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78 Louvor para a viúva no templo, Mc 12.41-44

Louvor para a viúva no templo, Mc 12.41-44 
(Lc 21.1-4)

41-44 Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora, 
muitos ricos depositavam grandes quantias. Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadranteE, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza deu tudo 
quanto possuía, todo o seu sustento. 

Em relação à tradução
   a
     Somente mais tarde foi proibido ficar sentado nesta parte do templo (Bill. II, 33).
   b
     Esta palavra é composta de gaza, tesouro, e phylakeion, sala para guardar objetos de valor. Assim era
chamado o pavilhão em que as doações eram armazenadas (Jo 8.20), mas provavelmente também os treze
cofres colocados ali, em que os contribuintes “lançavam” sua oferta (este termo é usado sete vezes aqui; ele
não combina com o depósito de doações). Os judeus chamavam as caixas de dinheiro também de “chifres”,
por causa da sua forma que se estreitava para cima, para impossibilitar as investidas dos ladrões. Doze destes
“chifres” tinham sua destinação escrita em cima. O décimo terceiro era destinado a ofertas voluntárias,
especialmente para a aquisição de animais para os holocaustos, que eram ofertados integralmente a Deus
(Gnilka II, 176; cf. Bill. II, 37-41).
   c
     chalkos a princípio eram moedas de cobre, mas aqui pode-se pensar em dinheiro em geral.
   d
     As viúvas judaicas podiam ser reconhecidas por suas roupas, que tinham de usar não somente por
algum tempo, mas por toda a vida (Gn 38.14,19). Estas eram feitas de pelos de cabra escuros e usadas
diretamente sobre a pele (Stählin, ThWNT VII, 57ss).
   
