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83 Chamado para o êxodo do judaísmo, Mc 13.14-20

Chamado para o êxodo do judaísmo, Mc 13.14-20 
(Mt 24.15-22; Lc 21.20-24; cf. 17.31)

14-20 Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montesquem estiver em cima, no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa; e o que estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que isso não suceda no invernoPorque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá. Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas, por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias.

m relação à tradução
   a
     bdelygma, originalmente aquilo que causa náuseas, sendo que no AT o termo se refere àquilo que é
repulsivo e ofensivo a Deus: imagens dos ídolos pagãos e o estilo de vida pagão em geral. Por isso os fiéis
ficam longe disto. O substantivo aparece no NT fora dos evangelhos mais três vezes referindo-se às nojeiras
dos pagãos (Ap 17.4,5; 21.8) e, significativamente, em Lc 16.15 também para a religiosidade farisaica. Em
nossa passagem e no texto paralelo de Mateus o termo está ligado diretamente ao qualitativo que o segue, e
tem um sentido específico (cf. opr 2).
   b
     A tradução tradicional, literal, fala em devastar, mas no presente contexto não se trata de transformar
algo em “deserto”, destruir militarmente como em Lc 21.20 (cf. opr 2). A função do “grande terror” (BLH)
consiste na profanação do templo (“no lugar santo”, especifica Mt 24.15), de modo que os crentes
verdadeiros deixam de vir e o santuário fica deserto (Schrenk, ThWNT III, 245; Kittel, ThWNT II, 657).
Pesch tem este resultado final em vista ao traduzir: “abandono nojento”.
   c
     A forma do verbo pressupõe aqui uma pessoa masculina. A pergunta que se levanta é se podemos
forçar esta posição no grego do século I. É significativo que Mt 24.15 coloca uma forma neutra nesta
posição. Dificilmente este verbo pode ser ponto de partida para a interpretação.
   
d
     A tradução literal é “para os montes”. A Judéia era uma região montanhosa, mas deve ficar claro que a
intenção é que os implicados deviam abandonar sua pátria e ir para a antiga região dos fugitivos, além do
Jordão (cf. WB 1155). A Transjordânia era um planalto bem mais alto que a região montanhosa da Judéia.
   
e
     Sobre a cobertura plana das casas transcorria boa parte da vida diária.
   
f
     É recomendável entender este “nem” como esclarecimento. É claro que quem fosse fugir teria de
descer de cima da casa, mas não deveria entrar na casa. Pressupõe-se uma escada externa.
   
g
     O “inverno” é, na Palestina, a época da chuva e do frio, de outubro até março, o mais tardar. A chuva
cai durante poucos dias torrencialmente e com tanta violência que pode arrancar terra, casas e pontes.
Especialmente as trilhas nas montanhas tornam-se intransitáveis.
   
h
     Aoristo profético: algo futuro já está como que perfeito, absolutamente garantido (Jeremias, Theologie,
p 140).
Observações preliminares
1. Estruturação do discurso dos v. 5-23. Não poucos intérpretes viram entre os v. 13 e 14 uma mudança
decisiva de momento. O “começo das dores” (v. 8) já teria passado e o fim chegado. A salvação mencionada
no v. 20 se referiria à volta de Cristo. É que os primeiros cristãos esperavam que o fim do mundo viesse junto
com a destruição do templo, no que se enganaram. Em vista disto, o trecho é intitulado: “O Fim” (Lohmeyer,
Wohlenberg parecido). Esta interpretação, porém, não consegue explicar satisfatoriamente uma porção de
detalhes do texto. Ela começa a patinar. De acordo com o NT as coisas adquirem dimensões globais
exatamente à medida que se aproxima o fim. Isto já vale para o “começo das dores”. Segundo os v. 8s, tudo
passa a ter alcance global: as agitações, as proclamações do evangelho, assim como as perseguições. Isto vale
ainda mais para o fim em si (v. 24ss). Nosso trecho, porém, destoa deste quadro. Tudo está vinculado
localmente: ao templo em Jerusalém, à Judéia e à Transjordânia. As demais regiões do mundo são como
espectadores. Também a cristandade em Roma só observa, meramente dedica-se à leitura, pois Marcos insere
no v. 14: “Quem lê entenda!”
