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69 A condenação da figueira e do templo, Mc 11.12-21

A condenação da figueira e do templo, Mc 11.12-21 
(Mt 21.12-19; Lc 19.45-48; cf. Jo 2.13-17)

12-21 No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto. E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo;      também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores. E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo de lhe tirar a vida; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava de sua doutrina. Em vindo a tarde, saíram da cidade. E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz. Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou.

Em relação à tradução
   a
     Lit.: “respondeu e disse”, mais um exemplo bem claro de que “responder” nem sempre pressupõe uma
pergunta, cf. 9.5n.
   b
     aion, na verdade “tempo muito distante”, com a preposição é usado com freqüência para “duração
eterna”.
   c
     Veja 8.31n.
   d
     Veja 1.22n.
   e
     hotan expressa aqui a repetição indeterminada (interativo, Bl-Debr, § 367.4; 382.4). Lc 19.37
menciona expressamente o costume de Jesus de pernoitar fora da cidade.
   f
     ide, cf. 3.34n.
Observações preliminares
1. Contexto. Aqui a inspeção que Jesus fez do movimento do templo, de acordo com o v. 11, recebe o seu
sentido: ela termina com o pronunciamento da condenação. Duas ações de Jesus expressam isto aqui, uma
simbólica diante dos discípulos (os v. 14 e 21 aplicam-se diretamente a eles) e a entrada em cena no pátio do
templo. O entrelaçamento dos dois acontecimentos é uma indicação da relação de conteúdo entre eles. Um
interpreta o outro (opr 1 a 3.20,21).
2. Os adversários de Jesus. O v. 18 lembra de 3.6, onde se fala de “tirar-lhe a vida”. Assim, as duas
histórias fornecem a justificativa histórica para a execução de Jesus. Lá os adversários são os professores da
lei, fariseus, representantes da sinagoga; aqui são os principais sacerdotes, representantes do templo. Em
Jerusalém havia muitas sinagogas, porém Marcos está novamente seguindo um tema. Os pontos em que Jesus
colide com os rabinos são de natureza diferente do que os dos principais sacerdotes. O pecado dos rabinos não
era tanto sua ganância por lucro, já que eles geralmente procediam do povo comum e levavam uma vida
simples e disciplinada. Entretanto, eles ambicionavam lugares de honra (12.38-40) e poder sobre as almas. As
ricas famílias sacerdotais, por sua vez, tinham sucumbido à adoração de Mamom e saqueavam os visitantes do
templo. Jesus abalou os dois sistemas de poder, o religioso e o econômico. Por este motivo os interesses deles
acabaram se unindo, proporcionando uma aliança ímpia.
3. Interpretações. Este parágrafo já foi soterrado sob questionamentos. As idéias e sugestões são as mais
diversas. Nosso comentário só poderá tratar delas em parte e sem mencioná-las individualmente. Ele se atém à
tarefa de interpretar o que tem à sua frente, sem ajeitá-lo primeiro. Aqui escolhemos apenas algumas
interpretações da purificação do templo:
a. Jesus não pretendia fazer uma revolução, ocupando o templo (Eisler), mas uma demonstração da
condenação da hierarquia (com Grundmann, Pesch). Por esta razão também os romanos não viram motivo
para interferir. Com certeza, porém, Jesus transformou os sacerdotes em adversários determinados.
b. Jesus não impediu o culto no templo como tal. Ele não entrou nos pátios interiores nem no prédio do
templo em si. Os sacrifícios não foram interrompidos. Ele simplesmente proporcionou no pátio exterior um
sinal que causou sensação, para explicá-lo em seguida. Ele criou para si uma oportunidade para chamar a
atenção do público, para poder “ensiná-lo” (v. 17,18). Ao entardecer ele saiu do lugar, como fazia todos os
dias (v. 19). Tudo continuou com seu andamento normal (com Schrenk, ThWNT III, 243; Pesch II, p 199).
c. A ação pública de Jesus também não foi simplesmente profética. Não foi por nada que lhe fizeram a
pergunta em 14.61, depois de discutir suas declarações no templo: “És tu o Cristo?” É que ele se apresentara
como juiz messiânico (cf. Zc 14.21). A ação não pode ser separada da história da entrada na cidade (cf.
também opr 2 à divisão principal 11.1–12.44).
d. O ponto central, por fim, também não é a promessa de um novo “templo”, como em Jo 2.19, mas
somente o julgamento, como na maldição da figueira. O cap. 13 retomará este tema.
