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O retorno ao primeiro amor - Lição 1 – 6 de Janeiro de 2013


LIÇÃO 1 – 6 de Janeiro de 2013

O retorno ao primeiro amor

TEXTO AUREO

“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Ap 2.5

VERDADE APLICADA

O amor era um assunto mui­to importante para a igreja primitiva. Sua ausência era encarada como decadência na vida cristã.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

Relembrar as primeiras obras como motivação para uma vida renovada;
Mostrar que a doutrina e o zelo pela ortodoxia não po­derão substituir o amor de Cristo;
Ensinar como o cristão pode voltar ao primeiro amor.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

Ap 2.1 - Escreve ao anjo da igre­ja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:
Ap 2.2 - Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;
Ap 2.3 - e sofreste e tens paci­ência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.
Ap 2.4 - Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade.

Introdução
Nesta lição estudare­mos sobre a necessidade de voltarmos ao primeiro amor. Tal retorno signifi­ca voltar ao amor original, com as primeiras práticas cristãs. Vamos estudar a mensagem de João a uma das sete igrejas da Ásia. Saber como eles perde­ram o seu primeiro amor, e descobrir que, apesar de toda a sua frieza espiritual, era possível eles retor­narem ao inicio de tudo.

1. A mensagem à igreja de Efeso
A cidade de Éfeso era a capi­tal da província da Ásia (Ap 1.4 João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono,). Uma cidade de beleza única, e a quarta maior cidade do império romano. Nesta metrópole agitada estava construído o templo da deusa Diana (At 19.23-27 Naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho. Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia, de prata, nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices,aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Varões, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade;e bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.Não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram a ser destruída.), consi­derado por muitos como uma das sete maravilhas do mundo anti­go. O procônsul precisava desem­barcar ali quando iniciava o seu ofício de governador da Ásia. Por Éfeso, passava a estrada principal para Roma, lugar que, segundo os historiadores, prisioneiros cristãos eram transportados para serem lançados às feras como alimento. Inácio chamou aquele lugar de a rota dos mártires.
De acordo com Eusébio (Hisí. Ecl. 3.36,2), Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia da Síria. Te­ria sido martirizado em Roma, durante o reinado de Trajano. Tendo sido levado a Roma onde foi martirizado.

1.1. O destino e o autor da mensagem
O destinatário da carta são os cristãos que moravam ou estavam na cidade de Éfeso, uma cidade pagã contaminada pelas trevas de suas superstições. No entanto, a expressão “Quem tem ouvidos ouça, o que o Espírito diz às igre­jas” revela que a mensagem conti­da tem como destinatário a igreja de Cristo em todos os tempos. A tradição cristã diz que o Apósto­lo João é o autor desta carta.


1.2. O caráter da carta aos efésios
A carta fala do estado es­piritual daquela igreja, com louvor e repreensão; avisando dos problemas existentes, e ressaltando as promessas de Deus para os que continuassem fiéis. A epístola se inicia dizendo que conhece as obras, o esforço no trabalho e a paciência dos cristãos de Éfeso (Ap 2.2 Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores.). Tais cristãos, mesmo sendo rodea­dos de muitas perseguições e bombardeados com as persis­tentes heresias, conseguiram se manter firmes e constantes por um bom tempo. Naqueles dias, havia falsos obreiros em pele de ovelhas (Mt 7.15 “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.; At 20.29,30 Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.). Mas a igreja que tinha discerni­mento espiritual se tomou into­lerante com os falsos ensinos.

