Pessoas que gostam deste blog

82 O quarto acontecimento: Acerca da autoridade de Jesus, Mt 21.23-27


O quarto acontecimento: Acerca da autoridade de Jesus, 21.23-27 
(Mc 11.27-30; Lc 20.1-8)

23-27 Tendo Jesus chegado ao templo, estando já ensinando, acercaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, perguntando: Com que autoridade fazes estas cousas? E quem te deu essa autoridadeE Jesus lhes respondeu: Eu também vos farei uma pergunta; se me responderdes, também eu vos direi com que autoridade faço estas cousas. Donde era o batismo de João? Do céu ou dos homens? E discorriam entre si: Se dissermos: do céu, ele nos dirá: Então, por que não acreditastes nele? E se dissermos: dos homens, é para temer o povo, porque todos consideram João como profeta. Então responderam a Jesus: Não sabemos. E ele por sua vez: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas cousas. 

Em relação à tradução
     a
     A pergunta poderia ser entendida como pela sua autorização para ensinar, porque a incumbência para
ensinar era concedida somente mediante uma ordenação. Ensinar sem permissão era considerado
transgressão que perverte o mundo. Nesse caso, porém, a pergunta estaria se referindo especificamente à
atividade docente de Jesus (cf. sobre isso o comentário).
     b
     Céu, como tantas vezes, circunscreve o nome de Deus. No texto original está sem o artigo definido,
porque nesse contexto “céu” já era usado praticamente como nome próprio de Deus.
Enquanto Jesus ensina no templo, uma delegação dos sacerdotes e anciãos se aproxima dele,
perguntando pela autorização para a sua maneira agir. Desse modo Jesus já se encontra, agora, como
mais tarde no processo, diante da autoridade espiritual e secular de seu povo. A pergunta adquire
uma importância incomparavelmente maior que todas as perguntas dirigidas a ele anteriormente, em
controvérsias (16.1; 19.3 etc.).
Segundo o direito judaico, a pergunta meramente poderia ser pela autoridade de quem ele está
ensinando. Essa seria uma pergunta bem normal, que os líderes até tinham obrigação de levantar. O
evangelista, porém, a deixa propositadamente aberta. Para ele a questão está formulada de modo
muito mais abrangente. Por trás dela está o susto pela marcha de entrada e pela purificação do
templo. Por isso a conseqüência dessa pergunta para Jesus, caso ele confessar que a origem de sua
missão está em Deus, não será apenas um processo doutrinário que lhe poderia acarretar uma
proibição de ensinar, mas nessa pergunta já estão em jogo vida ou morte. Agora não pode acontecer
mais nada em Jerusalém que não esteja direcionado para essa decisão final.
A contra-pergunta de Jesus traz consigo primeiramente a alegria de podermos ver como o Mestre
se desvia com supremacia. Ele escapa da “armadilha” que acompanha a pergunta, preparando ele
próprio uma armadilha aos inquiridores. Ela é difícil de desviar, à semelhança da tentação que lhe foi
colocada mais tarde na questão referente à legitimidade de pagar impostos (Mt 22.15ss).
É marcante como Jesus se mostra melhor preparado para uma controvérsia dessas que seus
tentadores. Há um motivo específico no fato de se mostrar a superioridade de Jesus diante dos que o
tentavam. Torna-se evidente que Jesus não se encaminha para o sofrimento e a morte porque fosse
inferior e tropeçasse em algum ponto. Pelo contrário, ele vai para a Paixão e morte porque sua hora
está se aproximando, conforme a vontade do Pai, com quem ele se sabe unido (Jo 7.30; 8.20). As
autoridades de seu povo não o podem pegar, mas ele se entregará voluntariamente nas mãos do povo
quando chegar a hora. Apesar disso, a contra-pergunta de Jesus não constitui apenas uma forma de
escapar, mas secretamente uma resposta bem direta. Pois quem é Jesus e com autorização de quem
ele age estão indissoluvelmente ligados à importância do Batista! Por isso, a posição frente a Jesus
está estreitamente ligada à posição diante de João. Foi o que Jesus já afirmou com clareza em Mt
11.10. Por conseguinte, na pergunta de Jesus já está contida a resposta: dependendo da posição que
vocês adotarem perante João e seu batismo, também entenderão a autoridade do meu modo de agir.
Sim, a resposta é mais flagrante, pois a posição do judaísmo oficial, que pergunta Jesus, já está
definida em relação a João. Jesus desmascara a pergunta deles como pergunta retórica. Através do
posicionamento de Jesus frente a João Batista (e por muitas outras atitudes dele) eles todos devem
saber com que reivindicação de poderes Jesus se apresenta e age. Contudo, o significado dessa
reivindicação de autoridade permanece inacessível para aquele que não quer a Jesus. Diante dele
somente é possível decidir-se pela fé ou pela descrença, pela aceitação ou rejeição.
Ao se eximir dessa maneira de uma pergunta com características de uma audiência judicial, Jesus
imprimiu ao julgamento posterior contra ele a marca que lhe cabia. Não são pessoas que estão
reunidas para julgar o Filho de Deus, porém nesse processo se consumará o último juízo sobre o
povo de Israel e todos os que não querem crer.
Sucede sempre de novo que pessoas acham que têm de dirigir a Jesus Cristo e à sua mensagem a
pergunta pela autoridade, e sempre de novo acontece que essa pergunta se volta contra o próprio
interrogador, chamado-o à decisão: “Que lhes parece a respeito do Cristo? De quem é ele Filho?” (Mt
22.42).

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por nos visitar! Volte sempre!