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40 A parábola da erva daninha no meio do trigo, Mt 13.24-30

A parábola da erva daninha no meio do trigo, Mt 13.24-30


Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.



Esta parábola das ervas daninhas no trigal é material exclusivo de Mateus. Somente ele traz essa
parábola. Outras vezes já nos deparamos com trechos exclusivos no evangelho de Mateus (p. ex.,
1.1s,23; 6.1-4; 11.28-30).
A parábola do inço no meio do trigo é o mais longo trecho exclusivo de Mateus. Outras parábolas,
contidas unicamente em Mateus, são: 13.44-46,47-50; 20.1-16; 21.28-32; 25.1-13.
A edificação do reino de Deus é ameaçada não apenas pela atitude interior, do coração, mas
também de fora! A comunidade de Jesus sempre está numa  guerra de duas frentes. É uma luta contra
o inimigo interior, que vem de dentro, do “eu”, trazendo problemas para a comunidade, e uma guerra
contra o inimigo exterior, o diabo, que aflige a comunidade de fora. Nesta parábola do Senhor é
descrito o perigo de fora e a posição da comunidade diante dele.
A explicação da parábola é trazida mais tarde, isto é, após as duas parábolas do grão de mostarda e
do fermento. Está nos v. 34-43. Inicialmente abordaremos apenas algumas perguntas sobre a
parábola propriamente dita.
Não seria tola a pergunta dos empregados: Donde vem, pois, o joio no meio da lavoura?
Empregados na agricultura deveriam saber que o inço cresce por si próprio. Mas, se aqui há um
caso incomum, o motivo é que em anos anteriores a terra, que fora limpa pelos empregados, não
apresentava uma quantidade tão grande de joio (“trigo do diabo”) como desta vez. Isso era
impossível por vias normais. Em  Arbeit und Sitte in Palästina II, p. 308, Gustav Dalmann relata:
“Geralmente é conseqüência de negligência humana quando há grandes quantias de inço numa
lavoura. Entretanto, também a maldade de um inimigo às vezes pode ser a causa do inço, como está
pressuposto em Mt 13.25 e 28.”
Como, afinal, o proprietário sabe com tanta certeza que, enquanto todos  dormiam (quando não
tinha ninguém na plantação), o inimigo semeou o joio à noite? Certamente o proprietário conhecia
muito bem o seu terrível inimigo, que espalhou tantas quantidades de ervas daninhas na sua terra.
Será que não existem maneiras mais cômodas de um inimigo prejudicar o seu vizinho? Dos usos e
costumes daquele tempo sabe-se que no Oriente não eram raras maldades tão incríveis. Até o direito
romano contém determinações contra t ais ocorrências (Fonck, p. 134). G. Dalmann conta o seguinte
exemplo, em Arbeit und Sitte in Palästina II, p. 308:
“Um agricultor pobre, que havia levado para pastar o seu gado numa terra alheia, foi denunciado por um
terceiro ao proprietário da terra. O denunciado relata pessoalmente como se vingou do denunciante:
No fim do verão desci ao vale, no qual há juncos da altura de uma pessoa e com vagens de sementes
semelhantes ao grão de capim africano. Colhi as vagens até encher a minha capa, passei as suas pontas
pelas aberturas dos braços (da capa sem mangas), debulhei e soprei as sementes, e fui até a lavoura de
Abu Jasin, que recém fora lavrada, e semeei nela as sementes do junco. Antes do ano seguinte, a
lavoura estava bem cheia de juncos. Daquele dia até  hoje passaram-se vinte anos sem que o
proprietário pudesse rasgar um sulco sequer naquela terra, por causa da quantidade de juncos. As
oliveiras (que havia ali) secaram, e ele as cortou.”
Como se deve entender o v. 26? Depois que o cereal granou, também se pode reconhecer bem o
joio com suas características, de modo que suas  espigas finas não podem mais ser confundidas com
as espigas cheias do trigo!
Por que o proprietário rejeita a pergunta dos empregados: “Queres que vamos e arranquemos o
joio?” Porque, como confirma a resposta do proprietário no v. 29, neste caso ambas as plantas
poderiam ser arrancadas juntas. O trigo possui raízes mais fracas que o joio. As raízes mais fortes do
joio, a serem arrancadas, também arrancariam as do trigo. Na época indicada  pelo v. 26, em que o
trigo e o joio estão formando os grãos, também o desenvolvimento das raízes das duas variedades de
plantas está adiantado e facilmente acontece um entrelaçamento. Na região de Hebrom ainda hoje se
deixa crescer ambas as plantas até a safra.
Como se deve entender o v. 30? É antiqüíssimo o costume de destruir ervas daninhas pelo fogo.
Durante a colheita os ceifeiros deixam o joio cair no chão, para que não se misture nos feixes. As
hastes do joio no chão são reunidas em maços e queimadas ali mesmo no campo. Depois o trigo é
levado ao depósito.
Enquanto a parábola dos diversos tipos de solo é uma parábola paradigmática (mostra o exemplo
de um bom semeador e da aceitação diferente da palavra), a parábola do joio entre o trigo constitui
um discurso figurado escatológico, que aponta para o  éschaton, i. é, para o fim, para o tempo de
colheita do juízo final. A ênfase da parábola está na colheita, vista expressamente como o fim do
atual tempo do mundo (cf. 13.49; 24.3; 28.20). Esse fato precisa  ser considerado desde logo na
interpretação da parábola, pois somente a partir dele se explicam algumas questões emergentes, que
permaneceriam sem resposta sem essa consideração da ênfase! No decurso da interpretação
indicaremos tais perguntas.
Para a interpretação da parábola do joio entre o trigo, veja depois dos v. 36 -43.


Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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