4. A figueira na Palestina e em linguagem figurada. Para que se entenda o v. 13, trazemos aqui os detalhes
técnicos, de acordo com Bill. I, 856ss; Hunzinger, ThWNT VII, 751ss; LzB, p 394; Reichmann, p 640ss.
Diferente da figueira brava (sykomorea, p ex Lc 19.4), a figueira aqui (syke) é um arbusto grande que atinge
no máximo 5-6 m. Não é preciso subir nele para alcançar os frutos. Ele não é uma planta de folhas perenes,
mas perde as folhas em novembro. Depois suas varas compridas e grossas, com poucas bifurcações, ficam
espetadas no ar. Quando a folhagem brota novamente em março, isto é um sinal bem conhecido de que o
tempo quente está próximo (13.2). Esta figueira tem duas florações e três safras por ano. Os primeiros figos do
ano ainda são frutos do outono anterior (novembro), que não tinham chegado a amadurecer, e não caíram com
as tempestades do inverno (Ap 6.13). Eles amadurecem com a seiva que sobe na primavera e faz as novas
folhas brotar no fim de março, e chegam a ficar maduros no fim de maio/começo de junho, presos ainda nos
galhos antigos. Estes primeiros figos do ano eram um petisco especial (Is 28.4; Jr 24.2; Os 9.10; Mq 7.1). A
safra principal é a dos figos tardios, que se formaram nos brotos novos e são colhidos do fim de agosto até
outubro.
A figueira é uma das plantas características da Palestina, junto com a videira e a oliveira. Sua presença na
vida diária proporcionou aplicações variadas, proverbiais e simbólicas, com freqüência junto com a videira.
Uma relação especial com Israel, deste uso figurado, não se encontra nem no AT nem na literatura judaica
(Bill. I, 857s). O figo muitas vezes também representa a árvore inteira. O sentido é determinado por cada
contexto.
Pesch (II, p 195,201), corrigindo sua posição de 1968 (Naherwartung, p 71s), não vê nenhum simbolismo
em nossa história. Segundo ele, a continuação nos v. 22-26 prova que Jesus deu simplesmente uma
demonstração “arbitrária” da sua fé (197; cf. Loh, Haenchen e Schmid). O acontecimento, porém, está ligado
perto demais com a cena no templo, para que o possamos isentar de qualquer indicação mais profunda. Além
disso, o v. 13 contém elementos bem conhecidos da linguagem profética simbólica, que não podem ser
desprezados. A própria relação entre o fruto da árvore e a qualidade humana é um dos seus fatores básicos,
razão de Jesus olhar e procurar por frutos (Is 28.4; Mq 7.1; cf. Lc 13.6; Jo 15.2), e de fazer a árvore secar
como experiência de julgamento (Is 56.3; Ez 31.15; Os 9.16; Jó 18.16). Dificilmente podemos manter estes
transfundos à distância.
     12     No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. Os judeus costumavam tomar duas
refeições por dia: uma no meio da manhã, geralmente lá pelas 10 horas, a outra no fim da tarde (Bill.
II, 204). Jesus deve ter saído de Betânia (como no v. 20, cf. 13.35n) bem antes da primeira refeição.
Pensando em 1.35; 6.46; Lc 4.2, devemos contar com tempos especiais de oração e jejum da sua
parte, mas nunca com hospedeiros descorteses que o tivessem deixado sem comida.
     13     Em Israel, todo viajante podia servir-se à beira do caminho, para seu consumo pessoal (cf. 2.23). E,
vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa.
Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas. A folhagem bonita é destacada duas vezes. Ela
parece garantir que a árvore é frutífera e fez Jesus se aproximar – para não encontrar nada, apesar das
folhas. Todavia, será que a árvore já não poderia ter sido colhida? Para deixar clara a avaliação de
que a árvore era infrutífera, Marcos acrescenta intencionalmente: Porque não era tempo de figos.
As épocas regulares de colheita obviamente eram maio/junho e agosto até outubro. Jesus, porém,
procurava na época da Páscoa os figos do inverno que se podia esperar em uma figueira com muitas
folhas (opr 4).
     14     A madeira da figueira, diferente da amoreira, é sem valor. Sem frutos ela não tem sentido. Então,
lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti!, e Jesus o disse expressamente de uma
maneira que os discípulos o ouvissem (cf. v. 21): E seus discípulos ouviram isto. É verdade que eles
entenderam sua intenção somente no v. 21. Mas já aqui lhes está claro que Jesus não está talvez
falando com um espírito da árvore, como no v. 23 não se trata de um espírito da montanha. Como
eles não viam alma na árvore ou na montanha, eles também não ficaram cheios de compaixão. Nós
que hoje em dia cortamos as árvores sem pensar muito, para obter lenha, tábuas ou papel, podemos
igualmente poupar nossos lamentos. O caminho nos é mostrado, como naquela ocasião aos
discípulos, pelas numerosas ações judiciais proféticas e simbólicas no AT. Lá ouvimos de um cinto
que foi enterrado (Jr 13.11), de um vaso que foi amassado de novo (Jr 18.4), de um jarro que foi
despedaçado (Jr 19.10), de uma canga que foi quebrada (Jr 28.10), de um caldeirão que foi
esquentado (Ez 24.5), de uma capa que foi rasgada (1Rs 11.30) ou de uma flecha que é atirada contra
o chão (2Rs 13.18).
O julgamento de quem será que foi descoberto diante dos discípulos pela palavra ativa de Jesus?
Podemos antecipá-lo. Em toda a divisão principal que começa em 11.1 e especialmente aqui, a partir
do v. 11, o movimento do templo com seus responsáveis está no centro das atenções (opr 1 a 11.1–
12.44). Havia por um lado a “folhagem”, ou seja, sua grandiosidade arquitetônica (13.1,2) e sua
organização econômica (11.15,16). Infelizmente, porém, quem olhava de perto não encontrava
“frutos”, antes endurecimento (11.33), planos secretos de assassinato (12.12), fingimento e falsidade
(12.13,15), cegueira instruída (12.24,27) e infâmia sob o manto da dignidade (12.38-40). O v. 15 é
ainda mais concreto.
     15     À primeira ação juntou-se na mesma linha a segunda, esta agora em público e, por isso, usando
outros meios. E foram para Jerusalém. Mais uma vez a cidade é apenas mencionada à margem,
para passar logo ao assunto. Entrando ele no templo. Este consistia em uma superfície elevada,
plana e espaçosa, em forma de trapézio. Os muros externos mediam 280 m no sul, 315 m no norte,
470 m no leste e 485 no oeste. No meio desta área ficava a área restrita do templo, sobre uma
plataforma mais alta, com os pátios internos e o prédio do templo (naos em Marcos), acessíveis
somente aos israelitas. O comércio era feito no pátio exterior, no “pátio dos gentios”. Assim que
Jesus chegou, ele passou a expulsar os que ali vendiam e compravam. A decisão para esta ação
ele, ao que tudo indica, já tinha tomado após a inspeção do dia anterior. No momento em que ele
entra em cena, os “picaretas” tinham de sair imediatamente. “De repente, virá ao seu templo o
Senhor; […] mas quem poderá subsistir quando ele aparecer?” (Ml 3.1,2).
