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71 A pergunta dos líderes judeus quanto à autoridade, Mc 11.27-33

A pergunta dos líderes judeus quanto à autoridade, Mc 11.27-33 
(Mt 21.23-27; Lc 20.1-8; cf. Jo 2.18-22)

27-33 Então, regressaram para Jerusalém. E, andando ele pelo templo, vieram ao seu encontro os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos e lhe perguntaram: Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal autoridade para as fazeres? Jesus lhes respondeu: Eu vos farei uma pergunta; respondei-me, e eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei! E eles discorriam entre si: Se dissermos: Do céu, dirá: Então, por que não acreditastes nele? Se, porém, dissermos: dos homens, é de temer o povo. Porque todos consideravam a João como profeta. Então, responderam a Jesus: Não sabemos. E Jesus, por sua vez, lhes disse: Nem eu tampouco vos digo com que autoridade faço estas coisas.

Em relação à tradução
   a
     Lit. “e me respondereis”; o futuro está aqui no lugar de uma frase condicional, como nas línguas
semitas.
   b
     Maneira respeitosa de evitar o nome de Deus; “de Deus”, portanto, como At 5.39 (Bill. I, 862ss).
   c
     Cf 9.33n.
Observações preliminares
1. Debates judaicos. Aos cinco debates na Galiléia (opr 2 à divisão principal 2.1–3.6) juntam-se cinco
peças semelhantes de Jerusalém: 11.27-33 (unido a 12.1-12); 12.13-17; 12.18-27; 12.28-34 e 12.35-37. No
último caso fica especialmente claro que se trata somente de excertos de debates deste tipo. Aqui, como nos
outros casos, a iniciativa com certeza foi dos que debatiam com Jesus. Eles reagiam ao seu ensino público no
templo.
2. Contexto. A questão da autoridade girava em Marcos em torno “destas coisas” (quatro vezes: v.
28,29,33), que são a sentença que Jesus pronunciou com reivindicação messiânica sobre o templo logo no
segundo dia (v. 15-17). De acordo com Mt 21.23 e Lc 20.1, ela se referia à atividade de Jesus ensinando. Este,
porém, parece mais ser um conceito abrangente, pois segundo Mc 11.18 a ação de Jesus junto com sua palavra
estava sob o título geral “ensino”. Ele ensinava por meio do sinal, e o sinal continuava presente durante o seu
ensino. Sobre o interrogatório do Messias, cf. Bill. I, 1017; III, 9s; IV, 797s e 1Co 1.22: “Os judeus pedem
sinais”.
     27     Então, regressaram para Jerusalém. E, andando ele pelo templo. Grundmann (p 317) acha que
Jesus palestrava como um filósofo grego, andando de um lado para outro entre os pavilhões de
colunas. Isto, porém, pressupõe um grupo pequeno de discípulos, não a grande massa do povo. É
provável que a delegação o tenha cercado entre um e outro discurso ao povo, estando ele a caminho
entre as dependências do templo, sem a proteção de um grande número de ouvintes (cf. Jo 10.23s).
Eles não interromperam sua pregação, mas se manifestaram depois. Vieram ao seu encontro os
principais sacerdotes, os escribas e os anciãos. Vieram aqueles de quem se diz em 8.31 que iriam
matá-lo. A menção completa dos grupos do Conselho Superior retrata uma cena pomposa. Como
representação da autoridade máxima eles queriam interrogá-lo, no contexto de um processo religioso
regular (cf. 2.6 e opr 2 a 3.1-6). A questão é, parecido com 14.61, a reivindicação messiânica de
Jesus, de modo que At 4.7 não é um paralelo exato aqui. Crer nele eles não iriam de qualquer forma,
assim como não creram depois de 14.61, mas eles teriam conseguido que seu movimento fosse
apanhado pela correnteza político-revolucionária. Depois seria possível acionar os romanos, o que
acabaram conseguindo. A propósito, esta passagem comprova a reserva de Jesus quanto ao uso do
título de Messias em público, apesar de ele chegar cada vez mais perto da coisa em si.
     28     E lhe perguntaram: Com que autoridade fazes estas coisas? Ou quem te deu tal autoridade
para as fazeres? O peso recai sobre a segunda pergunta. O tipo de autoridade resulta da sua origem.
