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Noções do pensamento escatológico de Paulo - Lição 12 - 23 de Dezembro de 2012


LIÇÃO 12 – 23 de Dezembro de 2012

Noções do pensamento escatológico de Paulo

TEXTO AUREO

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”. I Co 10.11

VERDADE APLICADA

A igreja precisa estar preparada para os tempos do fim, esperando a vinda do Senhor com muita intensidade, como se fosse a qualquer momento.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Entender o sentido de pensamento escatológico para Paulo, que via presente e futuro simultaneamente;
Compreender as bases que nortearam o pensamento escatológico paulino;
Conhecer os principais temas da escatologia paulina.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

lTs 4.14 – Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele.
lTs 4.15 – Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.
lTs 4.16 – Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro;
2Ts 4.17 – depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.

Introdução
Em seu ministério, Paulo se deparou com questões sérias dos crentes no que tange a escatologia, e ele se viu obrigado a responder-lhes; objetivamente através de suas correspondências. Questões como se o Senhor voltaria, ou o que aconteceria aos que morreram em Cristo. Com eloquência literária, o apóstolo respondeu a todas essas dúvidas.

1.  Fontes da escatologia de Paulo
Contrariamente do que podemos pensar, nos dias de Paulo, havia um mar turvo e variado de pensamentos correntes a respeito da escatologia. Contudo não havia uma escatologia tão elaborada com detalhes arrojados, expostos em mapas e termos como usamos hoje. Mesmo a visão escatológica de Paulo de presente e futuro se mesclavam simultaneamente, porque acreditava que o fim já era chegado. Agora quanto às fontes de seu pensamento consistia nos três itens abaixo, como veremos.

Devemos levar em conta que Paulo era fariseu e, como tal, usou muito do material do judaísmo que professou. Ao leitor, basta ter lido o A.T. e verá que Paulo escrevia suas cartas embasadas nele. Os escritos paulinos estão fartos de citações diretas e indiretas do A.T., nesse tempo as Escrituras Sagradas resumiam-se ao A.T., então, tanto Jesus, quanto Paulo, lançavam mão do material profético contido lá. Por exemplo, a expressão “o dia do Senhor” referindo-se a volta messiânica; o conceito de ressurreição dos mortos, encontrado em Daniel 12.2; o posicionamento quanto à pessoa do anticristo em 2a Tessalonicenses também se trata de uma interpretação de Daniel, 7.8,25.
Daniel 12.2 – Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno.
A doutrina da res­surreição do corpo humano fica implícita no Antigo Testamento, mas não é apresentada com a clareza encontrada no Novo Testamento. Quando Abraão subiu ao monte Moriá para oferecer Isaque, creu que Deus podia ressuscitar seu filho dentre os mortos (Gn 22; Hb 11:19). Jó esperava ver Deus, uma vez que estivesse em seu corpo ressurreto (Jó 19:25-27), o que também era a es­perança dos escritores de Salmos (17:15; i 49:15; 71:20). Os profetas criam na ressur­reição futura (Is 25:7; Os 13:14). Jesus "trouxe à luz a vida e a imortalidade" (2 Tm 1:10) e ensinou claramente sobre sua própria res­surreição bem como sobre o significado da ressurreição para seus seguidores (Jo 5:19-30; 11:17-44). 1 Coríntios 15 é a principal passagem bíblica sobre a ressurreição.
Não se trata de uma "reconstrução"; o Senhor não reconstitui um corpo transfor­mado em pó (Gn .3:19), pois esse pó tornou-se parte de outros corpos, tendo em vista que as pessoas se alimentam de comi­das cultivadas no solo. O corpo ressurreto é novo e glorioso. A relação entre o corpo que é sepultado e o corpo que é ressuscita­do é a relação entre uma semente e a planta madura (1 Co 15:35-53). Há continuidade (a planta vem da semente), mas não identi­dade (a planta não é idêntica à semente). Sepultar um corpo é como plantar uma se­mente, sendo a ressurreição sua colheita.
Quando Jesus Cristo voltar nos ares para chamar sua Igreja, os mortos em Cristo se­rão ressuscitados primeiro e depois os cris­tãos vivos serão arrebatados para estar com o Senhor (1 Ts 4:13-18). Quando Jesus vol­tar à Terra no final da tribulação, trará seu povo com ele para participar de sua vitória e glória. Naquela ocasião, os santos do An­tigo Testamento e os mártires da tribulação serão ressuscitados para entrar no reino. Contudo, aqueles que morreram sem crer em Cristo só serão ressuscitados depois da era do reino (Ap 20:4-6, 11-15). De acordo com Daniel, alguns despertarão para desfru­tar a vida gloriosa com Deus e alguns des­pertarão (mil anos depois) para entrar no lugar de vergonha, desprezo e julgamento eternos. O inferno é chamado de "a segun­da morte" (Ap 20:14). Se você nasceu ape­nas uma vez, pode morrer duas vezes, mas se você nasceu duas vezes nasceu de novo pela fé em Cristo, só pode morrer uma vez.


