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89 O ataque de Jesus: A disputa em torno do filho de Davi, Mt 22.41-46

O ataque de Jesus: A disputa em torno do filho de Davi, Mt 22.41-46 
(Mc 12.35-37; Lc 20.41-44)

41-46 Reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam eles: de Davi. Respondeu-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho? E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe pergunta. 
Na última controvérsia, é o próprio Jesus quem toma a iniciativa. Ele, a quem seus adversários
tantas vezes tentaram pegar em vão, pega agora os seus adversários, a ponto de silenciarem, porque
não querem dar a única resposta possível à pergunta de Jesus. De que, então, se trata?
Havia no judaísmo duas correntes de tradição que falavam da vinda do Messias. Havia uma
corrente ampla, que inicia já em Gn 49.10, onde se promete o Vindouro a partir da tribo de Judá (a
tradição da palavra designando o prometido está encoberta, mas pelo conteúdo a passagem foi desde
o início entendida como promessa do Messias). Ela continua, através de Isaías, pelos profetas até os
escritos judaicos tardios. De acordo com ela haverá um rebento de Davi, que Deus enviará como o
Messias.
Paralelamente existia, porém, uma outra linha na tradição, que inicia com o Sl 110 e também com
o Sl 2. Depois, através do profeta Daniel, adquiriu maior importância na apocalíptica judaica e se
mantém autônoma ao lado da primeira. Segundo ela, o Messias é entendido como Juiz do mundo,
como Filho do Homem. O dois salmos expressam isso, falando diretamente do Filho de Deus. Pois
também no Salmo 110 o Messias é designado com o mesmo título que o próprio Deus: Senhor.
A questão que Jesus formula para seus adversários é de como se deve harmonizar entre si essas
duas tradições. Ao mesmo tempo é uma pergunta de decisão sobre a expectativa que seus
adversários têm em relação à vinda do Messias. Será que esperam apenas a salvação política por
meio da ajuda divina, ou esperam pelo reino de Deus?
A resposta que deve ser dada a esta pergunta torna-se clara para nós quando vemos como a
questão foi solucionada na jovem comunidade, ou melhor, por que essa pergunta nem mais existia
para a comunidade primitiva. Despreocupadamente, ela fala de Jesus como Filho de Davi e, não
obstante, o adora como Senhor. A melhor resposta parece estar em Rm 1.3s, onde Paulo fala primeiro
de Jesus como “oriundo, segundo a carne, da estirpe de Davi”, prosseguindo, porém: “Estabelecido,
segundo o Espírito Santo, Filho de Deus com poder, por sua ressurreição”. Ele termina essa frase
com a fórmula, seguramente retirada da liturgia do culto: “Jesus Cristo, nosso Senhor!” Podemos ver
aqui como a ressurreição de Jesus simplesmente pôs de lado a pergunta que, para a teologia judaica,
parecia insolúvel. Por isso os primeiros cristãos também identificaram sem escrúpulos o Sl 110 com
Jesus, enquanto o judaísmo, para contrariá-los, em breve se empenhou para interpretá-lo de modo
diferente (aplicando-o a Abraão).
Portanto, a palavra acerca do Senhor de Davi e Filho de Davi tinha o objetivo de ilustrar para os
adversários do Senhor “a glória e a humildade de Jesus”, que ele é verdadeiro homem e verdadeiro
Deus. É a pergunta cristológica que Jesus formulou.
É por isso que Jesus coloca diante deles os dois fatos: O Messias é Filho de Davi e o Messias é,
segundo o próprio salmo de Davi, senhor de Davi, que Deus eleva à sua direita e, na glorificação,
torna vitorioso sobre todos os seus inimigos. Jesus se encontra entre seus inimigos com a autoridade
do Cristo que há de retornar. Eles se calam. Mas nem isso os leva à conscientização sobre si próprios,
antes intensifica seu ódio religioso, fanático.

Fonte: Mateus - Comentário Esperança

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