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110 A prisão de Jesus, Mt 26.47-50

A prisão de Jesus, Mt 26.47-50
(Mc 14.43-50; Lc 22.47-53; Jo 18.3-11)

47-50 Falava ele ainda, e eis que chegou Judas, um dos doze, e, com ele, grande turba com espadas e porretes, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo. Ora, o traidor lhes tinha dado este sinal: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-o. E logo, aproximando-se de Jesus, lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou. Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam.
Tremor e temor passaram. Com tranqüilidade divina Jesus aguarda o inimigo. Quem não crê que
orações são atendidas, quem não crê que, pela oração, são transmitidas forças do mundo futuro,
consolo, fortalecimento e paz, este pode constatá-lo aqui. O tenebroso inimigo foi derrotado na
âmbito espiritual através da oração e da súplica. A luta na área exterior, física, é a menos importante.
– Quando o coração reconheceu a necessidade de uma situação e, pela oração diante de Deus,
conquistou paz interior e submissão, então o sofrimento ainda poderá trazer dores horríveis, mas o
seu efeito já foi superado. Ele é suportado com paz e serenidade.
Sob o símbolo do amor e da amizade, aconteceu a ação mais tenebrosa da história da humanidade.
Com toda razão este beijo de Judas tornou-se, desde aquela hora, expressão do mais abominável
fingimento. Com indescritível mansidão, porém, o Senhor permite que lhe seja dado esse beijo. Este
amor adorável do Salvador bendito também se expressa nas palavras de Jesus, conforme Mateus:
Meu amigo, para que vieste? [v. 49]. – Lucas traz as palavras já referidas acima.
O sinal que Judas combinou com o bando tinha a finalidade de evitar que Jesus porventura
fugisse, enquanto um dos discípulos fosse aprisionado no lugar dele. As demais palavras no
evangelho de João (“eu o sou” e outras) têm a simples finalidade de evitar que outro discípulo seja
preso juntamente com Jesus.
De todos os relatos, entretanto, pode-se concluir que a escolta armada, que os sumo sacerdotes
organizaram em conjunto com Judas, era muito exagerada. De acordo com João, Judas trouxe
consigo a coorte romana. Ainda que não possamos entender isso de modo literal, porque via de regra
uma coorte romana era composta de 500 homens, e havia uma somente na fortaleza Antônia. Mesmo
assim, podemos supor que toda a força humana da milícia romana disponível no momento foi usada
nesta tarefa. Seria, talvez, uma parte da coorte, que a representava em número consid erável. É
provável que João queira indicar, com a expressão “tendo Judas recebido a coorte” [Jo 18.3], que foi
Judas quem levou os sumo sacerdotes a solicitar uma força de defesa tão grande. Também o relato de
Marcos nos leva a esta conclusão, segundo a qual Judas recomendou aos seus acompanhantes que
conduzissem o preso com muito cuidado após o terem prendido. Tanto aquela sagacidade em calcular
as forças quanto a preocupação desmedida nos permitem vislumbrar a agitação demoníaca do traidor.
Em meio à sua monstruosa traição de Jesus, ele sabia que lidava com alguém poderoso. Compreende -se, porém, que os superiores judeus devem ter considerado muito oportuno para eles solicitar uma
grande força militar. Quanto maiores fossem suas exigências a Pilatos nessa questão, motivando -o
com a acusação de que se tratava de prender uma pessoa altamente perigosa, tanto mais Jesus era
colocado previamente sob suspeita perante a autoridade romana, à qual eles tinham de apresentar
Jesus se quisessem levá-lo à morte.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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