Pessoas que gostam deste blog

30 Jesus acalma a tempestade, Mc 4.35-41

Jesus acalma a tempestade, Mc 4.35-41 
(Mt 8.23-27; Lc 8.22-25)

35-41 Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiamOra, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes féE eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

Em relação à tradução
     a
     Cf 1.32n.
     b
     As pessoas não se espalhavam à vontade ao término da reunião, mas parecem ter sido despedidas
expressamente por Jesus, aqui pelos discípulos em seu nome (cf. 6.36; 8.3).
     c
     Este “seguir” em Marcos está sempre relacionado a Jesus (1.13; 2.19; 5.18; 3.14; 14.67) e, neste
sentido, denota uma ligação estreita com ele, de modo que, neste barco, havia mais discípulos além dos doze
(cf. 4.10).
     d
     A superfície do lago está a 212 m abaixo do nível do mar e ele é cercado de montanhas por três lados,
que têm até 300 m de altura. Neste caldeirão predomina um clima subtropical. Em maio e junho o
termômetro escala 40 graus à sombra. A compensação das correntes de ar frias no planalto com estas
temperaturas de calor sobre o lago pode provocar ventos descendentes de incrível violência, que
“desabavam” especialmente pelas ravinas da costa íngreme oriental (Lc 8.23, BJ). Os pescadores os temiam
muito por serem imprevisíveis e, para não serem surpreendidos, eles mantinham silêncio no barco e ficavam
atentos para sons que viessem do leste. Ali a tempestade se fazia ouvir com antecedência, com um som
sibilante. Então o vento levanta a água de repente em redemoinhos, e o lago “ferve” com ventos de 7 a 8 nós.
O chuvisco resultante cobre a cidade costeira de Tiberíades como nuvens de nevoeiro.
     e
     “travesseiro” é tradução literal, mas, de acordo com WB 1419, pode-se pensar também na almofada em
que o timoneiro sentava (veja o artigo!), que Jesus usou como travesseiro.
     f
     Cf 9.17n.
     g
     Cf 1.25n
     h
     Este é o texto melhor documentado. Todas as variantes parecem ser atenuações posteriores.
Observações preliminares
1. Coletânea de milagres 4.35-5.43. As quatro histórias de milagres a seguir apresentam uma série de
características comuns, que as identificam como um bloco fechado de “maravilhas”, ações poderosas, como
6.2 as denomina em retrospectiva. Uma destas é seu comprimento (em média 12,13 versículos, contra 7 no
cap. 2) e sua riqueza de detalhes interessantes (cf. opr 5). Além disto elas têm a mesma localização, agrupadas
em volta do lago e relacionadas ao barco (4.36,37; 5.2,18,21). Depois, elas sublinham expressamente uma
seqüência de eventos (4.35; 5.1,21,24,35), ao passo que, nos capítulos anteriores, vimos geralmente ligações
soltas. Por último, todas tratam expressamente das ações de Jesus, enquanto faltam indicações da sua atividade
de ensino; os parágrafos não desembocam como no cap. 2 cada vez em uma afirmação importante do Senhor.
Com isto chegamos ao propósito específico desta coletânea. Ele está na palavra-chave “fé, crer” (4.40;
5.34,36; o antônimo “incredulidade” está em 6.6). O trecho quer despertar a fé e o “prostrar-se” (5.6,22,23)
perante o Senhor sobre as forças destrutivas da natureza (4.35-41), os demônios (5.1-20), as enfermidades
(5.24-34) e a morte (5.21-23,35-43). Como tal, ele sobrepuja Jonas na primeira história, os exorcistas judeus
na segunda, os médicos na terceira e Elias na quarta. Assim, estas comparações testificam sua grandeza
superior. Da mesma maneira como se pode ouvir o barulho do mar em pequenas conchas, elas deixam
entrever um Senhor inigualável e convocam o leitor à fé, até os nossos dias.
2. Relação com o discurso das parábolas no cap. 4. A própria circunstância de que o discurso precedente
das parábolas girava em torno do lago e do barco (4.1) une os dois trechos. Além disso, o v. 35 inclui os
milagres seguintes expressamente no contexto do discurso das parábolas. Deste modo, as ações ficam ao lado
do ensino. Elas autenticam o ensino, como “sinais que acompanham e confirmam” (16.17,20). Palavras e
ações convocam igualmente à fé no reinado misterioso de Deus. Isto vale especialmente para a primeira
história (v. 35-41). Como 4.10-25, ela serve de exemplo do “estar com” de Jesus e seus íntimos, de acordo
com v. 4 e 34b. Logo no começo, o v. 35 sublinha a separação da multidão, no v. 36 os discípulos agem como
servos pessoais de Jesus, no v. 38b eles o chamam de “mestre”, no v. 40 ele os repreende por causa do
fracasso como no v. 13, e o v. 41 desemboca no confronto dos discípulos com o segredo da sua pessoa. Assim,
a história trata novamente dos esforços intensivos de Jesus em prol dos seus discípulos, à luz do reinado tão
estranho de Deus.
