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Lição 12 - Noções do pensamento escatológico de Paulo / 2. Escatologia subjetiva

2.  Escatologia subjetiva
Diz respeito ao individuo. Estuda a morte, o estado intermediário, a ressurreição, os julgamentos de Deus, o destino dos salvos e ímpios, o estado eterno e etc. Mas aqui vamos tratar apenas de alguns temas conforme abaixo:








2.1. A certeza da volta do Senhor
A vinda de Jesus para Paulo é uma certeza tão real, quanto o encontro que com Ele teve em Damasco. A palavra vinda “parousia” significa tanto vinda quanto presença. Era aplicada inicialmente pelos gregos para indicar a chegada de um rei ou governador a uma cidade, quando preparativos eram feitos para esse evento. William Barclay chega a dizer que uma nova era, era datada a partir da chegada daquele imperador. Embora essa palavra fosse comum nos dias de Paulo, ela não tinha perdido esse sentido de chegada real. E Paulo ao escrever aos tessalonicenses refere-se a eles como alegria e coroa “na presença de nosso Senhor em sua vinda” (lTs 2.19). Mas referindo-se a “parousia” de Jesus ele escreve também (lTs 3.13; 4.15; 5.23; 2Ts 2.1,8,9).
lTs 3.13 - Que ele fortaleça o coração de vocês para serem irrepreensíveis em santidade diante de
nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.
Paulo ora pedindo santidade de vida (1 Ts 3:13). Mais uma vez, é a volta de Jesus Cristo que motiva o cristão a viver em santidade. A volta de nosso Se­nhor também é uma fonte de estabilidade para a vida cristã. Onde há estabilidade po­de haver santidade; e onde há santidade há segurança. As duas coisas andam juntas.
Paulo terminou 1 Tessalonicenses 2 com uma referência ao lugar dos santos na volta de Cristo e encerra esse capítulo da mesma forma. Ora para que os convertidos se apre­sentem irrepreensíveis e santos diante de Deus na volta de Cristo. Uma vez que todos os cristãos serão transformados de modo a se tornarem semelhantes a Cristo quando ele voltar (1 Jo 3:2), Paulo não pode estar se referindo a nossa condição pessoal no céu. Antes, está falando da vida dos santos aqui na Terra, a qual será examinada no tribunal de Cristo. Em momento algum seremos con­frontados com nossos pecados no céu, pois não são mais lembrados (Rm 8:1; Hb 10:14-18).
Mas nossas obras serão provadas, e é impossível separar a conduta do caráter.
A oração de Paulo ensina a interceder não apenas pelos recém-convertidos, mas também por todos os cristãos. Devemos pe­dir que sua fé amadureça, que seu amor cres­ça e que seu caráter e conduta sejam santos e irrepreensíveis diante de Deus. "E a si mes­mo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro" (1 Jo 3:3).
Ao recapitular 1 Tessalonicenses 3, observa-se como é importante cuidar dos cris­tãos novos na fé. Não basta levar alguém a Cristo. Também se deve conduzir a pessoa ao longo da vida cristã e ajudá-la a se firmar. Se o recém-convertido não estiver firme na fé, será derrubado quando soprarem os ventos da perseguição. Se não conseguir per­manecer em pé, não será capaz de apren­der a andar.
O que fazer, então? Animá-lo e ficar ao lado dele até que amadureça. Podemos com­partilhar a Palavra de Deus e orar.
Paulo não se utiliza apenas da terminologia “vinda - parousia”, usa também revelação “apokalupsis em grego para o mesmo ato. Isso porque o ato desta vinda também implicará numa aparição pública do Rei dos reis para o mundo nessa ocasião (ICo 1.7; 2Ts 1.7). De qualquer maneira, devemos encarar a vinda de Jesus não como uma hipótese, coisa esquecida ou impossibilidade, porque Ele voltará, para isso devemos estar preparados.


2.2. O estado intermediário
Entendemos, pelos escritos paulinos, que a morte é encarada positivamente, visto que ela não é punição para os cristãos, (Rm 8.1) Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus. Todavia a morte sempre será vista como uma inimiga de Deus, que será destruída na consumação dos séculos (ICo 15.24-26, 54,55) Então virá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder. Pois é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Os crentes não precisam ter medo de morrer, pois “nem mesmo a morte é capaz de separar o crente do amor de Deus” (Rm 8.39) nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. O que não diríamos da mesma forma para os descrentes e irreligiosos. Quando o fiel em Cristo morre, ele vai à presença de Cristo, Paulo se utiliza da expressão “partir e estar com Cristo” (Fp 1.23) Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; “deixar o corpo e habitar com o Senhor” (2Co 5.8) Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor. Ali eles permanecem até que estes “mortos em Cristo ressurjam” (lTs 4.16) Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Não há menção de nenhum sono da alma ou purgatório com estado intermediário nos ensinos paulinos e na Bíblia, que são doutrinas de origem grega e não cristã.


2.3.  A ressurreição dos mortos e arrebatamento dos vivos
Algumas dúvidas entre os crentes foram cruéis, principalmente no que respeita a ressurreição dos mortos, tanto para os coríntios, quanto para os tessalonicenses. Os coríntios não estavam certos se haveria ressurreição e havia entre eles aqueles que, embora professassem a fé em Cristo, estranhamente não criam nisso à semelhança dos saduceus. Por isso Paulo lhes mostra que a razão da nossa fé é a ressurreição de Cristo. É com base nela que os mortos em Cristo ressuscitarão e receberão um novo corpo espiritual glorificado, enquanto que os vivos serão transformados nesse momento (ICo 15.50-58) Irmãos, eu lhes declaro que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é perecível pode herdar o imperecível. Eis que eu lhes digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade. Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “A morte foi destruída pela vitória”. “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?”. O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil. Já os irmãos tessalonicenses tinham facilidade em crer, mas não sabiam o que aconteceria com os mortos no Senhor na sua vinda. Então, Paulo lhes esclarece que eles ressuscitarão primeiro, enquanto que os vivos serão arrebatados a encontrar com o Senhor nos ares, para estar para sempre com Ele (lTs 4.16-17) Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.
Como vimos, a escatologia subjetiva, trata do destino do indivíduo. Muitos que entraram na fileira do cristianismo, fizeram-no porque a sua mensagem é seguramente de esperança quanto ao porvir. O fato de a ressurreição de Jesus de Nazaré, com suas testemunhas, e depois acompanhadas de sinais e maravilhas, ser uma confirmação presente da identidade messiânica do Mestre de Nazaré, bem como uma comprovação de que ele ressuscitara. O grande pavor dos tessalonicenses era Jesus voltar para reinar, e os irmãos e parentes mortos não participarem do reino de Deus.



Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe 

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