Pessoas que gostam deste blog

81 Contra o conceito de salvação relacionado à expectativa de guerra, Mc 13.5-8

Contra o conceito de salvação relacionado à expectativa de guerra, Mc 13.5-8 
(Mt 24.4-8; Lc 21.8-11)

5-8 Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e enganarão a muitos. Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos assusteis; é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim. Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores.

Em relação à tradução
   a
     epi to onomati não pode ser traduzido por “em meu nome” como p ex em 9.39. Isto porque se eles
invocam positivamente o Messias, eles não podem afirmar ao mesmo tempo serem eles mesmo o Messias
(“Sou eu!”). Por isso só podemos considerar aqui o sentido: usurpando a messianidade que na verdade cabe a
Jesus (nome = majestade) (cf. BV: “Muitos virão dizendo que são o Messias”). São, portanto, messias falsos
como nos v. 21s (com Bietenhard, ThWNT V, 276 nota 224; Stauffer II, p 351; diferente de Hartmann,
EWNT II, p 1275).
Observações preliminares
1. Contexto. Perguntado sobre o “cumprimento” dos acontecimentos do fim (v. 4), Jesus responde falando
do “fim” (v. 7). Entretanto, logo a abertura: “Vede que ninguém vos engane!” mostra que ele tem algo a
corrigir. Ele vê que seus discípulos são assediados por idéias em relação ao fim que representam um perigo
para eles. O alerta vale até o v. 33.
2. Contexto do livro. De acordo com o v. 7 (e 10), os acontecimentos estão sob o mesmo “é necessário”
divino como os sofrimentos de Jesus conforme 8.31. Isto nos coloca a tarefa de relacionar esta profecia do fim
com a profecia do sofrimento, que marca tanto o livro a partir de 8.31. Esta relação consiste, segundo o
testemunho geral do evangelho, em que a morte de Deus representa a vitória decisiva do reinado de Deus e,
com isto, o fim e a mudança do mundo. A cruz inaugura os acontecimentos do fim. Esta inauguração significa:
o fim não acontece com uma explosão, mas expande-se em um tempo do fim, entre ressurreição e retorno. Isto
já foi indicado em 2.20 onde, depois da morte violenta do noivo, abre-se para os convidados ao casamento um
tempo de separação. (Um tempo intermediário também é pressuposto por passagens como 8.34s; 9.35;
10.29s,39,43). Esta experiência de abandono torna os discípulos suscetíveis a depressão e sedução. Cabe a eles
testificar um reinado de Deus que se revela no crucificado, um Senhor que fracassou oficialmente e
desapareceu. Esta dissimulação do poder de Jesus no seu oposto, esta invisibilidade em amplos setores,
ameaça acabar com eles e torná-los dóceis a outros salvadores e mensagens de salvação. A isto se dirige o
discurso de despedida. Ela não se presta à curiosidade de espectadores, mas em todos os seus conteúdos está
preocupada acima de tudo com os afetados, seu caminho e serviço no tempo do fim, seu perigo e sua salvação.
     5,6     Então, Jesus passou a dizer-lhes: Vede que ninguém vos engane! Para diferenciar entre essência
e aparência, temos de usar com empenho a capacidade de discernimento que temos, como cristãos,
por meio da Escritura e do Espírito (cf. 12.38n). Muitas seduções perderiam seu encanto se
olhássemos uma segunda vez. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu! Supostos profetas,
apóstolos e até messias eram testados em Israel e perguntados, p ex: “És tu o Messias?” (14.61; Jo
1.19ss; cf. opr 2 a 11.27-33 no fim). Depois da ascensão de Cristo haverá muitos que se oferecerão
com promessas grandiosas de revelações: “Sou eu” quem vocês estão esperando! Haverá um entrar e
sair de messias. O mundo que envelhece mostra sua pobreza, perplexidade e também fraqueza para
promessas de cura cada vez mais baratas. Por mais curta que seja a sobrevida delas, nunca faltam
novas promessas e grandes alto-falantes. Enganarão a muitos, também das fileiras dos cristãos (v.
22). Apesar destes falsos messias bem-sucedidos, os discípulos podem ficar com o evangelho de
Jesus. No tempo do fim importa evangelizar com fidelidade, em vista da apostasia (At 20.29-31; 2Ts
2.3-11; 1Tm 4.1).
No trecho paralelo de Lc 21.8 lemos: “Não os sigais!” A expressão também pode ser usada para
alistar-se em um exército. De fato, messias zelóticos convocaram para a última “guerra santa” contra
Roma. Eles imaginavam que assim forçariam Deus a intervir e a transformar tudo em salvação – uma
ideologia que tem a marca do desespero.
     7     Jesus não se deixou levar por ela. Quando, porém, ouvirdes falar de guerras e rumores de
guerras, não vos assusteis. Primeiro temos de observar que Jesus não está falando de certas guerras
em certos países, talvez na Judéia. De um modo tão geral como o v. 8 fala de terremotos – não é
preciso ser atingido por eles – também aqui se trata simplesmente de guerras, das quais ouvimos
falar. Notícias como estas, porém, podem ajudar a provocar uma febre escatológica. A igreja estranha
a ideologia da guerra que gera salvação. Como pode ela, mesmo que só secretamente, ter esperanças
no derramamento de sangue! O seu Senhor, cuja messianidade reside exatamente no fato de ter
derramado seu próprio sangue, jamais virá por meio da guerra. Por isso é totalmente indigno da sua
igreja perder o controle por causa de notícias de guerras e dar lugar a especulações desvairadas sem
avaliá-las com inteligência.
Em lugar do nervosismo entra a sobriedade. É necessário assim acontecer. Naturalmente as
guerras não são causadas por leis da natureza, não são “normais”, mas elas são o resultado de má
política, e de pessoas que não querem saber dos mandamentos de Deus e do Cordeiro de Deus. Tanta
maldade um dia não dá mais certo. Deus não deixa que zombem dele por muito tempo, por mais
paciente e longânimo que seja. Porém, a salvação uma guerra não pode gerar. Ainda não é o fim.
Marcos escreveu quando a guerra judaica estava agitando os ânimos, atiçando quiçá também na
igreja um clima de catástrofe, levando as esperanças de libertação ao ponto de fervura. Este clima era
compreensível, mas não de proveito para o serviço cristão. Por isso Marcos transmite estas palavras
que abafam claramente as convicções apocalípticas. “Lutem para se aquietarem!” podemos dizer
também aqui.
     8     Mais uma vez o olhar se volta para os sinais de decomposição de um mundo que envelhece. Eles
abarcam política, economia e ecologia: Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra
reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Mais uma vez Jesus fala em termos
gerais e globais. Ele está usando expressões antigas (Is 19.2; 2Cr 15.6; 4Esdras 9.3; 13.30s). A
combinação guerra-fome também acontece com freqüência no AT (especialmente em Jeremias) e no
judaísmo (Bill. I, 949). Estas coisas são o princípio das dores. Elas ainda são um posto avançado
solitário, sem nenhuma relação imediata com o novo que deverá “nascer”. O uso figurado das dores
de parto é comum no judaísmo e já no AT (Is 13.8; 26.17; 66.7s; Jr 6.24; 13.21; 22.23; Os 13.13; Mq
4.9s). Esta frase final destaca mais uma vez a preocupação básica destes versículos.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por nos visitar! Volte sempre!