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34 A árvore e seus frutos, Mt 12.33-37


A árvore e seus frutos, Mt 12.33-37
(Lc 6.43-45)

Ou fazei a árvore boa e o seu fruto bom ou a árvore má e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração. O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.
Sobre esse texto W. Trillhaas formula excelentes palavras explicativas quanto à sua aplicação
prática:
Nós, pessoas de hoje, estamos todas acostumadas a levar muito mais a sério as ações que as
palavras. Costumamos ver um crescendo na antiga tríade “pensamentos, palavras e ações”. Afinal,
que são as palavras! Pela imprensa e pela propaganda fomos acostumados a uma inflação de
palavras. Não levamos a sério uma pessoa muito faladora. Desde Talleyrand estamos acostumados a
que na política vige que as palavras existem para esconder os pensamentos.
Portanto, a primeira coisa que aprendemos nesse texto é que precisamos levar a palavra falada
muito mais a sério do que normalmente fazemos. “Não permitas que saia da minha boca nenhuma
palavra vã.” Com as palavras podemos causar graves danos, como nos instrui suficientemente a carta de Tiago. Podemos tornar-nos benfeitores de nosso próximo quando selecionamos
conscienciosamente nossas palavras, quando falamos o melhor do outro, e quando também sabemos
silenciar. Quando a palavra se torna mensageira de um coração  bondoso, então ela transforma-se em benefício para quem tem necessidade dessa bondade.
Por isso a palavra é para Jesus a manifestação da essência da pessoa. Pelo fruto se reconhece a
árvore. Jesus havia falado disso também no sermão do Monte. Em Mt 7.16-20 ele ensinou-nos a ver a comunidade como plantação de Deus: boas árvores, que agora precisam trazer bons frutos. Como é
grande a decepção quando uma árvore que pertence a esse pomar de Deus não cumpre o que
promete, não produz o que devia. Que decepção para o mundo! Pois est á claro que o mundo deve
esperar muito da comunidade de Jesus. Porém Jesus critica: Essas árvores não trouxeram frutos bons.
As palavras são frutos da árvore, são decorrências da natureza da pessoa. E se é correta a lei: A
pessoa boa tira somente o bem de seu depósito de coisas boas (v. 35), ela também pode ser
invertida: a disciplina que aplicamos às nossas palavras  retroage sobre nossa natureza. Não existe
apenas um caminho de dentro para fora, mas também um caminho de fora para dentro. O desleixo
interior do ser humano moderno tem a ver com o desleixo de seu exterior, de suas palavras, seus
gestos, seu comportamento, de toda a cultura.
Precisamos ter em vista essa correlação se quisermos entender os v. 35 e 36. Jesus afirma que, no
dia do juízo, teremos de prestar contas de cada palavra vã que dissemos. Sim, ele profere a espantosa declaração de que pessoas podem ser justificadas e também sentenciadas a partir de suas palavras. A palavra e a fé estão interligadas da forma mais estreita. Para Paulo era óbvio que a fé em Jesus Cristo, o Senhor, também precisa manifestar-se em palavras perante o mundo (Rm 10.9). A pessoa sem fé e sem convicções também se torna necessariamente uma pessoa de palavras ocas. Mesmo que, pois, as palavras sejam pequenas manifestações da essência da pessoa, mesmo que sejam apenas expressão exterior do coração, essas “miudezas” são decisivas. Nada é secundário. Até a palavra que dizemos a alguém na rua é importante. Aquilo que as pessoas falam umas com as outras está sob sua responsabilidade absoluta. Quanta maldade pode originar-se de um falatório fútil. Quantas bênçãos podem surgir quando a todo instante nos sentimos responsáveis uns pelos outros com nossas palavras. (Até aqui os pensamentos de Trillhaas.)
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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