3. Comparações com a história da religião. Já por volta do ano 160, o filósofo pagão Celso apontava, com
relação aos milagres de Jesus, para as realizações de milagreiros antigos. Mesmo que Jesus tenha realmente
feito os milagres, eles não seriam nada especial. Em geral, porém, ele estava convicto de que muitas coisas
“tinham adquirido caráter milagroso somente nas narrativas dos discípulos” (em Goppelt I, p 189). Esta
crítica, que nivela as histórias de Jesus na história da religião, acompanha os evangelhos até hoje. No que
tange especificamente à tempestade, tratar-se-ia de uma lenda itinerante que assombrou várias religiões até ser
aplicada também a Jesus (é o que diz Bultmann, Geschichte, p 250, entre outros). Do deus curador grego
Asclépio (Serápis dos egípcios) dizia-se que ele salvava os marinheiros quando estes oravam e “fazia calar o
vento”. Em um discurso bajulador de Cícero, “os ventos e tempestades tinham sido submissos” ao general
romano Pompeu. César reivindicou poder protetor em apertos marítimos: “Não tema nada! Você está levando
César, e a sorte de César o acompanha!” Para empreender uma viagem por mar, as pessoas invadem o navio
de Apolônio de Tiana, porque “acreditavam que este homem era mais poderoso que fogo e vento e as coisas
mais perigosas” (em Pesch I, p 274). De acordo com textos judaicos, o rabino Gamaliel, no meio de uma
tempestade no mar, recordou Deus de sua inocência: “Então o mar acalmou sua fúria”. Ou o menino judeu
orou em sua angústia (“grande tempestade”) no meio de marinheiros pagãos desesperados que tinham clamado
em vão a seus deuses. Então o Deus verdadeiro atendeu, “e o mar silenciou” (Bill. I, 489,452). Para avaliar a
situação é importante lembrar que, desde que existe tráfego marítimo, também existe perigo de naufrágio, com
seus sinais típicos: irrupção da tempestade, ondas altas, navios em vias de afundar, pessoas desesperadas,
orações e, em caso positivo, abrandar do vento, calmaria do mar e um enorme alívio entre os salvos. É claro
que estes elementos aparecem em todas as histórias de tempestades do mundo, na seqüência correspondente
(“tópica”) e com vocábulos típicos. Fazem parte certo estilo de emoção e de tom de voz. Geralmente não tem
importância se se trata de saga, lenda, conto ou relato histórico. Paralelos não admitem afirmações de
dependência, nem de historicidade. Temos de determinar os fatos. Os exemplos extra-bíblicos acima falam de
respostas de oração, personalidades com carisma ou culto proposital à personalidade com seus exageros
absurdos. A interpretação sem preconceitos da nossa história mostra que não há nenhuma relação essencial
com eles. Na verdade, ela é incomparável.
4. Contexto do AT. Há muito que se detectou uma série de semelhanças entre Mc 4 e Jn 1. Qualquer leitor
da Bíblia pode relacioná-las (as referências de Jn 1 são as seguintes: v. 4: “forte vento”, v. 5: “dormia”, v. 6:
“pereçamos”, v. 12: “se aquietará”, v. 16: “temeram estes homens em extremo”. Por isso Pesch I, 276 acha
que em Mc 4.35-41 “temos uma reprodução livre de Jn 1, com auxílio de Sl 107.23ss”. Uma comparação
exata, porém, leva à conclusão que, no essencial, o relato de Mc 4 passa ao largo de Jn 1. Em Jn 1.4 Deus
manda a tempestade, mas aqui a tempestade é repreendida pelo Filho de Deus como contrária a Deus. Em Jn
1.4 Jonas dormia por omissão rebelde, aqui Jesus dorme exausto pela obediência. Em Jn 1.14 as pessoas
clamam a Deus, mas aqui Jesus fala como o próprio Deus. Em Jn 1.14 os homens pagãos crêem, aqui os
discípulos não crêem. Em Jn 1.15 o mar se acalma porque finalmente Jonas obedece e se submete ao
julgamento de Deus, aqui quem obedece é o mar. Procedente é, por outro lado, que Jn 1 integra o fundo do AT
da nossa história, se bem que somente ligado a uma frente ampla de outras referências do AT, como o
comentário mostrará.
