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82 Exortação para o testemunho firme também sob perseguições, Mc 13.9-13

Exortação para o testemunho firme também sob perseguições, Mc 13.9-13 
(Mt 24.9-14; Lc 21.12-19; cf. Mt 10.17-21,34-36; Lc 12.11,12,51-53; Jo 16.2; 15.21; 14.26)

9-13 Estai vós de sobreaviso, porque vos entregarão aos tribunais e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho. Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.      Quando, pois, vos levarem e vos entregarem, não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão 
contra os progenitores e os matarão. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.

Em relação à tradução
   a
     Este “e” esclarece: tribunais e sinagogas não são duas coisas diferentes, já que os tribunais locais dos
judeus eram exatamente os das sinagogas. Isto valia também para judeus no exterior. Assim que em uma
cidade morassem mais de 120 homens judeus, a comunidade da sinagoga local organizava um tribunal que
regularizava as questões próprias deles – tolerado pelos romanos (Lohse VII, p 864).
   b
     Não devemos pensar em espancamentos, mas na pena de quarenta açoites no âmbito do procedimento
judicial da sinagoga. Estas eram administradas no fim de um cerimonial muito exato. Primeiro o estado
físico do condenado era avaliado, para ver se suportaria o número completo de açoites. Apesar disto havia
quem morresse enquanto sofria o castigo, que era de um terço dos açoites no peito e dois terços nas costas.
Mulheres também eram chicotadas. Durante a execução da pena pelo empregado da sinagoga, um juiz
recitava versículos bíblicos, um outro contava os açoites, um terceiro dava a ordem para cada chicotada
(Schneider IV, p 522; Bill. III, 527).
   c
     hypomonein contém um elemento ativo, diferente do nosso termo “agüentar”: resistir, ficar firme,
segurar (Hauck, ThWNT IV, 585ss).
Observação preliminar
Contexto. O período antes do retorno continua sendo o objeto do ensino, mas agora tendo em vista o
serviço dos discípulos. Este é principalmente o tempo deles, em direção ao qual viveram desde a sua escolha
em 3.14. Como é importante para eles que não fracassem especialmente ali! Neste sentido temos nos v. 9-11 o
trecho central de todo o discurso. Isto explica por que este parágrafo tem tantas referências a Cristo. Menções
diretas, pessoais, estão logo no começo e novamente no fim (v. 9,13: “por minha causa”; v. 13: “por causa do
meu nome”) e, entre estas, termos relacionados com Cristo (v. 9: “testemunho”; v. 10: “evangelho”; v. 11:
“Espírito Santo”). Por fim, o “ser entregue” tríplice nos v. 9,11,12 inclui totalmente o destino dos discípulos
no caminho de Cristo, pois este verbo (cf. 1.14) descreve em Marcos catorze vezes a experiência de Jesus,
concentradamente nos dois capítulos seguintes (14.10,11,18,21,41,42,44; 15.1,10,12).
     9     Estai vós de sobreaviso! Esta segunda exortação para estar alerta (cf. v. 5) dirige a atenção deles
para eles mesmos. Deve estar bem claro em sua mente quem eles são e para que estão aí. Eles não
podem tornar-se produtos do ambiente, mas devem enquadrar-se totalmente no discipulado e no
testemunho! Eles nunca pertencem ao lado do caos, da violência e do medo (v. 7s). É melhor deixar-se surrar (v. 9) do que surrar outros, ser morto (v. 12) do que matar outros. Em todas as
circunstâncias, não perder Jesus e seu evangelho de vista! …(porque) vos entregarão aos tribunais
e às sinagogas; sereis açoitados, e vos farão comparecer à presença de governadores e reis, por
minha causa, para lhes servir de testemunho. Sua perseverança ao lado de Jesus e sua
incorruptibilidade em face das promessas falsas de felicidade (v. 6) os isola e levanta o mundo à sua
volta contra eles. A frase engloba tanto as primeiras investidas missionárias ainda dentro da sinagoga
como o trabalho posterior, onde tiveram de enfrentar os poderosos do mundo. A resistência é
unânime. É claro que há momentos para descanso, conversas descontraídas, acordos, elogios e
táticas, mas assim que os dois lados deixam entrever o que são, ficará evidente: os senhores de até
então não querem o futuro senhor. O mundo quer se manter e, por isso, tem de dar um jeito nestas
testemunhas. Mas exatamente neste momento, o lugar do seu sofrimento, a delegacia de polícia ou a
sala do tribunal, torna-se lugar do seu testemunho. Faz parte da natureza da coisa que o interrogador
tenha orelhas atentas para o acusado. Sua tarefa é fazer perguntas e mais perguntas. Basta isto para
