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50 Jesus anda por sobre o mar, Mt 14.22-33

Jesus anda por sobre o mar, 14.22-33
(Mc 6.45-56; Jo 6.15-21)

22,23  Logo a seguir, compeliu Jesus os discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro 
lado, enquanto ele despedia as multidões. E, despedidas as  multidões, subiu ao monte, a fim de 
orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.

O v. 22 causa surpresa. Por que o Senhor insistiu tanto que os discípulos o deixassem
imediatamente após a alimentação dos cinco mil? Em outras ocasiões a presença dos  discípulos não
incomodou o Senhor quando despedia as multidões (cf. 13.36 e 15.39)! O relato do evangelista João
responde a essa pergunta, em 6.14s. Ali João conta que, após o milagre da multiplicação, as massas
queriam fazer de Jesus um rei. Como os discípulos sempre de novo traziam dentro de si, da mesma
maneira como o povo, a idéia de um Messias terreno, o Senhor tinha de temer que os discípulos
viessem a ser arrastados pelo turbilhão do entusiasmo popular. Por isso os pressiona para que partam.
Ele próprio retirou-se para o alto de um monte solitário, a fim de orar. A noite caiu, e o Senhor
permaneceu lá em oração, sozinho no alto do monte.
Entrementes, seus discípulos tiveram de lutar intensamente com tempestade e ondas. Estavam
bem no meio do lago! Sozinhos! Sem seu amado Mestre, pois ele os tinha afastado de si. Eles tinham
de seguir seu caminho pelo mar perigoso sem Jesus. Isto lhes era incompreensível e inconcebível.
Ele, seu amigo, seu guia em todas as horas, se despedira deles. Sozinhos os discípulos partiram de
noite pelo mar escuro. Em breve o barco está, em termos de distância, bem longe do Senhor.
Não é assim também a nossa situação? Também para nós Jesus é invisível. Será que não
poderíamos suportar melhor os sofrimentos da vida, se Deus fosse visível para nós, assim como são
visíveis nossa mãe, nosso amigo, nosso marido? Não. Quem segue a Cristo o faz porque crê e não
porque vê. Precisamos confiar num Senhor invisível!


24  Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o 
vento era contrário.
Está começando a aflição vinda de fora. O barco já estava no meio do mar, e eles sofriam sob a
força das ondas, porque o vento lhes era contrário. Jesus está muito longe, invisível. É agora que
começa o seu apuro. Eles são açoitados pelas ondas. E o vento é totalmente adverso. A dificuldade
aumenta. Cresce o perigo de serem tragados pelas ondas. Medo e pavor se apoderam dos discípulos
no meio do vasto mar na noite escura. – Novamente se confirma que aqueles que aceitaram Cristo em
seu coração não ficam isentos da dificuldade, do medo e da atribulação. Também eles entram em
situações de medo e apuro. A fé genuína sabe que o cristão participa do s temores e dos perigos
mortais desse mundo. É certo que Deus pode estender sua mão sobre seus filhos, pode protegê-los
quando sofrem doenças e passam perigos de vida, pode preservá-los milagrosamente quando passam
por fogo ou água, pode dar alimento e refrigério nos tempos de deserto na vida. Contudo, os cristãos
jamais podem deduzir dessas ações de Deus o  direito de que sua vida terrena transcorra sem
sofrimentos. Os cristãos sofrem como outros nas carências exteriores. Sofrem também em situações
de medo causadas por catástrofes naturais.


25,26  Na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os discípulos, 
ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, 
tomados de medo, gritaram.
Na quarta vigília da noite significa que durante as primeiras três vigílias os discípulos gritaram
dentro da noite, clamando por ajuda e socorro, mas que não se podia ver nenhuma ajuda ou salvação.
Jesus parecia ter esquecido os seus. Parecia não se importar mais com eles!
Diante do nosso apuro pessoal, Deus permanece calado por muito tempo, assim como diante de
todo esse terror e pavor. Isso significa  sofrimento interior! Vida cristã é vida interior repleta de
sofrimento, de lutas na alma, de lutas na fé.
Uma desgraça, porém, nunca vem sozinha. Pois no meio da apavorante tempestade noturna
aparece de repente um fantasma. Os discípulos se assustaram e gritaram de medo. O povo falava
que à meia noite apareciam fantasmas caminhando sobre o mar e arrastando os navegadores para as
profundezas. A partir daí se explica a expressão: “Tomados de medo, gritaram”.


