is 50.4).
At 14.12 - A Barnabé chamavam Zeus e a Paulo Hermes, porque era ele quem trazia a palavra.
Os milagres, por si mesmos, não convencem ninguém de seus pecados nem produzem fé. É preciso que sejam acompa­nhados da Palavra (At 14:3). Tratava-se de uma multidão supersticiosa, que interpretou os acontecimentos à luz da própria teolo­gia. Identificaram Barnabé com Júpiter (Zeus), o maior dos deuses, e Paulo com Mercúrio (Hermes), o mensageiro dos deu­ses. Júpiter era o padroeiro da cidade, de modo que o sacerdote de Júpiter viu nessa ocasião uma excelente oportunidade de ganhar projeção e levar o povo a honrar seu deus.


2Co 10.10 - Afirmando que possui essa autoridade de seu Senhor, Paulo “não se envergonhará” dela. Essa autoridade se evidenciará como real em sua visita, “para que não pareça ser meu intuito intimidar-vos por meio de cartas. As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença física dele é insignificante, e a palavra, desprezível.” Logo no começo dessa última seção da carta Paulo havia feito alusão aquilo que os adversários afirmavam sarcasticamente sobre ele: “De longe esse Paulo é tão audacioso, falando palavras poderosas, mas quando se encontra olho no  olho diante da igreja e de nós, ele é “insignificante” e não tem coragem para nada.” Em Corinto, porém, igualmente se comentava que as cartas do apóstolo eram impressionantes e poderosas. Mas, quando o escritor dessas cartas impactantes aparecia ao vivo diante deles, como parecia fraco! Tampouco sabe falar, falar de maneira desenvolta e cativante. Certamente contribuía para essa sentença a valorização grega da arte da retórica. Não obstante, precisamos aprender a não fabricar uma imagem equivocada do apóstolo baseada nos desejos da veneração cristã de heróis.


2.2. Coragem

A ousadia na comunicação de Paulo era algo constante e abundante. A visão equilibrada de si mesmo fazia dele uma pessoa odiada em muitos lugares. Quer dizer, ele não se sentia superior ou inferior no trato com as pessoas, mas entendia que exercia sua liderança mediante a sobre-excelente graça divina. Pois se fosse olhar para sua história de perseguidor, seria um homem indigno. Nem por isso ele se anulou diante do brilho dos apóstolos, quando precisou repreender Pedro em público, fê-lo; quando precisou contender com os judaizantes ao lado de Barnabé, não deixou para depois; e mesmo o próprio Barnabé, foi alvo de sua reprovação por querer dar mais uma chance àquele que abortara a missão diante de Perge na Panfília. A humildade de um líder não impede que o mesmo exponha o seu pensamento.



2.3.  Comprometimento
Todo grande comunicador costuma despertar grandes sonhos nos outros, fazer promessas e marcar compromissos. Porém, o verdadeiro líder cristão é um homem de palavra, que sustenta o que diz; aborrece a palavra fingida e a duplicidade de caráter. Só promete o que vai cumprir, e caso não cumpra, arrepende-se e explica o porquê do não cumprimento, pedindo desculpas. Paulo se tornou um homem notável por ser fidelíssimo ao que dizia e não permitia ou tolerava que seus obreiros fossem de “língua dobre” (lTm 3.8). Mas houve vezes que ficou impedido de atender alguns compromissos, mesmo assim reconheceu a falha em suas cartas (Rm 1.13; 15.22,23; lTs 2.17).

Paulo foi obreiro que tinha, em mira, um alvo no qual resumia toda a sua vida, ser bem sucedido para ele consistia em não perder o foco de seu objetivo, que era exclusivamente agradar a Cristo (Fp 3.8.14). Todo líder que tem uma visão clara, para onde vai, os outros se sentem inspirados a segui-lo. Aí a clareza da comunicação daquilo que se pretende se toma algo fundamental em relação ao grupo que se propõe influenciar. Deixemos a ingenuidade de que liderar é estar de bem com todos. A política celestial reprova isso, essa postura não reflete um líder totalmente entregue nas mãos de Cristo, e sim, um político mundano muito mal feito. Acima de tudo, um líder espiritual é um homem de fé cujo destino repousa nas mãos de Deus. Isso parece ser idealista, platônico, mas não é, trata-se de um realismo espiritual que se escaparmos dele, tudo mais diante de Deus será palha, madeira e feno, não suportarei o seu fogo.




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