5. Processo de transmissão. A abundância de alusões ao AT mostra o quanto o narrador moldou o evento
espiritualmente um processo que progrediu ainda mais em Mateus. Em favor de interesses cristológicos e
eclesiológicos, os detalhes passam a segundo plano de tal modo que algumas questões ficam em aberto. P ex,
quem estava nos outros barcos do v. 36? Como estes passageiros se comportaram na tempestade? Eles estão
incluídos no v. 41? Junto com isto, também impressiona o estilo dramático (uns dez “e” iniciam regularmente
as frases a partir do v. 37) e a linguagem rítmica. Por outro lado, informações de testemunha ocular, como a
que relata sobre os outros barcos ou a almofada na popa, sobreviveram a todas as transformações e servem de
testemunhas da veracidade da história.
     35     Naquele dia, o mesmo em que ele ensinara o povo, de acordo com os v. 1 e 33, sendo já tarde,
uma segunda indicação de tempo (cf. 1.32n) que se refere mais ou menos ao pôr-do-sol, ainda não à
noite, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. As travessias freqüentes do lago a partir
de agora chamam a atenção e são relacionadas, em especial por Schreiber (p 206),
incondicionalmente com a missão aos gentios. No entanto, elas combinam com a condição de alguém
que não era bem-visto pelas autoridades (cf. 2.13; 3.7). Onde Jesus se deitou para dormir tem sua
importância. Enquanto a multidão o cercava ele estava mais ou menos seguro, mas a noite oferecia
oportunidades para ser preso. Por isso Jesus colocou o lago entre ele e seus denunciantes, de modo
que o viram partir, mas não sabiam onde aportaria, ainda mais que a noite caía.
     36     E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco. Que o próprio Jesus não
desceu do barco para despedir as pessoas (como em 6.36; 8.3) pode ter sido culpa da sua grande
exaustão, confirmada pelo v. 38, ou da preocupação dos seus discípulos por sua segurança. Não
devemos pensar que o barco, na popa do qual Jesus podia se deitar, fosse muito pequeno. Segundo
6.45, um barco foi suficiente para todo o grupo. A indicação de que outros barcos o seguiam (cf. v.
36 nota c) poderia ter o sentido de que houve numerosas testemunhas do que aconteceria em seguida.
     37     Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco. A
descrição é realista: nesta altura faltam paralelos com o AT. De modo que o mesmo já estava a
encher-se de água. Ele está na iminência de submergir. A partir de agora, só este barco está em
vista, e dentro dele especialmente “ele”:
     38     E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro. Em todo caso não se deve pensar em um
objeto trazido de casa, um travesseiro de penas ou uma almofada do sofá, mas em um detalhe do
equipamento do barco, provavelmente a almofada de couro do banco do timoneiro. O olhar segue a
figura deitada e busca o rosto do Senhor. Nisto o travesseiro também é avistado e retido pela
tradição. Será que é o caso de romantizar este sono com passagens como “o teu sono será suave” (Pv
3.24), “deitar-te-ás, e ninguém te espantará” (Jó 11.19), “em paz me deito e logo pego no sono” (Sl
4.8)? É claro que ele confiava em Deus: “Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás
também” (Sl 139.8). Pode-se imaginar muitas coisas com este sono, mas com certeza ele não
aconteceu para demonstrar confiança em Deus. A interpretação objetiva constatará que, aqui, alguém
que durante um dia inteiro se dedicara totalmente às pessoas estava totalmente exausto. Muitas vezes
ele deve ter ficado sem dormir, assim como ficava sem comer (6.31). Este homem cansado agora tem
de ouvir a queixa daqueles a quem dirigira principalmente sua dedicação. Eles o despertaram e lhe
disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? Para eles, ele era infiel. O fato de o chamarem
de mestre recorda sua relação de alunos com seu professor, que fora destacada há pouco, nos v. 10-25,34b. Tudo isto é colocado em dúvida. Eles entendem que o sono dele está voltado contra eles: ele
os negligenciava, eles que tinham deixado tudo por amor a ele (1.18,20). Com isto eles provaram ser
uma parte do antigo Israel, pois também os crentes da aliança antiga tinham duvidado de Deus:
“Desperta! Por que dormes, Senhor? Desperta! Não nos rejeites para sempre!” (Sl 44.23).
     39     Especialmente este versículo foi formado frase por frase à luz do AT. E ele, despertando,
repreendeu o vento. Jesus não se comporta como um rabino que intercede pelos que lhe foram
confiados, mas fala como Deus, o próprio Senhor, o que provoca a pergunta exaltada do v. 41. Ao
repreender, ele faz uso da sua condição de Criador e Senhor (cf. 1.43n), na mesma linha do Sl 106.9:
“Repreendeu o mar Vermelho” (cf. Sl 18.16; 29.3; 77.17; 104.7; Na 1.4). Como a repreensão de
Jesus em 1.25; 3.12; 9.25 atingiu demônios, alguns intérpretes concluem que também aqui Jesus
pensou em demônios, talvez num demônio do vento, e juntam esta história às de exorcismo. Todavia,
é muito mais fácil de explicá-la a partir dos paralelos citados do AT, em que encontramos uma
repreensão que não faz parte de exorcismos, mas dos atos de criação. Enquadrar este milagre da
natureza entre os exorcismos empobrece nossa fé na soberania de Jesus. No que toca o discurso
direto ao vento, trata-se de uma personificação poética como nos salmos. Da mesma maneira Jesus
pôde falar diretamente a uma figueira ou um monte, sem pressupor com isto um deus da árvore ou
um espírito da montanha (11.14,23).
