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66 Os tropeços, Mt 18.6-11

Os tropeços, Mt 18.6-11
(Mc 9.42-47)

6-9  Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta -o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.
O ensino ilustrativo de Jesus, de mostrar com o exemplo de uma criança o que é necessário para
entrar no reino dos céus ou para tornar-se membro da comunidade de Jesus, não visa apresentar
através da criança a idade, mas essencialmente a atitude interior (cf. v. 1-5, onde explicamos essa
natureza da criança). Por isso devemos entender por crianças ou “criancinhas” não apenas “crianças
realmente pequenas”, mas também aqueles que, na sua vida de fé, ainda são  principiantes, i. é, que
representam  “crianças na fé”.
Jesus vê o perigo. A esses iniciantes na vida de fé poderiam acontecer grandes injustiças. Eles
podem ser prejudicados interiormente pelos “adultos” na vida de fé. Por isso é preciso evitar e afastar
implacavelmente tudo o que contradiz a Deus e que poderia tornar-se escândalo para os iniciantes.
Em lugar de “principiantes” podemos dizer, ainda: os insignificantes, os pequenos e fracos no
reino de Deus.
É enorme o perigo de escandalizar. Essa palavra vem do grego skándalon (= tropeço), escândalo.
“Essa palavra não se explica integralmente nem com o conceito de aborrecimento, nem de ato
chocante, nem de sedução, nem de perdição. Pelo visto, ela designa o ponto mais vulnerável da
comunidade. Toda vez que esse ponto é tocado, Jesus sente dor e revolta. Lembramos a palavra
terrivelmente dura com que mandou Pedro afastar -se dele, chamando-o de Satanás, quando estava
prestes a tornar-se o skándalon de Jesus. Skándalon é o empecilho que se coloca no nosso caminho,
de modo que tropecemos ou sejamos desviados do rumo certo e caiamos na perdição” (cf. Vischer, p.
62).
Como um peso de chumbo, a alma perdida arrasta consigo para o abismo aquele que a seduziu
para o mal. A mesma advertência encontra-se em Mc 9.42 e Lc 17.1s.
Pode-se, portanto, fazer tropeçar facilmente os principiantes na fé, os pequenos, através de
desamor, desconsideração, mau exemplo, orgulho, indiferença, reserva e frieza no comportamento, e
de entusiasmo falso, de modo que fiquem confusos e percam novamente a fé. Portanto, é fácil
colocar uma pedra no seu caminho de fé, sobre o qual tropeçam, caem e se perdem.
“Para aquele, pois, que incorre nessa culpa, seria vantagem, em vista do terrível castigo que o
atingirá, que lhe fosse pendurada no pescoço, pelo grande furo no seu centro, a pedra de um moinho
tocado por um burro, que é maior que as pedras de moinho comuns, e que fosse afogado nas
profundezas do mar. Entre os judeus não havia o costume de executar uma pessoa por afogamento.
Eles se arrepiavam quando ouviam que havia pagãos que afundavam dessa maneira uma pessoa viva.
Jesus escolheu de propósito a imagem desse extermínio bárbaro. Talvez a lembrança de um
acontecimento horrível do tempo das lutas de libertação de 38 a.C. possa ter sido marcante. Naquele
tempo os guerrilheiros de libertação galileus, após uma vitória sobre os tiranos, afogaram muitos dos
adeptos de Herodes no lago de Genesaré. A pedra de moinho no pescoço exclui qualquer chance de
salvação e impede o cadáver de emergir um dia. Tal afundamento total seria uma sorte para os
escandalizadores da alma, em comparação com os tormentos que eles sofrerão” (Vischer, loc. cit.).
Mais importante que saber isso é possuir o amor que tem a intenção de não prejudicar ninguém
em sua alma. Os pequenos realmente estão no coração do Senhor Jesus. No mundo eles são
ignorados e menosprezados. No reino de Deus eles têm valor. Sim, o Salvador e todos os que têm o
seu pensamento concedem-lhes consideração especial e cuidadosa consideração.
Não há como evitar o escândalo, pois vivemos num mundo do pecado e do engano. Mesmo os
discípulos de Jesus não são poupados de tentações. Elas servem para sua aprovação (1Co 11.19).
Mas ai daquele que causa o tropeço!
Afinal, a graça está aí para nos disciplinar, para nos ensinar e trazer de volta à simplicidade,
pureza, humildade e amor pelo próximo, e para reconstituir a imagem de Deus destruída dentro de
nós. – Mas para isso é preciso que nos controlemos, assim como os alunos precisam se concentrar
quando o professor lhes quer ensinar algo. Se não o fizermo s, muito em breve estaremos dando a
outros um motivo de escândalo. Quando nos deixamos levar, dando espaço para nossos caprichos,
espalhamos um ar maligno, que perturba os outros, e a responsabilidade será nossa.
“Cada qual precisa tomar as medidas mais drásticas para não ser seduzido nem tornar-se sedutor.
Os membros do corpo, a mão, o pé ou o olho podem pôr a fé em perigo. Pela psicologia israelita,
corpo e alma são uma unidade. Os membros do corpo são os órgãos da alma. “Ninguém diga, quando
é tentado: Sou tentado por Deus! Cada qual é tentado por sua própria concupiscência, que o arrasta e
seduz” (Tg 1.13s). Corte a mão, corte o pé, arranque o olho, se o levam a tropeçar! Está em jogo a
sua salvação eterna! É bem melhor entrar como aleijado na vida eterna do que ser jogado, inteiro, no
fogo do inferno. O que Jesus ensinou no sermão do Monte em relação ao sétimo mandamento (5.27 -30), ele reafirma aqui em relação a todos os mandamentos e a todas as possibilidades de decair da fé.
Será que Jesus fala literalmente de cortar os membros que nos seduzem? Jesus sabia tão bem
como nós que também um aleijado ou um cego podem cometer pecados e ir para a perdição por
causa de seus desejos. Entretanto, isso não altera o fato de que a pessoa vive com o corpo e que sua
vontade vital se torna ativa através da ação dos membros. Por isso, a obediência da fé ordena  rigor
implacável com os sentidos e membros. Essa atitude tem um significado tão real quanto alguém
carregar a sua cruz. E tão real quanto as aflições do inferno de fogo. Segundo Mc 9.43, Jesus disse,
com as terríveis palavras finais do livro de Isaías, que o verme que lá rói os malditos não morre, e o
fogo não se apaga” (cf. Vischer, p. 65).
“Se subtrairmos o terror da eternidade, seguir de Cristo se torna, no fundo , um devaneio. Pois
unicamente a seriedade da eternidade pode comprometer uma pessoa, mas também movê-la, a
arriscar-se e se responsabilizar de modo tão decidido a segui-lo. Deve estar em jogo o céu ou o
inferno – este é o motivo para seguir a Jesus, a fim de ser salvo: Isto é seriedade” (Kierkegaard).



