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59 Jesus prediz a sua morte e ressurreição, Mt 16.21-28

Jesus prediz a sua morte e ressurreição, Mt 16.21-28
(Mc 8.31–9.1; Lc 9.22-27)

21-28 Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a vida (a sua alma) por minha causa vai achá-la. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua alma? Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras. Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino.
Por três vezes o Senhor anunciou de forma especial sua paixão aos discípulos. O primeiro anúncio
mencionou seu sofrimento e sua morte de modo genérico. O segundo (Mt 17.22) acrescenta que ele
será entregue nas mãos dos pecadores, e finalmente o terceiro (Mt 20.17) fala dos açoites e da
crucificação.
O primeiro sermão da Paixão começa com as palavras a partir de então. Elas significam: a partir
da hora em que Pedro tinha dado o testemunho ”Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Depois dessa
palavra maiúscula de Pedro, dita também em nome dos demais discípulos, o Senhor pode começar a
revelar o grande segredo de sua cruz. Com incomparável nitidez Jesus vê os acontecimentos vindo
em sua direção. Ele vê a cruz e caminha em direção a ela. Já no começo do evangelho de João
[2.19,21] lemos: “Jesus respondeu e disse-lhes: Destruam esse santuário, e em três dias o
reconstruirei. […] Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo.” E em Jo 3.14 ele declara:
“Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, é preciso que o Filho do Homem seja
levantado…” Já está diante dele próprio, portanto, no início de sua atividade, o  “olhar para a cruz”.
Cabe agora introduzir os discípulos nesse mistério extraordinário, desvendá-lo. Em Jerusalém sua
trajetória terrena chegará ao alvo. Em Jerusalém se cumprirão início e fim, a saber, o fim de sua vida
na terra e o começo de sua vida de Ressuscitado, o fim da antiga aliança e o início da nova aliança, o
fim da sinagoga, o início da comunidade.
Essa transformação do antigo em algo novo realiza-se, primeiro, pelo povo eleito. Acontece, em
segundo lugar, pelo mais execrável acontecimento, a  saber, quando Jesus será amaldiçoado, expulso,
crucificado, pendurado no madeiro da vergonha e da maldição.
A reação dos discípulos foi pavor súbito e perplexidade. Muitas vezes tinham visto uma cruz, pois
os romanos eram sumários com os rebeldes do movimento de libertação. Sem delongas, tais
agitadores eram pendurados à beira da estrada. Para os judeus a visão de uma pessoa assim executada
era ainda mais horrível porque a lei de Moisés declarava: Uma pessoa enforcada é maldita perante
Deus (Dt 21.23).
A partir desse fundo histórico, as palavras de Jesus sobre seu sofrimento e morte como crucificado
possuem peso dobrado.
É humanamente compreensível que Pedro, todo apavorado, se torna porta-voz dos discípulos e
leva Jesus para o lado (v. 22), para falar com ele em particular, a fim de implorar, de insistir que
jamais isso poderá acontecer.
O episódio que está diante de nós contém dois aspectos: Ouvimos primeiramente o “não” de
Pedro, e em segundo lugar, o “sim” do Senhor para a cruz.
•  O mesmo homem que há pouco fora chamado de “rocha” por causa de sua confissão, assusta-se ao ouvir a notícia da cruz. Por que Pedro se assusta?
Ele se espanta com o que é totalmente inconcebível nessa pregação da Paixão. Esse será o fim da
história? O fim de seu melhor amigo, de seu Senhor e Mestre, que somente realizou incessantemente
o bem, que sem descanso e sem pausa andou pela região ajudando da manhã à noite, que se
sacrificou pelos outros, renunciando a todas as comodidades, que sempre de novo se preocupou com
os sofredores, amando e consolando sem igual – este será agora enforcado à beira do caminho? Além
disso, ele seria morto traiçoeiramente não por assaltantes e criminosos, ou por pagãos, mas pelos
mais elevados e respeitados representantes do povo eleito, pelos anciãos, sumo sacerdotes e escribas?
Não, isso é impossível, isso Deus não pode permitir!
Pedro se assusta com o próprio Jesus. Se Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, como Pedro acaba
de confessar, então um fim desses é totalmente impossível, porque não seria digno do Filho de Deus.
Sempre de novo o Senhor tinha realizado milagres poderosos, e agora ele acabaria impotente,
indefeso e difamado, pendurado na forca?
Pedro se assusta com Deus. Se Deus é Deus, deve acontecer o seguinte: A justiça de Deus castiga
o culpado, o gentio, mas não o inocente e justo, e muito menos o próprio Filho de Deus. Se Deus for
amor, um fim desses seria um tapa na cara, uma bofetada na natureza de Deus.
Pedro se assusta com o futuro. Que será depois de um fim desses, que teria de colocar em dúvida a
obra de Jesus? Há pouco Jesus ainda enalteceu a indestrutibilidade de sua comunidade, e agora ele, o
Senhor da comunidade, teria de desaparecer de modo ultrajante?
Compreendemos o susto profundo de Pedro e dos outros discípulos.
Esse espanto diante da morte de Jesus continuou existindo. Paulo diz duas vezes em 1Co 1: “A
