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90 A passagem de Judas para o lado dos inimigos de Jesus, Mc 14.10,11

A passagem de Judas para o lado dos inimigos de Jesus, Mc 14.10,11
(Mt 26.14-16; Lc 22.3-6)

1-11 E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus. Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro; nesse meio tempo, buscava ele uma boa ocasião para o entregar.

Observações preliminares
1. Título. Se entendemos “traição” como entrega de informações sigilosas, podemos constatar que Judas
não entrega nada nestes versículos. Podemos falar da “traição de Judas” aqui só no sentido geral de que ele foi
infiel e abandonou seu Senhor. No  NT somente Lc 6.16 o chama diretamente de “traidor” (prodotes). No mais,
em inúmeras passagens ele aparece sempre como aquele “que o entregou” (paradidonai), que abrange muito
mais do que dar com a língua nos dentes com um segredo.
2. Contexto. A conclusão da opr 1 aos v. 1,2 mostrou o interesse cristológico dos primeiros onze versículos
deste capítulo. Ele os domina com tanta força que os discípulos nem mes mo são mencionados, e se expressa
no interesse da data da Páscoa. A Páscoa, pela vontade de Deus e contra a vontade original das pessoas, deverá
ser a data da morte de Jesus – como explicação da sua morte. É nisto que Judas desempenha seu papel.
Quando ele “entrega” o Senhor (este termo-chave aparece duas vezes nestes dois versículos), o próprio Deus o
está entregando, para que ele se torne o cordeiro pascal para o povo.
10  E Judas Iscariotes, um dos doze. Só aqui esta expressão conhecida é acompanhada de artigo. Por
isso ela soa como uma lembrança intencional de 3.19: aquele que desde então não foi mais
mencionado, mas precisava ser contado e estava presente em tudo, agora sai das sombras para
entregar o Filho do homem. Ou seja, ele pôs o processo em movimento. Este, depois, continuou
andando sem ele. Todos participaram: o Conselho Superior representando o povo (15.1,10), Pilatos,
os pagãos (15.15). Mas exatamente no começo da seqüência estava “um dos doze”, como Judas é
apelidado insistentemente nos evangelhos. Do meio deles saiu aquele que deu a partida na
monstruosidade. Jesus morreu por aqueles por meio dos quais ele morreu!
Judas foi ter com os principais sacerdotes. Somente ainda em 3.13 aparece no livro este
movimento de ir embora. Lá Judas fora da multidão para Jesus. Esta entrada na comunidade com
Jesus ele reverte agora, ao ir embora para os sacerdotes. Este processo básico também não é alterado
pelo fato de ele voltar em seguida a aparecer no grupo dos discípulos. Dali em diante ele estava  entre
eles somente como estranho, como espião inimigo. Para lhes entregar Jesus. Sobre o significado e
a função deste termo, veja 1.14 e opr 1 à divisão 14.1–16.8. Ele é uma palavra chave para a missão
de Jesus. Segundo esta teologia, Judas serviu como instrumento de um acontecimento inimaginável
da parte de Deus. O próprio Deus queria sacrificar Jesus por amor ao mundo. O desamparo ilimitado
do Filho do homem na Paixão era a ajuda poderosa de Deus para nós todos.
11  Eles, ouvindo-o. O que Judas lhes deu para ouvir? Pelo contexto com o v. 1, foi a oferta de ajudá-los a prender Jesus sem chamar a atenção. Ele investigaria para eles onde e quando Jesus poderia ser
surpreendido com poucas pessoas em volta. Isto incluía ajudar na detenção em si. Ele ser viu de
“guia” ao batalhão (At 1.16; cf. Lc 22.41) e para identificar Jesus com segurança no jardim escuro
(cf. v. 43s).
Alegraram-se como os três sábios do Oriente quando viram a estrela (Mt 2.10). Este homem era
para eles um verdadeiro achado da sorte (cf. v. 43 e especialmente opr 5 a 15.6-15).
E lhe prometeram dinheiro. Marcos não diz nada sobre os motivos ocultos de Judas, mas talvez
ele os tenha sugerido com a história da unção que inseriu (cf. opr 1 a 14.1,2): Judas rejeitou este
Filho do homem disposto ao sofrimento. Quando Pedro fez isto, Jesus o chamou de “Satanás” (8.33).
No contexto das ações de Judas também se fala repetidas vezes de “Satanás” (Jo 6.70; 13.27; Lc
22.3). No que tange à ganância, para Judas ela certamente não estava presente no começo, mas foi
aumentando com a decadência crescente da sua personalidade. A recompensa pela traição (Mt 26.15)
também representou somente um décimo do valor do óleo da unção (v. 5). Ela teve a função de fazer
com que o desertor ficasse totalmente sujeito ao s sacerdotes. Dali em diante, as preocupações deles
passaram a ser as dele (“procurar” no v. 1): Nesse meio tempo, buscava ele uma boa ocasião para
o entregar. Ele ainda não podia fornecer indicações concretas. Ele fez somente um acordo, para
depois voltar para Jesus e espioná-lo. Os judeus costumavam festejar a Páscoa dentro dos muros da
cidade (Jeremias, Abendmahl, p 37s). Portanto, na última noite, Jesus deveria mudar sua norma de
sair para Betânia. Onde ele iria festejar, e onde passar o resto da noite? Assim que Judas “soube o
lugar” (Jo 18.2), ele desapareceu na escuridão (Jo 13.30), para passar a informação e ganhar o seu
dinheiro.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

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