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27 A convocação dos apóstolos, Mt 10.1-4


A convocação dos apóstolos, Mt 10.1-4
(Mc 3.14-19; Lc 6.13-16; At 1.13)

Observação preliminar
Jesus se encontra no auge de seu trabalho na Galiléia. Agora ele quer estender a sua atividade para fora da Galiléia e “multiplicá-la”. Por isso ele envia seus doze discípulos para dentro de todo o povo de “Israel”.

1 Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades.
O termo grego proskaléo quer dizer “chamar para junto de si”, “avocar”. É o mesmo termo usado por Marcos, ao passo que Lucas emprega a palavra synkaléo, isto é, “convocar”. A partir do termo usado por Lucas, “Jesus convocou”, deve-se deduzir que não se deve exagerar a idéia de que Jesus e os discípulos sempre viviam juntos, sem que às vezes a convivência  fosse interrompida de dia ou de noite por breves separações ou ausência de alguns. Em Cafarnaum moravam, em casas diferentes,
Pedro e André, os filhos de Zebedeu e o publicano Mateus. Quando, pois, Jesus queria dizer algo a todos em conjunto, precisavam ser reunidos para esse fim. Isso acontece agora de modo solene. Jesus chama os doze para junto de si. Antes de iniciarem seu serviço, seu serviço missionário, eles têm de chegar primeiro ao Senhor, a fim de receberam dele a vocação e a autorização. Somente depois disso poderão cumprir sua missão, sua tarefa, somente então poderão ir às pessoas. Isso é digno de nota. O envio somente é possível a partir da vocação pessoal.
Quando não existe a vocação pessoal, o envio paira no ar. Somente por meio do próprio Senhor o envio adquire fundamento, poder e objetivo. A partir de agora os doze são um conceito definido, uma unidade, a tal ponto que a designação “os doze” continuou sendo usada mesmo depois da saída de Judas. O número “doze” tem um sentido profundo. A aliança antiga estava alicerçada sobre as doze tribos de Israel. A nova aliança deveria ser construída sobre os doze apóstolos.  – Do mesmo modo como o sumo sacerdote trazia sobre o peito de sua vestimenta litúrgica os nomes das doze tribos, assim Jesus, o novo e verdadeiro sumo sacerdote, carrega no coração os nomes dos doze apóstolos.  – O Apocalipse de João fala das doze portas da nova Jerusalém, sobre as quais estão inscritos os nomes das doze tribos. Entre cada par de portas encontra-se uma imponente pedra retangular como fundamento do muro da cidade, e sobre cada uma dessas pedras está escrito com letras luminosas o nome de cada um dos apóstolos (Ap. 21.12ss). Desse modo está assegurada a unidade da Antiga e da Nova Aliança. Na vocação dos doze, essa unidade ficou documentada (ao convocar os doze, Jesus estabelece sua reivindicação sobre todo o povo de Israel!).
No contexto judaico, a máxima demonstração de poder é realizar milagres. É com isso, pois, que inicia a incumbência do Senhor Jesus aos apóstolos. Os demônios terão de obedecer aos apóstolos por causa de sua autoridade apostólica, e de fato lhes obedecerão por causa de seu poder apostólico.
2-4 Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.
Não somente aqui, mas também em outras passagens do NT encontram-se listas de apóstolos. Essas listas (em Mc 3.14-19; Lc 6.13-16 e At 1.13) e a de Mt 10 são semelhantes em três aspectos:
• Elas contêm os mesmos nomes, com exceção de Judas, filho de Tiago, mencionado por Lucas tanto no evangelho quanto em Atos. Em lugar de le Mt e Mc trazem Tadeu!  A designação “Lebeu, chamado de Tadeu”, não se encontra no texto grego de Nestle (1950), somente no texto coiné.
• Nas quatro listas, essas doze pessoas estão distribuídas em  três grupos de quatro integrantes cada, sem que aconteça uma troca de um apóstolo de um grupo para outro. Disso parece resultar que o colegiado de apóstolos era formado por três círculos concêntricos, cujo relacionamento com Jesus se dava em graus decrescentes de intimidade.
• São sempre os mesmos apóstolos que aparecem na ponta de cada quarteto: no primeiro Pedro, no segundo Filipe e no terceiro Tiago, filho de Alfeu. Além dessa subdivisão em grupos de quatro, Mateus oferece uma subdivisão por duplas. Em Atos dos Apóstolos os quatro primeiros são ligados individualmente por um “e”, e os oito restantes são agrupados por pares (cf. mais detalhes em Rienecker, Praktisches Handkommentar zum Lukas-Evangelium).
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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