linguagem da madeira maldita é um escândalo para os judeus e loucura, tolic e, para os gregos”. E
poucos versículos adiante diz: “Mas nós pregamos um Messias crucificado, estorvo para os judeus e
tolice para os gregos”. Ainda hoje esse fim incompreensível de Jesus torna -se sempre de novo um
tropeço e escândalo. Pergunta-se como um condenado, enforcado numa cruz vergonhosa, pode trazer
salvação eterna? É muito compreensível que Pedro se apavorou. Entendemos muito bem o conselho
bem-intencionado de Pedro de que Jesus não se encaminhasse para uma morte dessas.
•  Ao “não” de Pedro para a cruz segue, porém, o imutável “sim” do Senhor para ela. O conselho
assustado e bem-intencionado de Pedro obtém a mais radical negativa de Jesus. Jesus diz: “Ande
atrás de mim e não contra mim”. O Pedro que, na sua boa intenção, se projetava na frent e, é
posicionado atrás. O Pedro que deixara de seguir Jesus é levado de volta a segui-lo. Ao próprio
Satanás Jesus diz na história da tentação (Mt 4.10): “Retira-te, Satanás!” A Pedro ele diz:
Afasta-te! Para trás de mim! O termo Satanás, dito a Pedro, é uma palavra muito dura de
Jesus. A mesma boca de Pedro, à qual há pouco fora dado por Deus o testemunho do Cristo,
torna-se voz do tentador. “Satanás” significa: Você está no meu caminho, você é adversário de
Deus. Ainda que humanamente tenha boas intenções, mesmo assim você é o inimigo.
Nos dias atuais, continua em vigor a frase: Quando o cristão não olha inteiramente para Deus, ele
freqüentemente promove, com suas melhores intenções, a causa do maligno. Ponderações humanas
muitas vezes são de natureza anti-divina, e Satanás faz uso de pensamentos humanos dos filhos de
Deus. Contudo, o “sim” de Jesus para a cruz permanece inabalável.
Jesus encerra seu primeiro sermão de Paixão com uma palavra profética (v. 24):  Se alguém quer
me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e venha. A palavra “quer” representa decisão
séria. “Renuncie a si mesmo” significa: “negue a si mesmo”, rejeite -se a si próprio. Negar-se a si
mesmo significa cassar o direito de existir do nosso “eu” melindroso, autoritário e teimoso. Significa
cortar e negar a esse “eu” tudo o que não combina com as exigências de Jesus.
Jesus diz: Tome sua cruz. Era costume entre os romanos que o condenado à morte tinha de
carregar pessoalmente o meio de sua execução até o lugar do suplício. Tomar sua cruz sobre si quer
dizer: tomar firme e decididamente na mão o meio de execução do seu próprio “eu”. Cada um tem
sua cruz particular, ordenada por Deus, que significa para ele a morte. Um foi colocado por Deus
junto com parentes, vizinhos ou colegas que significam a morte do “eu” dele. A ou tro Deus deu um
trabalho com dificuldades que significam a morte para seu “eu”. Ao terceiro Deus concedeu
necessidades físicas que o incomodam diariamente. Ao quarto Deus deu superiores injustos, ao
quinto subordinados rebeldes. Tudo é, na ótica de Deus, meio de executar o nosso “eu”. É ordenado
por Deus e constitui sinal de seu amor. É plano dele, no qual nada pode ser avaliado como negativo,
mas tudo somente como positivo. É da seguinte maneira que temos de entender a palavra: “Tome sua
cruz […] e siga-me”, i. é, com o olhar interior observe atentamente a vida terrena do seu Mestre.
Martin Kähler afirma: “A passagem do Senhor Jesus pela Galiléia era acompanhada de uma luta
vitoriosa contra todos os males que oprimiam os que dele se aproximavam, inclusive contra a
senhora de tudo, a morte. Eles lhe atestavam: „Ele fez maravilhosamente bem todas as coisas‟. Essa
luta humanitária contra o sofrimento do mundo dos homens é um sinal pelo qual Jesus se identifica
como o Filho de Deus perante todo o mundo.
“No entanto, aos que aceitam seu chamado para o seguirem ele misericordiosamente tira a ilusão
de que ele lhes traria a confortável libertação de todos os males, para que esse mundo lhes fosse
aconchegante. Seu caminho leva para a cruz. Aquele que ajudou outros de mil maneiras, não podia
nem queria ajudar a si próprio no caminho que lhe estava prescrito em nosso favor. Carregou e
suportou a cruz, sob a qual e na qual desfaleceu.
“Na porta de entrada do caminho atrás dele, Jesus ergue para cada um de nós a sua cruz.  Com isso
ele nos presenteia com um precioso privilégio. Tudo o que  dificulta minha trajetória de cristão, as
pressões e inibições, as dificuldades pessoais e a mágoa que corrói as entranhas, vindas de minha
vida antiga, do meu próximo ou das minhas condições de vida, tudo isso eu posso considerar como a
cruz que cabe a mim, se eu, olhando para o que carrega a cruz do Gólgota,  permitir que me sirva
para superar a falta de fé e o pecado. Andarei nas pegadas dele, que estão anotadas para nós nos
evangelhos.”
Em lugar da vida, Jesus traz a morte, a morte mais dolorosa e amarga, porém não uma morte
qualquer, e sim a morte do “eu”. Todavia, essa morte do “eu” autoritário e teimoso é o único
caminho para a vida, para a vida verdadeira.
Jesus continua falando, na mais paradoxal radicalização e com a mais inaudita nitidez:


