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Lição 11 - Paulo e o bom combate da oração










Introdução

Qualquer um que leia sobre o trabalho missionário de Paulo, seus diversos talentos naturais, e dons espirituais, não deixa de se impressionar pelo volume de trabalho por ele realizado por amor ao Senhor Jesus. Lemos e meditamos acerca deste consagrado servo de Cristo sob várias óticas: sua trajetória ministerial, seu ensino e filosofia, mas notamos de que um de seus grandes segredos era ser um combatente fervoroso na oração.

2:1: Pois quero que saibais quão grande luta tenho por vós, e pelos que estão em Loodicéia, e por quantos não viram a minha pessoa;
Em Col. 1:29 é usada a metáfora do atletismo, com o uso da palavra «afadigo», que no grego é «agonizo», indicando os labores extremamente diligentes de Paulo em prol do evangelho. Agora ele pinta seu serviço em favor de Cristo como a nobre «competição» (no grego, «agona»). A forma verbal, com seu derivado nominativo, talvez já tivesse adquirido uma espécie de sentido semitécnico para indicar o martírio e a vida dos mártires em potencial, que se ocupavam no conflito contra as forças do mal. No segundo século de nossa era, essas palavras tinham tal sentido. Pelo menos, o martírio, e a vida que conduz ao menos, nunca são vistos nas Escrituras como uma resistência passiva, mas antes, como uma luta ativa pelo bem e contra as forças do mal.
Paulo já havia mostrado que tinha o direito de escrever aos crentes de Colossos, convencendo-os do erro, por causa de sua comissão divina e do escopo universal do seu ministério (ver os versículos vinte e cinco a vinte e nove do primeiro capítulo); e agora diz que tinha esse direito devido ao seu interesse pessoal por aqueles crentes, e porque lutava pessoalmente em favor deles, não sendo eles uma questão indiferente para ele. Sua ansiedade não estava limitada às igrejas por ele fundadas. Ele era apóstolo dos gentios. Até mesmo o trabalho em Colossos fora, indiretamente, fruto do seu labor (ver Col. 1:7 e ss.), porquanto Epafras labutava sob a sua autoridade, e, mui provavelmente, se convertera sob o seu ministério.
“...pelos laodicenses..." Evidentemente Paulo também não trabalhara em Laodicéia, lugar que distava cerca  de cento e trinta quilómetros de Éfeso e menos de trinta e cinco quilómetros de Colossos; mas, tal como no caso de Colossos, provavelmente também fora o originador indireto da igreja daquele lugar. Fica implícito que os crentes de Laodicéia também vinham sendo atacados por alguma heresia similar à de Colossos, pelo que Paulo também se preocupava por eles, ao ponto de tornar-se uma «competição», uma questão agonizante para ele. É provável que Paulo aluda aqui, indiretamente, ao seu aprisionamento, talvez em Éfeso, que ficava tão próximo, e que fora ocasionado por seus labores naquela área, como também ao seu contínuo ministério de oração em favor deles. Também podem estar em foco certos mensageiros que ele lhes enviara, a fim de encorajá-los a andarem condignamente no caminho cristão e de protegê-los dos ataques heréticos. Laodicéia é cidade mencionada aqui porque esta epístola aos Colossenses deveria ser lida por aqueles crentes também (ver Col. 4:16), ao passo que certa outra epístola, provavelmente agora perdida, que Paulo enviara aos crentes laodicenses, deveria ser lida pela comunidade cristã de Colossos. Alguns estudiosos têm conjecturado que a carta aqui mencionada seria a nossa epístola aos Efésios ou a nossa epístola a Filemom, o que é possível, apesar de não passar de uma mera conjectura.
“...e por quantos não me viram face a face...” Há duas coisas que ficam subentendidas aqui: 1. Os crentes colossenses e laodicenses não eram conhecidos de Paulo. 2. Ele também não conhecia a outros crentes daquela região, como os de Hierápolis, que também eram objetos de sua agonia espiritual. O trecho de Col. 1:4, naturalmente, já indicara que ele não era fundador da igreja de Colossos; e a presente referência reforça isso.
“...face a face...” Literalmente, teríamos a tradição «minha face na carne». Os crentes tinham ouvido falar no apóstolo dos gentios, e tinham amigos mútuos, alguns dos quais eram líderes principais da comunidade cristã; mas nunca o tinham visto pessoalmente, embora o reconhecessem “espiritualmente”. Essas palavras não envolvem qualquer ideia de separar alguns “conhecidos” de Paulo dos “desconhecidos” dele naqueles lugares. Tão-somente indicam que ele não visitara aquela região em geral, embora houvesse ali diversas comunidades cristãs. Essas palavras, por igual modo, não fazem a separação entre “Colossos” e “Laodicéia”, como se houvesse localidades que ele conhecia e outras que ele não conhecia, na mesma área, ideia essa que alguns intérpretes ter defendido.


Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.

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