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Lição 11 - Paulo e o bom combate da oração / 3. Ensinos de Paulo sobre a oração

3. Ensinos de Paulo sobre a oração
Os dois maiores mestres da oração no Novo Testamento, em se tratando de volume de ensino; são o Senhor Jesus e o apóstolo Paulo. Porém devemos lembrar que Paulo era um imitador do Jesus terreno em todos os aspectos, incluindo o da oração também.







3.1. Perseverança (1Ts 5.17)
Paulo recomendou sempre oportunamente a oração perseverante às comunidades cristãs. Embora a comunicação, entre os seres humanos, seja fácil, devemos reconhecer que, para a maioria esmagadora dos homens e mulheres crentes comuns, não é um exercício espiritual fácil. Mas precisamos intensamente orar, e era por isso, que Paulo sempre recomendava em suas cartas como fez. Aos Romanos escreveu, “perseverai na oração” (Rm 12.12); embora não haja nenhuma recomendação expressa quanto à oração nas cartas aos Coríntios, ele se coloca como um exemplo de oração perseverante numa causa pessoal (2Co 12.8); já para os efésios recomenda que orem “em todo tempo no Espírito” (Ef 6.18); enquanto que aos irmãos de colossos disse: “perseverai na oração com ações de graças” (Cl 4.2). Aos amáveis irmãos filipenses ele insistiu que não andassem ansiosos, e que suas orações fossem conhecidas por Deus (Fp 4.6); e finalmente aos tessalonicenses escreveu: “orai sem cessar” (lTs 5.17).
lTs 5.17 - Orem continuamente.
A oração era uma prá­tica importante na Igreja primitiva (1 Co 11:1-6; At 1:13,14; 4:23ss). As reuniões de oração das congregações eram uma experiência sublime e sagrada. Hoje em dia, pede-se que alguém "nos dirija em oração" sem sequer fazer ideia se essa pessoa está em comu­nhão com Deus. Em algumas igrejas, há duas ou três pessoas que monopolizam as reu­niões de oração. Se formos dirigidos pelo Espírito (Jd 20), faremos nossas orações em união e com liberdade, e Deus responderá. "Orai sem cessar" não significa estar sempre sussurrando orações. O termo tradu­zido por "sem cessar" não significa fazer continuamente, mas sim "voltar a fazer cons­tantemente". Devemos manter conexão per­manentemente ativa com Deus, de modo que nossa oração faça parte de uma longa conversa sem interrupções. Deus conhece os desejos do coração (SI 37:4) e responde mesmo quando estamos em silêncio. Ver os Salmos 10:17 e 21:2.


3.2. Intensidade (Ef 6.18)
Ao escrever à igreja de Éfeso, Paulo se encontrava preso em Roma numa prisão domiciliar algemado a um soldado romano para que não fugisse. Aqueles homens deveriam estar sempre atentos a pessoa de Paulo. Mas Paulo estava atento a eles também. Em algum momento, ao ver a imagem duma armadura de guerra que revestia um soldado, esta surgiu diante dele como um traje de guerra espiritual. Ele se lembrou de Isaías 59.16-17 que reporta profeticamente o Messias revestido em sua armadura para o momento da vingança no fim dos tempos. E assim, Paulo orientou os crentes a se revestirem de toda a armadura espiritual, o Senhor Jesus, no combate contra o mal através da oração. Do mesmo modo que uma batalha requer atenção total e intensidade, de tal maneira deve ser a intercessão do crente para estabelecer o reino de justiça aqui na terra enquanto Jesus não vem: intensidade, fervor e ardor na oração.
Ef 6.18 - Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos.
Mesma referência escrita no tópico “1.3. Orando no Espírito”.