1.3. A doutrina na Igreja em Efeso
A doutrina de lima comunida­de cristã revela parte de seu ca­ráter. Isso porque há cristãos que sabem muito da doutrina, mas nunca a transformaram em ações. No caso da Igreja de Éfeso, os cristãos conseguiram se separar das falsas doutrinas de homens conhecidos como Nicolaítas. Eles anunciavam uma nova interpre­tação do Evangelho. Um cristia­nismo liberal, sem restrições e proibições. Não se importavam em viver como o mundo. O sexo livre antes e fora do matrimônio para eles era natural; animavam os irmãos para comerem comidas sacrificadas aos ídolos; bem como o constante estímulo à imora­lidade. Aqueles falsos mestres valorizavam a experiência e não a verdade. Nestes dias, não tem sido diferente, alguns cristãos não querem pensar o evangelho, es­tudar as Escrituras. Ao contrário, desejam as experiências milagro­sas, novidades e revelações novas, através de sonhos e visões. Muitas igrejas não têm mais a Bíblia Sa grada como sua maior revelação (lTm 4.9 Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação.; 6.3,4 Se alguém ensina alguma outra doutrina e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas,).
lTm 6.3-4 - As características desses falsos mestres (w. 3-5a). A primeira característica era sua recusa em manter-se fiéis às "sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e [ao] ensino segundo a piedade" (1 Tm 6:3). Esse ensi­no é piedoso e produz piedade. O primeiro teste de Isaías a qualquer mestre era: "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira [de acordo com esta palavra], ja­mais verão a alva" (Is 8:20). É importante que a igreja "[mantenha] o padrão das sãs palavras" (2 Tm 1:13).
Outra característica é a atitude do mes­tre. Em vez de ser humilde, o falso mestre é orgulhoso; e, no entanto, seu orgulho é infun­dado, pois ele não sabe coisa alguma (1 Tm 6:4; ver também 1:7).
Um cristão que compreende a Palavra tem um coração ardente, não um ego inflado (Lc 24:32; e ver Dn 9:1-20). Essa atitude "enfatuada" leva o mestre a discutir ques­tões secundárias com respeito a "palavras". Em vez de alimentar-se das "sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tm 6:3), cria um ambiente doentio com todas as suas perguntas. O termo traduzido por "enfa­tuado" (1 Tm 6:4) significa "cheio de desejo mórbido, doente". O resultado desse tipo de ensinamento não espiritual é "inveja, pro­vocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim" (1 Tm 6:4b-5a).
O mais triste de tudo isso é que os cris­tãos são "privados da verdade" (1Tm 6.5) enquanto acreditam estar descobrindo a verdade! Pensam que as discussões em seus encontros semanais, durante os quais compartilham sua ignorância, é uma forma de crescer na graça, quando, na verdade, o resultado é perda de caráter, não aperfei­çoamento.
Além dos falsos profetas, havia homens que se diziam apóstolos. Não é fácil solucionar a questão da função dos apóstolos na igreja primitiva, mas parece ter havido dois tipos de apóstolos: os primei­ros 12 mantiveram uma função distinta (At 21.14), e um número maior, indeterminado, que eram missionários itinerantes, como Paulo. Tiago. Barnabé. Silas, Andrônimo e Júnias (At 14.14: ICo 15.7; Gl 1.19; Rm 16.7). Em meio a este grupo mais amplo havia fal­sos apóstolos, que se aproveitavam dessa posição autoproclamada, para objetivos egoístas e não para a edificação da Igreja; falsos após­tolos eram alguns dos principais opositores de Paulo na igreja de Corinto (2Co 11.5,13; 12.11)

2. A frieza dos cristãos de Éfeso
O caráter da igreja de Éfeso tinha um diferencial em relação às demais igrejas. Estava alinha­da com as práticas litúrgicas e doutrinárias, mas divorciada da prática da piedade e do exercício do amor. Eles haviam esquecido o primeiro amor, e não se impor­tavam mais com esse tema.