Os mercados que abasteciam regularmente os peregrinos de animais para os sacrifícios estavam
localizados logo no monte das Oliveiras, onde convergiam vários caminhos; vendia-se pombas,
cordeiros, ovelhas, azeite e farinha. Mas não demorou para a administração do templo, que estava nas
mãos das famílias sacerdotais responsáveis, também entrar no negócio. Zc 14.21 já repreende os
comerciantes que montavam suas barracas no pátio do templo. Temos registros de pavilhões de
comércio do tempo de Herodes, ali (Bill. I, 839,852; Jeremias, Jerusalém, p 54s). Josefo diz que o
sumo sacerdote Ananias (47-55) era “um homem de negócios muito atilado”. Este comércio animado
no recinto do templo e a “plutocracia” ligada a ele recebia críticas da opinião pública. O Talmude
preservou a queixa: “Eles são sumos sacerdotes, seus filhos são tesoureiros, seus cunhados são
oficiais do templo! E seus empregados nos tratam com cacetes”. O rabino Aqiba disse aos seus
alunos: “Antes de eu mesmo me tornar professor da lei, eu pensava: „O dia que eu conseguir pegar
um, eu o mordo como um jumento!‟ Um dos alunos observou: „Como um cão não teria sido
suficiente?‟ O sábio retrucou: „Não, como um jumento! Porque um jumento morde melhor, ele tritura
os ossos!‟” (em Daniel-Rops, p 157). Os relatos da Paixão também deixam entrever que a situação
social não estava tranqüila.
Jesus encontrou mais um lugar onde atacar: Derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos
que vendiam pombas. Nas três semanas anteriores à Páscoa, todo israelita com mais de vinte anos
tinha de pagar o imposto anual do templo. Pagar na própria cidade de Jerusalém era considerado
meritório. No começo era necessário recorrer às antigas moedas hebraicas de um siclo para isto, mais
tarde aceitava-se também as dracmas duplas de Tiro, que não tinham nenhuma efígie, nem os
símbolos do imperador divino como as moedas romanas e gregas. Portanto, trocava-se muito
dinheiro por ocasião da Páscoa, num total estimado entre um e dois milhões de denários,
naturalmente sempre com uma margem de lucro para os cambistas. O sumo sacerdote tinha de
administrar esta soma. Pela concessão, os cambistas tinham de pagar uma taxa aos sacerdotes. Jesus,
portanto, atacou aqui os clãs mais poderosos do país e seus interesses econômicos (Kroll, p 201,203s;
Jeremias, Theologie, p 145; Bill. I, 764ss; Schrenk, ThWNT III, 235).
     16     Agora ele encara uma terceira situação errada, desta vez em relação ao povo. Não permitia que
alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo. Para muitos moradores de Jerusalém,
atravessar o pátio externo era a ligação mais curta entre dois pontos, especialmente quando tinham
algo para carregar. Assim, acostumaram-se a usar o recinto sagrado como lugar de travessia. É claro
que houve queixas (Bill. II, 27), mas as pessoas se habituam a tudo. Quem não tinha muita pressa
parava para conversar com outros sobre os negócios, abria sua carteira para fazer pagamentos, ou
talvez cuspia no calçamento.
Como será que Jesus pôde se impor sozinho nesta enorme feira anual? A idéia de Jeremias
(Theologie, p 219), de que ele mandou seus seguidores ocupar os oito portões, não é muito plausível.
Seja como for, as forças da ordem se veriam obrigadas a intervir. Passagens como Jo 7.30-32,44-46
mostram que isto foi muito provável. Em todo caso, as palavras incorruptíveis de Jesus contra a
ganância e a ambição dos líderes dificilmente ficaram sem apoio espontâneo do povo. Sua autoridade
excepcional cativava a muitos (cf. v. 18). Eles o cercavam como uma guarda pessoal poderosa, e os
oficiais se resignaram por um tempo (Jo 12.42). Por isso é totalmente possível que a atitude enérgica
de Jesus tenha espantado as assombrações mundanas por algum tempo.
