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80 O segundo acontecimento: A purificação do templo, Mt 21.10-17

O segundo acontecimento: A purificação do templo, Mt 21.10-17 
(Mc 11.11,15-19; Lc 19.45-48; Jo 2.14-16)

10-17 E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou e perguntavam: Quem é este? E as multidões clamavam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia. Tendo Jesus entrado no templo, expulsou a todos os que ali vendiam e compravam; também derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores. Vieram a ele no templo cegos e coxos, e ele os curou. Mas vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor? E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde pernoitou.
Observação preliminar
Na parte inferior do templo estavam guardados grandes rebanhos de ovelhas para a venda. O comércio
acontecia no pátio do templo. Acontece que essa circunstância havia causado discussões entre os rabinos. A
venda de vinho para os sacrifícios e de aves havia sido assumida integralmente pelas autoridades. Para trocar
no valor pleno da cotação as diferentes moedas com que se pagava o imposto do templo, também foram
colocadas bancas de câmbio no pátio, que trabalhavam com uma pequena margem de ganho.
O movimento mais intenso acontecia nas bancas de aves, porque o sacrifício de uma pomba constituía a
oferta das pessoas humildes. No pátio também se encontravam os mendigos e aleijados que pediam esmolas.
Esse é o quadro do movimento no templo encontrado por Jesus, que nos tempos de festa ganhava uma especial
agitação.
Em comparação com Marcos e Lucas, Mateus trilha caminhos próprios na transmissão da história
da purificação do templo, acrescentando-a imediatamente após a entrada em Jerusalém. A maldição
da oliveira, que Marcos narra entre os dois eventos, segue somente depois em Mateus. Desse modo,
a atual história ganha em clareza de propósito. Ela informa sobre uma ação de Jesus que confirma o
que a entrada e o júbilo da multidão haviam anunciado. Por meio dessa ação, Jesus confessa que é o
Messias.
Chamam especialmente a atenção em Mateus os versículos 10,11. Eles apontam para a
importância daquilo que agora está começando: a cidade de Jerusalém tem uma percepção do
significado daquele que vem a ela. A cidade já estremeceu uma vez, quando ouviu a notícia do
nascimento de Jesus. Naquele tempo o medo diante do rei Herodes e sua possível reação podem ter
sido o motivo principal do susto. Agora ela está se assustando com a possibilidade de que, através do
profeta Jesus de Nazaré, chega até ela o agir de Deus. Diante de Deus estremece-se, assim como
outrora o monte Sinai estremeceu sob a presença de Deus. Talvez a cidade não estivesse unânime e
consciente sobre o motivo do seu alvoroço. O evangelista, porém, certamente considera esse susto
como um testemunho inconsciente da presença de Deus em Jesus Cristo. A multidão proclama, aos
que perguntam, Jesus como o profeta, revelando e encobrindo-o simultaneamente. O profeta tem
uma estatura messiânica (Dt 18.15), mas a palavra “profeta” não é um título claro e inequívoco.
Profetas houve diversos. Indefinida fica a questão se agora está presente aquele profeta que é mais
que profeta.
Também para a história toda a pergunta permanece indefinida. Trata-se de uma ação profética
poderosa, mas profetas do AT tinham realizado atos semelhantes (Jr 19 e 27) e também tinham se
apresentado com uma palavra de autoridade (Am 7.10ss; Is 7.3ss). Por isso a ação de Jesus também
poderia ser entendida dentro dos limites do profetismo autêntico, ou seja, que ele nada mais queria
que propugnar pela observação da palavra de Jr 7.11, a qual eqüivale a uma renovação da pregação
de arrependimento que convoca de um culto formal para um arrependimento sincero e profundo. O
culto formal é a caverna em que o ser humano se recolhe com todos os seus pecados para esquivar-se
do alcance de Deus, que exige meia volta dele.
A purificação do templo, no entanto, poderia significar algo bem diferente. Desde os tempos do
exílio, quando Ezequiel (40–48) havia profetizado um novo templo para os tempos finais, ressurgia a
esperança de um novo templo. Curiosamente foi só João (2.19) quem relatou a palavra decisiva, que
reaparece no processo como acusação contra Jesus. É a afirmação de Jesus: “Eu posso derrubar o
templo de Deus e reconstruí-lo dentro de três dias”. Assim se pode explicar a pergunta assustada dos
fariseus, que mais tarde indagam com que autoridade ele o fará. Pois poderia ser que, como
suspeitam também os fariseus, aqui ainda está atuando outra autoridade que a de um profeta.
Da mesma maneira como em outra ocasião Jesus respondeu à pergunta do Batista indicando para a
cura de cegos e coxos, de leprosos e surdos etc. (Mt 11.5), também agora se deveria apontar para a
cura dos cegos e coxos para responder à pergunta sobre a natureza daquilo que estava acontecendo
aqui. Se Mateus, novamente ultrapassando Marcos e Lucas, informa esses fatos, ele o faz com a
intenção de tornar claro o que está acontecendo. No tempo do Messias os coxos e cegos deverão ser
curados (Is 35.5s). Agora o tempo do Messias teve início.
Por fim surgem ainda como testemunhas as crianças, trazendo para dentro da história tudo aquilo
que a entrada havia mostrado. Elas atestam que, para compreender o que está acontecendo, não está
em jogo uma avaliação racional, que registra todos os fenômenos que observa, para no final concluir:
“Sim, aqui está o Messias”, ou: “Não, o Messias ele não pode ser. Jamais!” No entanto, o próprio
Deus prepara a aclamação de homenagem das crianças, concedendo dessa maneira a descoberta de
que aqui acontece a salvação. É por isso que são as crianças que dão o testemunho.
Jesus afirma isso com mais nitidez no texto de Lucas (19.39s) que, pelo menos no conteúdo, é
paralelo a Mateus. A homenagem messiânica dedicada a ele ninguém pode fazer calar, pois é obra de
Deus.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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