25  Quem quiser salvar a sua vida (a sua alma) vai perdê-la; e quem perder a vida (a sua alma) 
por minha causa vai achá-la.



Dos túmulos do “eu” ressurge para os discípulos e também para nós a vida. Entretanto, querer
ficar vivo gera a morte. Egoísmo sempre leva à perda de Deus. Todavia, buscar a Deus e ansiar por
ele conduz à morte do “eu” pecador.
O sentido da vida somente se revela no lugar e na hora em que aparece a morte de tudo o que
temos de nosso.


26  Pois que aproveitará o homem (o que o homem teria alcançado) se ganhar o mundo inteiro e 
perder a sua vida (ser prejudicado na sua alma)? Ou que dará o homem em troca da sua alma 
(o que o homem pagaria como resgate para sua alma)?



No lugar da palavra vida encontra-se, no grego, quatro vezes o termo psyché. Psyché também
pode ser traduzido por alma. Segundo a psicologia bíblica,  vida terrena e alma são a mesma coisa. A
alma da pessoa não é uma parte, mas sim o ser todo da pessoa, ou seja, o somatório de seu pensar,
sentir e querer. Isso é a alma. Também se pode definir: alma ou vida é toda a vida consciente do “eu”
ou do “si-mesmo” da pessoa. Quem entregar diariamente a si mesmo à morte, achará a vida
verdadeira e genuína.
A vida (a alma) é impagável. A vida se vive somente uma vez e, se for vivida futilmente, nunca
mais poderá ser comprada de volta.
Com agudeza franca, Jesus larga integralmente nas nossas  mãos e na nossa consciência a
responsabilidade e a decisão pela nossa salvação temporal e eterna. Em formulação teológica: O
aspecto subjetivo é dito com toda a clareza. O ser humano é levado totalmente a sério por Deus.
Também o ser humano tem de levar integralmente a sério as exigências de Deus.


27  Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, 
retribuirá a cada um conforme as suas obras.



Jesus fala aos discípulos com tanta seriedade e franqueza porque quer chamar a atenção para o
juízo futuro. Ele compensará a todos, levando em conta no juízo se a pessoa buscou agradar ao
próprio “eu”. Será trazidos à luz, diante da sua face, se fomos  fiéis ou infiéis, se “multiplicamos” o
recebido ou fomos “negligentes” com as dádivas de Deus. Serão avaliadas a  obediência e a luta
pessoal pela santificação, e não o resultado.
Ele executará essa obra do julgamento na sua imensa glória, na glória do Pai.
“Todos os que se deixaram determinar pela necessidade de sucesso e impressionar por resultados,
serão lançados como servos infiéis junto com suas obras no fogo, preparado para o diabo e seus anjos
(Mt 25.41). Naquele dia muitos dirão ao Filho do Homem: Senhor, Senhor, não realizamos muitas
obras em teu nome? Então ele lhes dirá: afastem-se todos de mim, malfeitores! (Mt 7.22)” (cf.
Vischer).



28  Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui se encontram, que de maneira nenhuma 
passarão pela morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu reino.