     17     Também os ensinava e dizia. A ação criou um espaço para o ensino e lhe garantiu os ouvintes. De
alguma forma ele se referia a todos, assim como no v. 18 todos ficaram perplexos, mas os líderes se
endureceram. O ponto central da sua mensagem foi preservado na forma de uma citação conjugada
(cf. 1.2s,11). Não está escrito? Jesus pergunta inicialmente, resgatando coisas esquecidas e
reprimidas, mas ainda válidas, especialmente agora. A primeira afirmação é uma promessa para a
condição do templo como Deus o queria, a segunda uma denúncia da condição em que Israel o
deixara.
A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações (Is 56.7). “Oração” abrange
aqui, como muitas vezes no AT, toda a adoração a Deus, incluindo p ex também os sacrifícios no
templo. A ênfase está em “para todas as nações”. Tudo o que Israel faz no templo está inserido no
propósito básico de Deus, que vale para todo o Israel: “Em ti serão benditas todas as famílias da
terra” (Gn 12.3). Existir, não às custas dos outros, mas em seu benefício! Israel, porém, tinha
distorcido este propósito. Exatamente no “pátio dos gentios”, onde tudo isto aconteceu, Israel “era
uma bênção” para si mesmo, fazia seus negócios e lucrava em detrimento daqueles que vinham de
longe.
Com a segunda citação, o destino de Jesus se aproxima muito do de Jeremias, o único profeta que
também se levantou no templo. Nas duas situações a audiência é o povo (Jr 7.2; 26.2,7 e Mc 11.15),
segue uma reação ameaçadora das autoridades (Jr 26.7s e Mc 11.18), a série de esforços de Deus lhes
é apresentada (Jr 7.25; 26.5 e Mc 12.2,4,5) e condenam-se os sacrifícios meramente exteriores (Jr
7.22 e Mc 12.33). O ponto alto da acusação é a palavra do esconderijo de ladrões em Jr 7.11: Vós,
porém, a tendes transformado em covil de salteadores, ou seja, vocês usam o templo como
esconderijo, como os ladrões a caverna em que se sentem seguros. Na verdade Israel tinham a
promessa de que o próprio Deus queria estar presente no templo (Dt 12.11; 1Rs 8.29), mas fizera
disto uma segurança descarada, errônea, praticamente entrincheirando-se neste templo contra as
pretensões do próprio Deus. Dali eles saíam para suas “expedições de saque”, assaltando com suas
negociatas no pátio os peregrinos indefesos que vinham do interior para a festa, empilhando o
“resultado do saque” nos depósitos sagrados. Tudo isto protegidos por um suposto caráter
indestrutível deste templo. Como Jeremias em 7.13s, no próximo capítulo Jesus prometerá a sua
destruição.
     18     A mensagem de Jesus alcança também os mais altos dignitários. E os principais sacerdotes e
escribas ouviam estas coisas. Eles, porém, não se emendaram, antes se endureceram. Sua posição de
respeito não tolerava que fossem tachados de pecadores desta maneira pública, em sua própria sede.
A segurança interior, o bem do povo não o suportavam. Portanto, ele teria de morrer. Eles só
discutiam ainda o como. E procuravam um modo de lhe tirar a vida. O povo o circundava como
uma muralha de proteção e, sendo realistas, eles tinham respeito por uma multidão considerável,
profundamente impressionada (cf. 11.32; 12.12,37; 14.2). Pois o temiam, porque toda a multidão
se maravilhava de sua doutrina.
     19-21     Em vindo a tarde, saíram da cidade. E, passando eles pela manhã, viram que a figueira
secara desde a raiz. Então, Pedro, lembrando-se, falou: Mestre, eis que a figueira que
amaldiçoaste secou. Será que Pedro ficou tão impressionado porque não crera na eficácia das
palavras de Jesus? Isto não é confirmado em nenhum outro lugar nos evangelhos. A lembrança, na
verdade, engloba como em 14.72 uma compreensão melhor. Com os olhos arregalados (“eis!”),
Pedro se depara com o sentido do sinal do dia anterior. Ele vê a relação com a atitude de juiz de Jesus
lá no templo, e chega à conclusão: o judaísmo do templo está condenado, tão certamente como esta
figueira ressecada está aqui à beira do caminho.
Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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