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15 Colheita de grãos no sábado, Mc 2.23-28

Colheita de grãos no sábado, Mc 2.23-28
(Mt 12.1-8; Lc 6.1-5)

23-28 Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passaremcolhiam espigas. Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados?      Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele? E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.

Em relação à tradução
     a
     paraporeuesthai é uma palavra diferente do que em 1.16; 2.14. Em 9.30 denota uma verdadeira
viagem.
     b
     Para o plural “sábados” no texto grego, cf. 1.21n. No v. 27 está o singular, talvez dependendo de outra
fonte.
     c
     A expressão chamativa hodon poiein (“fazer um caminho”) é traduzida pela maioria por “a caminho”,
mas para isto Marcos tem outro termo (8.3,27; 9.33s; 10.32,52). Provavelmente ela se explica a partir do
aramaico (Jeremias, Theologie, p 161n) e significa “viajar”. Isto seria mais um indício de que os discípulos
andavam mais que o permitido no sábado. O sentido de “abrir caminho” é enganoso. Isto não se consegue
somente arrancando algumas espigas.
     d
     archesthai com infinitivo, cf. 1.45n.
     e
     Não foi Abiatar mas seu pai Abimeleque quem era sumo sacerdote na época, de acordo com 1Sm 21.2.
Por isso Mateus e Lucas também não mantiveram o nome Abiatar. Como o nome entrou no texto de Marcos,
não sabemos (Riesner, p 227, suspeita que “Abiatar” é o nome da perícope).
     f
     Trata-se de doze pães que eram expostos como sacrifício a Deus na mesa de ouro do Tabernáculo e
trocados a cada semana. Daí passavam aos sacerdotes, além dos quais ninguém podia comer deles (Lv 24.9).
     g
     hoste pode introduzir uma dedução: por conseguinte (Bl-Debr, § 391).
Observações preliminares
1. A controvérsia do sábado no cristianismo. O tratamento detalhado da questão do sábado no âmbito da
coletânea de debates, nos dois parágrafos de 2.23–3.6, pode ter sido motivado por dificuldades dos primeiros
cristãos. Diferente da questão do jejum, este problema é realmente controvertido. Apesar de faltar em At 15.20
o sábado como exigência aos cristãos gentios, sempre de novo recomendações como Rm 14.5-8; Gl 4.8-11; Cl 2.16,17 se tornavam necessárias. Grupos judaico-cristãos agitavam ainda no século II a favor da obrigação de guardar o sábado. “Se não fizerdes do sábado um sábado, não vereis o Pai!” (em Lohse, VII, 33s). Até hoje a questão do Sábado é levantada por certos grupos cristãos.
2. A religiosidade judaica em relação ao sábado. A importância do sábado para os judeus daquela época
pode ser percebida pelo simples fato de que a palavra retorna quase 60 vezes nos evangelhos. No AT a
obrigação de santificar o sábado é confirmada mais que qualquer outro mandamento. O tratamento deste tema no judaísmo ofuscava qualquer outro assunto. Junto com a circuncisão, o sábado é o sinal que une o povo de Deus disperso pelo mundo inteiro. De acordo com o livro dos Jubileus, do século II a.C., o sábado foi guardado primeiro no céu, pelo próprio Deus e os anjos das classes mais elevadas (2.18-21,30,31). Até no inferno os ímpios poderão descansar do seu sofrimento, no sábado. No entanto, Deus queria implantar o seu sinal também na terra, e para isso só precisava de um povo ao qual pudesse confiar esse pedaço do céu. Então
ele criou Israel. Destarte, a santificação do Sábado é o motivo real da existência de Israel, e a guarda do
sábado é, para Israel, não só um mandamento entre outros, porém nada menos que a preservação da própria
eleição.
