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57 O fermento dos fariseus e dos saduceus, Mt 16.5-12

O fermento dos fariseus e dos saduceus, Mt 16.5-12

5-12 Ora, tendo os discípulos passado para o outro lado, esqueceram-se de levar pão. E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. Eles, porém, discorriam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão. Percebendo-o Jesus, disse: Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão? Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens e de quantos cestos tomastes? Nem dos sete pães para os quatro mil e de quantos cestos tomastes? Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.
Provavelmente Jesus se retirou tão rapidamente para o lugar sossegado que não houve mais tempo
para comprar pão. Todavia, Jesus não está pensando na compra de pão. Seus pensamentos ainda
estão totalmente ocupados com os fariseus e os saduceus. Por isso ele diz aos discípulos:  Cuidem-se
e previnam-se contra o fermento dos fariseus. Com essas palavras Jesus está se referindo a todo o
modo de pensar dos fariseus e saduceus. Os discípulos ainda não reconhecem plenamente o perigo
que os ameaça da parte dos inimigos de Jesus. Os discípulos tinham cumprido a religiosidade
farisaica desde os tempos de criança e ela lhes fora ensina como a  espiritualidade correta. Jesus
chama a atenção deles para como é perigoso aceitar e adotar a visão doutrinária dos fariseus.
Acontece como no caso do fermento. Assim como a força de penetração do fermento perpassa tudo,
também o modo de pensar dos inimigos se apodera do coração todo e contamina o espírito, a alma e
o corpo. Por essa razão os discípulos necessitam ser seriamente prevenidos.
O diálogo, porém, revelou que eles entenderam completamente errado o seu Senhor. Eles
achavam que, ao falar do fermento dos fariseus, o Senhor estaria pensando na momentânea falta de
pão. O Senhor os censura pela sua pouca fé e os remete àqueles milagres de  multiplicação de pães
no deserto, como no cap. 15 foi relatado que ele alimentou quatro mil e no cap. 14, cinco mil, ou
seja, como eles puderam presenciar duas vezes a maravilhosa solução da preocupação pelo pão.
No v. 12 Mateus informa que os discípulos entenderam a palavra de comparação sobre o fermento
dos fariseus e saduceus. Reconheceram que Jesus queria prevenir os discípulos quanto à
compreensão totalmente errada da religiosidade legalista (cf. sobre isso o sermão do Monte,
especialmente 5.20 e outras passagens) bem como quanto à cosmovisão dos saduceus. Mateus
considera como fermento dos fariseus particularmente a  concepção doutrinária, Lucas considera
mais a hipocrisia deles (12.1) e Marcos provavelmente mais o ódio dos fariseus e de Herodes (8.15)
contra Jesus.
Dito à margem, esse trecho de Mateus (v. 8-11) é uma nova prova em favor da autenticidade dos
dois relatos de multiplicação de pães. Portanto, não é possível falar de uma  mistura dos dois relatos,
nem dizer que houve apenas um  milagre. Jesus diferencia com exatidão a alimentação dos cinco mil
da dos quatro mil, e ainda os cinco pães para alimentar os cinco mil e os sete pães com que saciou os
quatro mil. A palavra de Jesus, afinal, é determinante! (cf. sobre isso o quadro depois dos v. 32 -39.)
Outro aspecto: Para o termo cestos são usadas duas expressões diferentes nos dois milagres. Na
história dos cinco mil a palavra grega para cesto é kóphinos (4.20). A mesma palavra kóphinos para
cesto também é repetida por Jesus quando menciona a alimentação dos cinco mil em Mt 16.9. No
milagre da alimentação dos quatro mil está, para cesto, em grego: spyris (15.37). O mesmo termo
spyris é também repetido por Jesus quando fala dos quatro mil em 16.10.
Kóphinos é um grande cesto de carga; spyris é um pequeno cesto para alimentos. Portanto, o
primeiro milagre de alimentação foi maior que o segundo, tanto em relação ao número de pessoas
saciadas quanto em relação à quantidade de pão que restou.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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