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85 A vinda do Filho do Homem em poder e glória, Mc 13.24-27

A vinda do Filho do Homem em poder e glória, Mc 13.24-27 
(Mt 24.29-31; Lc 21.25-28)

24-27 Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória. E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até à extremidade do céu.

Em relação à tradução
   a
     Enquanto no começo do versículo e no v. 27 “céu” está no singular, aqui temos o plural. Certamente se
trata do plural poético, que dá impressão de plenitude (von Rad, ThWNT V, 501: “plural da expansão em
termos de espaço”). A favor disto fala a proximidade do AT. A idéia de vários céus só apareceu no judaísmo tardio.
   b
     Enquanto as preposições podem variar (Mt 24.30 tem “sobre”, Mc 14.62 “com”), na visão das nuvens
plural ou singular parecem fazer diferença. Quando as nuvens são várias, elas enfeitam o juiz (segundo Ap
1.7), uma só nuvem testifica a presença de Deus (9.7; At 1.9; Ap 10.1; 11.12; 14.14; 15.16). Lc 21.27,
porém, parece destoar desta regra.
   c
     Isto é, da direção dos ventos, dos pontos cardeais.
   d
     akron significa ponta, mas também borda, fim. O AT tem numerosas passagens semelhantes (p ex Dt
4.32; 13.8; 28.64; 30.4; Is 5.26; Zc 2.10), mas Jesus não segue nenhuma especificamente, antes dá uma
impressão própria.
Observações preliminares
1. Contexto. O v. 23 deu a impressão de ser o fim do discurso. Entretanto, seguem adendos de caráter
próprio. Aqui, não é só a indicação dupla de tempo no v. 24 que mostra claramente que estamos diante de uma
situação totalmente diferente, mas também a gstrutura do parágrafo. Dos mais de 20 imperativos do capítulo,
nestes versículos não há nem um. Portanto, o trecho não é de advertência, de ativação dos discípulos, mas
somente ensino profético sobre a ação concluinte de Deus. Desapareceu também a referência à Judéia. Tudo se
abre para o universal. A apresentação, porém, ainda é determinada pela lembrança dos eleitos no v. 27. Até
aqui se leu sobre os terríveis sofrimentos e perigos deles (v. 20,22), agora predomina um tom mais consolador.
2. Caráter vetero-testamentário. Estes versículos contém mais referências escriturísticas do que talvez o
restante do capítulo. Linha após linha se apoia em expressões dos antigos profetas e poderia ser comparado
também com uma porção de paralelos dos escritos judaicos, apesar de não haver nenhuma citação expressa.
Como as parábolas e declarações de Jesus já mostraram, ele viveu no âmbito da Escritura. Sem conhecimento
do AT ele não poderia ser compreendido. Entretanto, ele se movia nesse espaço com total liberdade. Por isso
não recebemos dele um prato requentado de comida de ontem. É verdade que ele utilizou elementos do AT e
da apocalíptica judaica em sua construção, mas a construção em si, a direção e a concentração no que é
essencial são, nele, sem paralelo – apesar de todos os paralelos.
     24a     Mas, naqueles dias. Esta indicação de tempo não está ligada, quanto ao estilo de narrativa, ao que
foi dito diretamente antes. Para isto o corte entre os parágrafos é muito profundo. Isto é garantido
especialmente pela segunda indicação de tempo (como acontece com freqüência com indicações
duplas de tempo em Marcos: 1.32,35; 4.35; 10.30; 14.30,43; 15.42; 16.2; cf. Jeremias, Abendmahl, p
11): após a referida tribulação. Aqueles dias, portanto, estão expressamente além destes
acontecimentos históricos. Eles são separados “daqueles dias” nos v. 17,19 por um “mas” ponderado
no início do nosso versículo, e possuem qualidade própria. Eles interrompem a história, por Deus. De
todos os eventos anteriores ao v. 24 foi dito energicamente: Ainda não é o fim, só o começo (v. 7s).
Este “ainda não” agora é suspenso e finalmente substituído por um “então” vigoroso nos v. 26,27.
