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52 Discussões com os líderes dos judeus, Mt 15.1-20

Discussões com os líderes dos judeus, Mt 15.1-20
(Mc 7.1-23)

1-9  Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram: Por que 
transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem. 
Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por 
causa da vossa tradição? Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem 
maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Mas vós dizeis: Se alguém disser a seu 
pai ou a sua mãe: É oferta ao Senhor aquilo que poderias aproveitar de mim; esse jamais 
honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa 
tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra -me com 
os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que 
são preceitos de homens.
Em Mc 7.1 lemos: “Os fariseus e alguns dos escribas, que vieram de Jerusalém”, portanto, que aos
fariseus que residiam na Galiléia reuniram-se fariseus vindos especialmente de Jerusalém para
auscultar Jesus. Ou seja, as personalidades de altos cargo s e com poder decisório da capital haviam
chegado apressadamente. Cada vez mais os líderes da capital se preocupavam com o grave problema:
”O que está acontecendo com esse Jesus de Nazaré?” – A acusação contra Jesus, que chegara à
suprema autoridade espiritual em Jerusalém era: “Os discípulos de Jesus transgridem as tradições,
isto é, as determinações dos rabinos e fariseus derivadas da lei mosaica dos antigos”. Constituía
grave transgressão não observar essas prescrições, que no tempo de Jesus ainda eram t ransmitidas
oralmente e que mais tarde foram anotadas em forma escrita no Talmude rabínico como preceitos
especiais. Essas prescrições eram tão severas que, segundo o Talmude, a pena para sua transgressão
podia ser até mesmo a exclusão (excomunhão). Ao lado da lei de Moisés (a  Torá) do AT vigorava em
Israel no tempo de Jesus, e até mesmo antes da atuação de Jesus, uma outra lei, com o mesmo peso
que a Escritura, que era a assim chamada legislação dos antigos, ou a tradição! Ao lado da Escritura,
os fariseus também tornaram os antigos seus líderes. Ou seja, aquilo que os principais mestres do
passado disseram para cada uma das palavras da Bíblia como explicação ou emenda, isso os pósteros
alçaram ao nível do próprio mandamento de Deus, que até devia ser colocado acima do
mandamento de Deus fixado na lei de Moisés e que tinha de ser cumprido sem exceção. A finalidade
dessas emendas e explicações era “fazer uma cerca em torno da Torá”, i. é, tornar totalmente
impossível, através dessas prescrições que excediam a lei de Moisés, a transgressão da lei
propriamente dita. Aos poucos, porém, essas “determinações dos antigos” se tornaram tão
importantes que no tempo posterior não eram mais consideradas como complemento da Torá, mas
conquistaram valor próprio, deslocando até a Bíblia. Isso é  parcialmente demonstrado por um dito do
Talmude, que afirma: “As palavras da Torá contêm coisas proibidas e permitidas, mandamentos
fáceis e difíceis, mas as palavras dos escribas são  todas difíceis!” (Ishmael).
Uma parte importante da tradição dos mais antigos tratava da lei da pureza, que consta de Lv 15.
A lei somente proibia comer coisas sagradas, i. é., oferendas sacrificadas, com mãos não lavadas. Os
escribas, porém, ordenavam lavar as mãos antes de qualquer refeição. No hebraico,  comer pão
eqüivale a  “tomar uma refeição”. O pão era considerado alimento principal, não apenas porque era
comido em cada refeição, mas também porque os demais alimentos eram enrolados em panquecas de
pão, já que não se usava facas e garfos.
Havia minuciosas e meticulosas prescrições que diziam como devia acontecer a lavagem das
mãos. Duas vezes tinha de ser derramada água sobre as mãos até os pulsos a partir de um recipiente
qualquer. Pois até os pulsos elas eram impuras. Para cada ablução estava prescrito um pouco mais de
um decilitro de água.
Na primeira ablução, porém, não podia ficar nada sobre a mão, como uma lasca de madeira ou
uma pedrinha. Pois assim aquela área, e assim a mão toda, teria permanecido impura.
Cuidados mais rigorosos eram exigidos na segunda ablução. Pois, como a primeira lavagem
