68 Sobre as instâncias da disciplina fraterna na comunidade, Mt 18.15-18

Sobre as instâncias da disciplina fraterna na comunidade, Mt 18.15-18

15-18 Se teu irmão pecar [contra ti], vai argüí-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus.
Em relação à tradução
a
A expressão [contra ti] consta somente no manuscrito coiné.
Com muita clareza estão sendo definidas as instâncias corretas que devemos percorrer na
comunidade. Um membro é responsável pelo outro. Que cada um cuide do outro  com amor. Cada um
que vê que o irmão se tornou culposo, não pode silenciar sobre isso, mesmo que aquele que sabe da
injustiça do irmão não seja a pessoa prejudicada nesse caso: nos manuscritos Sinaítico (a) e Vaticano
(B) não se encontram as palavras contra ti (cf. v. 15 no texto)! A edição grega de Nestle tampouco
traz essas palavras.
Portanto, Jesus está instruindo aquele que sabe da  culpa do outro, a não permanecer calado, mas a
ir falar com ele e, num serviço de cura de almas, ajudá-lo a reconhecer seu erro. – Contudo, seria
injusto e pecaminoso debater amplamente o erro dele com um terceiro, nas costas dele. O contato
deve ser de dois a dois, e sobretudo com amor! Talvez ele aceite a sua  palavra. Se você o ganhar,
isso não será um ganho somente para  você, mas também para ele. Pois pecado sempre é prejuízo, é
separação de Deus. Orientar e ajudar a restaurar é o contrário de perda, ou  seja, é ganho.
Essa intenção de ajudar a restaurar com amor é o único motivo de conquistar o irmão. Entretanto,
constitui pecado  nosso quando o desejo de ter razão, ou a justiça própria, ou “lavar a roupa suja” com
desamor, ou ainda o amor próprio ferido, forem as molas propulsoras da correção dada ao irmão.
Constitui, portanto, um ministério importante e valioso o serviço de orientação, e requer
sabedoria, pureza, amor e, sobretudo, o tato de uma personalidade amadurecida em Cristo. Por isso,
nem todos são chamados para essa correção fraterna. Justamente um superior deverá refletir de modo
especial se é conveniente exercer, enquanto superior, o cargo de disciplinador ou orientador de um
faltoso.
No caso de que o faltoso se feche à disciplina fraterna, de que não aceite nenhuma correção,
somente nesse caso, e não antes, devem ser chamados, como próxima instância,  um ou dois irmãos.
A recomendação de incluir uma ou duas testemunhas não apenas deve aumentar a autoridade da
advertência, mas também deve servir para esclarecer os fatos que a pessoa eventualmente negue ou
distorça, assim como Moisés já ordenou (Dt 19.15).
Quando essa tentativa não tiver êxito, quando o respectivo irmão não aceita nada por parte dos
irmãos, a comunidade como tal possui a última palavra. Quando o irmão não aceita nada da
comunidade, então será excluído dela. Que seja considerado como um  gentio ou publicano.
Tal exclusão, porém, não significa a última determinação sobre o destino eterno do irmão. Isso
nos mostra o amor de Jesus que busca o publicano e pecador perdido, bem como a palavra de Paulo
em 1Co 5.5.
Essas instâncias da disciplina fraterna são o caminho biblicamente correto. Quantas vezes
pecamos na comunidade contra ele! Geralmente, quando vemos supo stas “faltas” de um irmão, logo
falamos pelas suas costas, julgamos com distorções, condenamos. E não apenas isso! Atrás das
costas do irmão, o falatório corre de um para outro. Desamor e sofrimento são a inevitável
conseqüência.
Ao ordenar este roteiro de instâncias, Jesus confiou solenemente à comunidade o que ele conferiu
a Pedro em Mt 16.18. Dessa maneira, fica evidente que essa autorização é o verdadeiro cumprimento
da confissão de Pedro. A autoridade de ligar e desligar deposita na comunidade uma enorme
responsabilidade em relação a cada membro. Se ela administra corretamente esta função na
responsabilidade da fé, cumpre a vontade do Pai celeste (cf. 1Co 5.6; 2Co 2.5-11).
“Portanto, o que a comunidade fizer, atinge o céu. Ela solta o arrependido, perdo ando-o. Ela
prende o obstinado, que se torna para ela como um publicano e gentio. Em ambos os casos, Deus está
do lado dela. A alegria dela, quando perdoa, é saber que, nesse instante, a pessoa não foi perdoada
apenas por pessoas, mas também por Deus. A seriedade de seu julgamento é saber que, nesse
momento, Deus julgou.
“Essa é a regra de confissão de Jesus, que está muito acima de tudo que a igreja católica
introduziu desde os tempos apostólicos. Esta regra é amorosa e séria ao mesmo tempo. Ela protege o
faltoso, não o rebaixa, não o submete a uma autoridade punitiva humana, mas lhe oferece o perdão,
não dando espaço ao mal. Jesus disse aos seus discípulos que os estava unindo com a finalidade de,
juntos, afastarem o pecado de suas vidas. Somente na medida  em que isso se realiza, a comunidade
de Jesus existe entre nós” (cf. Schlatter).
Onde isso não acontece, não existe comunidade de Jesus. É uma palavra muito séria para todos.
A comunidade de Jesus, por conseguinte, é uma comunhão de luta contra o mal, criada e
sustentada por Deus.
A comunidade de Jesus, porém, não é somente isso, mas também uma comunhão de oração. É o
que vemos nos v. 19s.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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