Como, então, nosso parágrafo 14-20 se enquadra? Com toda certeza ele faz parte do primeiro grande bloco
do discurso, que vai do v. 5 ao 23. A unidade deste pode ser vista no fato de que ele começa e termina com a
advertência para estarem alerta e não se deixarem enganar. Numa diferença clara contra o que segue, ele é um
discurso de advertência. Mas seu assunto também é evidente. Ele é de natureza cristológica, pois Jesus adverte
contra falsos cristos. Com isto ele abre o v. 6 e a isto ele retorna nos v. 21s. Os discípulos não se devem deixar
atrair, no grande intervalo entre a Páscoa e o retorno de Jesus, do Cristo ressuscitado para cristos falsos e
guerreiros. De acordo com isto, todo o bloco se refere à mesma situação. Esta expressamente “ainda não é o
fim” (v. 7), apesar de já ser permeada por presságios, do “princípio das dores” (v. 8). O trecho intermediário 9-13 se presta, em meio a estas advertências, à exortação positiva à fidelidade no serviço do evangelho.
Com isto chegamos à pergunta de como a primeira parte (v. 5-8) e a terceira (v. 13-20) estão relacionadas.
Ambas respondem à pergunta dos discípulos no v. 4 sobre o quando: “Quando ouvirdes” (v. 7) e “quando
virdes” (v. 14). Nos dois casos seguem frases sobre agitações políticas (mesmo que mais no pano de fundo,
nos v. 14ss). A diferença é somente que na primeira parte se fala delas em termos gerais, enquanto que na
segunda Jesus dá detalhes concretos de lugar e tempo. Não estão mais em vista as estruturas gerais do tempo
do fim, mas um exemplo específico, ou seja, a Guerra Judaica nos anos 66-70. É claro que esta guerra era um
exemplo de classe muito especial. Nele o judaísmo do templo viveu seu julgamento anunciado, e os primeiros
cristãos separaram-se dele definitivamente. Diante deste caso agudo, Jesus repete nos v. 21s sua advertência,
com insistência redobrada: este acontecimento que se forma como nuvens escuras no horizonte ainda não está
ligado à intervenção salvadora de Deus, portanto, ainda não é “o fim”. Pelo contrário, ele deve liberar a igreja
definitivamente para o serviço entre os povos.
2. O “abominável da desolação”. Um incidente determinado no templo deveria fazer com que os
discípulos fugissem da Judéia às pressas. Jesus o identifica com uma expressão conhecida desde Daniel, que
acompanha o povo de Deus e várias vezes se tornou real. Na história existe a lei da repetição e, por isso,
também cumprimentos (vide item 3, abaixo) repetidos. De acordo com Dn 9.27; 11.31; 12.11, a expressão se
refere à substituição dos sacrifícios diários no templo de Jerusalém por uma contrapartida sacrílega. Com isto
o santuário estaria profanado, perdendo seu caráter de templo. “Abominável da desolação” não dá nomes aos
bois, simplesmente penetra na natureza do processo. Este enfoque no sentido espiritual é a marca da profecia
autêntica. O profeta fala da história em termos diferentes do historiador. Se ele fosse mais direto em termos
históricos, entrando em mais detalhes, ele se tornaria menos crível. Por isso os ouvintes também deveriam
renunciar a querer tirar mais dele. Cabe a eles detectar a tendência básica, esperar e vigiar.