2.1. O primeiro amor foi esquecido
Apesar de toda a resistência contra os falsos mestres em relação à pureza doutrinária, aquela igreja teve problemas com alguns aspectos da conduta cristã; eles haviam abandonado o primeiro amor. O entusiasmo que tinham com o Senhor Jesus se havia esfriado. A vida em comunidade contagiante que tinham no início da jornada cristã acabara. Aquele amor ori­ginal, puro, fervoroso e alegre, descrito pelo Apóstolo Paulo em Corinto (ICo 13), extinguira-se. Eles haviam fracassado na base da vida cristã. No início, eles haviam experimentado esse amor, mas a sua constante luta contra os falsos professores e seu ódio pelas heresias endu­receram os sentimentos nobres da tolerância que o cristianismo havia ensinado, a tal ponto que o amor, como maior virtude cristã, teria sido esquecido. Je­sus nos ensinou que a doutrina pura e a fidelidade não podem ser substitutos do amor.
1 Co 13:1-13 - Maturidade: as graças do Espírito
Como disse Jonathan Swift, o autor satírico de As viagens de Culiver. "Temos religião suficiente para nos fazer odiar, mas não para nos fazer amar". Por mais empolgantes e maravilhosos que sejam, os dons espirituais são inúteis e até mesmo destrutivos, se não forem ministrados em amor. Nas três passa­gens em que a imagem do "corpo" é usada nas epístolas de Paulo, a ênfase é sobre o amor. A principal evidência de maturidade na vida cristã é um amor cada vez maior por Deus e pelo povo de Deus e também amor pelas almas perdidas. Alguém disse bem que o amor é o "sistema circulatório" do corpo de Cristo.
Poucos capítulos da Bíblia sofreram tan­tas distorções em sua interpretação quan­to 1 Coríntios 13. Fora de seu contexto, ele se torna uma "canção de amor" ou um ser­mão sentimental sobre a fraternidade cristã. Muita gente não entende que. ao escrever essas palavras, Paulo está tratando dos pro­blemas dos coríntios: o abuso do dom de línguas, a divisão na igreja, a inveja dos dons de outros, o egoísmo (como no caso dos processos judiciais), a impaciência uns com os outros nos cultos públicos e comporta­mentos que envergonhavam o nome do Senhor.
A única forma de usar os dons espirituais criativamente é fazer isso tendo o amor como motivação. Paulo explica três características do amor cristão e mostra por que é tão importante no ministério.
O amor é enriquecedor (w. 1-3). Paulo cita cinco dons: línguas, profecia, ciência, fé e doação (sacrifício). Ressalta que, sem amor, o exercício desses dons não é nada. As línguas sem amor não passam de baru­lho! É o amor que enriquece o dom e lhe dá valor. O ministério sem amor deprecia tanto o ministro quanto os que são alcançados por eles; mas o ministério com amor enri­quece a igreja toda. "Seguindo a verdade em amor" (Ef 4:15).
Os cristãos são "por Deus instruídos que [devem amar-se] uns aos outros" (1 Ts 4:9). Deus Pai nos ensinou a amar enviando seu Filho (1 Jo 4:19), e Deus Filho nos ensinou a amar dando sua vida e nos ordenando que amássemos uns aos outros (Jo 13:34, 35). O Espírito Santo nos ensina a amar uns aos outros derramando o amor de Deus em nosso coração (Rm 5:5). A lição mais impor­tante na escola da fé é o amor mútuo. O amor enriquece tudo o que toca.
O amor é edificante (vv. 4-7). "O saber ensoberbece, mas o amor edifica" (1 Co 8:1). O propósito dos dons espirituais é a edifica­ção da igreja (1 Co 12:7; 14:3, 5, 12, 17, 26). Isso significa que não devemos pensar em nós mesmos, mas nos outros, o que, por sua vez, exige amor.
Quando se reuniam, os coríntios mos-travam-se impacientes uns com os outros (1 Co 14:29-32), mas o amor lhes daria longanimidade. Invejavam os dons uns dos outros, mas o amor removeria essa inveja. Estavam ensoberbecidos (1 Co 4:6, 18, 19; 5:2), mas o amor poderia remover esse or­gulho e engrandecimento próprio e, em seu lugar, colocar um desejo de exaltar o outro. "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindovos em honra uns aos outros" (Rm 12:10).
