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32 O pedido de ajuda de Jairo, Mc 5.21-24a

O pedido de ajuda de Jairo, Mt 5.21-24a 
(Mt 9.18,19; Lc 8.40-42)

21-24a Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava junto do marEis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se a seus pés e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte; vem e, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá. Jesus foi com ele. 

Em relação à tradução
     a
     Para o lago da Galiléia, cf. 3.7n, 1.16n.
     b
     Cada sinagoga tinha um presidente, mas Cafarnaum tinha várias sinagogas, de modo que devemos
pensar aqui em um representante desta posição. Em At 13.15, porém, a identificação parece ter sido
estendida a todos os membros da liderança da sinagoga. O presidente em exercício dirigia os cultos,
distribuía as tarefas, solicitava a exposição da Escritura ou exortava (Lc 13.14). Também era responsável
pela construção e manutenção do prédio. Ele precedia a comunidade nas ofertas financeiras. Na maioria das
vezes tratava-se de um integrante leigo de uma família abastada, que fosse respeitado e fiel à lei. O cargo
podia ser conservado por várias gerações na mesma família. A boa condição financeira é atestada aqui pela
referência aos criados (v. 35) e à casa com pátio interno (v. 38), ao prédio (v. 39) com sala separada (v. 40); é evidente que não se trata da moradia comum de uma só peça.
     c
     A esta forma grega do nome subjaz o antigo nome hebraico Jair (p ex Lv 23.41; Et 2.5): “Ele [Deus]
ilumina” (cf. Bill. II, 9). Caso se aplique o sentido “Ele [Deus] avivará” (cf. Pesch I, 300), o nome pode ter
sido preservado porque se cumpriu de modo tão maravilhoso. Mateus omitiu o nome. Uma época posterior
podia perder o interesse em um nome de alguém que no geral era desconhecido.
     d
     Ela é descrita com quatro termos: “filha” (thygater, v. 35; assim como a mulher no v. 34); “criança”
(paidion, v. 39,40); “menina” (korasion, v. 41,42, tradução do aramaico talitha) e aqui “filhinha”
(thygatrion). Pode-se pensar aqui em um termo carinhoso: quem não é íntimo diz “filha”. Bl-Debr, § 111.4,
porém, acha que neste caso o diminutivo carinhoso não era mais percebido (cf. 3.9n), sendo o termo, antes,
jurídico. No v. 42 também se acrescenta à “menina” a explicação de que “tinha doze anos”, isto é, era, no
conceito judaico, uma virgem, uma naárah (para o período de seis meses, entre 12 e 12 ½ anos; Bill. II, 10).
     e
     Lit.: “Para que, vindo, imponhas as mãos” – substitutivo popular para o imperativo.
Observações preliminares
1. Sobre o trecho todo, até o v. 43. Por motivos práticos, dividimos em três partes a uni-dade dos v. 21-43 e estudamos o primeiro trecho à parte. Ele vai até o v. 24a, e depois começa a história intercalada, com a
segunda referência à grande multidão. Nada se opõe à unidade da seqüência histórica. A suposição freqüente
de que se trata de duas histórias originalmente separadas, e que a história da mulher foi inserida para cobrir o tempo até a morte da menina, não tem fundamento. Neste caso, até certo momento teria sido possível contar a
ressurreição da menina separadamente, e depois não. É mais plausível que a seqüência dos dois
acontecimentos não tenha sido contada de modo fortuito, mas foi entendida e transmitida como unidade
significativa. Esta percepção também mostra por que as duas histórias ficaram juntas assim como se deram. A tradição dos evangelhos em outras ocasiões não teve problemas para conservar um evento sem perguntar por
seu antes e depois. Aqui, porém, o contexto foi considerado valioso e esclarecedor. Em poucas palavras, os
principais pontos comuns: nas histórias das duas mulheres estão as palavras “filha” (v. 34,35), “doze” (v.
25,42), ajoelhar-se (v. 22,33), “temer” (v. 33,36), fé (v. 34,36) e “salvar” (v. 23,34). As duas mulheres estão
enfrentando a morte, uma espiritual, a outra fisicamente. Ambas são impuras em termos cerimoniais e
experimentam o toque do Senhor da vida (v. 27,41).
