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81 O terceiro acontecimento: Jesus amaldiçoa a figueira, Mt 21.18-22

O terceiro acontecimento: Jesus amaldiçoa a figueira, Mt 21.18-22 
(Mc 11.12-14,20-26)

18-22 Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome. E, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. Vendo isso os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira! Jesus, porém, lhes respondeu: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas até mesmo se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, tal sucederá. E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis.
Muitas vezes se levantou a pergunta, diante dessa história, se o acontecimento da morte súbita da
figueira não está baseado na parábola da figueira de Lc 13.6-9 (cf. Lc 7.6), ou em uma palavra
semelhante que compara o povo de Israel com a árvore que não produz frutos e que, por isso,
atingida pela maldição de Deus, precisa secar.
Talvez, como poderiam supor pessoas sem fé, Jesus tenha dito essas palavras a uma figueira que
há muito já estava seca diante das portas de Jerusalém. Essa árvore, há tempo ressequida à beira do
caminho, teria lembrado incessantemente a jovem comunidade das palavras de Jesus. A razão que
nos leva a dar espaço para essa hipótese é a consideração de que, de fato, seria a única vez em que
Jesus realizou uma milagre desses, que não teve utilidade para ninguém, mas representou um castigo.
A esse pensamento deve-se responder que esta história está tão firmemente ligada com a palavra do
milagre que perderia seu sentido se fosse interpretada como mera parábola.
Portanto, teremos de dizer em todo caso que este milagre constitui um acontecimento real e que a
história tem um duplo objetivo:
Por um lado, o milagre de secar uma figueira é um ato profético de Jesus e pertence, por isso,
integralmente ao contexto da purificação do templo (Jesus demonstra na figueira o que acontecerá
com o povo judeu, porque não produz aquele fruto que Deus espera dele, a saber, a fé em Cristo).
Por outro lado, diante desse milagre demonstrativo (como em 17.20 diante da incapacidade dos
discípulos) surge a pergunta pelo milagre como tal. De acordo com essa palavra de Jesus, a fé, a
oração e o milagre se complementam. A dúvida está em oposição direta, de modo que “ter fé”
significa o mesmo que “não duvidar”. Essa fé, porém, não é algo indefinido, não é uma confiança
genérica em Deus, mas fé genuína tem uma direção bem definida. Como exemplo, expressando algo
imenso, cita-se a palavra dita ao monte [Mt 17.20]. O paralelo de Marcos declara até com mais
clareza: “Quem crer que o que diz (em oração) sucederá, isto lhe será concedido” [Mc 11.23]. Em
decorrência dessa palavra, fé é a confiança em Deus numa situação bem determinada.
Esta palavra, pois, se aguça de modo especial a partir da situação do fim de Jesus. Caminhamos
para a decisão do povo judeu referente à sua posição diante de Jesus. O povo judeu tinha fé em Deus,
orgulhava-se dessa fé e vangloriava-se dela. Agora, porém, está em jogo se essa fé se comprova
diante da interpelação bem específica de Deus por meio de Jesus Cristo. Em todas as parábolas e
discursos está sempre de novo viva a palavra de Jesus: “Eu o sou”. Ela contém o convite:
Reconheçam em mim o próprio Deus, que quer agora que vocês sejam dele. Portanto, “fé” para o
povo judeu daquela época significa “a decisão muito concreta a favor de Jesus”. Para a comunidade
atual a situação é semelhante. Também hoje não serve para nada uma fé genérica, que fosse
equivalente a uma concordância de todos. Não, “fé” é, tanto hoje como então: decidir-se por Jesus,
agarrá-lo integralmente, e comprovar essa fé verdadeira e viva em situações bem concretas.
O texto paralelo de Marcos traz, num determinado grupo de seus manuscritos, uma outra
formulação que aguça o que significa fé. Lá consta (Mc 11.24): “Acreditai que o recebestes (quando
orais)”. Em conformidade com essa palavra, na oração a fé está tão segura de sua autoridade que,
para ela, antes de pronunciar o pedido, já se antecipa o cumprimento (cf. Mt 5.8).
Talvez ainda seja necessário enfatizar que, com isso, Jesus não fez um convite para realizar
milagres demonstrativos. Ao lado desta palavra permanece a que Jesus disse a Satanás: “Não tentarás
o Senhor, teu Deus” (Mt 4.7; cf. o exposto sobre esse texto). Igualmente vigora a rejeição daquele
milagre de castigo que os filhos do trovão queriam rogar sobre os samaritanos (Lc 9.54).
O poder de Jesus e o poder dado por ele aos seus manifesta-se primeiramente na ação de ajuda,
apesar de que, nesta história, Jesus, para instruir os discípulos e dar um sinal ao povo de Israel,
demonstrou o seu poder uma vez desse modo, ou seja, por meio de um milagre punitivo.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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