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55 A segunda multiplicação de pães e peixes, Mt 15.32-39


A segunda multiplicação de pães e peixes, Mt 15.32-39
(Mc 8.1-10; Jo 6.1-13)

32-39 E, chamando Jesus os seus discípulos, disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três 
dias que permanece comigo e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para 
que não desfaleça pelo caminho. Mas os discípulos lhe disseram: Onde haverá neste deserto tantos pães para fartar tão grande multidão? Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete e alguns peixinhos. Então, tendo mandado o povo assentar-se no chão, tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo. Todos comeram e se fartaram; e, do que sobejou, recolheram sete cestos cheios. Ora, os que comeram eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças. E, tendo despedido as multidões, entrou Jesus no barco e foi para o território de Magadã.
Inicialmente teceremos uma breve observação diante da afirmação que seguidamente é feita pela
teologia crítica, qual seja: Os quatro evangelistas fizeram de  um milagre dois milagres de
multiplicação dos pães. Na realidade, porém, teria havido somente um milagre de alimentação.
Passamos a dar um esboço dos dois milagres. Esse esquema evidenciará como eram  diferentes, em
todos os sentidos, o local, a hora, o número das pessoas e o número dos pães e  peixes.
Acreditamos que, para qualquer leitor, esse esquema evidencia que temos, nos evangelhos, dois
relatos – a alimentação dos cinco mil e a dos quatro mil. Com exceção do ponto em que Mateus
relata que Jesus foi de barco até a montanha de Magadã, enqua nto Marcos informa que ele se dirigiu
para Dalmanuta, o relato B é totalmente coeso. Com exceção do ponto insignificante de que A e B
não citam nomes, esses dois milagres de alimentação não possuem nenhuma relação entre si! Isso
nos obriga a concluir: Durante sua atividade, Jesus realizou dois  milagres de multiplicação de pães.
Mais peculiar é o relato de João, pois apresenta relações com ambos os milagres de alimentação.
Ele traz o relato B à nossa memória por meio de um aspecto essencial, qual seja, que Jesus pergunta
pelo conselho dos discípulos. A solicitação de A: “Dêem-lhes vocês mesmos de comer”, é lembrada
pelo traço de que Jesus “experimenta” o seu discípulo Filipe. A igualdade com A é apontada pela
coincidência dos números indicados (5.000 pessoas, 5 pães e 2 peixes, 12 cestos) e que Jesus depois
anda sobre o mar na tempestade.


