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54 O destino de sofrimento do Filho do Homem e de Elias, Mc 9.11-13

O destino de sofrimento do Filho do Homem e de Elias, Mc 9.11-13
(Mt 17.10-13)

11-13 E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, ele lhes disse: Elias, vindo primeiro, restaurará todas as coisas; como, pois, está 
escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito e será aviltado? Eu, porém, vos digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito.

Observação preliminar
Contexto. Os evangelistas conseguem passar para um novo evento sem mencionar com uma só palavra a
mudança de lugar e de ocasião. Este parece ser o caso aqui. Marcos insere um diálogo que Jesus teve não com
os três confidentes mas com todos os discípulos (como está em Mt 17.10). Lucas reconheceu a inserção e a
deixou fora. Por outro lado, este diálogo combina com o conteúdo do quadro, pois desde o v. 31 o mistério do
sofrimento do Filho do Homem é o assunto central. Elias também acabara de ser citado no v. 5.
     11     E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas. Apesar da voz do céu no v. 7, eles ainda
não prestam atenção no que Jesus diz, neste caso em seu ensino sobre o sofrimento a partir do v. 31,
antes, enredam-se nos argumentos dos professores da lei (cf. antes 2.16; 3.22,30). Aqui a lógica deles
é a seguinte: Jesus não pode ser o personagem salvador decisivo, porque este devia ter seu precursor:
é necessário que Elias venha primeiro (opr 2 a 6.14-16). Este “é necessário” enfatiza como no v.
31 um curso de ação baseado na Escritura. O próprio Deus está por trás, e Jesus estaria indo contra
Deus pois, segundo a Escritura, não há Messias sem Elias. Acima de tudo concluía-se da expectativa
judaica pela vinda de Elias que o Messias é meramente um personagem glorioso. Elias é quem
“restauraria todas as coisas”, ou seja, traria uma melhora abrangente de todas as circunstâncias.
Depois disto, o Messias não teria por que sofrer. Desta perspectiva não nos admira que os ensinos de
Jesus eram difíceis de entender para os discípulos, já que Jesus falava cada vez mais que era
necessário que ele sofresse.
     12     Primeiro Jesus confirma a validade da palavra profética de Ml 3.23,24: Então, ele lhes disse: Elias,
vindo primeiro, restaurará todas as coisas. Mas depois é o próprio Jesus quem apresenta a
contradição que resulta disto: como, pois, está escrito sobre o Filho do Homem que sofrerá muito
e será aviltado? (cf. v. 31). Os atos de Elias não tornam desnecessários os sofrimentos do Messias?
Como harmonizar um texto bíblico com outro?
     13     Eu, porém, vos digo. Como intérprete autorizado (cf. 1.22), Jesus corta o nó e encaminha o
problema para a solução: Elias já veio. Com isto Jesus tira o véu do que acontecera nos últimos
tempos na Palestina. No movimento de batismos no Jordão, Israel já tivera seu “Elias”. Os discípulos
entenderam, com base em Mt 17.13; cf. 11.14, que a referência era a João Batista. Esta definição de
quem era João certamente era alarmante. Se o precursor já viera, então eles estavam em plena época
messiânica.
Ao mesmo tempo Jesus enriquece a idéia que o judaísmo fazia de Elias, a partir da Escritura: e
fizeram com ele tudo o que quiseram, como a seu respeito está escrito. Apesar de se ocuparem
em grande escala com a profecia de Elias, coisas essenciais tinham escapado aos judeus. Segundo a
Escritura, Elias nem era alguém que convertia as multidões, de modo irresistível e mágico. Também,
qual a valia de tal conversão! Elias – e Deus por meio dele – deixava um amplo espaço para decisões.
Este espaço foi mal usado, e Elias teve de sofrer as conseqüências deste “espaço”. Acabe e Jezabel
perseguiram o profeta com todos os meios (1Rs 17–21). Fizeram com ele tudo o que quiseram é
uma expressão básica em Daniel e lá pertence ao quadro da soberania anti-cristã e oposta a Deus –
aparentemente sem limites, atuante em todos os lugares, sem concorrência e com sucesso assombroso
(Dn 5.19; 8.4,7; 11.3,16,36).
João, então, viera “no espírito e poder de Elias” (Lc 1.17). Neste caso, quem eram “estes” que
responderam como quiseram ao seu chamado à conversão? Certamente também Herodes e Herodias,
pois em 6.14-29 pode-se reconhecer certa comparação deste casal real com Acabe e Jezabel.
Principalmente, porém, devemos pensar na oposição dos professores da lei. Ao mesmo tempo que
João Batista pôde restaurar o povo espiritualmente (Lc 3.10-21), os seus representantes lhe
impuseram uma derrota (Mc 11.31; Lc 7.30; 11.52). O casal real só serviu de atendente de execução
(3.6).
Este fracasso de João Batista, no entanto, não contradiz seu papel de Elias; pela Escritura, é isto
que tinha de acontecer. Portanto, não há mais Elias para esperar. O tempo messiânico chegara. E o
Messias que ia em direção ao seu sofrimento, que estava ligado diretamente ao do seu precursor,
estava bem no meio dos discípulos.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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