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86 Exortação para prestar atenção nos presságios, e indicação da decisão imprevisível de Deus, Mc 13.28-32

Exortação para prestar atenção nos presságios, e indicação da decisão imprevisível de Deus, Mc 13.28-32 
(Mt 24.32-36; Lc 21.29-33; cf. Mt 5.18; Lc 16.17)

28-32 Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim, também vós: quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.

Em relação à tradução
   a
     O sujeito de “está” pode ser tanto “isto” como “ele”, ou seja, o Filho do homem do v. 26. O contexto
imediato, porém, sugere coisas: verão, colheita, portanto, “o fim”, que consiste de condenação e salvação
pelo Filho do homem.
   b
     genea pode ter o sentido de “raça, povo”. Assim interpretam aqui Schniewind, p 176; Rienecker, p
229; Schreiber, p 141. Mas as circunstâncias favorecem aqui decisivamente o sentido de “geração” (como
também em 8.12,38; 9.19), pois Jesus disse isto em sua língua materna, o aramaico (hebr. dor), que não
conhece o sentido secundário mencionado acima, antes está sempre direcionado para o tempo: os
contemporâneos de Jesus (Gerlemann, THAT I, 444; com Jeremias, Theologie, p 136).
Observações preliminares
1. Contexto. A conclusão da última interpretação já mostrou por que o discurso de Jesus não podia terminar
com o fim: a continuação trouxe mais seis exortações vivas e crescentes. Elas agora fazem referência
específica à pergunta sobre o quando do v. 4. Em termos de conteúdo ela fora respondida pelo “então” duplo
dos v. 26 e 27, mas esta resposta tinha significado pessoal para o presente dos discípulos.
2. Sobre a interpretação da parábola da figueira. Quanto ao conteúdo, veja opr 4 a 11.12-21. Isto descarta
duas interpretações:
a. A figueira não representa o povo de Israel. Esta interpretação é encontrada pela primeira vez no
fantástico Apocalipse de Pedro (cap. 2), que deve ter surgido no Egito no século II, e cujas idéias tiveram
ampla divulgação. Porém já a expressão “geração” no v. 30, mas também o AT, não apontam nesta direção.
Também não se deve recorrer aqui a 11.13,14, pois não se fala dos frutos da árvore.
b. Jeremias, Theologie, p 108; Gleichnisse, p 25,119s, interpretou a figueira verdejante como sendo o
próprio Jesus. Ele teria sido um sinal da bênção vindoura em meio ao Israel morto, segundo Jl 2.22. Esta
opinião foi seguida ao que parece por Schürmann, Worte, p 19s; Hunzinger, ThWNT VII, 757; Goppelt,
Theologie, p 106. Todavia, ela pressupõe que esta parábola originalmente tenha sido contada no meio do
período de atuação de Jesus. No entanto, nós temos de respeitá-la no contexto em que nos foi testemunhada e
dentro da sua moldura bem específica.
     28,29     Aprendei, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam, e as folhas
brotam, sabeis que está próximo o verão. A opr 4 a 11.12-21 explicou por que a figueira é um
indicador ideal das estações. Em contraste com as árvores que não perdem as folhas, a renovação
primaveril pode ser vista claramente em seus galhos nus. Como a primavera é muito curta na
Palestina, o calor forte do sol não tarda a chegar. Esta conclusão familiar tirada da árvore que brota
para a mudança da estação, Jesus aplica. Assim, também vós: quando virdes acontecer estas
coisas, sabei que está próximo, às portas. A expressão “estas coisas” encontramos várias vezes. No
v. 4 os discípulos perguntaram por “estas coisas, todas elas”. No v. 8 Jesus entendeu por “estas
coisas” o princípio das dores, no v. 23 por “tudo” o conteúdo do seu discurso (v. 5-23).
Em termos mais específicos, a expressão aqui aplica-se ao julgamento do templo, descrito com
detalhes no fim. No v. 14 lemos bem parecido: “Quando, pois, virdes…” Esta catástrofe específica
será um sinal para eles. É verdade que a isto se junta uma generalização que engloba todas as
catástrofes políticas, econômicas e sociais, segundo os v. 7s. Estes indícios de decadência do velho