Nas "refeições de ágape" e na Ceia do Senhor, os coríntios se comportavam de ma­neira extremamente indecorosa. Se conhe­cessem o significado do verdadeiro amor, teriam se comportado de maneira a agradar ao Senhor. Estavam entrando na justiça con­tra os irmãos! Mas o amor "não procura os seus interesses, não se exaspera, não se res­sente do mal" (1 Co 13:5). A expressão não se ressente do mal significa "não guarda um registro das ofensas". Um dos homens mais miseráveis que já conheci era um cristão professo que, literalmente, anotava em um caderninho as ofensas que, a seu ver, ou­tros haviam cometido contra ele. Perdoar significa limpar o registro e não guardar coi­sa alguma para usar contra as pessoas (Ef 4:26, 32).
O amor não se alegra com a iniquidade, mas os coríntios gabavam-se do pecado em sua igreja (1 Co 5). O "amor cobre multidão de pecados" (1 Pe 4:8). Como os filhos de Noé, devemos procurar cobrir os pecados dos outros e, então, ajudá-los a colocar as coisas em ordem (Cn 9:20-23).
Ao ler 1 Coríntios 13:4-7 com atenção e comparar esse texto com os frutos do Espíri­to relacionados em Gálatas 5:22, 23, pode­mos observar que todas as características do amor aparecem nesses frutos. É por isso que o amor edifica: libera o poder do Espírito em nossa vida e na igreja.
O amor permanece (w. 8-13). A pro­fecia, a ciência e as línguas não são dons permanentes. (Ciência não significa "educa­ção académica", mas sim comunicação ime­diata de uma verdade espiritual à mente.) Esses três dons andavam juntos. Deus co­municava determinado conhecimento ao profeta, o qual transmitia a mensagem em línguas. Então, um intérprete (por vezes o  próprio profeta) explicava essa mensagem, os coríntios valorizavam esses três dons ao extremo, especialmente o dom de línguas.
Esses dons desaparecerão (serão aboli-dos) e cessarão, mas o amor durará para sempre; pois "Deus é amor" (1 Jo 4:8, 16). Os coríntios eram como crianças usando brinquedos que, um dia, deixariam de exis­tir. E esperado que uma criança pense, com­preenda e fale como criança, mas também é esperado que amadureça e comece a pen­sar e falar como adulto. Um dia, deve "[d­sistir] das coisas de menino" (1 Co 13:11).
Encontramos no Novo Testamento (que naquela época ainda não havia sido com­pletado) uma revelação completa, mas nos-i so entendimento dela é apenas parcial. (Para aqueles que não concordam, ver 1 Co 8:1-3.) Há um processo de amadurecimento para a igreja como um todo (Ef 4:11-16) e também para cada cristão como indivíduo j (1 Co 14:20; 2 Pe 3:18). Só alcançaremos a plenitude quando Jesus voltar, mas, en­quanto isso, é preciso continuar a crescer e j a amadurecer. As crianças vivem em função de coisas temporárias; os adultos vivem em função de coisas permanentes. O amor é duradouro, e, portanto, aquilo que ele produz permanece.
É importante observar que as três graças cristãs permanecerão, mas a "fé se transformará em visão e a esperança se cumprirá".
No entanto, a maior dessas três graças é o amor, pois quando amamos alguém, confia­mos nele e sempre antevemos um novo gozo. A fé, a esperança e o amor andam juntos, mas é o amor que impulsiona a fé e a esperança.
A igreja de Cristo havia aban­donado seu primeiro amor. Es­queceram que a marca do discí­pulo verdadeiro era o amor (Jo 13.34-35). Sem amor, o conhe­cimento, os dons, e a ortodoxia não possuem nenhum valor. Com as Escrituras, aprendemos que Jesus está mais interessado em nós do que em nosso trabalho. O amor dos discípulos havia sido substituído pelo zelo espiritual. Defendiam a teologia, a fé e suas convicções, a ponto de se entre­gará morte, mas não se deleitavam em Deus. Não sentiam mais amizade por Jesus. Estavam parecendo com os fariseus, obser­vavam, com rigor, todas as regras sagradas, mas os seus corações estavam secos, à semelhança de um grande deserto.