purificava apenas as mãos, e como a segunda lavagem devia afastar das mãos simplesmente a água
da primeira ablução que tinha se tornado impura ela própria, facilmente podia ocorrer uma nova
contaminação. Além disso havia uma série de prescrições sobre a forma da vasilha, sobre a maneira
de derramar a água, sobre quantas pessoas podiam ser lavadas simultaneamente, quem era indicado
para derramar a água de forma válida etc. etc. Acontece que alguns dos discípulos haviam
transgredido algumas dessas determinações que, na opinião dos fariseus e escribas, eram  muito
importantes.
O fato de que a teologia farisaica estava sendo desrespeitada leva os representantes rabínicos a
perguntar: Por que os teus discípulos transgridem a tradição dos antigos? Porque não lavam as
mãos ao comerem pão. Jesus responde à pergunta dos adversários com uma contra-pergunta: Por
que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês? O sentido dessa
contra-pergunta é o seguinte: Jesus considera também os fariseus transgressores. E ele quer
expressar com toda a clareza que eles desrespeitam os mandamentos de Deus, o que, afinal, é bem
pior do que transgredir as leis dos antigos. Pior ainda é que, por causa de tradições humanas, eles
desprezavam os mandamentos de Deus. Para eles, como já dissemos, o mandamento de seres
humanos era mais importante que o mandamento de Deus.
Para Jesus vigora unicamente o “mandamento de Deus”. Nada mais. As tradições dos antigos são
ordens humanas e, por isso, não obrigatórias.
Visto que os escribas não aceitam como verdadeira a afirmação de que, com suas determinações
eles anulam os mandamentos de Deus, Jesus lhes passa a demonstrar num exemplo flagrante o
quanto os fariseus destroem a palavra de Deus por meio de sua teologia legislativa. Como exemplo,
Jesus cita o mandamento de honrar os pais. Jesus contrapõe diretamente o mandamento de Deus:
“Honrarás teu pai e tua mãe…” (Êx 20.12) e “será morto quem amaldiçoar os seus pais” (Êx 21.17),
e o estatuto humano: Um filho, que deveria sustentar os pais, podia ser absolvido desse compromisso
se fizesse uma promessa de doação em dinheiro, destinada ao templo (a doação para sustentar os pais
era chamada de korban, i. é, “bem dos pobres”).
As prescrições dos antigos expressam, portanto, que a oferta a Deus está acima da contribuição
para o sustento dos pais. Isso significa: a maldade dos filhos se apresenta travestida de religiosidade
especial. O filho diz na cara dos pais: “Vocês, pai e mãe, não receberão mais nada de mim para o
sustento!” Isso ainda é reforçado com um juramento.  – Os fariseus não chamam esse juramento de
ateu e nulo, mas de correto e até religioso. Afirmam: “O que prometeste, pertence a Deus”. Não é
mais necessário honrar os pais. A anulação do mandamento de honrar os pais é considerado até como
um extra especial de religiosidade, pois o sacrifício para o templo tomou o lugar do sustento dos pais.
Jesus designa essa atitude de hipocrisia. Ele estigmatiza o comportamento hipó crita e
profundamente pernicioso dos fariseus com as palavras do profeta Isaías (Is 29.13), que desafiou seus
contemporâneos com a poderosa palavra de arrependimento: “A religiosidade de vocês é culto com
os lábios, o coração de vocês se mantém longe de Deus. Mandamentos de pessoas são enaltecidos e
mandamentos de Deus são abandonados.”
Será que o comportamento acima descrito não constitui um perigo para qualquer pessoa
religiosa?
“Em clubes religiosos as pessoas têm um papel importante. Elas têm de correr  a todas as
promoções religiosas. Usam um palavreado piedoso. Viajam por terra e mar para conseguir um
prosélito (Mt 23.15), e esquecem os deveres naturais, ordenados por Deus, no lar e na profissão,
negligenciam o cuidado das crianças e dos doentes. Essa ação exige renúncia de si próprio, aquela
edifica e cultiva o eu, o eu religioso!” (J. Lohmann).
A severa palavra da “hipocrisia” atinge os fariseus no mais íntimo. Até então, ninguém tinha
ousado tanto, designá-los – os representantes da mais alta autoridade religiosa de Jerusalém – de
“hipócritas”. Isso era inédito. Por isso ele tinha de ser punido.  O v. 12 nos informa que os escribas
ficaram irritados!