sistema mundial sinalizam a “mudança de estação” para discípulos ensináveis. Para eles, eles
revelam o passos de Deus como juiz que se aproxima do outro lado da porta. Quando esta se abrirá
ninguém sabe (v. 32), mas a partir de agora isto pode acontecer a qualquer momento. Neste sentido, e
não como indicação de tempo, está próximo. Provavelmente cada geração de cristãos, desde que
conserve a esperança viva da vinda do seu Senhor, coloca esta automaticamente no âmbito da sua
própria expectativa de vida. Como poderíamos ter dentro de nós intensamente a esperança da sua
vinda em p ex apenas 300 anos? Já que a aplicação ao próprio horizonte é humanamente inevitável e
porque somos sempre humanos, necessitamos constantemente da palavra clara do v. 32 para podar
nossos pensamentos humanos.
Voltemos mais uma vez ao Aprendei! no v. 28. Como enfrentamos a questão das aflições no
mundo? Não enfrentamos, de modo a continuar vivendo sem nos impressionar? Todo esse
sofrimento à nossa volta é em vão, e nós somos incapazes de aprender?
     30     Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Para
compreender esta declaração com “em verdade” (cf. 3.28), imaginemos seus ouvintes. Para os
discípulos daquela época, “tudo isto” naturalmente se referia primordialmente às coisas tratadas nos
v. 14-23. Parece uma continuação do v. 23: “Já lhes disse tudo antes”. Ali não se tinha falado ainda
da volta de Cristo, nem aqui. Jesus está lhes prometendo com toda a solenidade que a geração
contemporânea de judeus na Judéia, madura para o juízo, não escapará. Apesar de ela o destruir,
experimentará a eficácia da sua palavra. Ainda antes de ela sair de cena, Jerusalém estará em ruínas,
com seu templo, sua riqueza e sua fortaleza ardendo entre cinzas.
     31     Uma frase generaliza tudo isto: Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não
passarão. A Bíblia gosta de medir o que realmente é eterno com aquilo que é quase eterno (p ex Is
51.6; 54.10; Sl 102.25ss; 103.15ss). Esta demonstração impressionante Jesus aplica aqui às suas
próprias palavras, certamente às palavras de condenação, mas também ao seu chamado à salvação. É
verdade que as palavras são de uma boca fraca e desprezada, mas apesar disso elas sustentam e
sobrevivem tudo. Declarações como 4.3a,9; 7.14b; 8.35,38; 10.29 já tinham colocado as palavras de
Jesus como novas grandezas em nosso mundo que está deteriorando. Exatamente nestes instantes
finais, em que esta boca em breve será fechada à força, Jesus intensifica sua reivindicação ao
máximo.
     32     No versículo final, o discurso de despedida retorna mais uma fez à pergunta inicial dos discípulos
sobre o quando. Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe; nem os anjos no céu, nem
o Filho, senão o Pai. Em meio às certezas que Jesus anunciou, fica esta grande incógnita: a data
temporal da volta de Cristo, ou seja, do “Dia do Senhor, do Filho do homem, da colheita, da
recompensa, da salvação” ou algo parecido – sugerido na Bíblia muitas vezes com “aquele dia”. “Dia
e hora” são expressões do debate dos judeus sobre a data da vinda do Messias (Bill. I, 986ss;
Schweizer, ThWNT VIII, 373, nota 270; cf. 13.35; Lc 21.34; Jo 5.25-28; At 1.7; Ap 18.10). Jesus
tirou aqui todas as bases de apoio: “A vinda do Reino de Deus não é observável” (Lc 17.20, BJ; ou:
“O reinado de Deus não vem de um modo que possa ser calculado”, tradução cf. K. L. Schmidt,
ThWNT I, 587; cf. opr 1 ao próximo parágrafo). Nesta questão Deus não precisa orientar-se por
nada. Ele não é um Deus obrigado a fazer qualquer coisa. Especialmente o Filho respeita esta
prerrogativa do Pai de ser o único a saber e o único a reinar. O sentido da vida e da morte de Jesus foi
exatamente o estabelecimento do primeiro mandamento.
Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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