3. Cumprimentos. O primeiro e clássico cumprimento da expressão “abominável da desolação” teve lugar,
segundo 1Mac 1.54; 6.7, por obra do rei sírio Antíoco IV Epifânio, que erigiu no ano 168 a.C. a “abominação
da desolação” (BJ) no pátio do templo de Jerusalém. Para horror inesquecível dos fiéis, ele fez oferecer carne
de porco sobre o altar dos sacrifícios, transformou as salas circundantes em bordéis e consagrou uma imagem
ao deus grego Zeus. Sob ameaça de pena de morte ele ordenou a adoração desta imagem. – Para o que, porém,
apontava a renovação da profecia por Jesus? Várias interpretações já foram apresentadas:
a. Apontou-se para 2Ts 2.4 (Cf Ap 13.6), onde Paulo, baseado em Dn 11.36, escreve sobre uma profanação
do templo pelo Anticristo. Neste caso o próprio Anticristo seria esta “abominação da desolação” personificada
(falta ali, porém, a expressão literal) (assim pensam Klostermann, Grundmann, Schmid, Wikenhauser,
Lohmeyer, Gnilka, Foerster, ThWNT I, 600 e outros). Contudo, não seria sem sentido fugir do Anticristo de
algum lugar para outro? Ele não alcança o mundo inteiro? E se devemos esperar precursores do Anticristo
segundo o v. 21, ele não estaria chegando muito cedo no v. 14? Além disso, o templo neste caso já não estaria
destruído há tempo?
b. Outros indicam que o imperador Calígula, dez anos depois da morte de Jesus, fez uma nova tentativa de
erigir uma estátua sua no templo judaico. Ela já estava confeccionada, mas sua instalação foi frustrada por seu
assassinato no dia 24 de janeiro do ano 41. Um dos que remetem a isto é Schlatter (Matthäus, p 706; cf.
Schrenk, ThWNT, 245). No outono precedente um profeta cristão poderia ter convocado a igreja para a fuga,
semelhantemente a Ágabo em At 21.10. Trinta anos mais tarde Marcos ou um precursor teriam temido que
uma tentativa como esta poderia repetir-se. Utilizou, então, aquela profecia do desconhecido e a pôs nos lábios
de Jesus. É claro que isto implica uma porção de arranjos. Acima de tudo Marcos não escreveu num estilo que
lhe permitisse colocar nos lábios de Jesus profecias conforme a sua opinião.
c. Tem sido pensado que o “abominável da desolação”, “situado onde não deve estar”, teria sido o general
romano com suas tropas, quando apareceu pela primeira vez em uma elevação em frente à cidade, no dia 17 de
novembro do ano 66 (portanto, ainda não no templo!). Muitos judeus teriam abandonado a cidade já naquela
ocasião. Ou os intérpretes aplicam a profecia à destruição do templo em si e sua profanação no 70 (Dehn,
Schmithals, Barclay, Pesch e outros). Mas será que então já não era muito tarde para uma fuga?
d. Haenchen, p 447, separa a interpretação totalmente do templo e da Judéia e pensa na introdução iminente
da adoração do imperador em todo o Império Romano, perto do fim do século. Como texto paralelo ele indica
Ap 13.11-18. Segundo este pensamento, os cristãos deveriam ocultar-se em vários locais por todo o Império,
para subtrair-se à obrigação da adoração do imperador. Aqui o intérprete passa por cima do texto que temos,
com sua vinculação clara ao templo e sua adequação às condições judaicas.
     14     Jesus retoma a pergunta dos discípulos sobre o momento do fim: Quando, pois, virdes o
abominável da desolação situado onde não deve estar. Ou os discípulos serão pessoalmente
testemunhas disso em Jerusalém, ou “ver” tem aqui um sentido mais atenuado: experimentar,
perceber. Também em passagens como Mt 2.16; 21.32; Tg 5.11, “ver” não implica percepção ocular
pessoal, mas ouvir falar. Quando virdes”, então, teria o sentido de o pessoal viu, e vocês ouviram
falar. O que será visto está duplamente oculto, de modo tipicamente profético, em termos de o que e
onde. O local a ser profanado, todavia, somente pode ser um “lugar santo”, como Mt 24.15 expressa,
neste contexto claramente o templo de Jerusalém. De que maneira, porém, acontece a profanação,
Jesus deixa em aberto.
Marcos, porém, entrementes pode ajudar o entendimento dos seus leitores.
