Pessoas que gostam deste blog

06 O chamado dos primeiros discípulos, Mc 1.16-20

O chamado dos primeiros discípulos, Mc 1.16-20
(Mt 4.18-22)

16-20 Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede 
ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homensEntão, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus.

Em relação à tradução
  a
     No evangelho de Lucas, que é grego, o lago de Genesaré é realmente chamado de “lago”. Os três
evangelhos judaicos, por sua vez, têm “mar”, seguindo a fonte aramaica, pois o termo aramaico e hebr jam
denota tanto o mar aberto como um lago. Para evitar a confusão com o mar Mediterrâneo, geralmente
acrescenta-se “da Galiléia” ou “de Tiberíades”.
  b
     amphiballein, jogar em círculo, é o termo técnico do arremesso da tarrafa, uma rede circular
(amphiblestron, Mt 4.18) de três a cinco metros de diâmetro, que era jogada a partir da margem. O pescador,
parado dentro da água, perto da margem, a jogava com um impulso sobre a água quando via um cardume,
fazendo-a cobri-lo de modo uniforme. A borda, que tinha pedras amarradas, afundava rapidamente,
fechando-se sobre os peixes apanhados. Este tipo de rede não dava trabalho para limpar nem precisava ser
primeiro arrastada para um barco, como as redes do v. 19. Estas, por sinal, formavam um conjunto de redes,
com pedaços de até 15 metros de comprimento. Mateus menciona ainda, em 13.47, a rede de arrasto
(sagene), de até 250 m de comprimento, que era lançada em alto mar e puxada para a terra por dois barcos.
  c
     opiso mou, “após mim”, não é usado no grego secular, porém aparece na LXX (p ex 2Rs 6.19, como
ordem militar para marchar).
  d
     A disposição dos termos pressupõe, de acordo com Beyer I 1.252, uma forma aramaica original. O
parágrafo está permeado de peculiaridades de linguagem que permitem concluir por uma fonte aramaica.
Observações preliminares
1. Contexto. Depois da apresentação de Jesus, evangelizando, poder-se-ia esperar que a atenção fosse
chamada para a Galiléia que era evangelizada. Antes disto Marcos insere o chamado de discípulos,
obviamente como algo que ainda faz parte das pressuposições. É que os v. 9-15 mostram um Jesus ainda
solitário. O quadro carece de complementação. A fórmula de encontro da boa notícia do v. 15 foi “Jesus e seus discípulos” (cf. opr 8s). Esta relação estreita da vocação dos discípulos com a boa notícia e o mensageiro da alegria em 14s norteará nossa interpretação.
2. Relação com a escolha dos apóstolos. Em vista de 3.13-19, parece haver uma duplicata destes quatro
discípulos. Será que eles foram chamados duas vezes? Há, porém, diferenças sutis. Lá eles foram “chamados para junto dele” de entre o grupo de seguidores (3.13), ao que parece para receberem uma tarefa determinada.
Aqui Jesus os “chama” para o seguirem (v. 18,20), certamente já tendo em vista a tarefa futura (v. 17b). Em
destaque está o chamado básico que alcança todo ouvinte, mesmo que não se torne um dos doze apóstolos. O presente trecho, portanto, sublinha o que vale para todos. Em conseqüência lemos no v. 20: “Seguiram após Jesus”, como atitude permanente, enquanto 3.13 expressa uma ação singular: “Vieram para junto dele”.
3. Vestígios de testemunhas oculares. A descrição é permeada por uma sensação de recordação pessoal.
Para a identificação do lago como “mar” e os tipos de redes e modos de trabalhar, já chamamos a atenção nas notas. O uso de tarrafas poderia ser um indicador geográfico. De acordo com Kroll (p 251), numa baía perto de Cafarnaum ocorre a confluência de várias fontes mornas, que atraem os cardumes de peixes para perto da margem e tornam o lugar até hoje um dos preferidos para pescarias (Sete-fontes et-Tabgha). Neste caso não era preciso “fazer-se ao largo” (Lc 5.4) para pescar. Por último, note-se neste curto parágrafo a quantidade de nomes próprios e a primazia clara de Pedro.