10,11  E, tendo convocado a multidão, lhes disse: Ouvi e entendei: não é o que entra pela boca o 
que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem.



O Senhor não se contenta em ter feito os fariseus calarem, mas convoca o povo (que se havia
afastado respeitosamente diante dos altos dignitários de Jerusalém) e, com auxílio de uma parábola,
lhe apresenta o contraste entre a verdadeira pureza do coração e a mera limpeza ext erior das mãos.
Na boca entra o alimento – sai dela a palavra. – Não o que comemos, mas o que dizemos é que traz
sofrimento e pecado. O que é natural, o que nos alimenta, nos faz crescer e mantém a nossa saúde,
não é um veneno perigoso que nos torna impuros. Pelo contrário, o veneno imundo que nos traz
sofrimento e nos oprime e pode nos fazer tropeçar vem de dentro de nós e brota de nós através das
nossas palavras. Somente isso nos torna impuros e feios e nos leva a agir contra Deus. Ou seja, não é
o comer  mas o falar que torna impuro (cf. Tg 3, sobre a língua).



12-14  Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua 
palavra, se escandalizaram? Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não 
plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, 
cairão ambos no barranco.


Antes de o Senhor chegar a instruir os discípulos num círculo mais restrito, eles lhe dizem,
aproximando-se: Sabes que os fariseus ficaram incomodados? O procedimento de Jesus pareceu-lhes quase duro demais. Afinal, assim não se pode tratar os representantes da maior autoridade
espiritual da capital, escandalizando-os! A boa educação e o tato o impedem. Os pecadores e
publicanos o Senhor havia tratado com tanta delicadeza, mas com que dureza trata os  líderes
espirituais de seu povo! Justamente as regras de como lavar as mãos eram extremamente importantes
para os fariseus e os israelitas em geral. Suas sentenças sobre a ablução das mãos eram, p.  ex.:
“Quem despreza a lavagem das mãos, será arrancado da terra. Quem come pão sem lavar as mãos, é
um pecador…”
Jesus contrapõe a parábola da plantação às preocupações dos discípulos de que ele poderia ter
tratado com demasiado rigor os fariseus e escribas . Ele diz: Toda plantação que meu Pai celestial
não plantou será arrancada com a raiz. Deixem-nos! São cegos guiando cegos… Com a
plantação, Jesus se refere aos próprios fariseus, não apenas às suas determinações e tradições. Os
fariseus e suas ordens são comparáveis a uma plantação que o Pai celeste não plantou e que, por isso,
precisa ser extirpada! Eles acham que são pessoas que vêem – e na verdade não são apenas cegos
pessoalmente, mas também guias cegos de pessoas cegas. O fim terrível será que ambos cairão no
buraco, o guia e o guiado. Deixem-nos cair!
O Senhor nunca havia se pronunciado com tanta nitidez como agora, distanciando-se dos líderes
espirituais e representantes da teologia legislativa oficial.
A figura da plantação de vinhedos é corrente no AT e no NT. O ato de arrancar lembra a parábola
do joio (13.30). Em mais uma oportunidade somos confrontados com toda a seriedade da figura da
plantação (de videiras), em Jo 15.1ss. Lá a advertência séria de Jesus dirige-se aos próprios
discípulos. Portanto, nem mesmo “ser discípulo”, ser convertido, constitui uma  garantia para a
salvação eterna. Unicamente a circunstância de permanecer e trazer frutos e perseverar até o fim, é
que traz em si a dádiva da graça: ”Não a largada, mas a chegada coroa a corr ida do cristão”.
A João Batista, detido no cárcere, Jesus pedira que não se escandalizasse com ele, o Senhor.
Contudo, quando os fariseus se escandalizaram com ele (v. 12), Jesus diz: Assim está bem. Isto
constitui um sinal da condenação justa de Deus. Pois o que os fariseus engenhosamente elaboraram
como preceitos, em última análise servia à sua própria justiça, à sua necessidade de afirmação. Esse
engrandecimento do ser humano não provém de Deus, não é plantação dele, mas  cresceu por si, é
erva daninha, que será exterminada com raiz e tudo. Com profunda dor Jesus olha para o povo de
Israel e seus líderes. A condenação de Deus é que ele dá guias cegos ao povo que sempre de novo o
renegou, guias cegos que conduzem a si próprios e ao povo à perdição.
Por isso os discípulos devem desligar-se dos líderes e de sua teologia legislativa farisaica e seguir
unicamente ao Senhor. Porque Jesus foi outorgado e plantado por Deus como a planta certa. Ele é o
que vê verdadeiramente, e que abre os olhos daqueles que o segue m! Glória e vida serão o resultado
final.