e
     O nome grego para a pequena moeda judaica perutah era lepton (Bill. I, 293; II, 45). Com estes dois
lepta a mulher poderia preparar para si três refeições (Sizoo, p 73s) ou comprar dois pardais (Mt 10.29).
Observações preliminares
1. A viúva como modelo. “A tradição faz com que Jesus ensine aqui o que na educação de costumes dos
gregos, romanos e judeus era um tema preferido: a pequena oferta dos pobres tem mais valor do que a doação
substancial dos ricos.” Com esta frase Wilken, Das Neue Testament, übersetzt und kommentiert, p 180,
comenta nossa história, representando uma série de comentários (p ex claramente Gnilka, p 178). Estaríamos
aqui diante de um testemunho de “humanitarismo judaico” (Lohmeyer, p 267), que devia ser implantado
também na igreja. Neste caso, porém, o que levou Marcos a inserir este ensino no meio de trechos altamente
cristológicos deve ter sido uma certa distração: no v. 40 acabara de soar a palavra-chave “viúva”; aí ele
lembrou de mais uma história com “viúva”. Esta saída, porém, não pode nos satisfazer. Concordamos que,
depois dos v. 28-34, temos aqui um segundo exemplo de religiosidade genuína no templo judaico, motivo do
segundo elogio de Jesus no “esconderijo de ladrões” (v. 17). Com isto, porém, a intenção do presente texto
não foi identificada ainda e muito menos esgotada. A interpretação precisa levar em consideração que no v. 43
foi anunciada expressamente uma instrução dos discípulos, que é introduzida de maneira especial e iniciada
com “em verdade”. Estas marcas de forma já não fazem esperar uma aplicação humanitária, mas uma palavra
de revelação com relação eclesiológica. O conteúdo, porém, também não traz uma advertência, talvez sobre a
atitude certa ao ofertar ou sobre a atitude social correta em relação às viúvas. Antes, como Jesus colocou em
9.36 uma criança no meio deles como figura espiritual, o mesmo ocorre com esta viúva religiosa sem nome. A
mulher desamparada, abandonada pelo marido, já fazia parte do estoque de figuras do AT. Israel no exílio era
semelhante a ela (Is 49.21; Jr 51.5). Iavé, todavia, tem uma relação especial com estes mais pobres, é “socorro
das viúvas” (Sl 68.5; 146.9; Dt 12.18). Por esta razão ele também trouxe Israel para uma nova aliança conjugal
(Is 54.4-6; Os 2.21s). Este sentido eclesiológico da figura da viúva Jesus usou em conexão com sua parábola
da viúva suplicante (Lc 18.2-8). Também em Ap 12.1-6 o povo de Deus escatológico se assemelha a uma
mulher perseguida. Seu contraste é a prostituta ricamente adornada, cortejada e entronizada como rainha em
Ap 17. Por fim, o contexto aqui favorece a viúva como parábola.
2. Contexto. No cap. 11 Jesus pronunciou a sentença contra o judaísmo do templo, no cap. 12 ele a reforçou
diante de um grupo após outro, no cap. 13 ele sai do santuário apóstata com seus discípulos e anuncia a
execução, a partir do monte das Oliveiras. Isto, porém, não significa o fim da linha do templo. Sempre mais o
novo templo entra em cena, erigido pelo Messias. Como parábola ele já aparecera em 12.10, um pequeno
indício em 11.27. Mas agora Jesus não sai do templo sem indicar aos seus discípulos a natureza do novo. A
comparação para tal não é construída por ele, antes ele a encontra no pátrio interno, junto ao cofre das ofertas.
Ali ele toma uma viúva judaica, que não era discípula, como contraste com os rabinos e como profecia
encarnada.
     41     Assentado diante do gazofilácio, observava Jesus como o povo lançava ali o dinheiro. Ora,
muitos ricos depositavam grandes quantias. Dá até para imaginar a longa fila de fiéis apressando-se para ofertar. Pelo visto, a vida comunitária florescia. O tesouro crescente do templo, porém, não
compensaria pela pobreza espiritual nem protegeria do juízo. Lembramos de Ap 3.1.
Jesus não teve de tornar-se indiscreto para saber o montante e destino das ofertas. Diante de cada
recipiente havia um sacerdote de plantão. A ele dizia-se o valor, de modo que ele pudesse verificar se
tudo estava nos conformes. Quem ficasse nas proximidades podia acompanhar o processo (Bill. II,
43). Em Mt 6.2 lemos que as ofertas eram “anunciadas” em voz alta. Pode até ser que um som de
trombeta chamasse a atenção para esta boa ação, mas faltam provas claras para tal prática
(Lichtenberger, EWNT III, p 538).
     42,43     Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um
quadrante. Jesus captou esta cena e lhe conferiu profundidade e brilho. E, chamando os seus
discípulos, disse-lhes. Uma introdução em dois tempos sempre tem um tom solene, oficial em
Marcos (cf. 3.13). Assim, Jesus começa: Em verdade vos digo o que não pode ser percebido à
primeira vista (cf. 3.28n): Esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos
os ofertantes. A mais pobre das pobres estranhamente tornou o templo rico, enquanto as grandes
contribuições dos ricos o faziam empobrecer. Este paradoxo precisa ser explicado.
     44     Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava. Mesmo que com isto mantivessem o templo
funcionando, de que valem “todos os holocaustos e sacrifícios” (v. 33) se faltam “todo o coração e de
todo o entendimento e de toda a força” em relação a Deus? O “muito” tirado da abundância deles não
salvaria o templo do juízo que transborda no v. 40b (mesma raiz da palavra). Ela, porém, da sua
pobreza deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento. Ela deu o que tinha, como a mulher em
14.8 fez o que pôde e o homem em 10.21 não conseguiu. Ela testemunhou validamente o domínio
absoluto de Deus, que os homens apenas recitavam no xma (cf. v. 28-34). É preciso observar que
aqui “todo” é repetido quatro vezes, exatamente como no v. 30.
Assim, esta viúva representa por um momento o novo povo do templo, para o qual Jesus morrerá e
ressuscitará e fornecerá a pedra fundamental (12.10). Este novo povo com certeza não será
constituído de pessoas que podem financiar o reinado de Deus. Suas contribuições não cobrem nem
mesmo as despesas de manutenção. Mas debaixo do amor de Deus no crucificado, que os desarma,
eles o deixam ser Deus sem reservas, entregam-lhe sua pobreza. Quando assim dão a Deus o que é
deles, eles o entregam realmente, sem continuar lutando pelo que é seu com outros meios (cf. v. 38-40).
Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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