1.2. Baseado na pessoa de Cristo
Jesus Cristo morreu e ressuscitou como demonstração do que ocorrerá com os cristãos universalmente que tiverem morrido. Na ótica de Paulo, Jesus Cristo é a primícia dos que dormem, como tal, a sua ressurreição tanto dá compreensão do que se realizará objetivamente aos crentes, quanto é a garantia de que tal fato ocorrerá com a igreja. Entretanto, a ressurreição é um acontecimento reservado ao futuro, isto é, quando entregar o reino ao seu Deus e Pai, depois que destruir todo poder oponente colocando os inimigos debaixo de seus pés (I Co 15.20-28). O tema da ressurreição não era novo, mas essa perspectiva através de Cristo segundo a ótica paulina sim.
Quando se dá a ressurreição dos mortos? (1 Co 15:20-28)
Paulo usa três imagens para responder a essa pergunta.
As primícias (vv. 20, 23). Observamos anteriormente essa referência à festa do Antigo Testamento (Lv 23:9-14). Como Cor­deiro de Deus, Jesus morreu na Páscoa. Como feixe das primícias, no primeiro dia da semana ressuscitou dentre os mortos, três dias depois de ser crucificado. Quando o sacerdote movia o feixe das primícias dian­te do Senhor, sinalizava que toda a colheita pertencia a ele. A ressurreição de Cristo foi a garantia de Deus a nós de que também seremos ressuscitados como parte da colhei­ta futura. Para os cristãos, a morte é apenas um "sono". O corpo dorme, mas a alma es­tá em seu lar com o Senhor (2 Co 5:1-8; Fp 1:21-23). Na ressurreição, o corpo será "des­pertado" e glorificado.
Adão (w. 21, 22). Paulo identificava em Adão um tipo de Jesus Cristo por meio de um contraste (ver também Rm 5:12-21). O primeiro Adão foi feito do pó da terra, mas o Último Adão (Cristo, 1 Co 15:45-47) veio do céu. O primeiro Adão desobedeceu a Deus e trouxe ao mundo o pecado e a mor­te, mas o Último Adão obedeceu ao Pai e trouxe justiça e vida.
O termo "ordem", em 1 Coríntios 15:23, refere-se originalmente a uma graduação militar. Deus determinou uma ordem, uma sequência para a ressurreição. Passagens como João 5:25-29 e Apocalipse 20 indicam que a Bíblia não ensina uma "ressurreição geral". Quando Jesus Cristo voltar nos ares, levará sua Igreja consigo para o céu; nessa oca­sião, ressuscitará dos mortos todos os que creram nele, foram salvos e faleceram quan­do viviam na fé (1 Ts 4:13-18). Jesus chama essa ocasião de "ressurreição da vida" (Jo 5:29). Quando Jesus voltar à Terra para jul­gá-la, os perdidos serão ressuscitados na "ressurreição do juízo" (Jo 5:29; Ap 20:11-15). Ninguém da primeira ressurreição se perderá, mas ninguém da segunda ressur­reição se salvará.
O reino (w. 24-28). Quando Jesus vier à Terra para julgar, eliminará o pecado por mil anos e estabelecerá seu reino (Ap 20:1-6). Os cristãos reinarão com ele e participa­rão de sua glória e autoridade. Os estudiosos das profecias chamam esse reino, profetiza­do no Antigo Testamento, de "milénio". O termo vem do latim: mille - mil, annum - ano.
No entanto, mesmo depois do milénio, haverá uma rebelião final contra Deus (Ap 20:7-10), da qual Jesus Cristo dará cabo com seu poder. Então, os perdidos serão ressus­citados, julgados e lançados no lago de fogo. A morte, em si, será lançada no inferno, e o último inimigo será destruído. Jesus Cristo terá colocado todas as coisas debaixo de seus pés! Em seguida, voltará para o reino do Pai e terá início o estado eterno, o novo céu e a nova Terra (Ap 21 - 22).
Mesmo os estudiosos mais competen­tes e piedosos da Palavra de Deus nem sem­pre apresentam um consenso quanto aos detalhes do cronograma profético de Deus, mas as verdades principais parecem claras. Jesus Cristo reina no céu hoje, e toda a au­toridade está "debaixo dos seus pés" (Sl110; Ef 1:15-23). Satanás e o ser humano ainda podem exercitar seu livre-arbítrio, mas é a soberania de Deus que está no controle. Hoje, Jesus Cristo está entronizado no céu (SI 2). A ressurreição dos salvos ainda não ocorreu, nem a ressurreição dos perdidos (2 Tm 2:17, 18).
Ninguém sabe quando Jesus Cristo vol­tará para buscar sua Igreja, mas quando isso acontecer, será "num momento, num abrir e fechar de olhos" (1 Co 15:52). Cabe a nós permanecer alertas (1 Jo 2:28 - 3:3).