É claro que guardar este dia era especialmente meritório, pesando mais que a guarda de todos os outros
mandamentos juntos. No dia em que Israel conseguisse guardar dois sábados que fossem seguindo todas as
regras, irromperia a salvação do mundo. Entre os essênios, era necessário pagar durante sete anos por uma
quebra involuntária do sábado. A quebra intencional colocava em perigo a ordem do mundo e ameaçava o
trono de Deus, implicando a pena de morte. Por isso o abismo entre Jesus e os fariseus era tão grande neste
ponto, que eles decidiram matá-lo (3.6). “Esse homem não é de Deus, porque não guarda o Sábado”, diz Jo 9.16 (cf. 5.16).
3. A legislação judaica quanto ao sábado. Originalmente o sábado em Israel deveria ser uma verdadeira
festa. Em um mundo que quer sempre escravizar e que promove o trabalho sem parar, o povo de Deus cessa o
trabalho ostensivamente e festeja seu Deus libertador (Dt 5.15). Ele respira fundo e se refrigera com Deus,
sem medo de “perder um sétimo da sua vida”, como o escritor romano Tácito pensava dos judeus. No sábado
as pessoas vestiam roupas boas em Israel e comiam e bebiam à vontade com seus hóspedes. Comendo pouco
no dia anterior, o apetite estava garantido. Este sentido original deve ser subentendido em 2.27 e 3.4.
O caráter benéfico transformou-se no seu contrário na prática judaica. As obrigações mundanas foram
substituídas por uma sobrecarga de obrigações religiosas, que pairavam sobre a vida do povo como um lençol
sufocante. Um papel importante tinham os “mandamentos preventivos” (Bill. I, 694). P ex, para que ninguém
caísse na tentação de subir numa árvore num sábado para colher uma fruta, o que, como “colheita”, feria o
descanso do trabalho, no sábado não se podia nem mesmo comer frutas caídas da árvore. Um alfaiate já não
podia sair com sua agulha um bom tempo antes do escurecer, que marcava o início do sábado, para não ser
colhido inadvertidamente pelo sábado no trabalho. Devemos ter em mente, para conseguirmos imaginar a
paralisia geral, que exemplos como estes havia às centenas e milhares. Descobria-se sempre mais possíveis
ameaças ocultas ao sábado. O que tudo não podia ser entendido como trabalho e tinha de ser evitado! Não era
permitido procurar insetos nas roupas no sábado, fazer nós, acender lâmpadas, escrever mais de uma letra,
colocar talas em um braço quebrado (só fazer compressas frias), comer um ovo posto no sábado. Alguns
devotos não se atreviam a fazer suas necessidades no sábado. As opiniões nem sempre era unânimes. P ex, na sexta-feira ainda era permitido colocar pão no forno, desde que formasse uma casca antes do começo do sábado. Discutia-se se a casca devia ser no pão todo ou no mínimo na parte de baixo.
Determinações detalhistas naturalmente despertam “jeitinhos” detalhados. Quando alguém queria
transportar mais vinho no sábado do que os sábios lhe permitiam, distribuía a quantidade desejada por várias pessoas e, assim, conseguia seu objetivo sem transgredir a lei. Foram-nos transmitidos muitos atalhos como este, que se parecem com malandragem mas não são. O pior efeito, porém, é que esta atitude encobria a
vontade de Deus original, singela e benéfica, desta forma dificilmente dando base a uma relação clara com
Deus. Como exigências “divinas” tão monstruosas poderiam despertar amor por Deus e pelo próximo? A
estrutura humanística básica do sábado só transluzia tenuemente. O perigo de vida, p ex, “deslocava” o
sábado, como no caso de alguém que caísse em um poço. Mas a discussão já começava quando era preciso
decidir se o salvador podia usar escada, corda ou ferramentas. Os mais rigorosos ficavam firmes em sua
convicção de que era melhor deixar seres humanos e animais se afogarem do que quebrar o sábado.
