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Lição 11 - Paulo e o bom combate da oração / 1. O exemplo de Paulo na oração

1. O exemplo de Paulo na oração

A forma como ocorreu sua chamada ministerial era o agente impulsionador de seu trabalho missionário. Porém a oração dele foi a principal pilastra de um edifício que atravessa séculos, que os terremotos da perseguição ferrenha de imperadores romanos não o abalaram, nem tampouco a erosão do tempo corroeram.





1.1. Paulo um combatente da oração
Desde bem cedo, Paulo aprendeu a depender de Deus em Cristo pela oração. Ele entendia que a hegemonia do Império Romano fora conquistada a custa de vários combates, inclusive com a destruição definitiva de Cartago que controlava o comércio no Mar Mediterrâneo. Muitos reinos e nações foram conquistados o que deu a luz ao vasto Império, mas quando uma cidade se insurgia, eles a destruíam para demonstrar quem mandava, ou seja, mantinham o seu controle pela força. Entretanto Paulo entendeu que o estabelecimento do reino de Deus se dá pela oração. Sem ela não haverá verdadeira justiça, paz e alegria no Espírito Santo, que são a essência do reino celestial (Rm 14.17).
Rm 14.17 - Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo;
Os cristãos devem ter prioridades (w. 16-18). Assim como os fariseus da Antigui­dade, nós cristãos temos a tendência de nos concentrar nas minúcias (Mt 23:23, 24). Vi igrejas se dividirem por causa de questões insignificantes, quando comparadas com o que há de mais vital na fé cristã. Já ouvi falar de igrejas que se dividiram por causa de coisas secundárias, como o lugar onde o piano deveria ficar no templo ou a prática de servir refeições na igreja aos domingos. "Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espí­rito Santo" (Rm 14:17). "Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ga­nharemos, se comermos" (1 Co 8:8).

Nossas prioridades não devem ser as coisas externas, mas sim as coisas eternas: retidão, paz e alegria. De onde elas vêm? Do Espírito Santo de Deus operando em nossa vida (ver Rm 5:1, 2). Se cada cristão se entregasse ao Espírito e se concentrasse em levar uma vida piedosa, não veríamos cristãos discutindo entre si por causa de coi­sas secundárias. As prioridades espirituais são essenciais para a harmonia na igreja.


1.2. Paulo e demais companheiros de combate

Visto que o reino de Deus aqui é implantado no poder do Espírito Santo, não há outro meio de alcançar esse poder por Jesus Cristo prometido, senão pela oração. Por isso, subentende-se que Paulo tinha uma disciplina quanto à prática da oração. Alguns de seus companheiros de oração são mencionados ao longo do Novo Testamento: Barnabé, Silas, Timóteo, Epafras e muitos outros que talvez nunca venhamos conhecer. Certo dia, na segunda viagem missionária, Paulo e Silas saem para um lugar a fim de orar, e ambos foram surpreendidos por uma jovem pitonisa que dizia: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo”. Paulo depois de muitos dias repreendeu o espírito advinhador que dava lucro para os seus senhores, e ela nunca mais adivinhou (At 16.16-26). Devemos nos lembrar que a narrativa de Lucas aponta para Silas como um companheiro leal na oração e nas tribulações também.


