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48 A morte de João Batista, Mt 14.1-13a


1. A morte de João Batista, 14.1-13a
(Mc 6.14,17-30; Lc 9.7-9; 8.19s)
1-13a - Por aquele tempo, ouviu o tetrarca Herodes a fama de Jesus e disse aos que o serviam: Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e, por isso, nele operam forças miraculosas. Porque Herodes, havendo prendido e atado a João, o metera no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão; pois João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la. E, querendo matá-lo, temia o povo, porque o tinham como profeta. Ora, tendo chegado o dia natalício de Herodes, dançou a filha de Herodias diante de todos e agradou a Herodes. Pelo que prometeu, com juramento, dar-lhe o que pedisse. Então, ela, instigada por sua mãe, disse: Dá-me, aqui, num prato, a cabeça de João Batista. Entristeceu-se o rei, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, 
determinou que lha dessem; e deu ordens e decapitou a João no cárcere. Foi trazida a cabeça num prato e dada à jovem, que a levou a sua mãe. Então, vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; depois, foram e o anunciaram a Jesus. Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte;
A expressão por aquele tempo representa em Mateus uma definição muito genérica de tempo. É
Marcos quem indica o tempo com mais precisão. Veja em Mc 6.14-29. Exatamente antes desse
trecho Marcos apresentou o informe sobre o envio dos apóstolos e sua atuação.
Herodes era chamado o tetrarca porque governava somente sobre uma quarta parte do país de se
pai, Herodes o Grande (cf. a visão panorâmica dos filhos do tetrarca Herodes apresentada no cap. 4
na nota de rodapé 2). O nome completo do tetrarca Herodes é Herodes Antipas. Governou de 3  a.C.
até o ano 39. A ele estavam subordinadas as terras da Galiléia no norte e da Peréia no leste.  – A
maior parte do tempo, Herodes Antipas residiu na cidade de Tiberíades, construída por ele na
margem oeste do lago de Genesaré. Ele construi a cidade de Tiberíades em honra ao imperador
Tibério. Às vezes ele também permanecia na sua fortaleza Maquero (no mar Morto), na Peréia
meridional. – Jesus tinha exercido sua atividade principal ao norte de Tiberíades, em e em torno de
Cafarnaum onde, de acordo com 4.13, ele passara a residir. Em Mt 8.1 Cafarnaum é chamada até de
“sua cidade”, i. é, a cidade do Senhor.
Herodes Antipas tinha ouvido muitas notícias a respeito de Jesus. Pessoalmente, porém, não
estava interessado nele. Após o envio dos doze, seguidamente chegavam informações sobre Jesus aos
ouvidos de Herodes. Este e seus cortesãos faziam as mais diversas conjeturas sobre esse homem
incomum de Nazaré. Veja Mc 6.14s e Lc 9.7s. Pouco tempo depois da execução de João Batista os
rumores sobre Jesus tinham assumido o seguinte aspecto, na opinião na corte do rei Herodes:  Jesus é
João Batista ressuscitado dentre os mortos.
O historiador judeu Flávio Josefo informa que Herodes Antipas era um homem supersticioso, que
via fantasmas em todo lugar. Também Jesus pareceu-lhe como um desses fantasmas.
Entretanto, a curiosidade o impelia com muita intensidade para ver Jesus pessoalmente. Em Lc 9.9
lemos: “Herodes desejava ver Jesus”.
Agora, nos v. 3-11, o evangelista Mateus recapitula o relato sobre o aprisionamento e assass inato
de João Batista. Quem é Herodias, a mulher que desempenha um papel tão cruel na história do
assassinato de João Batista? Ela é filha de Aristóbulo, um filho de Herodes o Grande. No ano de 7
a.C. Aristóbulo foi executado por seu pai. Portanto, Herodias era neta de Herodes o Grande. – Já aos
7 anos de idade Herodias foi dada como noiva a Herodes Felipe I, um irmão desse Aristóbulo, e mais
tarde casaram. Ou seja, Herodias teve de casar com o seu tio. Herodes Filipe I, que Mateus e Marcos
designam abreviadamente como Filipe, vivia como cidadão em Jerusalém. Desse casamento provinha
Salomé, a moça de 20 anos que executou aquela dança fatídica que custou a vida de João Batista.
Mais tarde Salomé foi dada em casamento a Herodes Filipe II, outro irmão de Herodes Antipas. A
área sob o governo de Herodes Filipe II situava-se a leste do lago de Genesaré e a norte da Peréia.
