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30 Os lamentos sobre as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, Mt 11.20-24


Os lamentos sobre as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, Mt 11.20-24
(Lc 10.12-15; Jo 12.37)

20-24 Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido:
Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza.
E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.
Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.
Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.
Estes versículos são palavras de despedida às cidades em que Jesus havia pregado. Corazim não é
citada nem no AT nem por Josefo. No entanto, a cidade é mencionada com este nome pela tradição
judaica. De acordo com Eusébio, Corazim ficava a três horas de distância de Cafarnaum, de acordo
com Jerônimo, a 40 minutos. Dalman afirma: “No local da antiga Corazim encontra -se hoje uma
região erma de basalto. Seja como for, Corazim deve ter sido uma cidade importante, porque Jesus a
compara com Tiro e Sidom e a coloca no mesmo nível de Cafarnaum. Não temos conhecimento de
nenhum dos numerosos milagres que aqui são pressupostos, e dos realizados em Betsaida
conhecemos apenas um. As duas cidades que servem como comparativo são personificadas e
apresentadas como duas mulheres que, vestidas de pano de saco e cobertas de cinza, se apresentam
como símbolos do luto. Tiro e Sidom também serão consideradas culpadas, porém  em grau menor
que aquelas.
Um impacto maior provocam essas palavras contra as duas cidades impenitentes Corazim e
Betsaida quando lemos em Ez 27,28 o lamento sobre o príncipe de Tiro e também de Sidom. Como
deverá ser severo o castigo dessas cidades impenitentes, se sobre as localidades que no juízo sofrerão menos rigor já se profere um lamento desses.
O ai pronunciado aqui por Cristo não deve ser entendido tanto como uma ameaça, mas antes
como expressão de profunda dor que Jesus sente com a impenitência dessas cidades. É o Cristo
sofredor a quem encontramos aqui (Schlatter), o Cristo que não apenas sofreu na cruz as dores
físicas, mas que também suportou, durante o tempo de sua atividade, o sofrimento de seu povo com
doenças e necessidades de todos os tipos, e que especialmente teve de sofrer sempre de novo com a
impenitência (cf. o exposto sobre 8.17).
Como terceira das cidades impenitentes é citada Cafarnaum. Ela ocupa uma posição muito
singular. É a cidade em que Jesus iniciou sua atuação. Depois de sua t entação, ele foi por Nazaré até Cafarnaum e ali se estabeleceu (Mt 4.13). É a cidade em que foi anunciada pela primeira vez a
mensagem da proximidade do reino dos céus, na qual se situava o quartel general do rei. Em Mt 9.1
Cafarnaum foi até chamada de “sua cidade”.
Em que posição especial privilegiada se encontrava, portanto, essa cidade! Foi-lhe permitido
oferecer um lar ao Filho de Deus durante sua permanência na terra. Ela podia vê-lo cruzando suas
ruas com uma freqüência como nenhuma outra cidade. Viu  tantos milagres dele. Homens dessa
cidade eram os seguidores do Mestre. Entretanto, tudo isso não conduziu a cidade de Cafarnaum a
reconhecer Jesus e, assim, a arrepender-se. Agora é proferida a sentença. Ela é dada segundo o
princípio de que ao que muito foi dado, dele muito se exigirá. Que posição Cafarnaum poderia ter
ocupado, se não tivesse sido apenas exteriormente sua cidade e sua residência, mas se também se
tivesse se tornado interiormente “a sua cidade”! Ela teria ingressado no reino dos céus como o
primeiro fruto, como o início dos novos tempos, como  a sua cidade na mais profunda acepção da
palavra. Isso, porém, a cidade perdeu por causa de sua atitude. Ela não será exaltada até o céu, todas
as suas grandes possibilidades se desperdiçaram.
A magnitude da culpa de Cafarnaum é mostrada pela contraposição com a cidade de Sodoma,
conhecida pela sentença e condenação de Deus que a exterminou da face da terra. Essa cidade ainda
existiria hoje, ou melhor, diante dos acontecimentos presenciados por Cafarnaum ela teria se
arrependido sem demora e teria deixado de suas ações pecaminosas.
A palavra de juízo de Jesus nesse versículo também é uma citação do AT, mais precisamente de Is
14.13-15. Lá se canta a queda do rei da Babilônia.
As palavras do v. 24: Pois eu afirmo que, no Dia do Juízo, Deus terá mais pena de Sodoma do
que de você, Cafarnaum adquirem seu peso terrível pelo fato de que é o próprio Juiz quem as
profere. No Juízo Final a terra de Sodoma, que pelo horrível julgamento que conhecemos foi
aniquilada da face da terra, estará numa situação melhor do que essa cidade de Cafarnaum, que entre
seus muros hospedou o Senhor do mundo, mas não lhe deu o reconhecimento.
Vemos toda a gravidade de que se reveste a rejeição da graça testemunhada. Nada, nenhum
pecado, por maior e mais execrável que seja, pode ser comparado com ela. Quem ouviu a mensagem
da redenção pelo sangue de Cristo e apesar disso continua seu próprio caminho em oposição a Deus,
sobrecarrega-se com uma culpa maior que a do pior criminoso. Isso não é uma avaliação humana,
mas do próprio Deus santo, justo e insubornável. Nós seres humanos com certeza daríamos uma
sentença muito diferente. Para nós uma transgressão moral ou ética visível pesaria muito, muito mais que uma submissão não realizada ao Deus santo. Nós condenamos com mais força as pessoas que se desviaram moralmente do que aquelas que conduzem sua vida com uma justiça própria autocrática.
Nesses lamentos reconhecemos que nossos critérios estão errados, porque deturpados pelo pecado.
Como deve ter sido duro para os discípulos ouvir essas palavras! Eles viam atrás de si sua amada
terra natal ser consumida pelo fogo, enquanto se preparavam para abandoná-la. O ai do Senhor sobre
as queridas cidades natais, que tinha amargurado primeiro o coração dele próprio, ecoou também nos corações deles como um trovão que faz estremecer. Sentiam dor pela amada pátria. Mas nem por isso queriam nem podiam retornar, porque eles também não estavam mais em casa e bem acolhidos onde seu Senhor e Mestre tinha sido deixado de lado com tanta descrença. Portanto, entristecidos, olhavam para trás.
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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