1.3. Novas revelações de Cristo
Ao examinar os livros proféticos e demais livros do AT, não encontramos, em nenhuma parte, profecia alguma que mencione o arrebatamento da igreja, a transformação dos fiéis vivos e o recebimento de um corpo glorificado e imortal como Paulo apresenta em l Coríntios 15. Logicamente, trata-se de um segredo divino para o tempo da igreja não revelado aos profetas daquela época, e sim ao profeta Paulo. Todavia, encontramos no A.T., Enoque sendo tomado pelo Senhor (Gn 5.24); e Elias subindo ao céu num redemoinho (2 Reis 2.11). Na verdade, o rapto da igreja continua sendo um segredo, principalmente para o mundo sem Cristo.
Gn 5.24 – Enoque andou com Deus; e já não foi encontrado, pois Deus o havia arrebatado.
A expressão melancólica "e morreu" não se aplica a Enoque, pois ele é um dos dois homens das Escrituras que não morreram. Tanto Enoque quanto Elias foram levados para o céu ainda vivos (2 Rs 2:1-11). Alguns estudiosos veem nesse "arrebatamento" de Enoque antes do dilúvio um retrato da igreja sendo levada para o céu antes da tribulação que Deus enviará sobre a Terra (1 Ts 4:13 -5:11).
Enoque foi levado ao céu "pela fé' (Hb 11:5). Ele creu em Deus, andou com Deus e foi para junto de Deus - um exemplo a ser seguido por todos nós. Imagine como deve ter sido difícil andar com Deus durante aqueles anos que antecederam o dilúvio, quando a libertinagem e a violência preva­leciam e apenas um remanescente cria em Deus (Gn 6:5). Mas a vida de fé de Enoque não era desenvolvida apenas em devoção particular, pois ele anunciou com ousadia que Deus viria para julgar o mundo por seus pecados (Jd 14,15). O julgamento do diluvio veio no tempo de Enoque; porém, o julga­mento que ele estava anunciando ocorrerá quando Jesus Cristo voltar, liderando os exér­citos dos céus e condenando Satanás e suas hostes (Ap 19:1 ss). A vida e o testemunho de Enoque nos lembram de que é possível ser fiel a Deus em meio a uma “geração per­vertida e corrupta” (Fp 2:15). Não importa quão tenebroso seja nosso tempo ou quão terríveis as notícias, pois temos a promessa da volta de nosso Senhor para nos encorajar e motivar a ser piedosos. Um dia, o pecado será julgado, e o povo de Deus será recompensado por sua fidelidade. Assim, temos todo motivo para nos encher de coragem em nossa caminhada com Deus.
O conceito de Paulo como profeta no Novo Testamento existe, mas essa ideia não é largamente trabalhada. Ao vermos o seu trabalho com Barnabé ele é conceituado como profeta e mestre, estando entre outros com a finalidade de edificação da igreja local (At 13.1). Bem mais tarde, porém, Paulo é obrigado a dar respostas escatológicas que vão além da interpretação do Antigo Testamento. Ele precisa de nova revelação vinda diretamente de Cristo para trazer à igreja. Porém, a sua visão apocalíptica não então em choque com os demais escritos do N.T., mas se completam.

