Pessoas que gostam deste blog

126 A ressurreição de Jesus, Mt 28.1-10


A ressurreição de Jesus, Mt 28.1-10
(Mc 16.1-10; Lc 24.1-12; Jo 20.1-18)

1-10 No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos. Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais; porque sei que buscais Jesus, que 
foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia. Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo! E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos. E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. Então, Jesus lhes disse: Não temais! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão.
No relato da ressurreição as mulheres têm o papel principal. Um dever especial chama-as ao
túmulo. – De acordo com Mt 28.1, elas são “Maria, a Madalena” e “a outra Maria” (a tia de Jesus).
De acordo com Marcos, são as mesmas duas e ainda: Salomé, a mãe de Tiago e João.
Segundo Lucas também são as duas primeiras mais Joana, a esposa do funcionário herodiano
Cuza (Lc 8.3).
O evangelista João cita somente Maria Madalena pelo nome. Contudo não é apenas improvável
que nessa hora da manhã ela tivesse ido sozinha à sepultura, mas ela própria alude à presença de
outras pessoas quando diz: “Não sabemos onde o puseram” (Jo 20.2). O motivo de João citar o nome
dela de forma tão especial são as aparições que ele logo em seguida passa a descrever com todos os
detalhes e que em Lucas, assim como em Mateus, haviam sido generalizadas e relacionadas a todas
as mulheres.
Nenhum dos evangelistas descreve o fato da ressurreição como tal porque nenhum deles o
presenciou. Somente o Ressuscitado  foi visto. É dele que dão testemunho. Mateus é quem retrocede
mais. Um terremoto causado pelo anjo movimenta a pedra e a desloca. O anjo se assenta sobre ela e
as sentinelas fogem. Quando as mulheres chegam, encontram a sepultura aberta.
O evangelista Mateus explicou o significado superior desse terremoto. Ele escreve: Porque um
anjo do Senhor, descendo do céu, chegou-se e removeu a pedra da entrada e assentou-se sobre
ela. O seu aspecto era como um raio, e a sua veste, branca como a neve. E os guardas tremeram
espavoridos com sua manifestação e ficaram estarrecidos de susto. Não está sendo dito que eles o
viram na figura definida de um anjo, mas sim que se aperceberam com terror da sua manifestação. E
deveriam estar preparados para ela depois de tudo o que aconteceu, especialmente depois de terem
passado as horas da noite vigiando a sepultura desse homem misterioso, que já tinha abalado os
soldados romanos no Getsêmani (cf. At 9.7).
Mas como o evangelista podia saber desses acontecimentos? Sem dúvida o próprio Mateus
experimentou o terremoto naquela madrugada, assim como todos os que viviam nos arredores de
Jerusalém. Mais tarde relacionou corretamente esse abalo sísmico com a ressurreição. Provavelmente
o fato de que mais tarde as discípulas viram o anjo do Senhor na sepultura lhe permitiu deduzir que
fora naquela ocasião  que ele havia descido do céu. Os guardas, por sua vez, certamente ainda foram
vistos pelas próprias mulheres em estado de choque ou de máxima perturbação nas proximidades do
túmulo. A pedra estava e permanecia afastada da entrada da sepultura para tempos  eternos. O anjo
que se assenta sobre a pedra que ele rolou para o lado da entrada do túmulo constitui o mais
maravilhoso contraste para o lacre que o Sinédrio afixara na pedra. O poder do céu triunfa sobre o
poder da terra. O anjo das alturas senta-se solenemente sobre o sinal destruído que expressa a
autoridade impotente dos judeus e romanos. Eles queriam confinar o Senhor e com ele toda a
esperança cristã num reino dos mortos que ficasse trancado eternamente.
O acontecimento maravilhoso na sepultura de Jesus sucedeu enquanto as mulheres estavam a
caminho. Quando se aproximaram do sepulcro notaram que a pedra já estava afastada dele. No
entanto, podiam constatá-lo de uma distância considerável, uma vez que a pedra era bem grande.
Um lacre estatal e um destacamento militar são insignificâncias diante de Deus. Quando o
Onipotente fala, os seres humanos têm de silenciar. Quando o Eterno age, as mãos humanas ficam
paralisadas, e as medidas de segurança humanas não representam nada.
Anjos ocupam a cena. Os grandes mensageiros de Deus entram visivelmente em ação. Mais uma