que ele seja um homem perdido? Ele experimenta a mensagem de Cristo e está entregue ao poder
absoluto de Deus. Isto pressupõe que a testemunha não esparrame queixas indignadas no tribunal
nem dê vazão a medo e vingança. Ela só precisa olhar para si mesma, quem ela é e para que está ali.
     10     Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações. Esta frase não
poderia faltar aqui. Ela esclarece o que acabou de ser dito, trazendo à mente a situação geral. É tempo
do fim, e isto significa “primeiro” tempo de proclamação. E isto é universal: “a todas as nações”. Os
confins da Terra fazem parte dos fins dos tempos. Deus quer alcançar mais uma vez com sua graça
este mundo, cujo tempo está acabando, em sua totalidade. Esta é a única razão para estender o tempo
(2Pe 3.9). É neste sentido que os discípulos devem classificar e subordinar tudo (“é necessário”). Até
as perseguições, então, serão entendidas como momentos favoráveis, pois por meio delas os cristãos
chegam até lugares e pessoas que de outra forma não seriam alcançados. Podemos ver alguns poucos
exemplos em At 3.1ss; 5.17ss,41; 6.8ss; 8.1; Fp 1.12ss; 2Tm 2.9. A voz passiva “seja pregado” em
vez de “vocês devem pregar” nos conscientiza de quem é o verdadeiro ator (passivum divinum, cf.
2.5). O próprio Deus é o evangelista. É claro que ele tem colaboradores, mas no centro está a verdade
de que missões é seu objetivo e atividade primordial no tempo do fim.
     11     Depois de Deus ter sido reconhecido como o verdadeiro missionário (v. 10), seu Espírito é
apresentado como aquele que na verdade é quem fala. Quando, pois, vos levarem e vos
entregarem. Como o missionário se sente estranho e desamparado em uma delegacia estrangeira, no
tribunal com seus procedimentos, no palácio do rei e, em termos gerais, entre o outro povo com sua
língua! Nada seria mais natural do que sua cabeça ser agitada por pensamentos assustados e seus
instintos de preservação o paralisarem. Talvez sua resistência física também já tenha sido quebrada
por torturas. Agora ele entra na sala acabado também psicologicamente. Certamente o trabalho
missionário nos encontra incapazes por natureza (2Co 2.16), mas isto seria o auge da impotência.
Trata-se dele aqui para lançar luz também sobre situações normais. Não vos preocupeis com o que
haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós os
que falais, mas o Espírito Santo. Deus não envia suas testemunhas para retirar-se para trás delas.
Pelo contrário, ele dá o seu Espírito para ajudar, no caso aqui no tribunal. Ele dá força (At 1.8) e
palavra. Todo o livro dos Atos dos Apóstolos e Jesus em 12.27 são prova disso. O caso exemplar,
porém, continua sendo o próprio Senhor quando ele foi “entregue” e suportou os interrogatórios
noturnos. Os primeiros cristãos não deixaram escapar este exemplo (Rm 15.2; 1Tm 6.13; 1Pe 2.21-23).
     12,13     Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão
contra os progenitores e os matarão. O “caso exemplar” de Jesus não se refere somente à sua
manifestação pública. Jesus também sofreu no seu círculo mais íntimo Aquele que sentava com ele à
mesa virou-lhe as costas (Jo 13.18), Judas o “entregou” (3.19; 14.10,11,18,21,42,44). Com destino
semelhante, as testemunhas de Jesus podem chegar bem perto do seu Senhor. Jesus inclui palavras
antigas de profetas neste contexto (Is 66.5; Mq 7.6; Zc 13.3; paralelos judaicos em Pesch II, 286),
porém não se refere à decadência social geral, mas à separação causada pelo evangelho (cf. 3.31ss;
10.28ss). A frase final o expressa diretamente: Sereis odiados de todos por causa do meu nome. A
vida do discípulo parece tornar-se impossível. Por isso, uma frase para os vencedores, como nas
cartas do Apocalipse: Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. Mais uma vez –
oculto no passivum divinum “será salvo” – o próprio Deus intervém. Ele em pessoa garante vida e
salvação. Ele a garante a quem permanece no serviço até o fim. De Jesus sabemos que ele “amou os
seus até ao fim” (Jo 13.1). A expressão inclui, em caso extremo, o sacrifício da própria vida (cf. Ap
2.10). Que pessoas estão dispostas a isto? Aquelas que tiveram a idéia de contar com a ressurreição.
Paulo dispôs da sua vida nos seguintes termos: “Minha morte deve estar ligada ao meu destino, para
que eu alcance a ressurreição”. Ele não se desviou para o misticismo com estas palavras, mas
pensava concretamente na “comunhão dos seus sofrimentos” (Fp 3.10).

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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