Como foi que Herodes Antipas, casado com uma filha do rei Aretas, dos nabateus (situados a
sudeste do mar Morto), chegou a desposar Herodias? Por ocasião de sua viagem a Roma, quando
Herodes se hospedou na casa de seu irmão Herodes Filipe I em Jerusalém, vendo sua cunhada e
sobrinha Herodias, fez-lhe uma proposta de casamento, que ela aceitou prontamente. Combinaram
que Herodes Antipas, após seu retorno de Roma, rejeitaria sua esposa, a filha daquele Aretas, e se
casaria com Herodias. Assim ela tornou-se sua esposa.
João Batista, com integridade profética, havia anunciado a Herodes Antipas:  Não é correto que a
tenhas por esposa. Casar com a esposa do irmão que com ela tivera filhos era considerado  incesto,
pela lei israelita (Lv 20.21) e, além disso havia um duplo adultério neste caso. Herodes não queria
tolerar essa acusação, e muito menos Herodias. Por isso Herodes mandou inicialmente aprisionar  o
Batista. Segundo Josefo, ele também fez isso por medo da influência que João exercia sobre o povo.
Ambos os motivos podem ter influído. Também é correto que, por medo do povo, Herodes durante
muito tempo não conseguiu decidir-se a executar João Batista. É que a prisão já havia acontecido no
inverno antes da segunda festa pascal da atividade pública de Jesus. Os v12s indicam que a execução
do Batista recém havia acontecido. Portanto, João estava no cativeiro durante mais de um ano. O
local era, como infor ma Flávio Josefo, a fortaleza de Maquero na Peréia meridional, a leste do mar
Morto. A fortaleza situava-se sobre um rochedo alto, cercada de profundos abismos por três lados.
Herodes o Grande, além disso, a havia reforçado artificialmente e construído um palácio na pequena
cidade que a cercava. A prisão para o Batista não deve ter sido dura demais, pois podia ter contato
com seus discípulos (cf. 11.2ss). Sim, de acordo com Marcos, o próprio Herodes gostava de
conversar com ele por causa de sua “justiça e santidade”, mantendo-o, por assim dizer, numa
detenção protetora contra Herodias, que guardava profunda mágoa contra ele desde aquela palavra
(Mc 6.19s). Esse comportamento e sentimento contraditório combinam com o soberano arrastado por
sensualidade e temores de um lado para outro, sem força de vontade e decisão, em contraposição ao
caráter forte e puro do Batista. Contudo, Herodias perseguia seu alvo com a determinação de uma
mulher magoada em sua ambição. E o “momento propício” chegou (Mc 6.21). Sua filha Salomé, do
seu primeiro marido, que naquele tempo devia ter um pouco menos de 20 anos, tinha de ajudar a
aproveitá-lo. No aniversário do soberano, festejado ao que parece em Maquero, ela surge de repente
diante da pomposa reunião festiva e executa diante dos olhos do rei e dos numerosos dignitários,
oficiais graduados e demais nobres do país (Mc 6.21) uma luxuriante dança solo. É verdade que isso
era algo incrível para o sentimento de decência grego e romano. Mas alcançou o objetivo. De tão
extasiado com a  visão da sua enteada dançarina, Herodes, sob juramento, lhe prometeu tudo, até
mesmo a metade de seu reino. “Instigada pela mãe”, Salomé pronuncia o terrível pedido: Dá-me
aqui, num prato, a cabeça de João Batista. Movido por um falso sentimento de honra,  Herodes
cede. Mateus narra o funesto e cruel acontecimento e relata, ainda, que os discípulos de João, depois
de sepultarem seu mestre, informaram esses fatos a Jesus, ao que ele decidiu retirar -se para um local
solitário.

13a  Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte;
João Batista tornara-se vítima de um carrasco. Desse modo, também com sua morte tornou -se
precursor de Cristo. Assim como as pessoas assassinaram o Batista, também farão mais t arde com o
próprio Messias. Por isso é compreensível que Jesus se sentisse impelido para a solidão  – para o
silêncio – quando recebeu a notícia do assassinato de João.
No entanto, seria injusto pensar que Jesus se retirou de Cafarnaum por medo. É que Jesus não se
afastou por eventuais perseguições de Herodes, mas porque procurava o recolhimento com seus
apóstolos. Provavelmente a notícia do assassinato de João Batista foi trazida a Jesus no mesmo
momento em que seus discípulos retornavam, a fim de acompanharem Jesus para o deserto(em Lucas
os discípulos retornam de seu envio e transmitem ao Mestre suas impressões). Essa notícia tornava
especialmente necessário que eles se devotassem ao silêncio. Certamente esse tempo de diálogo
íntimo era muito bem-vindo para o Senhor, pois estava sendo lembrado com singular intensidade da
proximidade de sua própria morte.
Os versículos seguintes nos mostram que a ida para o outro lado do lago também estava
subordinada a uma condução do alto.
Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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