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29 Retrospectiva do discurso de parábolas de Jesus, 4.33,34

Retrospectiva do discurso de parábolas de Jesus, Mc 4.33,34 
(Mt 13.34,35)

33-34 E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra, conforme o permitia a capacidade dos ouvintesE sem parábolas não lhes falava; tudo, porém, explicava em particular  aos seus próprios discípulos.

Em relação à tradução
     a
     “ouvir” tem aqui, como p ex também em 1Co 14.2; Gl 4.21; Mt 13.13, além do processo acústico,
também o sentido de compreender, sempre subentendido quando se ouve de verdade.
     b
     kath idian, em particular, aparece com freqüência no ensino restrito aos discípulos (ainda em 6.31,32;
7.33; 9.2,28; 13.3); cf. 4.10 objetivamente.
     c
     idion talvez não seja aqui um substituto simples para o pronome pessoal (“seus discípulos”), mas um
destaque no sentido de intimidade, em contraste com “os de fora” (v. 11).
Observação preliminar
Unidade. O v. 33b pressupõe que as parábolas de Jesus eram compreensíveis, já que Jesus as adaptou
especialmente ao entendimento dos seus ouvintes. O v. 34b, por sua vez, parte da noção de que elas são
difíceis de compreender, quando não incompreensíveis, já que precisam ser primeiro explicadas aos
discípulos. Disto resulta uma contradição, se tomarmos as palavras pelo seu sentido superficial. O último a
expor esta situação com insistência, incrementado com outras opiniões, foi Schmithals (p 247s), falando de
“textos inconciliáveis”. A pesquisa pressupõe geralmente vários manuseios do texto original, do qual são
oferecidas várias hipóteses. Partindo do fato de que Marcos não viu nenhuma contradição e que sua posição é
passível de interpretação, faremos uma tentativa para compreendê-lo. Nisto podemos nos referir às opr 4 e 5 a
4.1,2, bem como a todo o comentário a 4.10-12.
     33     Depois que Marcos fez a seleção representativa das três comparações da semente, ele faz uma
retrospectiva: E com muitas parábolas semelhantes lhes expunha a palavra. A expressão “a
palavra” de forma alguma pode ser separada das suas oito menções nos v. 14-20. O próprio Jesus,
portanto, é o semeador, e a palavra naturalmente é a sua mensagem em geral, a proclamação do
reinado de Deus que amanhece em sua pessoa e obra. Isto, porém, ele só apresentou de forma cifrada,
sem passar jamais da comunicação indireta. A forma clássica da comunicação indireta são parábolas
semelhantes. “Parábolas”, no caso, não tem sentido estrito. Elas não excluem a maior diversidade
das formas de pregação de Jesus, como o próprio evangelho de Marcos pode mostrar. Temos seu
ensino (4.1), mas também o chamado profético, os debates, a instrução ética, a palavra ativa no
milagre ou a ação simbólica. Mas em nenhum destes casos ele lhes diz “a palavra” sobre sua pessoa e
destino “em público” como no círculo pequeno dos discípulos, conforme 8.32.
Contudo, por que Jesus não falava claramente diante do povo? A razão não estava em Jesus, mas
no povo. Ele falava conforme o permitia a capacidade dos ouvintes. Uma palavra totalmente direta
teria significado a obrigatoriedade de uma decisão imediata. Para isto o povo não estaria preparado.
O resultado teria sido descrença coletiva. Também neste contexto pode-se tocar no caso de Jo 16.12:
“Vós não o podeis suportar agora”. A comunicação indireta, portanto, contém sem dúvida uma
decisão judicial para o povo; o v. 12 a expressou em termos gerais. Porém lá a interpretação já
indicou o que nosso versículo coloca em primeiro plano: a comunicação indireta testifica esforços
continuados do Senhor por este povo. O discurso figurado também é sempre adaptação, busca de
comunhão. Jesus ainda chama (cf. v. 9!), mesmo que de longe. Ele se entrega a eles, mesmo que sob
condições: E sem parábolas não lhes falava (34a).
     34b     Tudo, porém, explicava em particular aos seus próprios discípulos. Sem a dedicação especial
de Jesus, os discípulos não perdiam para o povo em falta de maturidade e entendimento. Isto Marcos
mostra suficientemente. A diferença é que eles não estavam entregues a si mesmo, mas “com ele”
(3.14). Ele era o centro para eles. Por este motivo o grupo não ruiu em descrença. Sempre de novo os
esforços dele venciam a incompreensão deles. Isto se vê também nos apelos insistentes para ouvir
nos v. 23s. Nele, por graça, já lhes fora “dado conhecer o mistério do reino de Deus (v. 11). A
revelação deste segredo abrangia a solução de todos os segredos de Deus (Cl 2.3). Isto valia no
sentido de um caminho que Jesus estava disposto a andar com eles com paciência indizível e
disposição de sofrimento. A dádiva do v. 11, portanto, não dispensava os acréscimos do v. 25 nem o
aprendizado maior do nosso versículo.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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