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84 Última advertência contra o falso messianismo, Mc 13.21-23

Última advertência contra o falso messianismo, Mc 13.21-23 
(Mt 24.23-25; Lc 17.23; cf. Mt 24.11)

21-23 Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito. 

Em relação à tradução
   a
     Aqui Marcos mostra sua terminologia peculiar. “Sinais”, para ele, sempre está em contextos negativos
(8.11,12; 13.4,22; parecido com Paulo em 2Ts 2.9). É significativo que as duas únicas passagens positivas
estão no suplemento (16.17,20). Marcos evita a palavras “sinais” inclusive no v. 24, apesar de se sugerir por
Jl 3.3 e os textos paralelos em Mt 24.30 e Lc 21.25 a terem usado. O termo, portanto, parece ter tido uma
conotação negativa.
Observação preliminar
Contexto. “Então” é raro em Marcos, seu sentido ainda não foi atenuado e cria um peso próprio para os
próximos três versículos. O parágrafo olha de volta para todo o bloco do discurso, em que Jesus disse “tudo”
(v. 23). Isto cria uma moldura. Pois da mesma forma como o v. 5 já advertiu contra os falsos messias, este
trecho final o faz mais uma vez. Uma moldura assim é uma maneira de colocar o que está no meio debaixo do
mesmo tema.
     21     Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Exatamente a Guerra Judaica, que
Jesus viu formando-se aqui, fora inspirada messianicamente pelos zelotes. Estes às vezes eram
chamados pelos judeus de “homens de ação”. Eles ensinavam que era preciso fazer alguma coisa
para que viesse o reinado de Deus. Depois, Deus também faria algo. Se todo o Israel se levantar
contra Roma pela fé, Deus não poderia fazer outra coisa a não ser abreviar o tempo e enviar o
Messias no momento de maior angústia. Assim, a vinda do reino não é uma ação divina soberana,
como para Jesus no v. 32, mas o Messias se deixa “empurrar” por uma ação de fé audaciosa (Hengel,
Zeloten, p 128s,254,273; talvez a passagem difícil de interpretar de Lc 16.16 caiba neste contexto). A
isto se juntava que muitos do povo acreditavam que o Messias se ocultaria em um esconderijo por
um bom tempo antes de entrar em cena (Bill. I, 955; cf. Jo 4.29; 7.26s). Especialmente o deserto era
imaginado como ponto de partida (Mt 24.26).
Opiniões como esta obviamente criavam distúrbios sérios em tempos de angústia. Quem tem um
indício? Quem o descobre? Com simples impressões logo havia grandes ajuntamentos. Pesch
enumera (p 298s) uma série destes chamados zelóticos de alerta antes do ano 70. Os Atos dos
Apóstolos também trazem exemplos (5.36; 21.28). Todavia, a cristandade judaica foi preservada pela
advertência clara de Jesus: Não acrediteis! A cristandade gentia em termos gerais também não deu
espaço ao messianismo guerreiro (Jeremias, Theologie, p 76s,219-221) e foi fiel ao evangelho do
Messias crucificado.
     22     Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se
possível, os próprios eleitos. A menção dos profetas neste lugar cabe perfeitamente no quadro, pois
do Messias esperavam-se também habilidades proféticas (14.65; Jo 6.14s), de modo que Messias e
profeta nestes contextos são termos intercambiáveis. O que importa notar aqui é que “sinais e
prodígios” faz lembrar de Dt 13.2, onde também se adverte contra os milagres de profetas falsos,
com que pretendem seduzir pessoas para outros deuses. A estes Jesus está comparando os messias
tão populares, por mais que o público os admirasse.
     23     Agora Jesus identifica os eleitos do v. 20 com os discípulos à sua frente: Estai vós de sobreaviso;
tudo vos tenho predito. A tentação de ficar no país era grande para os discípulos. Na Antigüidade,
quem deixasse seu povo e sua pátria estava abandonado. A viúva desprotegida que grita em Lc 18.7 é
seu retrato. Mas com a palavra profética clara do seu Senhor eles estavam orientados e conheciam o
caminho divino.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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