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70 Afirmações sobre crer e pedir, Mc 11.22-25

Afirmações sobre crer e pedir, Mc 11.22-25 
(Mt 6.14,15; 21.21,22; cf. Mt 5.23,24; 17.20; Lc 17.6; Jo 14.13; 15.7; 16.23)

22-25 Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele. Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco. E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.

Em relação à tradução
   a
     Lit. “respondeu e disse” mas, como na LXX, “responder” em Marcos nem sempre pressupõe que uma
afirmação ou pergunta precede, porém indica simplesmente o começo de um discurso: alguém levanta a voz,
p ex 9.5; 10.51; 14.14; 12.35; 14.48 (Büchsel, ThWNT III, 946s; WB, 188).
   b
     Lit. “Tende a fé de Deus!”, só aqui no NT.
   c
     Alguns intérpretes identificam “este monte” com o monte das Oliveiras, onde Jesus falava, e o “mar”
com o mar Morto, que pode ser visto dali. A frase, no entanto, também pode ter sido dita na Galiléia (Mt
17.20) e passada para o plural (1Co 13.2). Já antes de Jesus falava-se em “deslocar montes” em termos
proverbiais, a ponto de se dizer que algumas pessoas “deslocavam montes”, especificamente os rabinos de
quem se podia esperar que eliminassem problemas de interpretação aparentemente insolúveis (Bill. I, 759).
O pronome demonstrativo “este” (touto) deve servir aqui apenas como artigo, ao estilo semita.
   d
     Este segundo verbo especifica o verbo “orar”: a oração aqui é de petição.
   e
     O aoristo pode assumir o sentido de futuro, quando usado no estilo do hebraico, como traduz a RC
(“Crede, e o recebereis”) e a BV (“Se crerem, vocês receberão”) (cf. Bl-Debr, § 333.2).
   
f
     Lit. “Orando de pé, posição normal dos judeus na oração (Bill. I, 401; II, 48; cf. Mt 6.5; Lc 18.11,13).
   
g
     De 274 lugares em que aparece “céu” no NT, 91 estão no plural, o que não existe no grego extra-bíblico. É possível que se trate de um hebraísmo, e com freqüência indica estilo de hino.
   