2.2. A importância do amor
O amor era um assunto mui­to importante para a igreja pri­mitiva. Sua ausência era enca­rada como decadência na vida cristã. O amor era encarado como um ato de fé, quem era de pouca fé, também era de pouco amor. Enquanto eles amavam, a compaixão era marcante na igreja primitiva. Eles cresciam na proporção que amavam.

2.3. O que era o primeiro amor para eles?
A expressão “amor” ou “cari­dade” é interpretada por grande parte dos estudiosos como amor fraternal. Os chamados pais da igreja primitiva acreditavam que se referia ao cuidado com os irmãos mais pobres da igreja. No entanto outros autores renomados da literatura evangélica associam essa passagem do Apocalipse ao texto de Jeremias 2.2 “Vá proclamar aos ouvidos de Jerusalém: “Eu me lembro de sua fidelidade quando você era jovem: como noiva, você me amava e me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada.; em que o Senhor diz que Israel havia esquecido do seu amor. Querendo dizer que os efésios haviam deixado o seu amor por Jesus. No entanto a melhor resposta a essa ques­tão é a que é dada pelo teólogo Charles R. Erdman: “Esse era o   amor por Cristo e o amor pelos companheiros cristãos”. Os dois aspectos para ele são inseparáveis.
Jeremias 2.2 - A esposa infiel (w. 1-8). Quando o Se­nhor deu sua aliança aos israelitas no monte Sinai (Êx 19 - 20), entrou num relacionamen­to amoroso com eles e comparou-o a um casamento. "Porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado" (Jr 31:32; ver 3:14). No Antigo Testamento, a idolatria de Israel é compara­da ao adultério e até mesmo à prostituição (ver Is 54:5; Os 2:16). No começo desse re­lacionamento de aliança, os israelitas eram dedicados4 ao Senhor e o amavam, mas uma vez que conquistaram a Terra Prometida, seu coração cobiçou os deuses das nações a seu redor e afundaram-se na idolatria (Jz 1 - 3). Apesar de Deus tê-los conduzido em segu­rança ao longo da jornada pelo deserto e de ter lhes dado uma herança maravilhosa em Canaã, eles o abandonaram em troca de ídolos feitos por mãos humanas. Que tipo de amor fiel é este?

3. O retorno ao primeiro amor (Ap 2.5)
Um autor renomado já disse que aqueles crentes haviam caído de suas maiores elevações espirituais; tinham caído do serviço motivado pelo princípio do amor; ti­nham caído apesar de sua ortodoxia; tinham caído a despeito de continuarem a defender a verdade; tinham caído apesar de seus labores  religiosos e apesar de sua lealdade em meio a persegui­ção. Eles precisavam retornar ao primeiro amor. Para que isso acontecesse, o Salvador aponta o caminho dizendo que eles tinham que se lem­brar, arrepender-se e praticar as primeiras obras.
Ap 2.5 – Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.
A palavra de arrependimento e advertência começa: Lembra-te! Também em Is 43.26; 44.21; 46.8,9 ela se encontra em estreita ligação com apelos ao arrependimento. Não se trata de um retrospecto saudoso. Quem reconhece que em sua vida a linha da bênção se parte, que o fio espiritual se rompe e que o avanço genuíno pára deve lembrar-se das iniciativas de Deus e tomar uma nova decisão a favor delas. O passado precisa tornar-se novamente um presente vivo. Não basta saber que é preciso arrepender-se. Pelo contrário, cabe perguntar para onde precisamos retornar. Para o ponto do qual nos desviamos! É por isso que o arrependimento frutífero sempre consiste em lembrar-se. Retornar para um lugar qualquer nos levaria tão somente a novos descaminhos.
A igreja não está sendo convocada a frequentemente fazer uma análise de seu pecado. Não está sendo dito: lembra-te em que situação caíste, mas  de onde caíste. Conforme Ap 3.3, evoca-se aqui o tempo em que houve despertamento para a fé, quando Deus criou a igreja em Éfeso por intermédio de sua palavra. É provável que a menção da queda faça novamente alusão a Gn 3.
Ao mesmo tempo, essas recordações do estado originário da igreja são, para quem tem ouvidos, confirmações de que o Senhor, por sua parte, ainda é o mesmo hoje como naqueles dias. É por isso que a igreja pode voltar a ser a mesma. A infidelidade que se intrometeu não deve ter alcançado a anulação de tudo o que o foi antes. O Senhor ainda não está riscando ninguém, mas está sublinhando. Aquele que chama é fiel, continua chamando (1Ts 5.24) e ainda está amando (Ap 1.5). Também a igreja deve sublinhar sua conversão mais uma vez através do arrependimento.
Arrepende-te e volta à prática das primeiras obras.  Ainda não está presente o conceito do arrependimento incessante e que preenche a vida toda. Não arrependimento, e depois repetidamente arrependimento, mas arrependimento e depois frutos do arrependimento (Mt 3.8), a saber, as primeiras obras! São as obras que se realizam a partir da comunhão restabelecida com Cristo (Jo 15.1-8). É por isso que em Ap 2.26 são chamadas de minhas obras.
Mas se não, anuncia-se terminantemente, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro. Quando Éfeso considerar de onde decaiu, reconhecerá que interiormente já traiu e desperdiçou seu lugar entre os sete candelabros. Seu estandarte de luz já se apagou, a comunhão do primeiro amor com Cristo já foi abandonada. Se houver arrependimento, tudo se torna novo. Do contrário, porém, o Senhor traz à luz o que é (Ap 1.19). Finalmente a igreja seria reconhecida também exteriormente como não-mais-igreja (Mt 5.12-16).