Quem lê entenda! (cf. Ap 13.18; 17.9). Pela forma, não se trata de uma continuação do discurso
de Jesus, mas de uma interrupção. Marcos, ao escrever, está emocionado porque a profecia está-se
cumprindo diante dos seus olhos, e chama a atenção dos seus leitores para isso. Nestas
circunstâncias, podemos perguntar com cuidado que acontecimento antes da destruição no ano 70 –
pois não se fala de uma ação militar – poderia estar em vista.
O que segue acompanha Grob, p 213; Lane, p 469; Sowers, em Pesch II, 292: De acordo com Josefo, Guerra Judaica IV, 3 e 5,
ainda antes do início do cerco romano, um bando de zelotes desvirtuados sob a liderança de João de Giscala estabeleceu um
governo de terror na cidade. Eles saqueavam, farreavam e assassinavam. No próprio santuário eles esfolaram 8.500 judeus,
esfaquearam o próprio sumo sacerdote e jogaram seu cadáver por sobre os muros para o desfiladeiro. Por fim, tiveram de
entrincheirar-se na área do templo, contra o povo revoltado. No inverno de 67-68 seu sacrilégio chegou ao auge ali. Eles
empossaram um homem muito primitivo, de nome Fani, como sumo sacerdote. Este mal entendeu o que lhe acontecia quando
“o enfeitaram com uma máscara estranha no palco” e o vestiram com a veste sagrada. “Este sacrilégio imenso para eles não
passou de diversão e zombaria.” Naquela ocasião, o ancião Ananos lamentou: “Eu preferia ter morrido a ter de ver a casa de
Deus tão cheia de abominações (bdelygma), e o lugar nunca antes pisado (o santíssimo lugar) manchado pelos pés dos
assassinos”. Ele também foi eliminado pouco depois. – Entre os judeus em Roma e os de Jerusalém havia comprovadamente
uma comunicação freqüente. Portanto, os leitores de Marcos estavam informados sobre o horror.
Portanto, pode ser que Marcos tivesse entendido que a “abominação da desolação” se cumprira
neste episódio, e que chamou a atenção para isso. Fani estava “situado onde não deve estar”. O
templo se transformara agora totalmente em “esconderijo de ladrões” (11.17). É significativo que os
agentes eram zelotes, ou seja, os representantes mais radicais do judaísmo messiânico centrado no
templo. Este condenara a si mesmo.
Depois desta autocondenação, a execução era somente uma questão de tempo. Convencidos
interiormente por esta profanação, os cristãos deveriam tirar suas conclusões e romper totalmente
com o judaísmo. Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes. A expressão inclui os
cristãos de Jerusalém, mas abrange o país inteiro. Especialmente para os moradores das redondezas, a
aproximação dos inimigos sugeria o abrigo na capital fortificada (como p ex em Is 16.1-4; Jr 5–6).
Neste caso, porém, a palavra profética os orientava a abandonar Jerusalém ao seu castigo iminente. A
cidade se tornara como Sodoma (cf. v. 16). O que, porém, valia para os discípulos era: “Não
morrerei; antes, viverei e contarei as obras do Senhor” (Sl 118.17).
De fato, temos informações que confirmam esta interpretação. Quando os romanos tomaram a
cidade no ano 70 e venderam os sobreviventes como escravos, não havia cristãos entre eles.
Enquanto no fim todos os grupos judeus tinham-se deixado arrastar para o desvario messiânico da
guerra, os cristãos se conservaram ao longe, apesar de isto lhes custar perseguição e martírio
(Goppelt, Zeitalter, p 41). Para começar, em 66 eles deixaram a cidade e o país em direção ao
Oriente. Em Pela, na Decápolis, eles encontraram um novo local para morar (Eusébio, História
Eclesiástica III 5.2s; 196.14). Muitos também saíram para os campos missionários. Desta maneira a
palavra profética do seu Senhor os preservou.