A solução da questão deve ser encontrada no sentido de que o relato de João pertence a A. Pois
onde A e João divergem, trata-se, na verdade, de detalhes complementares.
Jesus Cristo levou a sério a questão do pão. Ele próprio experimentou uma vez a verdade  da
palavra da Torá “O homem não vive somente do pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”
(Dt 8.3), quando teve fome após 40 dias e 40 noites de jejum (Mt 4.3s). Exatamente a história da
tentação comprova a relação recíproca entre  pão e palavra de Deus, entre ter fome e tentação (cf. Êx
16.3; 17.1s; 1Rs 17.16). Singularmente, na história da tentação de Elias defrontamo -nos com a nítida
verdade de que às vezes a questão do pão é a primeira questão – não em termos de valor, mas de
premência. Primeiro é preciso comer e beber antes de ter condições de caminhar até o monte Horebe,
o local do encontro com Deus (cf. 1Rs 19.1ss). Nós, seres humanos, afinal, em nossa experiência
espiritual, também dependemos da constituição do nosso corpo. Essa talvez seja a  mais forte
expressão da verdade de que temos nosso tesouro em vasos de barro.
Jesus ajuda! Ele leva a questão do pão tão a sério quanto a questão de Deus. Então, alimenta as
milhares de pessoas. O Filho de Deus ora e agradece pelo pão. Ele atesta, desse modo, que o Deus
que nos deu o pão celestial na pessoa de seu Filho também nos quer dar o pão físico: “Todos esperam
de ti que lhes dês a comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de
bens” (Sl 104.27s; cf. v. 13s; Mt 6.11; Is 33.16; 2Ts 3.12). A questão do pão também é uma questão
de fé.
Jesus disse: Tenho compaixão dessa gente. Enquanto os discípulos ainda estão ocupados consigo
próprios e, talvez, com o que Jesus lhes dissera sobre o reino de Deus, Jesus olha ao seu redor. O
olhar sobre a grande multidão de pessoas é um olhar de compaixão! Não constitui um sinal de sua
natureza humana que Jesus também vê a necessidade física dessa multidão, mas sim um sinal de sua
divindade. Ele realiza o milagre da multiplicação do pão como sinal de que ele é “de natureza
divina”. Pois os milagres de Deus acontecem por amor!
Para realizar o milagre, porém, o Senhor demanda a colaboração de seus discípulos.
Ele, que mais tarde dirá: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5), tampouco quer fazer algo sem os
seus discípulos. O Cristo exaltado está ligado de modo singular à sua comunidade, assim como a
cabeça está ligada ao corpo (Efésios).
No entanto, não queremos esquecer que não somos mais que servos inúteis, e continuaremos
sendo. Quando Deus convida à mesa, nós somos os servos. O cristão não é fazedor de milagres. Até
mesmo os apóstolos realizaram os milagres “em nome de Jesus cristo” (cf. At 3.6,16; 4.10; 16.18;
9.13-17). “Concede aos teus servos que anunciem com toda intrepidez a tua palavra, e estende a tua
palavra, para que aconteçam curas, sinais e prodígios, por intermédio do nome do teu santo  Servo
Jesus” (At 4.29b,30). Deus ainda hoje é um Deus que realiza milagres. Usa, para tal, somente a nossa
mão, em Cristo (cf. At 5.12; 1Tm 4.14; 2Tm 1.6; Mc 7.18s; Tg 5.14s; Lc 10.9).
Graças ao relato do milagre da alimentação dos cinco mil, fazemos uma segunda descoberta: Jesus
Cristo se contenta com pouco!
O olhar para baixo mostra a impotência do ser humano. O olhar para cima revela a força do
Onipotente, para o qual é fácil transformar o pouco em muito (cf. 1Sm 14.6). Justamente o pouco
recebe na Bíblia uma promessa especial (cf. Pv 15.16; 16.8; Tob 4.9; Mt 25.21; Lc 21.1 -4; Mc 12.41-44). Não nas panelas de carne do Egito, mas no deserto foram manifestos os milagres de Deus ao
povo de Deus. Num piscar de olhos uma pequena porção pode ser suficiente, co m os estoques dele,
para alimentar quatro mil homens. Depende somente da perspectiva: para baixo ou para cima! “Elevo
os olhos para os montes, de onde me virá o socorro. O meu socorro vem do Senhor que fez os céus e
a terra” (Sl 121.1ss; cf. 2Co 4.18; Hb 11.27).
A terceira descoberta está em que o milagre da multiplicação do pão acontece sob a oração de
gratidão de Jesus. Nessa oração está contida inicialmente a gratidão por essas poucas dádivas que
Jesus tem nas mãos! As palavras atestam uma elevada confis são de humildade diante do doador de
todas as boas dádivas (Tg 1.17; Ef 4.8; 1Co 1.7; Jr 31.14). Sem o Pai celeste Jesus não queria realizar
nada (Jo 15.9). Na oração de gratidão pelo pouco, o cristão declara sua total dependência de Cristo.
Esse testemunho de humildade não está contido na oração de preces exigentes, mas sim na modesta
ação de graças. A oração de gratidão de Jesus, porém, não é feita somente referente ao presente, mas
também ao que é futuro. Ele agradece de antemão! O ânimo elevado da fé ar risca-se a usar essa
elevada linguagem de oração.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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