3.1. Lembranças
Uma vida de devoção ver­dadeira aciona todas as nos sas faculdades. O lembrete divino diz: “lembra-te de onde caíste”, uma exortação à memória piedosa acerca de um estilo de vida que antes os crentes de Éfeso possuíam. Uma das forças da humani­dade consiste em olhar para trás, relembrando os aconte­cimentos da vida, através da memória. Eles precisavam se lembrar do momento da que­da, rever os fatos e resgatá-la de maneira pura e honesta. Mas é verdade que recons­ truir os fatos, ambiente e circunstâncias do passado é um grande desafio, um exer­cício psicológico da história. Jesus, através de João, está ressaltando um dos maiores problemas enfrentados pela humanidade, que é o cárcere intelectual. A rigidez com que os homens e mulheres pensam e compreendem a si mesmas e o mundo que as envolve. Trazer, à memória, os dias de piedade com que viviam os cristãos daquele lu­gar só valorizaria a esperança em seus corações (Lm 3.21 Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança).

3.2. Arrependimento
O termo grego “metanoeo” significa mudança de mente. Para as páginas do Novo Tes­tamento, esse vocábulo tem um significado mais amplo, pois, indica uma mudança de conduta diária. O arrependi­mento é parte essencial da conversão cristã, pois está vinculado ao problema do pecado (At 20.21 Testifiquei, tanto a judeus como a gregos, que eles precisam converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus.). Os crentes daquela igreja precisavam se arrepender de seus pecados, e esse é o caminho concedido pelo próprio Deus (At 11.18 Ouvindo isso, não apresentaram mais objeções e louvaram a Deus, dizendo: “Então, Deus concedeu arrependimento para a vida até mesmo aos gentios!”), para torna-se realidade a atu­ação do Espírito Santo, que só foi possível, porque Cristo cumpriu sua missão (Mt 9.13 Vão aprender o que significa isto: ”Desejo misericórdia, não sacrifícios. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores”.). No entanto se eles não se ar­rependessem resultaria em juízo condenatório (Ap 2.5).
Mt 9.13 – “IDE, porém, e aprendei o que significa”. Na literatura judaica era comum essa frase, sempre usada pelos rabinos quando querias frisar algum preceito seu. Jesus empregou uma frase bem conhecida afim de encorajar seus ouvintes a aprenderem algo de seu próprio livro e fonte informativa. Sugeriu que aqueles homens, que se reputavam mestres na fé e autoridades religiosas aprendessem o significado da passagem de Oséias 6.6 interpretando-a para si mesmos, ao invés de se porem tão facilmente a criticar aos outros. Mais adiante, Jesus empregou a mesma citação coe respeito à lei do sábado (Mat. 12:7). Mostrou que a lei ética é mais importante que a lei cerimonial. Os fariseus se satisfaziam em retirar-se da presença daqueles que consideravam pecadores, pensando que até a poeira dos gentios e pecadores provocava a impureza cerimonial, levando os contaminados a perderem as condições apropriadas para adorarem e servirem a Deus. Mas a lei ética reveste-se de muito maior importância. Fica claro que a salvação dos pecadores é impossível se não se encontrarem com o Salvador dos pecadores.
“Holocaustos”. Refere-se aos sacrifícios dos judeus em vista do pecado. Mas do que adiantavam os sacrifícios (culto cerimonial) sem a misericórdia (símbolo da graça de Deus e seu poder de salvar)? Jesus, portanto, ensinou as seguintes lições: 1. O próprio Deus prefere os atos de misericórdia, o serviço ao próximo (incluindo a ajuda aos pecadores), a qualquer ato religioso meramente cerimonial. Ambas as coisas são boas, mas a primeira é muito mais necessária. 2. O sistema de sacrifícios tinha por finalidade mostrar e ilustrar o aspecto mais importante, ou seja, a misericórdia, o serviço prestado ao próximo; mas as cerimonias ilustrativas da misericórdia de Deus não tinham valor por si mesmas. 3. Não se deve confiar nas cerimonias religiosas, nem se deve frisá-las, pois essas, sem os atos misericordiosos, não têm valor. Esses princípios merecem maior aplicação no seio da igreja, que às vezes dá excessiva importância às cerimónias.

