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Lição 10 - O estilo de liderança do Apóstolo Paulo / 1. Liderança nos moldes de Cristo


1. Liderança nos moldes de Cristo
Imagine você, quando pela primeira vez, Paulo, ainda não convertido, teve algum contato com o nome Jesus, como um líder religioso da Galileia. Qualquer um que tenha falado com ele, provavelmente lhe passou uma horrível impressão acerca de Jesus e alimentou ódio em seu coração. E interessante como se pode odiar uma pessoa que mal se conhece, apenas porque se falou mal dela, e somando com as noções preconcebidas, tanto mais esse ódio é alimentado. Todavia, após o seu encontro com aquela Luz falante no caminho de Damasco, Paulo passou a amá-lo, e tomou para si o exemplo de liderança de seu Mestre todos os dias de sua vida.


1.1. Servir aos outros

Os reis e governadores caem sempre na tentação de se acharem os “escolhidos”, viam-se a si mesmos como filhos dos deuses e sempre exerciam uma política em torno da qual deveriam ser servidos, adorados, e exercer domínio sobre os outros. Não há exageros ao falar isso, pois havia estátuas e sacrifícios oferecidos a esses reis, é possível até citar, por exemplo, os reis romanos, que, com o passar do tempo, não resistiram a tal tentação e acabaram cedendo. Evidentemente, que, para um judeu praticante, isso era inaceitável. Mas essa ideia de ser servido, ser o centro de tudo, permanecia até mesmo nos próprios discípulos. Esse fato Jesus combateu com seu exemplo e ensino, mostrando que, como Filho de Deus, não veio para ser servido e sim para servir. E foi a esse estilo de liderança que Paulo abraçou e viveu.



1.2. Inspirar aos outros
A liderança por inspiração não era novidade, mas sim um estilo que, apesar da sua eficácia, era desprezado, como em dias atuais, a sua prática ainda o é. Na verdade, liderança cristã tem a sua base no exemplo que visa inspirar a outros a segui-lo. Neste nível, nada é feito por imposição, mas se busca ser transparente e confiável. Enquanto “os governantes” utilizam o poder para impor, controlar, e nunca serem transparentes nas suas decisões com as pessoas, seguindo o exemplo do Mestre, Paulo sempre teve em vista se oferecer como exemplo a ser imitado (ICo 11.1; 2Ts 3.9). Lamentavelmente, a verdadeira liderança é muito combatida no plano ideológico dentro das igrejas.
2Ts 3.9 - não por que não tivéssemos tal direito, mas para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês.
Como apóstolo, Paulo tinha o direito de es­perar o sustento financeiro, mas abriu mão desse direito deliberadamente, a fim de ser um exemplo aos recém-convertidos (ver 1 Co 9:6-14). Por meio dessa atitude, mostrou ser um líder cristão maduro. Líderes egoístas usam as pessoas para garantir o próprio sus­tento e estão sempre exigindo seus direitos.
Um líder verdadeiramente dedicado usa seus direitos para edificar as pessoas e coloca seus privilégios de lado por amor aos outros.
O apóstolo já havia se referido a seu exemplo de trabalho na epístola anterior (1 Ts 2:9). Os leitores sabiam que Paulo e seus colaboradores não tiraram seu sustento de qualquer igreja recém-formada. Antes, deram o exemplo ao suprir as próprias ne­cessidades e ao ajudar a suprir as necessi­dades de outros. Paulo admoesta os leitores a seguirem o exemplo dado por ele e seus colaboradores.
As influências mais marcantes são exer­cidas por meio da vida piedosa e do sacrifício. Um líder pode apelar para a autoridade da Palavra, mas se não for capaz de apontar para o próprio exemplo de obediência, seu povo não lhe dará ouvidos. Eis a diferença entre autoridade e grandeza. Um líder ad­quire grandeza ao obedecer à Palavra e ser­vir a seu povo de acordo com a vontade de Deus. A autoridade vem do cargo, enquanto a grandeza vem da prática e do exemplo. A grandeza confere ao líder o direito de exer­cer autoridade.
Todo obreiro cristão tem o direito de re­ceber sustento da igreja onde serve ao Se­nhor (Lc 10:7; Cl 6:6; 1 Tm 5:17, 18). Não devemos usar o exemplo de Paulo como desculpa para não sustentar os servos de Deus. Mas todo servo de Deus tem o privi­légio de colocar de lado esse direito para a glória de Deus. Paulo o fez para que fosse um exemplo aos recém-convertidos de Tessalônica.

Essa política de Paulo não apenas era um estímulo para os recém-convertidos como também servia para calar seus acusa­dores. Havia, em todas as cidades, mestres itinerantes que "vendiam seus produtos" pelo preço que conseguissem. Paulo não de­sejava ser colocado na mesma categoria que eles. Também não desejava que incrédulos dissessem que ele pregava o evangelho por dinheiro. Segundo sua afirmação em 1 Co­ríntios 9, seu desejo era oferecer o evange­lho gratuitamente, a fim de não permitir que o dinheiro fosse um empecilho para ganhar almas perdidas.

1.3. Crer no melhor que há nos outros
Um líder inspirador usa o seu exemplo para influenciar os outros. Desta maneira, ele é forçado a crer no melhor que neles há. Talvez nenhum pudesse ver qualidades em Pedro para ser um líder, nem tampouco em Paulo, pois ambos eram muito desqualificados em muitos aspectos. Note que nem mesmo eles queriam tal encargo a princípio, todavia foram escolhidos e conquistados pelo Senhor Jesus. Tal escolha resultou no abundante crescimento da Igreja cristã. Barnabé tem o seu justo destaque, pois, segundo o livro de Atos, tornou-se o exemplo mais notável neste aspecto, quando apresentou Saulo aos apóstolos, depois o convidou para trabalhar em Antioquia da Síria, e deu oportunidade a João Marcos de ser cooperador.

Atentos ao que acima foi dito, percebemos que a liderança paulina repousa sobre o exemplo de Jesus Cristo. Logo ela não comporta certas expressões e posturas tão correntes em nossos dias, corno por exemplo: “Olhem para Jesus e não para mim porque eu falho”. Por mais humilde que pareça, tal expressão não reflete o padrão de Jesus, Paulo e Pedro que se possuem como exemplo (IPe 5.2-3). Outra falácia nem sempre abertamente dita é: “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”. Tal comportamento não só soa como mau exemplo, mas também como despótico. Talvez a pior de todas, que gera desconfiança entre o rebanho I de Cristo é: "maldito o homem que confia no homem”. Trata-se de um erro grosseiro de interpretação de l Jr 17.5 que na verdade censura autoconfiança exacerbada.


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