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29 A pergunta de João Batista e a resposta de Jesus, Mt 11.2-19


A pergunta de João Batista e a resposta de Jesus, Mt 11.2-19
(Lc 7.18-35)

2,3 Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo (o Messias), mandou por seus
discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir (ou “o que vem”, i. é, o Messias
prometido) ou havemos de esperar outro?
Era essa a resposta do Senhor Jesus. Isso era tudo, isso significava consolo? Isso é um incentivo
amigável, uma recordação amiga: “Amado João, lembro de você, não desanime”? Aos publicanos e
pecadores Jesus diz: “Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados”, ao criminoso
na cruz ele afirma: “Em verdade lhe digo, ainda hoje você estará comigo no paraíso!”
Entretanto, ao seu fiel arauto João, que sofre inocentemente na fortaleza, o Senhor não diz
nenhuma palavra de consolo, de fortalecimento. O que Jesus manda dizer a João, seus discípulos já
lhe haviam dito há tempo. Foi justamente nesses atos magníficos de Jesus que o Batista se
escandalizara. Eram exatamente eles que lhe haviam proporcionado t antas infindáveis lutas
espirituais durante o longo tempo no cárcere!
No primeiro instante a resposta de Jesus a João Batista parece ser enigmática. Contudo, ao refletir
sobre ela, descobrimos que um maravilhoso consolo para João reside profundamente ocult o nessas
palavras. Elas apontam claramente para Isaías 35.5s, uma passagem que João com certeza sabia de
cor (o prof. Bornhäuser é da opinião de que João sabia de cor todo o livro de Isaías  – o silêncio de
trinta anos no deserto dava oportunidade para isso ). Essas palavras de Isaías anunciavam com
exatidão e nitidez a tarefa do Messias. Jesus indica: “No cumprimento dessa profecia, você, João,
pode notar e constatar que eu sou realmente o Messias anunciado que está para vir”.
Mas João devia mover em oração no seu íntimo não apenas o que foi exposto acima, a recordação
de Isaías 35.5s, e sim muito mais: Ele devia aprender das palavras de Jesus algo muito mais
significativo. Que mais Jesus, afinal, queria dizer com essa misteriosa palavra?
Para podermos entendê-lo, precisamos recordar uma afirmação feita por Jesus a Tomé no
evangelho de João: “Felizes são os que não vêem e crêem” (Jo 20.29).
Poderíamos dizer que existem dois estágios  na fé: Uma situação inicial, na qual se encontram
todos os que aderiram a Jesu s, que começaram a segui-lo. Esse período tem como título: “Porquanto
me viste, creste”. E uma situação de prosseguimento, uma etapa mais profunda da fé. Para esse
estágio mais profundo da fé é que os crentes precisam amadurecer aos poucos. Nessa etapa vig ora:
“Felizes os que, apesar de não verem, crêem”. Ou, com as palavras do hino  Por tua mão me guia:
“Se bem que eu nada sinta do teu poder, que a luz da tua face não possa ver: Eu sei que tu me guias,
meu Bom Pastor…”
O Senhor Jesus sabe que não podemos ingressar desde já na etapa mais profunda da fé, quando
somos independentes de tudo o que nos contraria e dependemos unicamente de nosso Deus. É um
fato consolador nesse episódio que Jesus não condena o Batista, mas que ele o quer ancorar nesse
estágio mais profundo da fé, no qual não verá, não sentirá nem experimentará, mas em que aprenderá a crer cegamente: Jesus é o Messias prometido, o Filho de Deus anunciado, mesmo que
exteriormente tudo possa depor contra ele e pareça completamente incompreensível para  João.