     24,25     Segue em três linhas a retirada do poder dos astros e, em uma quarta, um resumo. O sol
escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento. De acordo com Gn
1.14-17, os astros são regentes sobre “tempos, dias e anos” estabelecidos por Deus. Eles constituem a
história. Por trás da voz passiva “escurecerá” está uma medida de Deus. Ele encerra as funções deles
e, com isso, dá início ao julgamento do mundo. O tempo da ação humana na história passou. É hora
do balanço. Isto é anunciado sempre de novo pelos profetas, mas não se pensa numa passagem
específica aqui. E os poderes dos céus serão abalados. O “firmamento” do céu (Gn 1.7), com os
astros fixos nele, que parecia ser confiável eternamente, natural e protetor, estremece, balança, perde
a segurança e não funciona mais. É claro que isto tem de atingir e causar pânico em pessoas que
tinham nos elementos da criação o seu deus (Lc 21.25s; Ap 6.12-17). A palavra profética, porém, não
nos permite especular sobre o como (tampouco como sobre o quando): se por meio de catástrofes
físicas como ondas de frio ou de calor, ou por uma guerra atômica. Aqui também não predomina o
interesse em catastrofismo ou anseio por destruição, nem fatalismo ou ativismo selvagem-heróico.
Tudo está orientado absolutamente em termos teológicos: Deus vem julgar. O abalo do mundo traz o
juiz.
     26     O primeiro “então” refere-se ao aspecto judicial da sua vinda. Depois que o telhado do mundo tiver
sido abalado e retirado, as pessoas olham fixamente como que para um buraco negro. Então, verão o
Filho do homem vir nas nuvens. Aqui as nuvens não ocultam como a nuvem em 9.7, antes revelam
grande poder e glória. Assim, esta vinda se destaca essencialmente da sua vinda p ex em 2.17 e
10.45. Característico também é que ele pode ser visto no mundo inteiro: Verão, ou seja, todos.
Ninguém precisa primeiro apresentá-lo, falar e fazê-lo conhecido. Isto o diferencia dos messias falsos
dos v. 6,21s. Por outro lado, esta necessidade de vê-lo, significa, como em Ap 1.7, juízo sobre um
mundo que não quis ouvi-lo (v. 10). Parecido também é o sentido em 14.62.
     27     A manifestação do Filho do homem não traz só condenação, mas também recompensa. Um segundo
“e (então)” se refere ao “ser salvo” dos eleitos anunciado no v. 13. E ele enviará os anjos e reunirá
os seus escolhidos. Como em Mt 13.20,40,41s,50; cf. Mc 8.38, os anjos são como trabalhadores na
colheita, que vasculham a terra por bons frutos, para o que têm de separar os frutos ruins. Agora os
eleitos finalmente saboreiam sua eleição. Até aqui tiveram de sentir muitas vezes o gosto do
contrário. Viviam em fuga, em perseguição, em dispersão – uma figura bíblica antiga para castigo.
Todavia, com a manifestação do seu Senhor, eles também se tornam manifestos como amados por ele
e reunidos para um novo templo (1Jo 4.1s; Ap 3.9). Sua reunião se dá dos quatro ventos. Isto não é
uma maneira de representar um mundo quadrado, mas de descrever a superfície da terra de modo
abrangente. Uma segunda expressão garante que nenhum lugar possível aonde alguém possa ter sido
disperso ou arrastado seja esquecido, da extremidade da terra até à extremidade do céu.
“E então?” pergunta Schlatter, Matthäus, Erläuterungen, p 301 – um terceiro “e então” – para
responder: “Aqui termina a profecia”. Não se faz nenhuma descrição do que é totalmente diferente e
novo. No fim está a simples promessa de que os caminhos de Deus, depois que o céu e a terra
passarem, “reúnem” para o culto perfeito. O que não falta são exortações aos discípulos em seu
estado atual. Isto mostram os próximos parágrafos. A profecia não foi dada para ninar.
Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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