2.  Escatologia subjetiva
Diz respeito ao individuo. Estuda a morte, o estado intermediário, a ressurreição, os julgamentos de Deus, o destino dos salvos e ímpios, o estado eterno e etc. Mas aqui vamos tratar apenas de alguns temas conforme abaixo:

2.1. A certeza da volta do Senhor
A vinda de Jesus para Paulo é uma certeza tão real, quanto o encontro que com Ele teve em Damasco. A palavra vinda “parousia” significa tanto vinda quanto presença. Era aplicada inicialmente pelos gregos para indicar a chegada de um rei ou governador a uma cidade, quando preparativos eram feitos para esse evento. William Barclay chega a dizer que uma nova era, era datada a partir da chegada daquele imperador. Embora essa palavra fosse comum nos dias de Paulo, ela não tinha perdido esse sentido de chegada real. E Paulo ao escrever aos tessalonicenses refere-se a eles como alegria e coroa “na presença de nosso Senhor em sua vinda” (lTs 2.19). Mas referindo-se a “parousia” de Jesus ele escreve também (lTs 3.13; 4.15; 5.23; 2Ts 2.1,8,9).
lTs 3.13 - Que ele fortaleça o coração de vocês para serem irrepreensíveis em santidade diante de
nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.
Paulo ora pedindo santidade de vida (1 Ts 3:13). Mais uma vez, é a volta de Jesus Cristo que motiva o cristão a viver em santidade. A volta de nosso Se­nhor também é uma fonte de estabilidade para a vida cristã. Onde há estabilidade po­de haver santidade; e onde há santidade há segurança. As duas coisas andam juntas.
Paulo terminou 1 Tessalonicenses 2 com uma referência ao lugar dos santos na volta de Cristo e encerra esse capítulo da mesma forma. Ora para que os convertidos se apre­sentem irrepreensíveis e santos diante de Deus na volta de Cristo. Uma vez que todos os cristãos serão transformados de modo a se tornarem semelhantes a Cristo quando ele voltar (1 Jo 3:2), Paulo não pode estar se referindo a nossa condição pessoal no céu. Antes, está falando da vida dos santos aqui na Terra, a qual será examinada no tribunal de Cristo. Em momento algum seremos con­frontados com nossos pecados no céu, pois não são mais lembrados (Rm 8:1; Hb 10:14-18).
Mas nossas obras serão provadas, e é impossível separar a conduta do caráter.
A oração de Paulo ensina a interceder não apenas pelos recém-convertidos, mas também por todos os cristãos. Devemos pe­dir que sua fé amadureça, que seu amor cres­ça e que seu caráter e conduta sejam santos e irrepreensíveis diante de Deus. "E a si mes­mo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro" (1 Jo 3:3).
Ao recapitular 1 Tessalonicenses 3, observa-se como é importante cuidar dos cris­tãos novos na fé. Não basta levar alguém a Cristo. Também se deve conduzir a pessoa ao longo da vida cristã e ajudá-la a se firmar. Se o recém-convertido não estiver firme na fé, será derrubado quando soprarem os ventos da perseguição. Se não conseguir per­manecer em pé, não será capaz de apren­der a andar.
O que fazer, então? Animá-lo e ficar ao lado dele até que amadureça. Podemos com­partilhar a Palavra de Deus e orar.
Paulo não se utiliza apenas da terminologia “vinda - parousia”, usa também revelação “apokalupsis em grego para o mesmo ato. Isso porque o ato desta vinda também implicará numa aparição pública do Rei dos reis para o mundo nessa ocasião (ICo 1.7; 2Ts 1.7). De qualquer maneira, devemos encarar a vinda de Jesus não como uma hipótese, coisa esquecida ou impossibilidade, porque Ele voltará, para isso devemos estar preparados.