Aprendemos esse descansar em Deus, essa fé, mais preciosa que o ouro passageiro, unicamente
quando Deus nos tira o chão de baixo de nossos pés e nos conduz para dentro de abismos em que não o entendemos mais. É necessário que, na pessoa de Jesus e também no nosso próprio caminho de sofrimento, reste algo que jamais compreenderemos. Somente então poderemos experimentar o que está contido na palavra “Bem-aventurado o que não se escandaliza comigo, que não se deixa abalar por nada na confiança em mim”. Será introduzido no estágio mais profundo da fé quem não reclama e lamenta sobre o que lhe sucede, mas diz com gratidão: “Se bem que nada sinta do teu poder,… eu sei que tu me guias, meu Bom Pastor” e também: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.26; cf. as coletâneas de prédicas de Karl Heim).
A palavra Feliz é quem não se escandaliza comigo é também a última palavra de Jesus a João.
Ela comprova que Jesus realmente percebe João como passando por uma hora de angústia e tentação, mas ao mesmo tempo sabia que ele estava salvo. O Senhor não emite uma condenação sobre quem se agarra nele, e sim uma bem-aventurança. Jesus conhecia seu servo e arauto e sabia que efeito a mensagem teria sobre ele.
João precisa aprender a silenciar e consolar-se, como um mensageiro do cordeiro de Deus, e a
confiar cegamente, aconteça o que acontecer.
Também nós precisamos nos prevenir de que, no desenvolvimento de nossa fé, às vezes
chegaremos ao ponto em que não coordenamos mais nada, em que nossa razão parece ficar parada,
quando não entendemos mais nada e não conseguimos mais alinhavar as coisas. Po de ser uma
situação em que, quando pedimos por esclarecimento, a única resposta que obtemos é a  confirmação da situação tal como é, e quando não acontece nenhuma solução ou libertação da  difícil situação do momento, antes tudo permanece obscuro e nada muda nem melhora. “Em tudo isso, não permita que você seja desviado, não se escandalize do Senhor e da sua Palavra. O Senhor Jesus quer levá -lo às profundezas da vida de fé, quando a fé será considerada mais preciosa que o ouro perecível, depurada pelo fogo, para trazer louvor, honra e glória quando será revelado Jesus Cristo. O Senhor Jesus queria libertar seu servo João daquilo que ele realiza com  outros, mostrando-lhe como conduz aos outros de modo bem diferente do que a ele.”

7-19 Então, em partindo eles (os mensageiros de João), passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais. Mas para que (afinal) saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e (vistes) muito mais que profeta. Este é de quem está escrito: Eis aí eu envio diante da tua face o meu mensageiro, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir (como precursor do Cristo). Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça!
Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros: Nós (vos) tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes (assim fez esta geração). Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem:  Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.
Depois que os discípulos de João partiram com a resposta de Jesus, o Senhor dá um poderoso
testemunho sobre o seu arauto e servo.
O Batista tinha achado motivo de tropeço nos modos de Cristo. Contudo, esse motivo forte e
público de João se escandalizar com a atitude de Jesus de forma alguma levaram o Senhor a se
alterar. O Senhor sentiu que o Batista tinha prejudicado mais a si próprio perante  o povo do que
magoado ao Senhor. Por isso o Senhor, por assim dizer, protegeu a reputação de João contra a
própria mensagem enviada por ele, ao começar a elogiar e louvá-lo!
É que, quando esteve no deserto próximo ao rio Jordão, o Batista tinha dado um testemunho
esplêndido em favor dele, o Senhor. O Senhor agora faz uso dessa oportunidade de  também honrar
publicamente ao seu precursor. Considerando que havia uma correlação estrita entre a sua missão e a de João, ele não podia deixar passar essa oportunidade. O discurso de Jesus sobre João é quase que
seu “necrológio”, pois pouco tempo depois João foi morto. Nesse discurso Jesus destaca
primeiramente a eminente importância do “Batista” no reino de Deus, não obstante seu lugar em
comparação com os que pertencem aos novos tempos. Depois Jesus descreve a atitude do povo
diante das duas manifestações divinas que vieram sobre o povo naquela época, a saber, a atuação
oficial do Batista e a dele próprio, o Senhor.