O doador é característico para sua dádiva. Dificilmente eles contavam com que Jesus desse o nome
de algum rabino líder de uma escola ou de algum profeta, que o tivesse ordenado com imposição de
mãos, conferindo-lhe autoridade. Eles só estavam levando em consideração a autoridade dada por
Deus, ou a autoridade usurpada contra o templo de Deus, que só podia vir de Satanás (parecido com
3.22,30). A pergunta em si estava correta. Quem se apresentasse no templo da maneira como Jesus o
fazia tinha de provar que Deus estava mesmo com ele. Contudo, será que homens que só pensavam
em eliminar Jesus e preservar seu próprio poder tinham o direito de questioná-lo? Será que não
estavam lidando apenas profissionalmente com coisas para as quais já tinham perdido a
competência?
     29     Jesus lhes respondeu: Eu vos farei uma pergunta; respondei-me, e eu vos direi com que
autoridade faço estas coisas. Respostas em forma de pergunta são em Jesus mais do que
características do estilo judaico de discutir (Bill. I, 801s). Elas mostram que ele não aceita o papel de
acusado que é obrigado a responder.
     30     Agora ele se torna juiz: O batismo de João era do céu ou dos homens? Respondei! Com isto
Jesus não estava desviando a atenção e mudando de assunto. João Batista também tinha colocado o
santuário central em Jerusalém de lado, ao atrair a população para o Jordão (1.5). Lá também
apareceu uma delegação de Jerusalém e lhe fez perguntas parecidas, suspeitando reivindicações
messiânicas: “Quem és tu?” (Jo 1.19). João Batista igualmente proclamou a mudança divina das
épocas e convocou todo Israel à conversão (1.3s). Também com ele povo e liderança se dividiram,
quando esta não se converteu e se deixou batizar (Lc 7.30), mas disse que João estava possesso (Mt
11.18). João Batista também acabou seguindo o caminho de ser entregue (1.14). Assim, Jesus se
ligou de perto a João (cf. 9.11-13). A autoridade deste e a sua estavam intimamente entrelaçadas. O
julgamento de uma testemunha haveria de incluir também a outra. Agora eles terão de tomar uma
decisão fundamental diante de Deus.
     31,32     E eles discorriam entre si: Se dissermos: Do céu, dirá: Então, por que não acreditastes
nele? Eles se retiraram para confabular e calcular. Eles tinham entendido muito bem o juízo que
Jesus fizera deles: Não creram! A fé refere-se na Bíblia sempre ao Deus vivo, mas para eles Deus
estava fora de cena. A eles interessava antes e depois de tudo como poderiam equilibrar as
circunstâncias do momento. Deste modo, a desobediência deles na época de João reduzira
visivelmente seu espaço de manobra, gerando cada vez mais desobediência. Se, porém, dissermos:
dos homens? O raciocínio deles parou aí. Fazer esta pergunta implicava negá-la, pois eqüivaleria a
transgredir contra o propósito da sua vida, que era conservar o poder. Acusando João Batista de
herege, eles não poderiam manter-se, pois temiam o povo. Porque todos consideravam a João
como profeta.
     33     Então, responderam a Jesus: Não sabemos. Abster-se de votar era sábio dentro da política
pragmática e, por isso, dificilmente vergonhoso aos olhos deles. Este era o mundo onde eles estavam
em casa. Em 12.14 eles podem mandar dizer o contrário: “Sabemos que és…” O que aconteceu aqui?
Os “mestres em Israel”, “guias dos cegos, instrutores de ignorantes, mestres de crianças” (Jo 3.10,
Rm 2.19s) tinham desqualificado a si mesmos. A habilidade superior de Jesus em conduzir a
conversa os levara a isso. Sua dignidade como dignitários religiosos é oca. Eles mesmos assinaram
embaixo da sentença pronunciada contra eles no v. 17. Deste modo, Jesus não precisou mais
responder à pergunta que lhe fora feita. E Jesus, por sua vez, lhes disse: Nem eu tampouco vos
digo com que autoridade faço estas coisas.
Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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