3.3. Abrangência (lTm 2.1)
Paulo tanto pede que se ore em favor de todos os crentes fervorosa e perseverantemente, como também recomenda a Timóteo que faça uma campanha de oração ininterrupta em favor de todos os homens, principalmente as autoridades. Percebemos que ao escrever a Timóteo a primeira carta que temos, ele pressentia a perseguição generalizada que estava por vir, no intento de tolir o crescimento da igreja. Então, é nesse momento que Paulo, um experiente guerreiro sugere uma ofensiva maciça contra as trevas que rege os reinos dos homens (lTm 2.1,8). Parafraseando o que ele disse, escrevemos: “antes de tudo, primeiro roguem a Deus insistentemente, orem, intercedam por todos os homens”.
lTm 2.1 - Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens;
A primazia da oração (v. 1a). A expressão "Antes de tudo" indica que a oração é prio­ritária no culto público da igreja. E triste ver como a oração tem perdido a importância em muitas igrejas.
- Se eu avisar que vamos ter um jantar especial - disse um pastor, as pessoas com­parecem. Mas se eu avisar que vamos ter uma reunião de oração, fico feliz se os diá­conos vierem!
Não apenas as reuniões de oração per­deram espaço na maioria das igrejas locais, como também a oração nos cultos públicos tem sido deixada, cada vez mais, em segun­do plano. Muitos pastores passam mais tem­po dando avisos do que orando!
O falecido Peter Deyneka, fundador da organização Slawc Gospel Association, costumava lembrar: "Muita oração, muito poder! Nenhuma ora­ção, nenhum poder!".
Os membros da igreja preci­sam estar preparados para orar. Nosso cora­ção deve estar em ordem com Deus e uns com os outros. Devemos ter um desejo au­têntico de orar, não apenas para agradar as pessoas (como era o caso dos fariseus, Mt 6:5) ou para cumprir um dever religioso. Quando uma congregação deixa de depender da ora­ção, Deus deixa de abençoar seu ministério.
As várias formas de oração (v. 1b). Exis­tem pelo menos sete substantivos gregos para "oração", e quatro deles são usados nesta passagem. As súplicas dão a ideia de "apre­sentar um pedido por uma necessidade que sentimos".
Orações é o termo mais comum usado para essa atividade e enfatiza seu caráter sa­grado. Estamos orando para Deus; a oração é um ato de adoração, não apenas a expres­são de desejos e necessidades. Devemos nos dirigir a Deus com um coração reverente.
Uma tradução mais adequada para in­tercessões é "petições". Esse mesmo termo é traduzido por "oração" em 1 Timóteo 4:5, versículo em que se refere a abençoar os alimentos que ingerimos (é evidente que não intercedemos pelo alimento no sentido ha­bitual desse verbo). O significado básico é "aproximar-se de uma pessoa e conversar com ela confiantemente". Sugere que des­frutamos comunhão com Deus e, portanto, confiamos nele ao orar.
Por certo, as ações de graças fazem par­te da adoração e da oração. Não damos graças apenas pelas respostas às orações, mas também por quem Deus é e por aquilo que ele faz por nós em sua graça. Não se deve apenas acrescentar agradecimentos ao final de uma oração egoísta! As ações de graças são um ingrediente importante em todas as orações. Na verdade, há ocasiões em que devemos imitar Davi e apresentar a Deus somente ações de graças sem quais­quer pedidos! (ver SI 103).
As "petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças" (Fp 4:6) fazem parte da fórmula de Paulo para ter a paz de Deus no coração. Convém observar que Daniel, o grande guerreiro de oração, orava dessa forma (Dn 6:10, 11).
Os assuntos de oração (w. 1c, 2). A ex­pressão "todos os homens" deixa claro que nenhuma pessoa na Terra está fora da esfe­ra de influência da oração feita com fé. (Em momento algum, a Bíblia exorta a orar pe­los mortos. Se fosse o caso, esta seção da carta a Timóteo seria ideal para Paulo indi­car tal necessidade.) Isso significa que deve­mos orar tanto pelos salvos quanto pelos não salvos: pelas pessoas próximas e também pelas que estão mais distantes de nós; pelos amigos e pelos inimigos. Infelizmente, os fariseus não tinham essa visão universal da oração, pois concentravam toda sua aten­ção em Israel.
Paulo insta a igreja a orar especificamen­te pelas autoridades. Na época, o perverso imperador Nero ocupava o trono, e, no en­tanto, os cristãos deveriam orar por ele! Mesmo quando não é possível respeitar ho­mens e mulheres em posições de autoridade, deve-se respeitar o cargo que ocupam e orar por tais pessoas. Na verdade, fazemos isso para nosso bem, "para que vivamos vida tran­quila e mansa, com toda piedade e respeito" (1 Tm 2:2b). A Igreja primitiva era alvo constante de oposição e perseguição, de modo que era sábio orarem pelas autorida­des. A vida "mansa" refere-se às circunstân­cias, enquanto a "tranquilidade" diz respeito a uma atitude interior de calma. O resultado deve ser uma vida piedosa e honrada.
É claro que Paulo não cita todas as pes­soas pelas quais podemos e devemos orar, pois "todos os homens" é suficientemente abrangente. Não é possível orar por todas as pessoas do mundo mencionando-as pelo nome, mas, sem dúvida, devemos orar pelos conhecidos e pelos que não conhecemos pessoalmente, mas que sabemos necessitar de oração. Por quê? Pois é algo bom e por­que agrada a Deus.
Estamos vivendo dias em que há uma busca pelo retomo ao paganismo. Na verdade, é um movimento novo, mas é muito atuante nestes últimos anos chamado pós-modernismo que traz em seu bojo dentre tantas coisas o movimento do arco-íris, isto é, movimento gay. Que se tem articulado e ganhado espaço com fins políticos. Em muitos lugares, está havendo uma onda de cristianofobia, em que muitos cristãos são tachados de homofóbicos, intolerantes, todavia, devemos entender que isso faz parte de uma articulação do mal que visa enfraquecer as famílias e igrejas como instituições que são os pilares da sociedade e da moral.




Conclusão
Um dos grandes segredos da sobrevivência de um grupamento, pelotão, ou do indivíduo em combate, é a comunicação com seu quartel general, de onde recebe instruções específicas, suprimentos e socorro em momentos cruciais. A oração é esse instrumento de comunicação com o nosso supremo general em meio às batalhas comuns do dia a dia.

Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.

Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe

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