As palavras passou Jesus a… chamam a atenção para o aspecto solene do discurso de Jesus.
Nesses termos elogiosos sobre João reconhecemos de modo esplêndido Jesus como mestre de almas.
Disse ao povo: Que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? O povo não tinha
saído porque tivesse inclinação para admirar os juncos sendo embalados pelo vento no Jordão, algo
que pode ser visto todos os dias. Não, deve ter sido algo bem diferente. O caráter vigoroso do Batista tinha conquistado o povo. Agora, quando João de fato parecia estar vacilando, o povo devia lembrar -se daquela primeira impressão, para que agora não visse nele injustamente um caniço balançado pelo jogo do vento, mas sim um cedro sacudido pela tempestade.  Portanto, o povo não devia acreditar que João estava vacilando no seu testemunho, em sua opinião sobre Cristo, mas devia continuar confiando como antes na grande e solene declaração do homem forte.
É por isso que ele continua: Que vocês saíram para ver? Acaso uma pessoa vestida com vestes
finas? Jesus acrescenta: Eis que quem usa roupas finas (as pessoas de vida abastada) está no
palácio dos reis! O povo vira que o Batista no deserto usara por livre opção uma veste de pelos de
camelo, cingido com um cinto de couro, e que não adulou o rei, mas duramente lhe disse a verdade.
Por isso não precisam preocupar-se de que ele abandonaria sua vocação agora (por ter de penar na
masmorra de Herodes como testemunha da verdade)! Se tivesse inclinação à maciez, da qual são
gerados os bajuladores, certamente também lhe serviria “uma veste macia no palácio do rei”. No
entanto, com sua personalidade forte, ele será perseverante até o fim em roupas ásperas “no cárcere
do rei”. Ele demonstrará que está à altura de sua missão!
Dessa maneira Jesus acalmou o povo sobre a firmeza e coerência do Batista, tanto acerca da
confiabilidade de seu testemunho quanto acerca da gravidade de seu destino, sobre o que era
inevitável em sua missão.
Pela terceira vez Jesus indaga: Que vocês querem ver? Um profeta? E Jesus responde: Sim,
alguém que é mais do que profeta! Em que sentido ele é mais do que profeta? Jesus explica ao
povo que João é o anjo do Senhor, do qual o profeta Malaquias (3.1) profetizou que iria à sua frente
para abrir caminho, e que ninguém entre os nascidos de ser humano é maior do que ele, o Batista!
Desse modo, pois, João Batista se destaca como primeiro entre todos os profetas por sua posição
única no reino de Deus. Ele encerrou a antiga aliança e iniciou a nova. João merece ser chamado o
maior entre todos os profetas, porque ele foi o enviado de quem falou Malaquias. No entanto, Jesus
eleva o menor de seus discípulos acima do maior dos profetas. Por quê? É porque, pela dádiva de
poder experimentar a força redentora, o discípulo de Jesus alcançou uma percepção mais profunda da natureza, do desenvolvimento e das bênçãos do reino dos céus do que a percepção concedida a João. Se já foi essa a situação daqueles que naquele tempo acreditavam em Jesus, quanto mais valerá para nós, para quem pela história dos séculos a grandeza e glória de Jesus foi revelada de maneira mais maravilhosa ainda.
Com as últimas declarações, Jesus citou com toda a clareza a tarefa do Batista, a saber, anunciar o
Messias. Dessa maneira ele também confidenciou a todos que o Messias agora apareceu, e que ele o
era.
Pesava muito no coração do Senhor o quanto o precursor e mais tarde ele próprio, o fundador do
reino dos céus, foram mal-entendidos pelos líderes do povo e posteriormente pelo povo induzido ao
erro. Sobre isso proferiu para seus ouvintes um severo discurso de crítica em forma de uma
comparação: Com quem posso comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados
nas praças, gritam aos companheiros: Nós tocamos flauta, mas vocês não dançaram; entoamos
lamentações, mas vocês não prantearam (bem assim faz esta geração).
