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37 Os verdadeiros parentes de Jesus, Mt 12.46-50


Os verdadeiros parentes de Jesus, Mt 12.46-50
(Mc 3.31-35; Lc 8.19-21)

Falava ainda Jesus ao povo, e eis que sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, procurando falar-lhe. E alguém lhe disse: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem falar-te. Porém ele respondeu ao que lhe trouxera o aviso: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe.
Desconheceríamos o verdadeiro objetivo dessa visita, se o relato de Marcos, neste como em
diversos outros casos, não complementasse o relato dos demais sinóticos. De acordo com Marcos,
havia chegado até os irmãos de Jesus o boato de que ele estaria num estado de perturbação próximo
da demência. Era o eco da acusação dos fariseus (v. 24): “Ele expulsa os demônios através de
Belzebu”. Por isso seus irmãos vieram com o objetivo de levá-lo para casa (Mc 3.21). Também no
evangelista João observamos que, naquele tempo, os irmãos de Jesus assumiram, como em Marcos,
uma atitude de dúvida e mesmo hostilidade perante Jesus. Em parte alguma é dito que Maria
compartilhava a opinião de seus filhos. Porém é possível que ela previa um acontecimento
desagradável entre eles em público e por isso desejava que pudesse minimizá-lo e talvez até evitá-lo.
Não queremos abordar aqui com detalhes a pergunta quem seriam esses irmãos (cf. nosso
comentário sobre Jo 2.12). É certo que a explicação dos termos “irmão” e “mãe” deve ser entendida
de modo bem natural e literal. O Senhor foi interrompido em seu discurso, sendo-lhe anunciado que
sua mãe e seus irmãos estavam lá fora, desejando falar com ele. Imediatamente Jesus entendeu o
significado dessa mensagem. Havia chegado um dos momentos mais dolorosos da sua vida.
Precisava afirmar sua vocação divina contra sua mãe e seus irmãos. Não podia dar razão ao objetivo
deles. Eles tentavam fazê-lo vacilar diante de todo o povo, provavelmente sem mesmo se darem
conta disso. Portanto, Jesus tinha de defender a sua missão por meio de uma atitude inabalá vel, mas
também salvar a fé deles. Ele exerceu esse rigor da maneira mais cuidadosa possível. Olhou para
seus discípulos, assentados ao redor, dizendo solenemente:  Minha mãe e meus irmãos são somente
aqueles que fazem a vontade de meu Pai no céu.
Por meio dessa declaração ele reafirma, acima de tudo, o seu maior princípio, a saber, realizar a
vontade do Pai no céu. Ao mesmo tempo consolou sua família espiritual, que naquele instante não
duvidava dele, enquanto sua família de sangue parecia vacilar. E, em terceiro lugar, ele menciona a
condição sob a qual espera poder encontrar seus irmãos novamente. Ele espera que retornem à plena
confiança e obediência ao Pai no céu. Foi isso o que aconteceu. Entre os fiéis da Páscoa encontram-se a mãe e os irmãos de Jesus. A delicada recusa com uma exortação indireta constituiu-se num
evangelho para eles: “Arrependam-se e creiam em mim!” (cf. M. Kähler: “Vinde e vede”).
Portanto, de forma alguma a resposta de Jesus contém uma negação do valor da família. Mas para
ele existem laços mais estreitos que os de sangue. Especificamente para ele a vida de família, depois
de seu batismo, podia ter um valor subordinado, porque ele foi incumbido de uma missão que
envolve a humanidade toda. Por outro lado, há muito ele havia encontrado  uma família nas mulheres
que o acompanhavam e cuidavam dele maternalmente, e nos discípulos que participavam com
dedicação da sua obra. Em torno dessa nova relação de cunho espiritual e eterno é que foram tecidos
os laços verdadeiros, enquanto que os laços sangüíneos são apenas exteriores e passageiros. Nessa
afirmação de Jesus expressa-se um profundo vínculo e gratidão por essas pessoas que se sacrificam
pela causa dele. No sentido espiritual aqui expresso, Jesus não fala de um pai, pois essa posição
compete unicamente a Deus
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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