4. Constituição teológica. Todavia, devemos prestar atenção também nas muitas lacunas. Falta toda
definição de tempo. Uma vez, em alguma hora, “quando ele andava pela margem do mar da Galiléia”,
aconteceu. A localização exata também não é determinada. A indicação “junto ao mar”, cuja costa ocidental
tem 30 km, precisa bastar. Do ambiente também não se ouve nada, apesar de sua beleza ser louvada p ex por Josefo. Também falta a informação, p ex, se os quatro homens já conheciam a mensagem. Faltam os detalhes do encontro, tais como a reação dos discípulos quando viram Jesus, a saudação, as respostas, as reações do pai e dos companheiros. Apesar de os quatro vocacionados serem de carne e sangue, não ouvimos nada sobre reações emocionais como medo, inibição, surpresa ou felicidade. Quatro decisões para toda a vida são
reduzidas a cinco versículos. Como detalhes adicionais teriam prendido nossa fantasia, mas também o
historiador! Mesmo assim, estas omissões têm seu lado positivo. O olhar fica livre para aquilo que tem valor
geral, que não depende de tempo, lugar, ambiente, mentalidade e circunstâncias, mas é válido para todo
encontro com Jesus, inclusive o nosso. É isto que a antiga tradição, com sua simplificação e concisão,
destacou. Com efeito, neste curto trecho lemos algumas coisas duas vezes, quais sejam, “ir, ver, chamar,
deixar, seguir, logo”. A retomada destes procedimentos básicos em 2.14,15 (cf. 10.17-22) prova o interesse
espiritual neles. Uma vez que entendemos a peculiaridade do texto, evitaremos preencher suas lacunas de
informações com nossas suposições e afirmações. Uma passagem que retocarmos histórica e psicologicamente
dificilmente poderá nos dizer alguma coisa.
5. “Seguir”, no judaísmo e com Jesus. Assim como o AT, o judaísmo raras vezes usou “seguir” para adesão
intelectual e religiosa, como no caso dos adeptos de Deus ou dos ídolos. Nos casos em que se fala de seguir os ídolos, certamente a idéia é de andar literalmente atrás de imagens carregadas em uma procissão. Esta figura bonita, porém, de alguém que segue a certa distância uma pessoa que merece respeito, desta forma
expressando uma relação de admiração, deve ser nosso ponto de partida. Esta forma de “seguir” era comum entre os judeus nas ruas: a esposa seguia seu marido, o filho seu pai, o soldado seu comandante e o escravo seu dono. Outras duas aplicações podem esclarecer muito bem este “seguir” a Jesus.
O aluno seguia seu “rabi” (saudação original: Meu senhor!), o professor da lei. Neste caso está em jogo
mais do que a posição correta no trânsito. Fica evidente que o aluno faz parte da escola deste professor e, com isto, de íntima comunhão de vida com ele. O aluno estava à volta do seu professor no orar, comer, trabalhar, no dia-a-dia em casa e na rua. Desta forma recebia dele uma formação marcante. Em troca, estava à disposição dele como servo (cf. 1.7). O que dava início a este seguir era a inscrição do aluno, e o término ocorria quando aparecia outra celebridade que levava o aluno a mudar de professor, ou porque ele dominava a matéria transmitida. Ele festejava sua formatura e talvez se tornasse pessoalmente um professor requisitado, que agrupava alunos ao seu redor.
Não podemos deixar de ver as semelhanças formais com o discipulado com Jesus. As diferenças, todavia,
também são grandes. Para ser aluno ou discípulo de Jesus não era possível inscrever-se, era preciso ser
chamado. O ensino não se dava em lugar fixo, na sinagoga, antes, muitas vezes, em caminhos de fuga, ao
relento ou no deserto. Não havia troca de professor, nem formatura. O vínculo não estava na matéria a ser
aprendida, mas na pessoa do próprio Jesus. Entretanto, apesar da ligação muito mais próxima, Jesus não se
deixava servir por seus discípulos. E causava sensação o fato de que ele até tinha mulheres a segui-lo (cf.
