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21 O remendo e o odre velho, Mt 9.16,17


O remendo e o odre velho, Mt 9.16,17
(Mc 2.21s; Lc 5.36-39)

16-17 Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.
Observação preliminar
Os odres eram feitos da pele de animais, que eram retiradas inteiras de uma ovelha ou cabra. Os furos existentes no pescoço e nas pernas eram costurados ou, no caso de serem usados para encher ou derramar o conteúdo, amarrados com uma tira de couro.
Partindo do contraste acima referido, entre o jejum legalista e o jejum futuro da comunidade messiânica, Jesus passa para um contraste mais profundo, existente entre a forma antiga e a nova do reino de Deus. Fala dele em duas parábolas, nas figuras do remendo na roupa e do odre de vinho.
As duas parábolas do remendo de tecido novo e do vinho novo não devem ser separadas das frases anteriores, após as quais elas são citadas por todos os três evangelistas sinóticos. Ao mesmo tempo, porém, é preciso ter em conta que Jesus está visando o futuro: Virá o tempo em que o noivo será tirado deles. Depois disso deverá vir o tempo novo! Enquanto fala, surge diante do olhar do redentor a imagem da nova vida e da nova natureza de sua comunidade. A ordem totalmente nova da comunidade de Cristo somente poderá entrar em vigor quando a nova vida assumiu o lugar da velha.
É impossível querer costurar apenas um pedaço da vida nova sobre a velha. A natureza do Espírito é uma peça inteiriça. Tê-la pela metade apenas traz prejuízos. A pessoa acompanha-a um trecho e cai de volta. Presume e faz de conta que tem a vida nova. Mas é apenas remendo, não algo tecido e crescido. A fraqueza e o desgaste da vida velha foram apenas um pouco encobertos.
Após ter exposto e ilustrado na primeira comparação a  necessidade da transformação, Jesus passa a descrever os órgãos nos quais a vida nova deve transitar. Ele é acusado de que costuma relacionar-se com os publicanos. Contudo, a quem escolheria para órgãos da vida no espírito que se assemelha a um vinho novo, gerador de vida? Deveriam ser os velhos fariseus, imbuídos da certeza de seus próprios méritos? Ou deveriam ser os escribas, cuja arte nada mais era que transformar todo o Antigo Testamento num livro de leis? Deixar essas pessoas, tais como eram, participarem de sua obra seria o melhor caminho para adulterá-la pela mistura com pensamento de mérito legalista e preconceitos ultrapassados. Em pouco tempo ela sucumbiria.
Estão em jogo conteúdo e forma. Ou seja, as formas antigas não são capazes de conter Jesus!
Os mesmos pensamentos Jesus expõe pessoalmente naquela prece que ele proferiu por ocasião do envio dos 70: “Graças te dou, ó Pai, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11:25)! Deus lhe tinha dado como instrumentos esses pobres e ignorantes galileus. Jesus o louva por isso: “Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11:26)!
O Senhor Jesus não quer reformar o judaísmo como tal. Tampouco pensa em forçar a nova vida para dentro das formas judaicas de jejum, de leis, ou do sacerdócio clerical. Não, ele quer criar e provocar algo inteiramente novo. Pois as formas velhas acabariam se rompendo sob o novo modo de ser espiritual.
Está de acordo com o costume que se derrame vinho novo em odres novos. Desse modo ambos serão preservados. O vinho, por meio dos odres, e os odres, por meio do vinho. É dessa maneira, pois, que o Senhor esclarece que não pode confiar o novo vinho aos odres velhos, isto é, que não pode inserir o espírito de vida do Novo Testamento nas velhas formas judaicas.
Essa palavra de Jesus tem máxima importância para todos os tempos. Mostra-nos o quanto o Senhor ressaltou a importância da forma para o conteúdo. Revela com que clareza o Senhor reconheceu como imprescindível que a forma do cristianismo corresponda à sua  natureza  interior.
Fica estabelecida para todos os tempos a advertência de Cristo de que não se deve estragar a vida autêntica de sua comunidade forçando-a para dentro de formas prefixadas, isto é, que se coloque a forma acima da vida, que se prenda obstinadamente, pela organização, o Espírito exuberante.
Entretanto, também faz parte de sua afirmação que as formas cristãs autênticas serão preservadas junto com o conteúdo.
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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