3.3. Praticar
A restauração da igreja de Éfeso tinha uma progressão: primeiro ela tinha que lem­brar o momento que deixaram de ser uma igreja relevante, depois se arrepender dos pe­cados praticados, e, por fim, não menos importante, voltar a praticar as primeiras obras que encantavam ao Senhor Jesus. O texto diz: “pratica as primeiras obras”, quer dizer literalmente no verbo grego “faz”, isto é, a ideia de uma atitude definitiva, a fim de que tais obras sejam constan­temente praticadas. Segundo R.N. Champlim, as “primei­ras obras” não são novas e de diferentes modalidades de ação; antes, são as mesmas obras, mas motivadas pelo amor original, de tal maneira que até pareçam novas obras.
Não podemos dizer exatamente o que alguém deve fazer com relação a voltar ao princípio, isso pode significar muitas coisas na vida particular de alguém, além dos exercícios espirituais: pedir desculpas a alguém, eliminar débitos, voltar a fazer culto domestico e ensinar os filhos , evangelizar, discipular e mentorear pessoas, lutar para deixar um legado, etc. Enfim, o Espirito santo é aquele que  nos ilumina nessa tarefa. Na verdade muitos de nós já sabemos o que fazer.

Conclusão
A mensagem de Jesus à Igreja que estava na ci­dade de Efeso denunciava sua frieza espiritual, sem, contudo, deixar de reco­nhecer suas virtudes na defesa da fé cristã. Aquela igreja, não havia deixado de ser povo de Deus, mas precisava urgentemente voltar à prática original da fé, pois eles haviam es­quecido o primeiro amor, e não se importavam mais com esse tema.

QUESTIONÁRIO

1. Em que cidade moravam os cristãos que haviam perdido o primeiro amor?
R. Efeso
2. Quem é o autor desta men­sagem?
R. O Apóstolo João
3. Como era encarada a ausên­cia do amor na igreja primitiva?
R. Como decadência na vida cristã e como um ato de fé, quem era de pouca fé, também era de pouco amor.
4. O que era o primeiro amor na concepção da lição?
R. era o amor por Cristo e o amor pelos companheiros cristãos
5. Qual era o caminho para re­tornar ao primeiro amor?
R. Tinham que se lembrar, arrepender-se e praticar as primeiras obras.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 1º Trimestre de 2013, ano 23 nº 86 – Jovens e Adultos – Vida Cristã Vitoriosa.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento 
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Comentário Bíblico - F. B. Meyer
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)
Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

3 comentários:

  1. muito bom, moro no interior de minas, em uma cidade que o ministerio madureira é muito pequeno, sou professor da ebd vou ensinar escola por este conteudo, só tenho 3 meses neste ministerio, e aqui na cidade as lições sempre chega atrasada, enquanto não chega me viro aqui

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  2. Amém, é um prazer tê-lo aqui conosco. Seja sempre bem-vindo.

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  3. A paz do SENHOR!! DEUS me resgatou a um ano e participo da escola dominical sempre. depois q respondo o questionario sempre venho aqui pra saber se respondi certo.Escola dominical é uma benção.sou do rj.

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