15.41).
Os adeptos dos zelotes igualmente servem de paralelo (cf. 1.5). No século I havia numerosos líderes
carismático-religiosos que, com pretensões messiânicas, incitavam à luta radical contra Roma (Hengel,
Nachfolge, p 23; cf. At 5.36s; Mt 24.23,26; Lc 21.8). Eles se retiravam com seus seguidores para o deserto ou para outro tipo de clandestinidade, para de lá atuar contra as forças de ocupação e seus colaboradores, de modo que o aprendizado e a atividade militar se confundiam. As condições prévias eram romper com família, posses e emprego, a fé no líder messiânico e a disposição para suportar a morte cruel por crucifixão, que era infligida aos rebeldes. Novamente podemos fazer comparações com Jesus. Contudo, ele encarava um inimigo totalmente diferente: não eram os romanos que escravizavam as pessoas, mas os demônios. Disto derivavam-se outros alvos e meios. Jesus também evitava com cuidado tudo o que pudesse incitar o povo à rebelião, preferindo chamar só alguns para o seguirem.
Em conclusão, o termo e a causa do “discipulado” eram bem conhecidos no judaísmo. Os vínculos
importantes dos discípulos com Cristo, porém, eram outros, baseados no AT. Jesus chamava para segui-lo
como Deus nas histórias do AT (Hengel, Nachfolge, p 80). No mais, pode-se depreender a essência desse
discipulado das palavras do próprio Jesus. Aqui temos a primeira de uma série de passagens marcantes em
Marcos (cf. ainda 2.14s; 3.7; 5.24; 6.1; 8.34; 9.38; 10.21,28,32,52; 11.9; 14.54; 15.41).
     16     Caminhando junto ao mar da Galiléia tem um tom despretensioso. Não há uma iniciativa
proposital, nenhum encontro marcado, mas uma estranha falta de pressupostos. O chamado se dá
verticalmente. Jesus viu com um olhar de qualidade especial. Afinal, pode-se ver com olhos
diferentes. Uma vaca, uma criança, um artista e um cientista olharão de modo bem diferente para
uma flor no campo. Em Lc 10.31s o sacerdote e o levita “viram” o assaltado, porém no v. 33 o
samaritano, “vendo-o, compadeceu-se dele”. Esta visão mais rica percebe-se também em Mc 10.21:
“Fitando-o, o amou”. Jesus, portanto, abrangeu os dois não só com os olhos, mas também com o
coração. E abrangeu-os com o coração para não mais perdê-los de vista.
A Bíblia conhece esta visão seletiva em várias passagens: Gn 16.13 (Agar); Gn 22.8 (o cordeiro);
Êx 3.7; 4.31 (Israel); 1Sm 16.1,7 (Davi); 2Rs 20.5 (Ezequias); Lc 1.28 (Maria) e Mc 2.14 (Levi). A
mesma experiência fundamental fazem agora os pescadores galileus. Eles foram detectados e
pescados para fora do anonimato. Eles agora são alguém para ele. Ele os tem em vista, os quer, os
afirma. Com toda a sua seriedade ele vai na direção deles. O acréscimo significativo porque eram
pescadores parece aludir ao sentido da escolha deles, à luz de Jr 16.16. Este é explanado em seguida.
     17     Disse-lhes Jesus ganha, depois de “ver”, uma qualidade como em Gn 1.3, ou seja, a qualidade da
expressão criadora, que chama algo à existência. Vinde após mim! Nenhum rabino judeu falava
desse jeito. Jesus cria e exige obediência irrestrita, como Deus. O reinado de Deus se aproximava e
varria da mesa toda outra pretensão de reinado, até mesmo o direito sobre si mesmo (8.34). É claro
que este procedimento não teria impressionado nem o imperador em Roma, nem Pilatos, nem o sumo
sacerdote em Jerusalém. O reinado de Deus, porém, tinha penetrado com sua ponta.