2.2. O estado intermediário
Entendemos, pelos escritos paulinos, que a morte é encarada positivamente, visto que ela não é punição para os cristãos, (Rm 8.1) Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus. Todavia a morte sempre será vista como uma inimiga de Deus, que será destruída na consumação dos séculos (ICo 15.24-26, 54,55) Então virá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, autoridade e poder. Pois é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Os crentes não precisam ter medo de morrer, pois “nem mesmo a morte é capaz de separar o crente do amor de Deus” (Rm 8.39) nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. O que não diríamos da mesma forma para os descrentes e irreligiosos. Quando o fiel em Cristo morre, ele vai à presença de Cristo, Paulo se utiliza da expressão “partir e estar com Cristo” (Fp 1.23) Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; “deixar o corpo e habitar com o Senhor” (2Co 5.8) Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor. Ali eles permanecem até que estes “mortos em Cristo ressurjam” (lTs 4.16) Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Não há menção de nenhum sono da alma ou purgatório com estado intermediário nos ensinos paulinos e na Bíblia, que são doutrinas de origem grega e não cristã.

2.3.  A ressurreição dos mortos e arrebatamento dos vivos
Algumas dúvidas entre os crentes foram cruéis, principalmente no que respeita a ressurreição dos mortos, tanto para os coríntios, quanto para os tessalonicenses. Os coríntios não estavam certos se haveria ressurreição e havia entre eles aqueles que, embora professassem a fé em Cristo, estranhamente não criam nisso à semelhança dos saduceus. Por isso Paulo lhes mostra que a razão da nossa fé é a ressurreição de Cristo. É com base nela que os mortos em Cristo ressuscitarão e receberão um novo corpo espiritual glorificado, enquanto que os vivos serão transformados nesse momento (ICo 15.50-58) Irmãos, eu lhes declaro que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é perecível pode herdar o imperecível. Eis que eu lhes digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal, se revista de imortalidade. Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “A morte foi destruída pela vitória”. “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?”. O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil. Já os irmãos tessalonicenses tinham facilidade em crer, mas não sabiam o que aconteceria com os mortos no Senhor na sua vinda. Então, Paulo lhes esclarece que eles ressuscitarão primeiro, enquanto que os vivos serão arrebatados a encontrar com o Senhor nos ares, para estar para sempre com Ele (lTs 4.16-17) Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.
Como vimos, a escatologia subjetiva, trata do destino do indivíduo. Muitos que entraram na fileira do cristianismo, fizeram-no porque a sua mensagem é seguramente de esperança quanto ao porvir. O fato de a ressurreição de Jesus de Nazaré, com suas testemunhas, e depois acompanhadas de sinais e maravilhas, ser uma confirmação presente da identidade messiânica do Mestre de Nazaré, bem como uma comprovação de que ele ressuscitara. O grande pavor dos tessalonicenses era Jesus voltar para reinar, e os irmãos e parentes mortos não participarem do reino de Deus.

3. Escatologia objetiva
O assunto da escatologia objetiva paulina é variado, aqui exporemos apenas alguns tópicos que consideramos principais. Quando tratamos da escatologia objetiva, falamos daquilo que vale para toda a igreja. Mesmo ao comentar acerca de Israel, falamos do ponto de vista eclesiástico abordado por Paulo, é claro.

3.1. O surgimento do anticristo
Este é um evento de caráter universal que está relacionado à “vinda do Senhor, a nossa reunião com Ele, e o dia do Senhor” (2Ts 2.1,2) Irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, rogamos a vocês que não se deixem abalar nem alarmar tão facilmente, quer por profecia a, quer por palavra, quer por carta supostamente vinda de nós, como se o dia do Senhor já tivesse chegado. Paulo ensina sobre dois tipos de manifestações, a “do homem do pecado e filho da iniquidade”, que se revelará em ocasião própria, o qual se levanta e opõe-se contra tudo que se chama Deus; e também a manifestação do Senhor Jesus, e como ela destruirá o iníquo através do sopro de sua boca. Notem que a epifania do anticristo será precedida por um ambiente preparatório que envolverá a parte da igreja visível de Cristo, que dele se afastará de muitas maneiras e completamente (2Ts 2.3)  Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição.
O mundo, nessa ocasião, será assolado com uma multiplicação da iniquidade sem precedentes, em que os homens não acolherão o amor ã verdade, e sim, o amor ao erro, mentira, e o deleite com a injustiça. Amados irmãos, isso é seriíssimo. Devemos vigiar, pois em nenhum outro tempo na história encontramos isso depois da primeira vinda de nosso Senhor.