2. Composição em blocos, cf. opr 1 a 3.20,21. No que consiste o contexto teológico? Obviamente a história
encaixada tem um sentido que serve à história circundante. Ela não é contada até o fim. A reação dos
espectadores, como em 1.27; 2.12; 3.6; 5.14,42 falta, assim como a reinserção da mulher curada, como em
1.31,44; 2.11; 5.19,43, apesar de Lv 15.28-30 insistir na importância disso. Em vez disso, em dado momento
ela é ligada à outra história. O tema é a fé. Enquanto Jesus ainda fala da fé da mulher (v. 34), o narrador passa
para Jairo que, diante do pano de fundo desta mulher que crê, também deve crer (v. 36). A salvação dela da
sua “morte” pela fé deve desafiá-lo a também crer na salvação da sua filha da morte. Ela, mulher impura,
empobrecida e desprezada, torna-se modelo de fé para o judeu de destaque na sinagoga, da mesma forma
como o comandante pagão de Mt 8.10 o é para Israel. – Para mais considerações sobre o entrelaçamento das
duas histórias, veja opr 1 a v. 35-43.
     21     Tendo Jesus voltado no barco, para o outro lado, afluiu para ele grande multidão; e ele estava
junto do mar. Jesus está novamente entre seus conterrâneos, em seu ambiente costumeiro de atuação
na região de Cafarnaum. Recomeçam as reuniões ao ar livre, com todo seu perigo de espiões e
soldados (cf. 2.13; 3.7; 4.35). Por outro lado, o novo trecho respira outro clima do que a história
precedente da cura em terra pagã. Aqui Jesus revela sua fidelidade a Israel. Mas as duas histórias são
unidas pelo mesmo tema central: a autoridade de Jesus – em todas as margens.
     22     Eis que se chegou a ele um dos principais da sinagoga, chamado Jairo, e, vendo-o, prostrou-se
a seus pés. Um dos homens mais conceituados do lugar, representante da sinagoga, está prostrado no
pó, aos pés de Jesus. Ele arrisca muita coisa ao descer até a praia, ir à “reunião subversiva” e agora
ajoelhar-se diante do pregador itinerante perseguido.
     23     Por que o homem não tem cuidados nem escrúpulos, vê-se na continuação: e insistentemente lhe
suplicou: Minha filhinha está à morte. Muitas pessoas já fizeram pedidos a Jesus (1.40; 6.56; 7.32;
8.22); este suplica com insistência. Da profundidade do seu medo pela filha ele deixa para trás os
preconceitos e o orgulho e decide-se por Jesus. Nada mais o vincula ao passado, tudo a este enviado
de Deus.
Só entendemos completamente a aflição deste pai se a vemos no contexto do pensamento daquela
época. No entendimento judaico rígido, a morte de um filho era, além da perda pessoal, um castigo
para os pais. Agora isso tinha acontecido com ele, o presidente da sinagoga. Ele, que não estava
acostumado a ser questionado, viu sua posição religiosa ruir e sentiu a ira de Deus. A posição era
radical, já que, segundo Lc 8.42, a filha era única. Sua própria linhagem estava-se extinguindo. Para
um judeu isto significava muito. Por isso: vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e
viverá. Para a cura física Marcos costuma usar outra palavra (therapeuein, seis vezes). “Salvar” e
“viver” extrapolam a situação. O homem já está preocupado com salvação e perdição, tudo ou nada.
A doença da filha empurrou-o para as questões últimas (cf. 6.56n no fim).
     24a     Jesus foi com ele. “Com ele” expressou em 3.14; 4.36; 5.18,32,40; 14.18,20; 16.10 a renúncia das
pessoas ao que era seu para entrar totalmente no destino de Jesus. Aqui a expressão tem sentido
inverso, a solidariedade incondicional de Jesus com este homem do campo inimigo. Jesus não guarda
rancor, não está desconfiado, abandona qualquer movimento de proteção. Ele pertence sem reservas
ao lado daquele que está marcado pelo sofrimento maior. Romperam-se barreiras em três direções: da
parte de Jairo, da parte de Jesus, mas também dos primeiros cristãos, que transmitem a história. Ao
contarem este episódio, eles estão rompendo o endurecimento que ameaça formar-se em relação à
sinagoga e aos judeus ortodoxos. O bom reinado de Deus rompe o muro da separação.
Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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