E eu vos farei pescadores de homens. Veja o tempo futuro: ainda se trata de um anúncio. Seguir
a Cristo ainda não é ser enviado; isto vem depois. Seja como for, o discipulado já foi direcionado
com o envio anunciado. Ele não se esgota em uma relação dual exclusiva entre Jesus e o discípulo,
quiçá às custas de terceiros. Nós iríamos gostar disto. Por natureza somos voltados para nós mesmos
e temos a tendência de usar até a Cristo em prol disto. Ele, porém, nos abre para o restante da
criação. Nossa vida nova, como a vida de Jesus, pertence a todos os seus seres humanos. Chamados
bíblicos estabelecem sempre freqüentemente uma relação triangular. Temos o Senhor, seu servo
escolhido, e temos pessoas que deverão ter proveito desta escolha. Podemos conferir esta relação nas
histórias de chamados do AT.
A nova vocação dos discípulos é esclarecida com auxílio da antiga. Assim como Davi, o pastor de
ovelhas, de acordo com 2Sm 5.2 se tornou pastor de pessoas, estes pescadores de peixes se tornam
pescadores de gente. Esta ilustração novamente nos leva ao AT. Em Hc 1.14-17, p ex, o Deus juiz é
“pescador”. Os peixinhos podem esconder-se, fugir para cá e para lá, debater-se como quiserem – ele
os descobre a todos. O que é mau recebe seu castigo. Em Jr 16.15-17 a situação é parecida. Israel
precisa ser buscado em todos os cantos, para ouvir a sentença e também receber a salvação. Para isto
Deus se utiliza de instrumentos humanos, chamados de “pescadores”. De acordo com 3.14, os doze
discípulos são instrumentos de Deus para a renovação escatológica de Israel (cf. Mt 19.28; Lc 22.30).
Talvez possamos dar mais um passo à frente e aplicar esta “pescaria de pessoas” especificamente
ao ministério da palavra, consignado aos discípulos. É verdade que os paralelos com o judaísmo que
apontam nesta direção são tênues e distantes (Bill. I, 188; a comprovação helenista em Schmithals [p
105] é pálida). Neles, “pegar pessoas” eqüivalia a falar de modo ardiloso e ladino. Se conseguirmos
nos desvencilhar do tom negativo para o nosso contexto, teremos a indicação de que o chamado dos
discípulos incluía a promessa de sabedoria e força especial para o serviço de arauto do reino de Deus
(At 1.8; 6.10; Lc 10.17; 21.15). Com seu testemunho autoritativo, estes homens simples realmente se
tornaram a cepa de um Israel renovado e florescente. A passagem de 6.7-13 certamente é contada
como amostra do cumprimento. A expressão “pegar” ou “pescar” pessoas, na verdade, era tão
especial e também dúbia que não se tornou fluente entre os primeiros cristãos. Paulo fala de “ganhar”
pessoas no sentido de “salvar” (1Co 9.19-22; cf. Mt 18.15s).
     18     Então, imediatamente é uma expressão especial, como no v. 20 (cf. 1.10n). A intenção é que o
leitor fique maravilhado. À dureza da convocação os chamados não respondem com gemidos e
suspiros, não há uma luta ingente para se desligarem. Nada disso é digno de nota, falta todo tom
trágico ou heróico. Uma naturalidade misteriosa os faz se voltarem e os leva até ele. Tudo está sob a
luz de 1.15, a boa notícia de Deus. Algo totalmente novo teve início, o chamado de Jesus é
acompanhado da força espiritual que os faz considerar imediatamente velho o que é velho e viver o
que é novo. Foi um chamado para a graça total. De forma que os discípulos não agiram nem por
obrigação nem por leviandade, simplesmente deixaram que o Deus que se aproximara deles fosse
Deus, realizando com isto o que o v. 15 chama de “crer”.