27-33  Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! 
Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda -me ir ter contigo, por sobre as águas. E 
ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus. 
Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me, 
Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: Homem de pequena fé, 
por que duvidaste? Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o 
adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!

Enquanto Marcos e João contam somente o milagre de que Jesus caminhava sobre o mar e que o
barco aportou rapidamente, Mateus relata ainda um  segundo  milagre, a saber, que Pedro caminhou
sobre o mar. Caminhar como cristão é caminhar na fé, é caminhar sobre o mar. – A história nos
mostra, em diversos estágios, o que significa a caminhada da fé:
Crer significa encontrar e experimentar a Cristo em dificuldades e angústias. Na quarta vigília
da noite significa: No apuro máximo e extremo, o Senhor vem. Quando a angústia é maior, Deus
está mais perto. É o que os discípulos experimentam, é o que experimentam muitas vezes os que
crêem. Quando nenhuma saída se apresenta, aparece uma possibilidade de socorro. “Deus tem
sempre um caminho, não lhe faltarão os meios!” Os discípulos têm a experiência com Jesus. Eles
ouvem sua voz (v. 27): Sou eu! Cristo é e permanece sendo, na tempestade, na angústia, nas
circunstâncias da vida, o Senhor! Ele atravessa as ondas, pelo meio da dificuldade. Onde não o
esperamos, pelo ímpeto do vento e das ondas, chega aquele que é mais forte que todos os poderes
telúricos assustadores. Aquele que sofre, vê somente a dificuldade. O Senhor, porém, chega
justamente na dificuldade e diz: “Sou eu!” “O caminho de Deus está nos rios e nas chuvas, e você
não vês os seus passos. Assim também no mar da preocupação, Deus mantém o culto sua trilha, para
que tenhamos que buscá-lo.” Cristo diz: Tenham bom ânimo, não temam. O que significa crer?
Significa ver Cristo na aflição.
Crer significa ir até Cristo. Pedro clama em voz alta: Senhor, manda que eu vá até junto de ti,
por cima das águas (v. 28). Crer significa caminhar até Cristo.
Crer é um risco. Essa fé realmente é um risco: é um “ir-até-Cristo-por-cima-da-água”. Entretanto,
o sentido não é como talvez se diga acerca da fé, que ela seria um salto no escuro, arriscar -se dentro
da incerteza. Não, Deus não exige de nós que nos lancemos numa escuridão abissal. Pedro não
penetra em algo incerto. Seguindo a ordem de seu Senhor, ele caminha para o que há de mais seguro,
a saber, para o próprio Senhor. Pedro vai porque vê o Senhor parado na escuridão e porque ouve sua
ordem: Vem! Com isso ele vai e arrisca.
Crer é soltar-se, largar o barco, soltar-se do último apoio. Crer sempre é soltar-se. Deus retira as
seguranças às quais nos apegamos, muito mais que geralmente supomos. Talvez Deus tenha exigido
o mais difícil que a mão precisa largar, que nos dava apoio e segurança. Então surge sempre de novo
a pergunta, se estamos prontos para largar, porque Deus o quer, com uma  fé que se arrisca, e – andar
sobre a água.
Crer é olhar para Jesus. Quando Pedro olha para as ondas que o encobrem, começa a afundar.
Mas quando clama com fé: Senhor, ajuda-me, salva-me!, Jesus estende logo a mão e o segura e
ajuda. Jesus e Pedro sobem para o barco, e o vento se acalma. Ele tem poderes para que cesse a
tempestade estrondosa e se tranqüilize a confusão caótica das forças telúricas. A ele foi dada toda a
autoridade sobre o que é grande e o que é pequeno, sobre os corações humanos e sobre os povos, e
também sobre a natureza e seus elementos.
Todavia, talvez nem tudo se tranqüilize. Talvez o Senhor não o faça! Talvez por nossa causa!
Então, o mar continuará bramindo – porém ele não nos deixará afundar. Por isso somos dependentes
da fé, como Pedro. A profundeza pode continuar querendo nos tragar, a morte pode continuar  nos
ameaçando, forças podem nos atrair poderosamente para baixo, as ondas podem nos encobrir.
Contudo, Jesus está aí, ele socorre misericordiosamente, e nos segura. Crer é olhar para Jesus.
Crer é adorar. No v. 33 lemos: Não apenas Pedro, mas todos os outros no barco se prostraram
diante de Jesus e disseram: Tu és realmente o Filho de Deus!

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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