     15,16     Os dois próximos versículos ordenam a fuga sem qualquer hesitação. Quem estiver em cima,
no eirado, não desça nem entre para tirar da sua casa alguma coisa. Como alguém que acorda
com a casa em chamas, eles devem sair correndo e salvar a pele. E o que estiver no campo não
volte atrás para buscar a sua capa. O acréscimo “atrás” se encontra literalmente em Gn 19.26. Isto,
segundo Lc 17.32, significa: “Lembrai-vos da mulher de Ló!” Com isto Jerusalém se tornou igual a
Sodoma. Ao povo de Deus cabe aceitar os julgamentos de Deus.
     17,18     Os outros versículos dignificam a angústia que esta separação da Judéia causará. Ai das que
estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Mulheres grávidas enfrentarão as
agruras da fuga com dificuldades, muitos bebês terão de ser sepultados à beira do caminho. Em 1Co
7.27,28 Paulo deixa entrever que situações como esta não eram incomuns. Orai para que isso não
suceda no inverno, quando os rios transbordam e não podem ser atravessados e os caminhos
enlameados se tornam um suplício. Nas montanhas os refugiados são recebidos por um frio cruel.
     19     Porque aqueles dias. “Aqueles dias” (já no v. 17) são, muitas vezes mas não automaticamente, na
Bíblia, os últimos dias do mundo. Pode tratar-se também de uma indicação geral (p ex 1.9; 2.20;
4.35; 8.1). Portanto, os dias da fuga serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o
princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá. Nem o enfoque no que
nunca houve deve nos induzir a ver nesta tribulação a última, pois esta será abrangente e não limitada
a certo grupo de refugiados. Trata-se aqui de uma expressão exagerada para medidas máximas. Estas,
contudo, podem ocorrer várias vezes (Êx 9.18,24; 10.6,14; 11.6; Dt 4.32; Is 2.2; Jr 30.7; Dn 12.1; Ap
16.18; na literatura judaica 1Mac 9.27 e Bill. I, 953 e Grundmann, p 360). Aqui já temos a indicação
de que o tempo continuará correndo. Haverá tribulações sempre de novo, até a volta do Filho do
Homem.
     20     Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria. A salvação refere-se aqui às
aflições físicas dos fugitivos. Eles deveriam viver e anunciar o evangelho a todas as nações (v. 10).
Por causa dos eleitos que ele escolheu, abreviou tais dias. Nas semanas e meses do morticínio
horroroso de judeus, Deus pensa especialmente nos que escolheu, que devem sobreviver. Para eles,
ele detém catástrofes.
Só aqui e ainda nos v. 22,27, encontramos no livro o adjetivo eleitos, porém bem sublinhado e
obviamente com propósito. De fato, o termo se sugere exatamente aqui por causa do assunto. Como
mostram numerosos exemplos do NT, o termo é usado em declarações sobre o tempo do fim. Os
eleitos são o novo começo de Deus em um mundo que está passando. Ao mesmo tempo uma linha os
une com templo e sacerdócio, como mostra p ex também 1Pe 2.4-10. Eles são as primícias do culto
perfeito a Deus. Por isso estes fugitivos, atrás dos quais o templo logo arderá em chamas, são
chamados de “eleitos”. Afinal de contas, na passagem importante em Lc 18.7 eles são descritos como
aqueles que, em sua angústia, clamam a Deus “dia e noite”. Isto pode estar pressuposto aqui. Por
causa dos eleitos, então, tem o sentido: por causa das suas orações. A influência das orações nos
julgamentos encontramos também em Ap 6.10; 8.3-5; 22.17. Aqui estas orações causam a abreviação
daqueles dias. Tal suspensão própria da vontade de Deus em resposta à oração era estranha ao
pensamento judaico. Eles criam em um Deus que “não transtorna” os propósitos uma vez tomados e
não os deixa transtornar (4Esdras 4.37). Com o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, porém, há
adiamentos com misericórdia (Lc 13.6-9) assim como abreviações misericordiosas (Lc 18.7s). Para
tanto as orações dos eleitos desempenham um papel vivo.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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