É preciso observar que as crianças são descritas como inconstantes, porque no mesmo momento
querem brincar de “casamento” e de “enterro” com seus companheiros. Com isso fica caracterizada a geração daquele tempo pela maneira como se posicionou diante de João Batista e do Cristo. Como as crianças que exigem dos companheiros que “dancem de acordo com a sua música”, eles exigem que João executasse uma alegre melodia nupcial, enquanto de fato João conclamava o povo para uma celebração de arrependimento e de luto. De imediato, no mesmo instante, porém, queriam entoar com o Senhor Jesus um lamento fúnebre, enquanto Jesus queria convocar o povo para a alegre festa de casamento da graça do Novo Testamento.
João se apresentou, não comia nem bebia, representando com sua severa abstinência a mais
profunda seriedade da vida. Apesar de ficar abalado pelo poder de seu espírito, aos poucos o povo
falava: “Ele é severo demais para nós, é muito soturno ”. No fim a maioria se afastou dele, declarando que ele estava possuído por um demônio tristonho (cf. v. 18).
Jesus apareceu, comia e bebia, participando com liberdade e amor desinteressado nos banquetes
deles, a fim de anunciar “boa nova”. Contudo, disseram: Olhem, este homem é comilão e beberrão.
É amigo dos cobradores de impostos e de outras pessoas de má fama! O espírito farisaico o baniu
como sendo uma pessoa que não observa a lei. Assim, largavam dele também (cf. v. 19a).
Com os traços dessa parábola, Jesus retratou a experiência recorrente que a pregação do reino dos
céus realiza sempre de novo no mundo.
A pregação da lei é considerada séria demais, muito desumana e destruidora de toda alegria da
vida. A pregação da reconciliação, porém, é vista como favorecimento da leviandade, do pecado.
Sempre de novo os mensageiros de Deus precisam tolerar o fato de serem rejeitados pelo mundo.
Entretanto, é apenas circunstancial essa triste experiência. Sempre há alguns que aceitam a
sabedoria celestial, que a defendem e se tornam filhos do espírito dela. São esses que há muito foram fiéis a ela e comprovaram que o mérito dessa boa notícia, justificando a boa nova por meio de sua palavra e sua obra! Os filhos da sabedoria sempre defendem a justiça dela, assim  como filhos
defendem o direito da sua mãe!
Foi uma hora crítica em que Jesus proferiu essas palavras para o povo. Com a pergunta através
dos seus mensageiros, João tinha posto em perigo a imagem de Cristo e sua própria perante o povo.
O povo poderia sentir-se tentado a assumir apaixonadamente a pergunta do Batista e questionar,
desse modo, a autoridade de Jesus. Ou podia começar a ficar com dúvidas dos dois profetas. Jesus
corrige esse aparente erro do Batista, aproveitando até a oportunidade para esclarecer ao povo a
diferença entre a sua posição e a do Batista, bem como a unidade superior de ambas as posições para
a fundação do reino dos céus. Mostra também ao povo que ele se tornou  duplamente culpado,
primeiro em João Batista, depois nele. Ou seja, a inte ligência mais perfeita não poderia ter dado uma guinada melhor para o episódio, do que a que deu Jesus. Essa sabedoria, porém, era a do príncipe do reino dos céus, aquela que reúne numa só a perfeita verdade e o amor.
Esse discurso é um dos que evidenciam da melhor maneira o que Jesus era como orador popular.
O pensamento é exigido, o interesse é estimulado pelas formas de perguntas, a atenção é despertada
por ilustrações atraentes. Enfim, a aplicação é marcante para a consciência: “João não conseguiu
nada com sua dureza. Eu tampouco consigo algo com minha amabilidade. Vocês não querem saber
nada de Deus, nem de uma nem de outra maneira.” Não obstante, há pessoas cuja atitude diante de
Jesus e cuja atenção e resposta à sua palavra e obra “justifica a Deus e condena a vocês!”
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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