3.2. A revelação e epifania
Este é o auge da história bíblica e o ápice da escatologia paulina, a revelação (apoka-lupsis) do Senhor Jesus Cristo (ICo 1.7) de modo que não lhes falta nenhum dom espiritual, enquanto vocês esperam que o nosso Senhor Jesus Cristo seja revelado. O seu sentido é que Ele se revelará publicamente ao mundo na sua vinda. Quer dizer, que o Rei da glória que está escondido, como um segredo sairá de seu palácio celestial e apresentar-se-á em toda a sua majestade e poder, destruindo o poder vigente (2Ts 2.8) Então será revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá pela manifestação de sua vinda, mas com verdade, justiça e juízo estabelecerá o seu reino visível. Quanto à manifestação (epifania) do Senhor Jesus nessa ocasião, o obreiro do Senhor bem como todo o crente, deve aguardar, segundo a ótica de Paulo, esse momento com uma vida imaculada e irrepreensível (lTm 6.14) Guarde este mandamento imaculado e irrepreensível, até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, pois, conforme Paulo, Cristo Jesus julgará os vivos e os mortos pela sua manifestação e pelo seu reino, por isso, o obreiro do Senhor deve esmerar-se no trabalho da exposição da sua Palavra (2Tm 4.1-2) Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos por sua manifestação e por seu Reino, eu o exorto solenemente: Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina.

3.3. Tempos de restauração de Israel
Devemos lembrar que Paulo pregava nas sinagogas aos sábados, e seu público era de judeus e gentios piedosos que as frequentavam. Todavia o seu alvo em mira eram os gentios, posto que estes tivessem dificuldades com relação à circuncisão e demais ritos. Como seu trabalho teve grande êxito e mesmo em Roma a presença judaica na igreja era bem inferior, havia sérios questionamentos a respeito do que a eles sucederia, visto que por essa época em Roma, talvez em todo mundo cristão, não tinha mais esperança que todos eles se convertessem. Paulo, melancolicamente, escreve dando-lhes uma série de respostas, mas principalmente que a rejeição deles não era definitiva (Rm 11.1-15)
1 Digo, pois: porventura, rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum! Porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
2 Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo:
3 Senhor, mataram os teus profetas e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma?
4 Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal.
5 Assim, pois, também agora neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça.
6 Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.
7 Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos.
8 Como está escrito: Deus lhes deu espírito de profundo sono: olhos para não verem e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje.
9 E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e em tropeço, por sua retribuição;
10 escureçam-se-lhes os olhos para não verem, e encurvem-se-lhes continuamente as costas.
11 Digo, pois: porventura, tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua queda, veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.
12 E, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude!
13 Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei o meu ministério;
14 para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar nalguns deles.
15 Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?
Todavia, à parte da teologia paulina, entendemos que na vinda do Senhor, apenas sobreviverão os judeus que de fato estiverem esperando o Messias Jesus.

Conclusão
A escatologia, em Paulo, gera muitas discussões. Todavia precisamos conhecer mais profundamente o seu pensamento como profeta da igreja. Aguardando, com viva esperança, o retorno de Jesus. Pois, na verdade, nada falta para que Ele volte, senão que Ele isso faça a seu tempo. Aguardemos então, maranata!


QUESTIONÁRIO

1. Quais são as fontes do pensamento escatológico paulino?
R. O Antigo Testamento, o próprio Jesus Cristo e a revelação por ele entregue.
2. O que significa escatologia subjetiva e objetiva.
R. Subjetiva, que diz respeito ao indivíduo; objetiva, que diz respeito à igreja como um todo.
3. Aponte uma das expressões de Paulo que demonstram o estado intermediário:
R. Podem ser: ‘"partir e estar com Cristo” (Fp 1.23); “deixar o corpo e habitar com o Senhor’’ (2Co 5.8).
4. O que acontecerá aos mortos em Cristo na Sua vinda?
R. Ressuscitarão primeiro.
5. Qual é o auge da escatologia paulina?
R. A revelação do Senhor Jesus ao mundo.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento 
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Comentário Bíblico - F. B. Meyer
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)
Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

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