E disse ao mar: Acalma-te, emudece! Assim fala quem está tirando todo o poder de algo sem
admitir contradição, só deixando margem à obediência (v. 41). A isto segue uma mudança
imprevisível. O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Não temos mais Jesus adormecido no
rugido da tempestade, mas a tempestade adormecida aos pés do Senhor que dera a ordem. Tão alto
como antes estavam as ondas, agora está a paz. O Sl 107 canta: “Ele os livrou das suas tribulações.
Fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram. Então, se alegraram com a bonança” (v. 28-30; cf. Sl
65.8; 89.10). Se é que a ordem de Jesus e seu sono demonstram algo, então é a mesma coisa: seu
amor pelos seus. Tão rápido como as ondas amainaram, tão absurda era a incredulidade dos
discípulos. “O Senhor nas alturas é mais poderoso do que o bramido das grandes águas, do que os
poderosos vagalhões do mar” (Sl 93.4).
     40     Depois que Jesus ordenara o silêncio, ele também se garante a honra. Nos salmos o silêncio depois
da tempestade também serve para dar lugar ao louvor de Deus. Então, lhes disse: Por que sois
assim tímidos?! As censuras de Jesus para seus discípulos (4.13,40; 7.18; 8.17s,21,33; 9.19) todas
apontam de alguma maneira a dúvida no seu senhorio e, neste contexto, no chamado próprio e na
condição de ser discípulo. Não está em questão uma falta de confiança geral em Deus, antes, Jesus
responde à desconfiança dos discípulos expressa no v. 38. A covardia corresponde aqui, como
também em Ap 21.8 (a única referência a “covardes” além da história da tempestade, no NT), a pôr
um fim no ser discípulo, no desejo de simplesmente sobreviver.
A segunda pergunta de Jesus confirma esta conclusão: Como é que não tendes fé? Eles não
“estavam com ele” desde 3.14, não lhes tinha sido revelado o segredo do reinado de Deus em 4.11,
ele não lhes dedicara seus esforços, de acordo com 4.34b? Não lhes fora fiel em todos os estágios,
acordado e dormindo? O como aponta para o fato de que a sua fé já era devida há tempo. 8.17,21
expande esta idéia: os discípulos só experimentavam e não produziam o que o Senhor podia esperar.
Nenhum levava os fardos do outro, só levava todo o fardo sozinho.
Wrede (p 101s) trabalha bastante esta falta de entendimento dos discípulos, sofrida e causadora de
sofrimento, mas não consegue imaginá-la, de modo que a atribui à construção de Marcos. Discípulos
assim “não refletem a realidade” (104). Wrede acha que as pessoas não são assim tão más e
incorrigíveis. Todavia, certas experiências espirituais nos deixam cabisbaixos neste ponto.
     41     Parece que Mateus não aplicou o “eles” do último versículo aos discípulos no barco, mas aos outros
“homens”, talvez às testemunhas nos “outros barcos” no v. 36. Em Marcos, de tanta concentração no
assunto em si, alguns detalhes ficaram em aberto. E eles ficaram possuídos de grande temor.
Depois do “grande temporal de vento” (v. 37) e da “grande bonança” (v. 39), agora vem este “grande
temor”. Não se trata mais da covardia censurada há pouco mas, positivamente, o reconhecimento do
Santo, causado pela revelação e que preenche todo o ser. A relação literal com Jn 1.16 indica o
caminho do significado. Ele inclui humildade e confiança. Depois que tudo em volta cedeu, também
o vento e o mar, finalmente o coração humano também se prostra.
E diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem? A pergunta pela
identidade de Jesus (cf. qi 8c) ainda não leva à confissão de Cristo como em 8.29. Mas pelo menos os
discípulos foram novamente despertos para a majestade do seu mestre, por mais estranha que ainda
lhes seja.
Uma ação levou ao ensino separado dos discípulos. Como tal, ela tem validade para a igreja em
geral. A igreja é uma tripulação de navio como esta, como Jesus em seu meio. Rapidamente ela
chega no ponto do naufrágio, fica com medo de morrer, com dúvida diante da suposta passividade
dele. Ela pode “despertá-lo” pela oração e gritar por socorro. Só uma coisa: tudo isto é normal e não
é motivo para deixar de confiar na fidelidade de Jesus. Acontecimentos como este, pelo contrário,
são passagens para revelações novas da sua grandeza.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Online