10  Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos 
nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste.


“Que trabalho amplo e grandioso Jesus mostrou à sua comunidade nos v. 5 -7, a ponto de rebaixá-la para a modesta humildade! Confiou-lhe o cuidado pelas pessoas pequenas, contratou-a como
protetor delas, para que as preserve do mal. Deu a ela também, como dever, a luta contra o escândalo,
uma luta que nunca acaba, porque ele precisa vir, mas não pode vir sem que aquele que o traz caia na
perdição. Aí é que recebemos espaço para o trabalho incansável e para a coragem heróica! Nessas
palavras reside uma grande força profética. Pois por demais vezes presenciamos como a igreja
dominante, que se julga grande diante de Deus, pisoteou o pequeno e produziu escândalo” (cf.
Schlatter, p. 280).
Para que tenhamos vergonha de nosso desprezo aos pequenos, Jesus nos mostra como ele próprio
se dedica a eles, sobretudo no v. 10 acima mencionado. Deus mesmo não apenas transfere o cuidado
pelos pequenos e fracos e principiantes na fé à sua comunidade na terra, mas também às suas
elevadas e celestiais legiões de anjos. Invisíveis, porém poderosos, esses espíritos elevados e
superiores do céu conduzem a vida dos pequenos.
Porventura os membros da comunidade se considerariam distintos demais ou grandes demais para
realizar o que os anjos de Deus fazem incessantemente e com grande alegria? Os olhos de Deus
pessoalmente acompanham com amor e atenção esse serviço aparentemente insignificante dos seus
anjos. Na qualidade de servidores dos pequenos, os anjos do Pai no céu sempre têm acesso a Deu s.
“Para este ministério o ouvido de Deus sempre está aberto. Constitui um maravilhoso olhar para
dentro do céu que Jesus nos descerra ao nos mostrar os altos e sagrados anjos de Deus, que rodeiam
seu trono e admiram a sua glória, unidos ao mesmo tempo com os membros pequenos de nossa
comunhão humana. O olhar de Deus vê sempre, com o olhar claro do amor, até mesmo o menor dos
seres humanos. Jesus declarou isso aos discípulos, também para consolá -los e para despertar neles
uma fé alegre. Podiam ter a mesma certeza em relação a si próprios, que, para as preocupações que
eles tivessem no amor que se empenha pelos pequenos, eles sempre têm acesso a Deus.  Esse serviço
proporciona o direito de ingressar ao trono de Deus.
“Por meio dessa palavra aprendemos também a compreender um pouco a felicidade de Jesus. Sua
obra na terra foi um serviço aos pequenos. No entanto, ela não o fez descer da comunhão com o Pai.
Pelo contrário, como servidor dos pequenos também ele vê a face de seu Pai a toda hora” (Schlatter,
p. 281).

11  [Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.
Esse versículo 11 não consta em todos os manuscritos, mas somente na coiné. Contudo, somos da
opinião de que ele cabe muito bem nesse contexto.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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