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79 O anúncio da execução da sentença na saída do templo, Mc 13.1,2

O anúncio da execução da sentença na saída do templo, Mc 13.1,2 
(Mt 24.1,2; Lc 21.5,6; cf. 19.41-44)

1-2 Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções!     Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada.

Em relação à tradução
   a
     O grego tem aqui ainda a interjeição Olha! (ide), que em Marcos é mais forte que idou (cf. 3.34n).
   b
     O grego tem aqui um adjetivo (cf. NVI: “Que pedras enormes! Que construções magníficas!”), potapos
(para a tradução, cf. WB 1373). Ele é mais forte que p ex poios, e tem um toque de estranho, inexplicável e
que gera reverência; cf. o uso p ex em Mt 8.27; Lc 1.29; 1Jo 3.1.
   c
     ou me, em Marcos muitas vezes ligado à introdução com “em verdade”; a ênfase é quase de juramento.
Observação preliminar
Contexto. A forma do verbo neste lugar, indicando duração, “saindo ele do santuário”, se destaca de
11.11,19, onde a saída só é mencionada de passagem, como parte do ir e vir diário entre o templo e o
alojamento noturno. Estas idas e vindas agora acabam. Jesus sai para não voltar mais. O local muda e a
situação muda totalmente. Assim, estes dois versículos formam a passagem entre o templo e o monte das
Oliveiras. Também faz parte do caráter de passagem em que o diálogo se dá entre Jesus e um dos seus
discípulos, mas ainda não se restringe ao grupo dos discípulos, como a partir de 3ss. O público ainda pode
ouvir.
     1     Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos. Ainda enquanto eles estão saindo, no
meio da multidão que se aglomera, ouve-se esta exclamação de um dos seus seguidores. Nestas
circunstâncias, não temos aqui um diálogo formal de ensino, apenas esta declaração, que é abatida
por outra declaração de Jesus. O singular ao sair ele tem seu sentido aqui, mesmo que se
pressuponha que os discípulos andem com ele. Para Jesus trata-se de uma ação cheia de significado.
Ele está abandonando o navio que afunda, retira-se deste santuário questionável, assim como o povo
de Deus recebeu ordens de se retirar de Babilônia (Is 48.20; 52.11; Ap 18.4). Neste momento aquela
exclamação quer impedir seu êxodo, quer retê-lo e fazê-lo olhar para trás (cf. Gn 19.17,26). É outro
exemplo de falta de entendimento dos discípulos (cf. 1.36). Mestre! Que pedras, que construções!
O templo herodiano era uma das maravilhas do mundo antigo (Grundmann, p 380). Aqui, porém,
temos mais do que admiração arquitetônica. Não parecia que estas edificações se elevavam como
uma fortaleza das eternidades? O discípulo anônimo expressa seu assombro religioso, sua fé na
indestrutibilidade deste templo. “Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá”
(Mq 3.11; cf. 11.22). Este templo pode, sim, precisa ser reformado. Mas destruído? Sobre estes
fundamentos religiosos profundos baseou-se a louca guerra judaica. Durante o seu transcorrer, o
templo passou a ocupar cada vez mais o centro. Ele era considerado o fiador da causa de Deus.
Quando mesmo assim ele sucumbiu às chamas, os combatentes judeus desistiram.
     2     Jesus também captou o momento, mas com efeito contrário: quanto maior a construção, maior a
queda. Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que
não seja derribada. O próprio Deus eliminará este santuário apóstata (passivum divinum duplo, cf.
2.5). Uma segunda frase arremata: Vocês não ouviram mal. Este templo já deu o que tinha de dar. A
verdadeira adoração não mais acontecerá neste lugar (Jo 4.21), nunca mais (Ap 21.22).
Esta palavra pública de Jesus granjeou-lhe a morte, como mostram os ecos em 14.58; 15.29,38,
mas também o novo “templo”. O judaísmo centrado no templo encontrou o seu fim no ano 70. O
palco giratório do mundo se moveu, e uma nova época apareceu.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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