h
     O v. 26, “[Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas]”,
só consta de manuscritos a partir do século V, com certeza assimilado de Mt 6.15 por um copista.
Observações preliminares
1. O contexto diferente em Marcos e Mateus. Geralmente este trecho é delimitado nos v. 22 e 26 e recebe o
título “diálogo sobre a figueira que secou” (p ex Aland, Synopse). Pensa-se que Jesus explicou nesta conversa
seu milagre na figueira, e isto a pedido de Pedro. Dentro desta idéia, este exclamara: “Como consegues fazer
maravilhas como esta! Nós também gostaríamos de fazer coisas assim!” Isto de fato combina com a
apresentação de Mateus (lá Pedro realmente faz uma pergunta), mas não com Marcos. A divergência talvez se
explique assim: os evangelistas dispunham de uma coletânea de afirmações que Jesus tinha feito em vários
contextos de ensino, e que eles encaixaram em suas obras como achavam melhor, usando frases de transição.
Isto justifica por que as mesmas afirmações aparecem em lugares diferentes nos evangelhos ou, nos casos em
que estão em textos paralelos, têm sentidos diferentes. Este é o caso aqui.
2. O contexto em Marcos. K. Stock (Gliederung, p 513) e Gnilka (II, p 134) não estão entre os intérpretes
que simplesmente sobrepõem Mateus a Marcos. Eles encontram em Marcos implicações como esta: Quando
Jesus estava novamente sozinho com seus discípulos, ele lhes inculcou contra o pano de fundo da condenação
de Israel a necessidade indispensável de dar fruto. Nisto ele também mencionou a causa para a condição de
Israel, que é a recusa a crer. Ele os convocou para a fé absoluta em Deus. No comentário seguiremos a idéia de
que a comunidade de discípulos forma um grupo de contraste, mas partimos de outro ponto e seremos mais
abrangentes.
3. Montanhas. Sempre foi uma idéia atraente usar as montanhas em sentido figurado de majestade
inabalável. O AT e também o Apocalipse trazem numerosos exemplos de “montes” como potência de salvação
ou destruição. Nos últimos tempos será necessário “remover montanhas”: Deus as transforma em planícies,
derrete-as no fogo ou as despedaça e esmaga (Is 40.4; 63.19s; 41.15). Elas têm de abrir caminho para o povo
de Deus (Is 40.4; 45.2). “Lançar no mar”, neste contexto, é execução do castigo (Sl 46.3; Mc 9.42; Ap 8.8).
     22     Ao que Jesus lhes disse. “Em todo lugar onde se diz (no AT): Ele respondeu e disse isso e aquilo, o
pessoa está falando no Espírito Santo”. Este ditado judaico (em Büchsel, ThWNT III, 947) no
mínimo nos torna cientes de como uma introdução dupla como esta é solene (em Marcos p ex 10.24;
11.14; 12.35; 14.48). Em nosso trecho ainda segue “em verdade vos afirmo” (cf. 3.28n) no versículo
seguinte e “vos digo” no seguinte. A esta forma ponderada corresponde um conteúdo importante.
Para entendermos a conexão, devemos recordar a grande perplexidade que acometeu os ouvintes
judeus no v. 18 quando ouviram a sentença de Jesus como juiz com toda a autoridade, em relação ao
templo e à cidade do templo. Os discípulos também eram judeus. Pedro expressa no v. 21 como eles
estão atônitos, e longe de satisfeitos com a desgraça dos adversários. O próprio Jesus chorou por
causa da destruição iminente da cidade, segundo Lc 19.41-44. A catástrofe era nacional e, acima de
tudo, espiritual. Se o templo caísse, isto significaria que Deus tinha abandonado o seu povo. E mais:
no pensamento judaico, o templo era o centro do mundo. Sua destruição implicaria o abalo do
sistema do mundo (veja a relação no cap. 13). Balança tudo o que antes servia de apoio, a mudança
das épocas chegou, as pessoas esperam atemorizadas o que pode vir. Em meio a esta insegurança
Jesus declara: Tende fé em Deus! Em Jo 14.1 temos um tom semelhante: “Não se turbe o vosso
coração; credes em Deus, crede também em mim!” Em seguida ele lhes promete segurança “na casa
de meu pai”, que ele providenciará. O templo em ruínas é substituído por um templo novo (cf. Jo
2.19). Nisto também consiste o passo à frente na reflexão do nosso trecho em comparação com os v.
12-21. Depois do julgamento avista-se um novo templo, uma nova aliança e um novo povo. A graça
concede a existência em meio ao naufrágio.
     23     Em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não
duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele. Quem crê participará
nas ações fantásticas de Deus nos tempos do fim (opr 3). Duas vezes, neste versículo, menciona-se
que o discípulo “diz”. A referência é à sentença promulgada com autoridade pelo juiz segundo os v.
24s, aliada à oração respondida. Além disso, nosso versículo tem relação estreita com 9.23: ali
também se tratou da destruição das fortalezas demoníacas que se opõem ao reinado de Deus (cf. 6.7).
Esta participação nos eventos divinos requer fé divina. Primeiro Jesus menciona a dúvida, depois
a insegurança entre “dois casos” (cf. “ânimo dobre” em Tg 1.6): o coração não se deixa inspirar única
e exclusivamente por Deus (cf. 9.23). O discípulo deve abrir a porta para Deus com suas palavras de
tal maneira que o próprio Deus fale por meio dele. Sobre o Altíssimo, porém, sabemos pelo Sl 33.9:
“Como ele fala, acontece”. Isto é concedido aqui por Deus a ele, ao discípulo (passivum divinum, cf.
2.5n). A maneira de falar já revela que quem está dando ordens aos montes é uma pessoa de oração.
     24     Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes. O plural retrata uma igreja que ora. No
seu meio forma-se uma petição conjunta. Como uma criança muito doente se afunda em silêncio e
desinteresse diante dos seus pais, assim acontece com a fé. A fé pede sem levantar muitas objeções.
O amor por Deus e pelos irmãos (v. 25) haverá de consumir os pedidos impertinentes. O v. 25 dá um
exemplo. Aqui Jesus repete as condições para a fé: Crede que recebestes, e será assim convosco.
Coloquem a angústia de vocês dentro da bondade paternal de Deus: esta vale em todas as alturas e
profundidades.
     25     Este versículo confirma que a comunidade dos discípulos está em vista. A reconciliação é a lei
fundamental da sua vida, do seu falar e da sua oração. E, quando estiverdes orando, se tendes
alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.
O judaísmo era prolixo em relacionar características da oração atendida (Bill. I, 450s), mas Jesus cita
só uma, porém teimosamente sempre de novo (Mt 5.23s; 6.14s; 18.35). Por que essa insistência em
vincular a graça recebida com a graça demonstrada, até em cada Pai-nosso? Porque é exatamente isto
que garante que oramos realmente ao Deus da Bíblia e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e não a um
ídolo qualquer. A inveja, a ira e a amargura matam a oração cristã pela raiz e deixam somente um
papaguear pagão. “Não é possível viver de reconciliação sem viver na reconciliação” (Schmithals, p
503). A fé sem o amor não é nada, e por isso remover montanhas sem amor também não é nada (1Co
13.2). Em contraste com isso, no evangelho de Tomé, 48 encontramos a bela frase: “Se dois fazem as
pazes entre si em uma casa, eles dirão ao monte: Caia! E ele cairá.”
Descobrimos, assim, o sentido da composição de Marcos: enquanto do outro lado o santuário, que
deveria ser uma casa de oração para todos os povos e não era, é condenado espiritualmente, aqui no
monte das Oliveiras os discípulos recebem a declaração de inauguração da nova casa de oração “em
espírito e em verdade” (cf. Jo 4.21-24). Eles mesmos são a base de um povo de Deus composto de
todos os povos. Jesus será a pedra angular inabalável (12.10).

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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