Nos autores sinóticos esse versículo forma o final o discurso poderoso e desafiador de Jesus. O
que o Senhor afirma nesse versículo ele reforça colocando na frente um  amém. Que significa o
amém (traduzido com em verdade)?
“A palavra amém significa „firme, válido‟. Quando um judeu dizia amém a outra pessoa,
declarava a afirmação do outro como compromissiva para ele próprio, nos aspectos legal e sagrado.
Jesus desenvolve um uso totalmente novo desse termo, utilizando -o para reforçar as suas próprias
palavras. Colocando o amém na frente, ele reveste sua declaração de autoridade jurídica sagrada e,
simultaneamente, de caráter de compromisso para os que a ouviram” (cf. Vischer, p. 37).
Tanto maior, porém, é a dificuldade diante do fato de que uma afirmação assim reforçada  não se
confirmou na história. Pois todos os que estiveram presentes  naquela ocasião morreram. Passaram-se
dois milênios sem que o Filho do Homem viesse com seu poder real.
Como devemos, então, compreender essa palavra misteriosa do Senhor, que foi confirmada até
pelo amém ( = em verdade)?
Alguns pais da Igreja, entre eles o próprio Crisóstomo, consideram que foi na transfiguração (cap.
17) que se cumpriu essa afirmação. Contudo, é impossível relacionar palavras como “a vinda do
Filho do Homem em seu reino” (Mt) ou “a vinda do Reino de Deus” (Mc e Lc) “com poder (Mc)”
com um acontecimento tão específico e passageiro. Outros exegetas acreditam que a declaração
somente pode referir-se à “volta” do Senhor, da qual já tratava o versículo anterior e que as pessoas
imaginavam como sendo muito próxima.
Antes de abordar essa explicação da “volta de Jesus”, queremos indicar ainda algumas outras
concepções.
•  Tentou-se aplicar esse versículo à destruição de Jerusalém. Esse pensamento, porém, não está
diretamente contido na expressão “reino de Deus”.
•  Outros pensam na aceitação do evangelho pelos gentios ou no derramamento do Espírito Santo
na festa de Pentecostes.
Godet declara: “Eu acredito com Hoffmann que é preciso comparar essa passagem com
expressões como Lc 17.21: „O reino de Deus está interiorme nte em vocês‟, e Jo 3.3: „A não ser que
alguém nasça de novo, não poderá ver o reino de Deus‟. Jesus quer dizer: „Sequer durará muito
tempo até que os que entregaram sua vida a reencontrarão e começarão a usufruir da visão do reino
de Deus.‟ A palavra „ver‟ possui aqui seu pleno significado, tal como, p. ex., na expressão „ver a
morte‟ (Jo 8.51), que é idêntica a „experimentar a morte‟ (v. 52) e na locução „ver o reino de Deus‟
(Jo 3.3), onde é usado como equivalente de „entrar nele‟ (v. 5). „Ver a morte‟ nesse sentido não é o
mesmo que „ver alguém morrer‟, mas significa „morrer pessoalmente‟. „Ver a vida‟ não significa „ver
pessoas vivas‟ mas „viver pessoalmente‟. „Ver o reino de Deus‟ não significa vê-lo como os judeus
em Pentecostes viram o surgimento da comunidade, mas entrar pessoalmente nele.
“A palavra alguns refere-se aos discípulos e a todos os que, no dia de Pentecostes, receberam o
Espírito Santo e viram interiormente os grandes feitos de Deus, experimentado -os como adequados à
salvação e certificadores dela. A esses Jesus designa como „reino de Deus, no qual agora estavam
entrando‟.”
•  A opinião mais difundida relaciona as palavras do Senhor no v. 28 com a sua volta. Cabe aqui
refletir brevemente sobre essa idéia.
“Para entender como pôde acont ecer que os contemporâneos de Jesus não experimentaram mais
em vida a volta dele, temos de considerar tudo o que é dito no  NT sobre essa questão. Como o Filho
do Homem não veio para „executar‟ mas para „consertar‟ (J. C. Blumhardt), ele espera até que a
mensagem do Salvador humilhado e executado tenha encontrado fé, na mais ampla difusão possível.
Somente depois ele aparecerá com seu poder revelado. A descrença adia a volta de Cristo. Sem
dúvida, o juízo final há muito teria acontecido se Deus e Cristo não aguardassem sempre de novo
com paciência. Já na segunda geração do cristianismo zombadores diziam: „Onde ficou a promessa
da sua volta? Desde que os pais adormeceram, fica tudo na mesma‟ (2Pe 3). A igreja palestinense, na
qual circulava o evangelho segundo Mateus, não se deixou abalar por esse fato. Também a morte dos
últimos do círculo dos doze, que obviamente ainda eram vivos quando Mateus escreveu, não foi
motivo para eles alterarem ou cortarem a palavra de Jesus. A comunidade continuava vivendo com a
expectativa da iminente chegada do Filho do Homem. Seu futuro preenchia com realidade atual o seu
presente” (Vischer, p. 37).
Mais detalhes no Begrifflicher Schlüssel sobre o verbete “Naherwartung”, e também em Biblische
Studien und Zeitfragen, caderno 3: “Stellungnahme zu Bultmanns Entmythologisierung”, p. 36ss.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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