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70 A parábola do servo que não está pronto a perdoar, Mt 18.23-35

A parábola do servo que não está pronto a perdoar, Mt 18.23-35
(Do credor incompassivo)

23-35 Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía e que a dívida fosse paga. Então, o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo, e te pagarei. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão.
A comunidade de Jesus é uma comunhão de disciplina e luta contra todo o mal em seu meio. A
comunidade de Jesus é uma comunhão de oração. A pergunta de Pedro e a parábola do empregado
não disposto a perdoar querem nos dizer, ainda, que a comunidade de Jesus caracteriza-se por uma
disposição permanente de perdoar.
Pedro toma a palavra. Nestes dois e meio capítulos, do cap. 16 ao cap. 18, fala-se seis vezes das
palavras de Pedro. Sua pergunta é: Quantas vezes temos de perdoar um irmão? Ele pensa que é
preciso ir bem longe ao encontro dele e estar disposto a perdoá-lo. Só que ele acha que sete vezes
seria o número da plenitude e do limite. Mais de sete vezes não seria necessário. – Jesus recusa essa
aparente bondade e nobreza de coração para perdoar sete vezes, por ser humanamente fechado e
limitado. Com uma palavra poderosa ele rompe também essa medida humana. Não sete vezes, mas
setenta vezes sete vezes. Isso significa: A medida do perdão não tem limites!
Uma parábola tem a função de explicar essa exigência. Um  rei, designado de senhor no restante
da parábola, entregou um empréstimo a um de seus empregados (v. 27). O empregado em questão
gerenciou com ele um estabelecimento bancário. A dívida aumentou para proporções imensuráveis.
Dez mil talentos são aproximadamente 174 toneladas de ouro. Essa soma é uma dívida de fato
impagável. Para ilustrar a magnitude da dívida, podemos compará -la com a informação de que o
salário anual de Herodes Antipas perfazia cerca de 200 talentos.
O rei da parábola assume primeiramente uma atitude de direito, dando ordens de que o empregado
impossibilitado de pagar fosse vendido com mulher e filhos. A lei (Êx 22.2) já prevê a venda do
devedor como escravo. Contudo, o compatriota vendido tinha de ser alforriado no sétimo  ano (Êx
21.2). Portanto, o rei ordena que o devedor e tudo o que ele possui sejam vendidos. Porém, movido
pela súplica insistente do devedor, ele o liberta, sim, livra-o de toda a dívida. É exatamente assim que
o rei celeste de fato faz conosco, que lhe devemos uma soma impagável. Perdoa-nos a dívida do
pecado. Tanto é que Deus nos amou por meio de seu Filho. Não apenas uma vez, mas  milhões de
vezes, diária e abundantemente, Deus nos perdoa nossa dívida gigantesca.
Poucos momentos após ter sido isentado da enorme dívida impagável, o empregado da parábola
vai e procede exatamente do modo contrário com um colega. Assume diante dele uma atitude  legal e,
não obstante as muitas súplicas dele, persiste no seu direito, apesar de se tratar de uma pequena soma
e 100 denários, ou seja, o eqüivalente a 100 dias de trabalho (cf. 20.2).
Nós, seres humanos, costumamos ser muito “justos“ com os outros, persistimos na atitude
legalista diante deles, consideramos gigantescas suas faltas contra nós e não “queremos“ perdoar.
Jesus nos mostra como esta indisposição para a reconciliação nos coloca num terrível contraste com
Deus. Enquanto nós vivemos incessantemente de seu perdão, usufruindo dele numa medida que nem
se pode comparar com o que devemos uns aos outros, qualquer ofensa à nossa  honra nos torna tão
irados que não nos deixamos aplacar e que não queremos saber nada de perdoar. Pelo contrário,
clamamos pelo direito e pela condenação, como se fossem valores absolutamente necessários. Deus
precisa suportar que não perguntamos nem um pouco pela sua opinião, mas nós não suportamos
aquele que (do nosso ponto de vista) não dá atenção suficiente à nossa opinião. Diante de Deus
afirmamos, sem temor, muitas coisas erradas. Mas vingamos qualquer palavra errada de outros sobre
nós. Para Deus não temos tempo, nem dinheiro, nem coração. No entanto, quando alguém não nos
agradece e não nos concede o amor devido, consideramo -lo insuportável (cf. Schlatter, p. 288)!
No fim da parábola, Jesus nos apresenta a conseqüência dessa falta de compaixão e de disposição
para reconciliar-se: Quem não se torna misericordioso com a misericórdia de Deus e não aprende a
perdoar a partir do perdão de Deus, desperdiçou a graça de Deus.
Graça desperdiçada, por sua vez, provoca condenação. A graça de Deus transforma-se na ira de
Deus. Vejam como é séria, seríssima, a palavra de Jesus sobre o perdão mútuo!
É a inversão da prece do Pai Nosso: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também
perdoamos aos nossos devedores.“ Desta feita, a formulação é: “Tu nos  perdoaste a nossa culpa, por
isso também queremos perdoar àqueles que se tornaram culpados em relação a nós.“
Para essa questão, cf. o exposto sobre Mt 6.12-15. “Não há como negar: O perdão é o coração da
comunidade de Jesus. Quando cada irmão perdoa o out ro de coração, então dois podem se unir em
oração, corrigir-se mutuamente, buscar o desgarrado, superar o que é pernicioso, proteger os
pequenos, e honrar os humilhados; então Jesus está no meio deles!” (cf. Vischer).

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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