15-20  Então, lhe disse Pedro: explica-nos a parábola (sobre aquilo que entra na boca). Jesus, 
porém, disse: Também vós não entendeis ainda? Não compreendeis que tudo o que entra pela 
boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? Mas o que sai da boca vem do 
coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, 
homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas 
que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina.


Pedro pede ao Senhor que explique a parábola. Ele não se refere às parábolas dos guias de cegos
nem da plantação que Deus aniquilará, mas à afirmação de Jesus sobre o que entra pela boca ou o
que sai dela! Os discípulos eram da opinião de que esse dito era uma parábola. Com essa opinião
também indicavam que não tinham entendido o Senhor.
Os alimentos não contaminam, porque vão para o estômago, e a digestão separa o que não é útil.
Portanto, pela ordem natural da vida física, foi providenciado que aquilo que não serve para o corpo
seja novamente expelido dele. Contudo, os maus  pensamentos que estão no coração – as palavras
más comprovam que o coração está corrompido! – não saem pela ordem natural. Pelo contrário, nós
os levamos conosco como nossa propriedade interior. Os maus pensamentos, mencionados por Jesus
no v. 19, designam, consecutivamente, o 5º, 6º, 7º e 8º Mandamentos.  Por fim é citada a blasfêmia
(cf. 12.31s). Com essa última palavra Jesus lembra o primeiro mandamento. Na verdade,
continuamente Jesus está falando desse primeiro mandamento (cf. Mt 4.1s; 5.33s,45,48; 6.1 -18,
especialmente os v. 9s; 6.19-33; 19.21s; 22.15-22,37s etc.).
A exteriorização do pensamento é a palavra. Jesus considera iguais o pensamento e a palavra. Isso
é psicologia bíblica. Na palavra é trazida à luz o mais profundo pensar e querer do coração. “No
pensamento do coração e no falar da boca já est á contida toda a ação do ser humano” (Mt 5.22-37;
12.34-37).
O que está sendo afirmado nos v. 15-19 atinge não apenas a tradição dos judeus, mas também a
própria legislação de Moisés. Estamos diante da mesma questão como antes de uma prédica e como
em 19.1s.
Jesus suspende totalmente a lei, para que seja cumprida da maneira mais integral e profunda (Veja
comentário ao sermão do Monte, cap. 5–7).

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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