4. O “Filho do homem” no v. 28. Como esta palavra diante dos fariseus combina com o fato de que Jesus
guardou com tanto cuidado o mistério sobre sua pessoa antes da Paixão, instruindo somente seus discípulos
mais chegados sobre o assunto? Várias soluções são possíveis, das quais a primeira é a que sugerimos na opr 3 a 2.1-12 para o caso semelhante em 2.10: “Filho do homem” não era entendido imediatamente como título
pelas pessoas da época. Ou Marcos colocou aqui uma palavra que Jesus pronunciou em outra ocasião diante
dos seus discípulos, por causa do conteúdo. Ou o próprio Marcos tirou a conclusão cristológica dos versículos
23-27 para os seus leitores. Para a possibilidade destes procedimentos pode-se comparar a opr 1 a 2.18-22.
Para isto serve aqui a introdução “de sorte” (cf. 10.8).
     23     Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas. Será que estamos aqui diante de
um passeio dominical idílico entre as plantações de grãos? O mestre deleitando-se ao ar livre, porque
amava tanto a natureza? O “atravessar” eqüivale antes a uma viagem (cf. nota). Esta viagem ocorreu
em um sábado, de modo que a “jornada de um sábado” permitida pela lei, de 880 m, com certeza foi
ultrapassada (Bill. II, 590). E os discípulos, ao passarem, colhiam espigas. Do v. 25 pode-se
deduzir que o faziam por estarem com fome (Mt 12.1). Esta circunstância também indica uma
jornada mais longa, não o caminho de dez minutos que as pessoas fiéis à lei faziam no sábado, com a
refeição especialmente rica do dia no estômago, pois em cada casa servia-se uma refeição
suplementar no sábado. Além desta separava-se comida para os necessitados. Por que o grupo à volta
de Jesus não desfrutou desta instituição beneficente? Viajava e passava fome no sábado. Será que
precisavam evitar os povoados? Será que já era perigoso ajudá-los? As histórias sobre Jesus
concentram-se em afirmações teológicas, mas com freqüência seu fundo histórico é bem mais amplo
do que à primeira vista parece.
Colhiam/Colher espigas, não teria sido levantado como acusação contra os discípulos em dias
comuns. Deus, o verdadeiro possuidor da terra, em seu favor em relação ao ser humano ordenara que
os campos não fossem colhidos até à margem, mas que um pouco fosse deixado para viajantes
carentes (Lv 19.9). Como as hospedarias eram raras, quase todos os que estavam a caminho se viam
levados a recorrer a este expediente. Em momentos de fome apanhavam algumas espigas (Dt 23.26),
debulhavam-nas nas mãos e deixavam-nas cair de uma mão para a outra enquanto sopravam a palha,
até que restavam só os grãos. Ou seja, aos olhos dos judeus os discípulos faziam logo quatro
“trabalhos” proibidos no sábado: colhiam, aventavam, debulhavam e preparavam uma refeição.
     24     Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados? Como os fariseus
ficaram sabendo da atividade dos discípulos e em que ocasião enfrentaram Jesus, não precisamos
saber. O “vê!”, pelo menos, não quer dizer que observaram a colheita dos grãos e obrigaram o
mestre, que ia na frente, a olhar para trás. “Vê!” pode ser uma exigência insistente de tomar posição
em relação a coisas que não se viu, mas se ouviu (15.4,35). Decisiva é aqui a intenção de colocar
Jesus contra a parede: não feche seus olhos para a ação dos seus discípulos, não fuja! Agora, diante
de testemunhas, ficará provado se os discípulos em sua ação tinham a autorização do seu professor,
se esta violação do sábado foi intencional, programada, ou aconteceu por desleixo. Na primeira
hipótese, Jesus estaria desmascarado como mestre falso digno de morte.