Eles deixaram as redes e o seguiram. A nova vocação deles liberou-os da vocação que tinham
até então e, com isso, naturalmente também da sua segurança econômica. Os discípulos tinham de
perguntar literalmente, em vista do dia seguinte: “Que comeremos?” (Mt 6.31; cf. Mc 2.23; 6.8; 8.4).
Jesus os ensinou a deixar esta questão à competência do seu Deus: “O pão nosso de cada dia dá-nos
hoje” (Mt 6.11). Para eles, também fazia parte da troca de vocação ficar sem pátria (Mt 8.20) e
proteção e, conforme o v. 20 a seguir, também a renúncia à vida de família (cf. 10.29s). Entre os
rabinos, por outro lado, o ensino e a profissão terrena não eram excludentes, na verdade o estudo até
significava ascensão social e incremento da importância de toda a família (sobre a renúncia veja
também o v. 20).
     19     Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco
consertando as redes. Novamente o chamado se dá em dupla, como mais tarde o envio (6.7). Jesus
chamou indivíduos, mas nunca os deixou solitários, antes tornou-os irmãos e irmãs (3.34s, 10.30).
Mesmo Pedro não era um homem que se destacava sozinho, antes projetava-se para dentro da
comunidade. Dele é dito: “Simão e André, com Tiago e João” (1.29, BJ), “Simão e os que com ele
estavam” (1.36). Quando ele falava, fazia-o expressamente em nome do grupo (8.29; 10.28). Quando
uma vez se isolou, caiu (14.29,54). Em 16.7 a Boca da Graça diz novamente “discípulos com Pedro”.
     20     E logo os chamou. Aqui “chamar” já é termo técnico para o chamado de Deus, de modo que
adjetivos sobre conteúdo e sentido do chamado são desnecessários. Deixando eles no barco a seu
pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus. “Zebedeu e os assalariados” é o coletivo
antigo. Ele desvanece diante da nova comunidade, “Jesus e os seus discípulos”. É bem verdade que
Pedro continua relacionado à sua família (v. 29), mas esta relação teve de passar pela morte e
ressurreição.
Até o dia de hoje há pessoas que renunciam, por amor a Jesus, literalmente a segurança financeira,
profissão e posição social ou ao aconchego familiar. Entretanto, hoje como naquela época, isto não
pode ser generalizado. Pedro renunciou à sua profissão, mas de forma alguma às suas posses, pois no
v. 29 lemos: “Foram para a casa de Simão”. Do jovem rico em 10.21, por outro lado, foi requerida
uma renúncia completa aos bens materiais. Paulo permaneceu sem casar, mas respeitava Pedro e
outros apóstolos que realizavam seu serviço em conjunto com a esposa (1Co 9.5). Não existe uma
igualação dos seguidores, porque dons e tarefas são diferentes. A “renúncia” que vale para todos os
que seguem a Jesus é que sua vida precisa ser evidente. Não querer levar várias vidas ao mesmo
tempo, ou teremos melancolia cristã, ou até tragédias cristãs! No fundo, o chamado de Jesus para que
o sigam restabelece a obediência ao primeiro mandamento (cf. 4.19).
Levando o NT a sério, é verdade que depois da Páscoa não se fala mais em “seguir”; Ap 14.3 é a
única exceção. Também não era muito comum no começo que os cristãos fossem chamados de
“discípulos”; só uma fonte dos Atos dos Apóstolos constitui-se em exceção (a partir de 6.1, exceto os
trechos em que Lucas usa “nós”). O NT, portanto, reserva o espectro deste termo via de regra para o
pequeno grupo que andava com Jesus antes da Páscoa, ao qual já naquele tempo nem todos podiam
se juntar (5.18s). Pontos de referência limitados foram, portanto, generalizados na época pós-bíblica.
Pós-bíblico não é, contudo, necessariamente antibíblico. Para justificar esta generalização cf. opr 8g.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Online