vez era tempo dos anjos, como no nascimento de Jesus. É tarefa dos anjos dar conta de ambos os
eventos: anunciar o nascimento e anunciar a ressurreição. Uma ressurreição sem essas circunstâncias
extraordinárias teria sido como uma primavera sem flores, um sol sem raios, um triunfo sem coroa de
louros.
A maravilhosa congruência entre o começo da primeira vida do Senhor Jesus e o começo de sua
segunda vida sobre a terra ocorre, porém, em mais um aspecto. Nos dois começos vemos pessoas na
dúvida e na tristeza sendo surpreendidas, fortalecidas e alegradas por um mensageiro celestial. Nos
dois inícios, todas as circunstâncias secundárias e acontecimentos correlatos são descritos com
detalhes, mas sobre o ponto inicial da própria vida e da ressurreição do Senhor paira um misterioso
véu. Ele é ressuscitado pelo poder do Altíssimo (Rm 6.4; Ef 1.20), do mesmo modo como tinha sido
“concebido” pelo poder do Altíssimo (Lc 1.35).
Quanto à conhecida controvérsia sobre o número de anjos, lembramos a exortação do poeta
Lessing, que diz: “Frios compiladores de contradições! Porventura não notais que os evangelistas não
contam os anjos? Toda a sepultura, toda a região em torno da sepultura está invisivelmente rodeada
de anjos. Não havia apenas dois anjos como uma dupla de sentinelas deixadas diante da moradia do
general que partiu. Mas ali estavam milhões deles. Aparecia não sempre o mesmo, mas sim, ora um,
ora outro, ora num local, ora em outro, uma vez sozinho, outra  vez acompanhado, uma vez dizendo
isso, outra vez aquilo.”
Não temais é uma palavra dita não apenas pelo anjo do Natal, mas agora anunciada também pelo
anjo pascal. O anjo continua: Sei quem procurais, Jesus, o crucificado. Ele não está aqui. Jamais
se ouviu numa sepultura tal notícia: “Ele não está aqui”! – Um morto sempre pode ser encontrado!
Ele ressuscitou, conforme havia dito. Unicamente ele tem a capacidade de passar do mundo dos
mortos ao reino do Deus vivo assim como um senhor que entra e sai dos quartos de sua casa.
Ele não está aqui, ele ressurgiu! Essa é a grandiosa palavra da Páscoa, a palavra da vida.
Atônitas, pasmas, totalmente transtornadas de susto e medo, e por outro lado cheias de júbilo e
alegria, assim as mulheres ficaram aturdidas e fascinadas.
Está certo Schlatter: “O anjo as convida a se aproximarem e observar o recinto: está vazio. Jesus
ressuscitou. É isso que elas devem dizer aos discípulos, repetindo -lhes as suas promessas, de que ele
os conduzirá de volta à Galiléia e que lá o verão. Mateus não descreve quando e como Jesus
ressuscitou. Isso nenhuma testemunha presenciou e por isso também ninguém o relatou. Ele apenas
nos diz que o túmulo não sofreu nenhuma alteração com a ressurreição de Jesus. Por meio dela Jesus
passou para um estágio de poder que não é mais afetado pela natureza. Saiu da sepultura da mesma
maneira como mais tarde apareceu no meio dos discípulos, sem ser impedido por nenhum objeto
natural. Por conseguinte cumpre-se nele a sua promessa de que a ressurreição não apenas reconstitui
o que é terreno, mas também cria algo novo que paira gloriosamente sobre o terreno e que, por isso,
permanece sendo para nós um mistério total.
As mulheres de imediato experimentam algo mais magnífico. Não têm de comparecer diante dos
discípulos apenas com a palavra do anjo, mas recebem a incumbência do próprio Jesus.



Partiram depressa da sepultura, com medo e grande alegria, e correram para anunciá-lo aos seus discípulos. E eis que Jesus veio ao seu encontro e disse-lhes: Alegrai-vos! Elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. Então Jesus disse: Não temais! Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia; e lá me verão!
A primeira coisa que aconteceu quando ele estava novamente vivo diante delas foi que elas se 
prostraram diante dele, adorando -o. Depois ele as incumbe de serem suas mensageiras aos discípulos,
dando-lhes, através delas, a ordem de retornarem à Galiléia. Agora encerram-se também para eles os
dias de sofrimento em Jerusalém. Jesus cumpre a palavra que lhes deu, levando-os não somente
consigo até Jerusalém, mas também conduzindo -os de volta, guardados sob sua proteção. Com medo
e temor haviam subido à cidade santa. Agora a deixam na certeza de que na Galiléia os espera o
encontro com o Ressuscitado (Schlatter, p. 420).

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Online