Podemos perceber como a situação se agrava. Os fariseus não estão só perplexos como em 2.16,
nem pretendem apenas discutir um assunto como em 2.18, porém confrontam Jesus com a proibição
direta. As palavras “não é lícito”, que Jesus retoma em 2.16 e 3.4, têm o som de uma fórmula. Trata-se de uma expressão judaica de advertência (Jeremias, Abba, p 211 n 463; 243-245). Muito
provavelmente ela é proferida aqui no transcurso de um procedimento jurídico. Antes que um
processo de crime capital pudesse ser protocolado, precisava ser provado que o acusado fora
advertido (Jeremias, Theologie, p 265; cf. 4.2). Desta perspectiva, a resposta de Jesus nos versículos
seguintes faz parte das passagens nas quais ele entra conscientemente em sua paixão.
     25,26     Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve
fome, ele e os seus companheiros? A contra-pergunta reforça a impressão de que não são leigos os
que confrontam Jesus, mas professores da lei e fariseus. Como entrou na Casa de Deus, no tempo
do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão
aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele? O relato da história de 1Sm 21.2-7 tem
algumas diferenças com o texto hebr do AT, mas que se encaixam bem na maneira como o judaísmo
de fala aramaica usava as Escrituras na época de Jesus. No culto na sinagoga, depois da leitura de
cada três versículos, estes tinham de ser traduzidos para a língua aramaica popular. Conhecemos
estas traduções (Targuns) de escritos posteriores. Trata-se mais de paráfrases que de traduções, que
admitiam livremente contribuições narrativas.
Em nosso caso Jesus cita uma passagem que obviamente representava dificuldades para os rabinos
(Bill. I, 618s). De várias maneiras eles se esforçavam por inocentar Davi de uma transgressão da lei,
mas Jesus não se mostra constrangido. Davi fizera realmente – como o próprio Jesus – algo que, pela
letra da lei, “não é lícito” fazer. Mas ele o fizera – como Jesus – altaneiramente, como o Ungido,
especificamente em prol daqueles que lhe continuavam fiéis em sua perseguição, da cepa básica do
seu reino futuro. O futuro revogava as disposições atuais para este grupo. Tudo aqui depende da
relação Davi – Jesus. Em Jesus a linhagem de Davi se completa. É claro que este testemunho pessoal
de Jesus não podia apaziguar os fariseus. Para eles, à quebra do sábado se juntara outra violação, a
blasfêmia (cf. Jo 5.18).
Devemos ter em mente que Jesus baseia sua liberdade no sábado na alegação de autoridade
messiânica especial, não simplesmente em um conceito humanitário. A questão humanitária
encontrava todas as portas abertas em casos como este, de matar a fome no sábado. Especialmente no
sábado judaico provia-se para todos os famintos. Era sua ligação com o Messias perseguido que
colocava os discípulos em situação delicada, como no AT os homens ligados ao rei secreto. Mas os
que buscam em primeiro lugar o reinado de Deus vivem com uma liberdade especial, e é o próprio
Deus quem sempre de novo possibilita este discipulado (cf. Mt 6.25-34).
     27     Jesus já generalizara para além do tema do sábado, pois Davi não transgredira a lei do sábado, mas
a determinação de Lv 24.5-9. No versículo seguinte, porém, Jesus retorna ao sábado a partir do
entendimento obtido: E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o
homem por causa do sábado. O mesmo pensamento básico, que Jesus acabara de tirar dos
“profetas” (os livros de Samuel contam, na Bíblia judaica, entre os “profetas anteriores”), agora vem
da outra parte da Bíblia, os livros de Moisés, ou a “lei”. O tema é a criação, como o ser humano e
como o sábado foram “estabelecidos” por Deus (passivum divinum, cf. 2.5). Ali a vontade original de
Deus se torna clara: o sábado serviria para beneficiar o ser humano. Coerentemente, ele surge depois
do ser humano, pois a seqüência temporal sinaliza a subordinação. De acordo com Bill. I, 623s; II, 5,
o Talmude conhece expressões bastante semelhantes, como p ex: “O sábado foi dado a vocês, não
vocês entregues a ele”. Esta frase, porém, entre os judeus não tinha força de preceito, só servia para
justificar certas exceções, como um caso de perigo de vida agudo (opr 3). Em todos os casos de
perigo de vida furtivos, como desamor, tédio, hipocrisia, tristeza no sábado, esta verdade era
esquecida. Revelador já é um argumento rabínico adicional para o socorro a pessoas no sábado, que
Bill. I, 623 relata. Em resumo, ele diz o seguinte: você pode quebrar um sábado para salvar a sua
vida, até porque assim você se habilita a viver mais tempo e poder guardar muito mais sábados
ainda! Deste modo, o sábado é novamente um fim em si mesmo, sem por que nem para quê. Serve-se
a ele sem o olhar iluminado para quem o instituiu para o nosso bem, ou para o valor especial do seu
presente. O sentido positivo do mandamento fora encoberto, alienado da vida em Deus, acorrentado,
inerte. O sábado verdadeiro se tornara em ídolo.
