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10 Jesus se retira de Cafarnaum e atua em toda a Galiléia, Mc 1.35-39

Jesus se retira de Cafarnaum e atua em toda a Galiléia, Mc 1.35-39
(Mt 4.23; Lc 4.42-44)

35-39 Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.     Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam. Jesus, porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações  vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim. Então, foi por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expelindo os demônios.

Em relação à tradução
     a
     eremos topos (ainda em 1.45; 6.31,32,35) deve ser diferenciado do deserto em si (eremos, v. 3,4,12,13;
eremia 8.4). Diferente da Judéia, a Galiléia fértil e habitada não tinha desertos, só alguns lugares retirados.
     b
     katadiokein significa geralmente “perseguir com intenção hostil”, como p ex foi o caso de faraó
perseguindo Israel, mas nem sempre: a LXX p ex diz no Sl 38.20 que o justo “segue o que é bom”, ou seja,
persegue-a com empenho. De acordo com o Sl 23.6, bondade e misericórdia certamente nos “seguirão”!
Também ali o contexto exclui qualquer hostilidade.
     c
     kosmopolis é uma povoação do tamanho de uma cidade, mas com estrutura administrativa de aldeia.
As cidades da Galiléia geralmente tinham uma conotação pagã, e a população judaica morava principalmente
no interior. Ali Jesus procura os centros maiores.
Observação preliminar
Contexto. Com o v. 39 claramente se fecha um círculo. O relato retorna à pregação de Jesus no v. 14. Com
isto, este último trecho serve principalmente para fazer uma avaliação equilibrada dos milagres de Jesus.
Evidentemente o relato afirma os milagres efetuados por Jesus, mas fica atento para ênfase exagerada e
automaticidade.
     35     Tendo-se levantado alta madrugada, saiu da casa e de Cafarnaum e foi para um lugar deserto e
ali orava. Digna de menção é novamente a indicação dupla de tempo (cf. 1.32n). Ao marcar
especificamente a hora antes do nascer do sol (cf. 13.35n), Marcos exclui que a oração de Jesus possa
ser explicada pelo costume judaico da oração matinal. Os judeus piedosos oravam três vezes por dia:
a primeira vez ao nascer do sol, a segunda lá pelas três da tarde, por ocasião do sacrifício vespertino
no templo, e a terceira ao pôr-do-sol. Orar fora destes horários, e mesmo a qualquer hora, era
encarado com ceticismo, às vezes até proibido, para não incomodar o Altíssimo (Bill. II, 237s, 1036).
Jesus, por sua vez, orava durante horas, e em ocasiões não tradicionais (cf. 6.46; 14.32ss), em Lc
6.12 até uma noite inteira. De todo modo, sua oração chamava a atenção (Lc 11.1). Ele era
incomparável na oração, era o Filho. Deste modo, em meio ao movimento das curas em Cafarnaum,
Marcos segue a linha do testemunho do Filho e enquadra nela os milagres de Jesus (cf. 1.27). Que
eles não devem ser vistos à parte fica claro no v. 39. A oração de Jesus, aqui, em 6.46 e claramente
em 9.29, está em relação com a operação de milagres.
     36     Procuravam-no diligentemente Simão e os que com ele estavam. No contexto do versículo
transparece que os discípulos tinham caído em uma corrente contrária ao envio de Jesus, deixando
que fossem feitos porta-vozes da população ávida por milagres. Com isso eles se distanciam do seu
papel de 3.14, de estar com ele. Esta é a primeira de uma série de passagens de mal-entendidos dos
discípulos (4.13,40s; 6.50-52; 7.18; 8.16-21; 9.5s,19; 10.24,26; 14.37-41; sentido semelhante em
5.31; 6.37; 8.4,32s; 9.32). Talvez também haja um paralelo com 8.33: Pedro, bem-intencionado, sem
querer se torna instrumento de Satanás, de modo que cai uma sombra de tentação de 1.12s sobre o
presente episódio: o Filho e Satanás no deserto.
     37     Tendo-o encontrado, lhe disseram: Todos te buscam. Sua oração em voz alta, como era costume
na Antigüidade, acaba conduzindo-os para onde ele estava. Seguros de si eles interferem na sua
devoção. Já não tinham “dito” a ele no dia anterior que alguém precisava dele (v. 30b), para ver seu
serviço de intermediação confirmada por sua ajuda? Não deveriam eles continuar e conduzir a ele
sempre mais carentes, ou levá-lo aos sofredores? Não cabia a eles comunicar-lhe que hoje de novo
“toda a cidade” (v. 33) estava de pé à procura dele?
     38     Não soava tentador este “todos te buscam”, somado ao seu envio a “todos” e aos “muitos” dos v.
32,34? Entretanto, a partir da sua comunhão completa com o Pai, ele repele a tentação: Jesus,
porém, lhes disse: Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue
também ali, pois para isso é que eu vim. Este “vim” não se refere à saída de Cafarnaum do v. 35,
que fora com a finalidade de orar e não de pregar. Trata-se da vinda enviado pelo Pai, com uma
tarefa especial. Esta última frase, portanto, tem profundidade cristológica, e pode ser comparada a
1.25; 2.17; 10.45. Jesus vem a campo ao encontro da sua missão, uma missão em termos em que
Cafarnaum não queria. Cafarnaum tomou a decisão errada, como Mt 11.23 confirma. “Buscar” e
“encontrar”, no caso, têm um sentido negativo, como em Jo 6.24s e 14s. Certamente Jesus foi
enviado a “todos”, mas o que é que Pedro, que só pensa em “todos” em Cafarnaum, sabe sobre
“todos”! Ele e os que estão com ele parecem oferecer a Jesus uma ampliação impressionante da sua
atuação, mas na verdade o estão atraindo a um beco. O beco é até geográfico, e Jesus escapa dele
dizendo: “Vamos a outros lugares”. Ele não pode se limitar a um lugar, como João Batista (cf. 1.4).
O beco também é objetivo, limitando-o a operar curas, quanto mais melhor, sem mudança de rei, sem
restabelecimento da divindade de Deus e da sua imagem no ser humano. O importante é que o corpo
esteja são – esta é realmente a atrofia mais lamentável da boa notícia de Deus do v. 15.
     39     O v. 39 traz a concretização da palavra de Jesus: Então, foi por toda a Galiléia, pregando nas
sinagogas deles. Podemos identificar um estágio do seu ministério em que ele ainda pode tomar a
palavra nas casas de reuniões dos judeus: mais tarde ele tinha de falar às pessoas nas margens do lago
ou em regiões desertas (cf. 2.13). “Pregando” está ligado, como em 3.14s; 6.12, com o outro
elemento principal da atuação de Jesus, que é ao mesmo tempo uma indicação indireta do conteúdo
da mensagem: e expelindo os demônios. Ao derrotar e expulsar as forças inimigas, ele está
refletindo a proclamação do reinado iminente de Deus (opr 3 a 1.21-28). Com este mensageiro, Deus
está chegando e Satanás tem de retroceder. Apesar de Jesus ter acabado de sublinhar que ele viera
para pregar, não devemos estranhar que os demônios sejam mencionados. Palavra e ação, para Jesus,
andam juntos (cf. 1.27).
Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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