1.3. Orando no Espírito
Quando Paulo ensina aos efésios, que eles devem orar: “Em todo tempo... No Espírito” (Ef 6.18), devemos entender que ele não está dizendo em orar mentalmente, mas está falando em orar motivado, energizado pelo Espírito Santo. Esse é um tipo de oração que procede da fé e comunhão com o Espírito, que possibilita o crente ir além de sua limitação de tempo e esforço mental. Então orar no Espírito aqui significa ser guiado e fortalecido pelo Espírito Santo em oração. Provavelmente Paulo utiliza essa frase aqui como em (ICo 14.14,15), para incluir a oração em línguas.
Ef 6.18 – Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos.
Orar em todo tempo. É evidente que isso não significa "proferir orações o tem­po todo". Não somos ouvidos por causa de nossas "vãs repetições" (Mt 6:7). "[Orar] sem cessar" (1 Ts 5:17) significa estar sem­pre em comunhão com o Senhor, estar conectado com ele a todo tempo. Ao orar, o ideal é nunca dizer: "Senhor, colocamo-nos em tua presença...", pois, na verdade, nunca deixamos a presença dele! O cris­tão deve orar "em todo tempo", pois está sempre sujeito a tentações e a ataques do diabo. Um ataque surpresa já derrotou mais de um cristão que se esqueceu de "orar sem cessar".
Orar com toda oração. Existe mais de uma forma de orar: oração, súplica, inter­cessão e ação de graças (Fp 4:6; 1 Tm 2:1). O cristão que ora apenas para pedir coisas para si está perdendo as bênçãos resultan­tes da intercessão e da ação de graças. Na verdade, a ação de graças é uma grande arma para derrotar Satanás. Assim como o louvor, a oração tem poder transformador. A intercessão por outros pode trazer vitó­ria em nossa própria vida. "Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos" (Jó 42:10).
Orar no Espírito. De acordo com o mo­delo bíblico, oramos ao Pai, por meio do Filho e no Espírito. Romanos 8:26, 27 mos­tra que a única maneira de orar dentro da vontade de Deus é pelo poder do Espírito. De outro modo, nossas orações podem ser egoístas e estar fora do que Deus deseja.
No tabernáculo do Antigo Testamento, an­tes do véu que dava acesso ao Santo dos Santos, havia um pequeno altar de ouro em que o sacerdote queimava incenso (Êx 30:1-10; Lc 1:1-11). O incenso retrata a oração e, para ser queimado no tabernáculo ou templo, deveria ser preparado de acordo com as instruções de Deus, não segundo alguma fórmula humana. O fogo do altar retrata o Espírito Santo, pois é ele que "acen­de" nossas orações dentro da vontade de Deus. E possível orar com fervor na carne e não se comunicar com Deus. Também é pos­sível orar tranquilamente no Espírito e ver a mão de Deus fazer grandes coisas.
Orar com os olhos abertos. Vigiar sig­nifica "manter-se alerta". A injunção para "vigiar e orar" aparece com frequência na Bíblia. Quando Neemias estava restau­rando os muros de Jerusalém e o inimigo tentava impedi-lo de realizar essa obra, Neemias derrotou os adversários vigiando e orando. "Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles" (Ne 4:9). "Vigiar e orar" é o segredo para vencer o mundo (Mc 13:33), a carne (Mc 14:38) e o diabo (Ef 6:18). Pedro adormeceu quando deveria estar orando, e o resultado foi a vitória de Sata­nás (Mc 14:29-31, 67-72). Deus espera que usemos os sentidos que nos deu para que, conduzidos pelo Espírito, possamos perceber quando Satanás está começando a operar.
Continuar a orar. A palavra perseve­rança significa, simplesmente, "persistir em algo e não desistir". Os primeiros cristãos oravam dessa maneira (At 1:14; 2:42; 6:4), e devemos seguir seu exemplo (Rm 12:12). A perseverança na oração não sig­nifica que estamos tentando convencer Deus, mas sim que estamos profundamen­te interessados e preocupados, e que não conseguimos descansar enquanto não re­cebemos uma resposta de Deus. Nas pa­lavras de Robert Law: "Orar não é insistir para que a vontade do homem seja feita no céu, mas sim para que a vontade de Deus seja feita na Terra". A maioria desiste exatamente quando Deus está preste a dar a vitória. Nem todos têm a disposição ne­cessária para passar uma noite inteira em oração sincera, mas todos podemos perse­verar muito mais do que costumamos fazer. A Igreja primitiva orou incessantemente enquanto Pedro estava na prisão e, no últi­mo instante, Deus lhe deu a resposta (At 12:1-19). Devemos continuar orando até que o Espírito nos oriente a parar ou até que Deus responda. Justamente no momento que sentirmos vontade de desistir, Deus dará a resposta.
Orar por todos os santos. As primeiras palavras da oração que Jesus ensinou são: "Pai nosso" e não "meu Pai". Oramos como parte de uma grande família que também conversa com Deus e devemos orar pelos demais membros da família. Até mesmo Paulo pediu o apoio dos efésios em ora­ção - ele que já havia sido arrebatado ao terceiro céu e voltado. Se Paulo precisa­va das orações dos santos, tanto mais nós também precisamos! Se minhas orações cooperam para que outros santos derro­tem Satanás, essa vitória também me aju­dará. Convém observar que Paulo não pede que orem por seu bem-estar ou segu­rança, mas pela eficácia em seu testemu­nho e ministério.
Uma frágil vida de oração e de súplicas ocasionais, “como uma lista de supermercado”, certamente não será eficiente na guerra espiritual. Precisamos nos inclinar mais intensamente à oração no Espírito e pelo Espírito, em nossas orações c intercessões pessoais e comunitárias (comentário Pentecostal N.T. pág. 1268).

Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.

Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe




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