Quando se tira este versículo do seu contexto, ele parece pregar um humanismo puro, talvez até
com uma ligação tênue com a fé na criação. Todavia, como mostram os v. 25,26 e, agora, o v. 28, o
versículo está engastado na cristologia. O sábado, criado bom por Deus mas depois acorrentado, é
“restaurado” pelo Messias (cf. 3.5).
     28     De sorte que o Filho do homem é senhor também do sábado. A ênfase está no fim do versículo,
no “também”: assim como os espíritos imundos encontraram em Jesus o seu senhor em 1.27, assim
como ele se tornou senhor de todas as doenças em 1.34 e de todos os pecados em 2.5, assim como o
vento e o mar se lhe submetem em 4.41, agora o mesmo acontece com a instituição judaica do
sábado, que escravizava os fiéis. Jesus representa, como o Filho do homem em Dn 7.13,14, a
restauração de todas as coisas, o restabelecimento do ser humano à imagem de Deus. A palavra-chave “homem” aparece muitas vezes nestes dois parágrafos sobre o sábado (2.27,28; 3.1,3,5). “Por
causa do homem” é a senha da vinda do Filho do homem de Deus. Ela torna-se a senha para tudo,
também para o sábado, como o v. 27 já expressou. O ser humano em Cristo não tem mais uma
relação a dois com o Sábado, em que este se torna grande demais para ele. Em seu lugar surge um
triângulo: o ser humano, o sábado, o Senhor do sábado. Com Jesus o sábado é reintroduzido no
reinado de Deus. Ele não é abolido, mas reorientado para o seu sentido antigo, original e eterno.
Jesus é senhor “também” do sábado, portanto, não só do sábado. Seu senhorio inclui
evidentemente muito mais que a correção da instituição do sábado. Há outras instituições que podem
ficar grandes demais para o ser humano. Pode chegar o dia em que o hospital não exista mais para o
doente, alguma repartição não exista mais para o público, a economia não exista mais para a vida, o
Estado não exista mais para o povo e a justiça não exista mais para os sofredores ou a liturgia não
exista mais para a igreja, mas tudo está totalmente errado. O que fazer? Apostar totalmente no ser
humano, ajudá-lo a tomar o poder contra as instituições e proclamar a irmandade pura? Isto só levou
a condições que clamavam ainda mais por instituições. O que resta após a eliminação da ordem
antiga não é o nosso bem. Ou então, manter o equilíbrio entre ser humano e instituição? Isto é um
ponto de vista bastante abstrato. Na prática um dos lados terá mais força, e não se escapa da
oscilação de um a outro extremo. Importa, como vimos, transformar a situação em um triângulo –
com a entrada em cena de Cristo como Senhor. Sem relação viva com ele nosso mundo pequeno ou
grande não acerta o prumo. Para isto é crucial, como a exposição do v. 25 mostrou, que este Jesus
seja senhor do sábado sob o sinal da cruz. Sua morte quebrou os sistemas mais escravizantes e já
agora conduz para a liberdade, em direção ao amor.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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